sábado, 6 de fevereiro de 2010

Provisão Providencial de Deus

É aquela que tem haver com o sustento diário. Falamos que há seis tipos da providência de Deus: a conservação, a provisão, a direção, o governo, a retribuição e o concurso de Deus. Vimos que a conservação tem a ver com a manutenção da vida até o momento em que Deus queira. Quem decide a respeito se a vida continua ou não é Deus. O homem pode tentar fazer alguma coisa, mas quem resolve é Deus.

A provisão é o cuidado de Deus no dia-a-dia; são aquelas coisas que precisamos no dia-a-dia, seja do ponto de vista material, emocional ou espiritual. Esta provisão é a manutenção diária, na maioria das vezes, acontece de uma forma direta, precisamos ter convicção absoluta de que tudo acontece pela vontade e para a vontade de Deus.

Filipenses 4.19 – E meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.

Em Cristo Jesus Deus suprirá cada uma das nossas necessidades. Em nenhum lugar da Bíblia está escrito que Deus suprirá todas as nossas vontades, ou que Deus suprirá todos os nossos desejos. Ele supre as nossas necessidades. Um pouco antes Paulo afirmou que aprendeu a viver em todo tipo de situação; ele diz “eu sei viver em pobreza, eu sei viver em riqueza, eu sei viver livre, eu sei viver preso, mas em todas essas coisas Deus cuidou e proveu tudo para a vida dele. Deus não está provendo a nossa vida só na fartura, mas em toda e qualquer situação. É errado pensar que qualquer dificuldade é castigo de Deus. Por que passamos por dificuldades, doenças, etc.? Por causa do pecado. O pecado entrou no mundo e Deus condenou a humanidade a morrer, a trabalhar pelo pão do dia-a-dia. Nós agimos juntos com a providência. Deus concorre para que todas as coisas aconteçam, mas nós fazemos as coisas que nós também queremos, e uma das coisas que fazemos é o que pedimos a Deus. A Bíblia diz que Deus supre as nossas necessidades porque não sabemos nem pedir.

Mateus 7.11 – Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?

Veja que coisa interessante! Nós, mesmo sendo maus sabemos dar coisas boas. Deus sempre dá coisas boas. E aí podemos compreender quando a Bíblia diz que todas as coisas contribuem para o bem e são pela vontade de Deus e para a glória de Deus.

Salmo 40.17 – E sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; Tu és o meu amparo e o meu libertador; não Te detenhas, ó Deus meu!

Eu sou pobre e necessitado. Davi viveu momentos de grande pobreza, fugindo do rei Saul, depois do seu filho Absalão e teve de morar em cavernas. Chegamos a Deus reconhecendo que somos nada. A Bíblia diz que não sabemos pedir, porque pedimos conforme o nosso desejo (Tiago 4.2-3) e não de acordo com a nossa necessidade. Não temos nada. Davi está dizendo: sou pobre e necessitado. Ele disse: o Senhor é o meu Pastor; nada me faltará.

Filipenses 4.11-13 – Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.

Na humilhação, na honra, na fartura, na fome, na abundância, na escassez, Deus nos fortalece em toda e qualquer situação. Como vimos no Salmo 121 é uma proteção contínua.

Salmo 9.18 – Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente.

Quando necessitados, não seremos esquecidos, mas Deus agirá no Seu tempo. Imaginemos como Davi se sentia morando nas cavernas! Temos de aprender a pedir as nossas necessidades, sempre lembrando que nada temos como Davi: sou pobre e necessitado.

Atos 12.1-2 e 11 – Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da Igreja para maltratá-los, fazendo passar a fio de espada a Tiago, irmão de João. Então, Pedro, caindo em si, disse: Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o Seu anjo e me livro da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico.

Providência divina nos dois casos. Deus quis levar Tiago e Pedro ainda tinha trabalho pela frente. Deus foi glorificado em ambos os casos. O galardão de Tiago multiplicou.

Atos 28.8 – Aconteceu achar-se enfermo de disenteria, ardendo em febre, o pai de Públio. Paulo foi visitá-lo, e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou.

Públio, o principal da ilha hospedou Paulo; foi através de Paulo que Deus curou o pai de Públio.

2ª Timóteo 4.20 – Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto.

Paulo que curou o pai de Públio não poderia ter curado a Trófimo também? Paulo deixou Trófimo para trás porque estava doente. Por que não o curou? Porque é o tempo de Deus que é no momento da vontade de Deus. Deus tinha um motivo para o caso do pai de Públio e outro motivo para o caso de Trófimo. Esta provisão é física, emocional e espiritual.

1º Reis 17.3-4 – Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem.

A provisão de Deus está acontecendo de forma ordinária, na nossa visão de forma extraordinária. Deus provê de forma ordinária e também extraordinária. O maná foi comida que caiu do céu; uma comida que nunca se viu antes e nunca se viu depois.

1º Reis 17.9 – Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida.

