sábado, 6 de fevereiro de 2010

Provisão Providencial de Deus

É aquela que tem haver com o sustento diário. Falamos que há seis tipos da providência de Deus: a conservação, a provisão, a direção, o governo, a retribuição e o concurso de Deus. Vimos que a conservação tem a ver com a manutenção da vida até o momento em que Deus queira. Quem decide a respeito se a vida continua ou não é Deus. O homem pode tentar fazer alguma coisa, mas quem resolve é Deus.

A provisão é o cuidado de Deus no dia-a-dia; são aquelas coisas que precisamos no dia-a-dia, seja do ponto de vista material, emocional ou espiritual. Esta provisão é a manutenção diária, na maioria das vezes, acontece de uma forma direta, precisamos ter convicção absoluta de que tudo acontece pela vontade e para a vontade de Deus.

Filipenses 4.19 – E meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.

Em Cristo Jesus Deus suprirá cada uma das nossas necessidades. Em nenhum lugar da Bíblia está escrito que Deus suprirá todas as nossas vontades, ou que Deus suprirá todos os nossos desejos. Ele supre as nossas necessidades. Um pouco antes Paulo afirmou que aprendeu a viver em todo tipo de situação; ele diz “eu sei viver em pobreza, eu sei viver em riqueza, eu sei viver livre, eu sei viver preso, mas em todas essas coisas Deus cuidou e proveu tudo para a vida dele. Deus não está provendo a nossa vida só na fartura, mas em toda e qualquer situação. É errado pensar que qualquer dificuldade é castigo de Deus. Por que passamos por dificuldades, doenças, etc.? Por causa do pecado. O pecado entrou no mundo e Deus condenou a humanidade a morrer, a trabalhar pelo pão do dia-a-dia. Nós agimos juntos com a providência. Deus concorre para que todas as coisas aconteçam, mas nós fazemos as coisas que nós também queremos, e uma das coisas que fazemos é o que pedimos a Deus. A Bíblia diz que Deus supre as nossas necessidades porque não sabemos nem pedir.

Mateus 7.11 – Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?

Veja que coisa interessante! Nós, mesmo sendo maus sabemos dar coisas boas. Deus sempre dá coisas boas. E aí podemos compreender quando a Bíblia diz que todas as coisas contribuem para o bem e são pela vontade de Deus e para a glória de Deus.

Salmo 40.17 – E sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; Tu és o meu amparo e o meu libertador; não Te detenhas, ó Deus meu!

Eu sou pobre e necessitado. Davi viveu momentos de grande pobreza, fugindo do rei Saul, depois do seu filho Absalão e teve de morar em cavernas. Chegamos a Deus reconhecendo que somos nada. A Bíblia diz que não sabemos pedir, porque pedimos conforme o nosso desejo (Tiago 4.2-3) e não de acordo com a nossa necessidade. Não temos nada. Davi está dizendo: sou pobre e necessitado. Ele disse: o Senhor é o meu Pastor; nada me faltará.

Filipenses 4.11-13 – Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.

Na humilhação, na honra, na fartura, na fome, na abundância, na escassez, Deus nos fortalece em toda e qualquer situação. Como vimos no Salmo 121 é uma proteção contínua.

Salmo 9.18 – Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente.

Quando necessitados, não seremos esquecidos, mas Deus agirá no Seu tempo. Imaginemos como Davi se sentia morando nas cavernas! Temos de aprender a pedir as nossas necessidades, sempre lembrando que nada temos como Davi: sou pobre e necessitado.

Atos 12.1-2 e 11 – Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da Igreja para maltratá-los, fazendo passar a fio de espada a Tiago, irmão de João. Então, Pedro, caindo em si, disse: Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o Seu anjo e me livro da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico.

Providência divina nos dois casos. Deus quis levar Tiago e Pedro ainda tinha trabalho pela frente. Deus foi glorificado em ambos os casos. O galardão de Tiago multiplicou.

Atos 28.8 – Aconteceu achar-se enfermo de disenteria, ardendo em febre, o pai de Públio. Paulo foi visitá-lo, e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou.

Públio, o principal da ilha hospedou Paulo; foi através de Paulo que Deus curou o pai de Públio.

2ª Timóteo 4.20 – Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto.

Paulo que curou o pai de Públio não poderia ter curado a Trófimo também? Paulo deixou Trófimo para trás porque estava doente. Por que não o curou? Porque é o tempo de Deus que é no momento da vontade de Deus. Deus tinha um motivo para o caso do pai de Públio e outro motivo para o caso de Trófimo. Esta provisão é física, emocional e espiritual.

1º Reis 17.3-4 – Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem.

A provisão de Deus está acontecendo de forma ordinária, na nossa visão de forma extraordinária. Deus provê de forma ordinária e também extraordinária. O maná foi comida que caiu do céu; uma comida que nunca se viu antes e nunca se viu depois.

1º Reis 17.9 – Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida.

Elias foi sustentado por corvos, agora ele vai para outro país, para o estrangeiro, Sidom, que hoje é o Líbano. Quando Elias chega a mulher diz que só tinha um pouco de azeite e farinha. E outra vez Deus agiu. Depois Jesus vai lembrar-se disso assim: com tantas viúvas que existiam em Israel, Elias foi enviado a uma viúva em Sarepta de Sidom (Lucas 4.25-26).

Salmo