Elias foi sustentado por corvos, agora ele vai para outro país, para o estrangeiro, Sidom, que hoje é o Líbano. Quando Elias chega a mulher diz que só tinha um pouco de azeite e farinha. E outra vez Deus agiu. Depois Jesus vai lembrar-se disso assim: com tantas viúvas que existiam em Israel, Elias foi enviado a uma viúva em Sarepta de Sidom (Lucas 4.25-26).

Salmo 55.22 – Confia os teus cuidados ao Senhor, e Ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.

Lança os seus cuidados. Que são os cuidados? São as preocupações. Então, lança as tuas preocupações ao Senhor e Ele te cuidará.

1ª Pedro 5.6-7 – Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.

Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. Estas palavras sabemos de cor. Tão gostoso de ouvir! Mas o que está escrito antes é de grande importância. Para pedirmos sobre nós a poderosa mão de Deus, precisamos nos humilhar, reconhecer como Davi “sou pobre e necessitado”. Enquanto achar que preciso de Deus para fazer a minha vontade em algum detalhe da minha vida e do meu nariz cuido eu, não haverá ajuda. Não falamos assim em oração, nem pensamos em falar, mas é assim que agimos. Se queremos lançar sobre Deus as nossas ansiedades, preocupações, precisamos reconhecer que nada somos. Quando nos humilhamos diante do Senhor, lançamos sobre Ele toda a nossa ansiedade. Toda. Ele certamente cuidará de nós, mas sempre no tempo de Deus.

Salmo 119.50 – O que me consola na minha angústia é isto: que a Tua palavra me vivifica.

Não é só o humilhar, mas temos uma série de meios que Deus deixou para nós enquanto esperamos a Sua resposta à nossa oração: a Palavra de Deus que nos vivifica, esse é o nosso apoio emocional.

Mateus 6.25 – Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?

Jesus afirma que temos valor para o coração de Deus e que não é preciso levarmos a nossa ansiedade.

Salmo 34.4 e 19 – Busquei o Senhor, e Ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra.

Muitas são as aflições do justo, não são as ansiedades que nós mesmos geramos em nós. O justo será discriminado, perseguido, etc.

1ª Coríntios 16.17-18 – Alegro-me com a vinda de Estéfanas, e de Fortunato, e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte faltava. Porque trouxeram refrigério ao meu espírito e ao vosso. Reconhecei, pois, a homens como estes.

2ª Coríntios 7.5-6 – Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito.

Temos o consolo emocional diretamente de Deus, mas também temos através da Palavra e de outras pessoas. Que necessidade espiritual que nós temos? Nós só temos uma necessidade espiritual: é a salvação em Cristo Jesus. A única necessidade espiritual que temos é de sermos transformados de seres pecadores em salvos, e esta só acontece pela exclusiva vontade e graça de Deus. O estudo da Doutrina da Salvação, Soteriologia, nos mostra que Deus provê tudo. Tudo. Nenhuma participação nossa. Deus envia Jesus. Quando?

Gálatas 4.4 – Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.

Na plenitude do tempo. Plenitude quer dizer que quando completou o tempo que deveria correr Deus mandou Seu Filho. Nem antes e nem depois. Plenitude não no sentido de encher, mas de completar, ou seja, chegou a hora. E na plenitude do tempo Jesus vai voltar. Quando? Só Deus sabe. Ninguém sabia quando seria a primeira vinda de Jesus. Foi na plenitude do tempo.

1ª Tessalonicenses 1.10 – E para aguardardes dos céus o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Aquele que nos livrou da ira vindoura. Porque quando chegarmos lá veremos que escapamos da ira porque proveu Alguém para levar sobre Si as nossas culpas. Precisamos nos lembrar sempre de que Deus não cancelou simplesmente os nossos pecados. Os nossos pecados não ficaram sem retribuição, porque Deus é santo e não aceitaria que o pecado ficasse sem retribuição. E essa retribuição se deu sobre Jesus. A conta foi paga. Se alguém cobrar temos o Advogado, Jesus, dizendo que a conta já foi paga.

1ª João 4.10 – Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

Aconteceu na hora certa porque Deus nos amou primeiro e nos livrou da ira vindoura. Esta é a única necessidade espiritual que nós tínhamos. Deus é responsável por toda a provisão, mesmo quando temos a impressão de que está vindo através de outras pessoas, ou mesmo quando temos a ilusão de que achamos que a provisão veio por conta do nosso esforço e capacidade.

Efésios 3.20 – Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós.

Deus é poderoso para fazer in-fi-ni-ta-men-te mais do que nós pedimos. Isto significa que estamos pedindo pouco e pedindo mal.

2 comentários:

Rubinho Osório disse...

Fabio, conheces o Roger? Ele mora na Alemanha e tem escrito coisas interessantes - e negativas - sobre o calvinismo.
Passe lá: http://teologia-livre.blogspot.com/

Fábio Adiron disse...

Rubinho

Quando alguém acha que Deus é um personagem relativo eu não levo a sério.

Só discuto religião com quem parte dos mesmos princípios fundamentais que eu. Acho perda de tempo discutir a fé. E ele acredita num deus que não é o meu Deus.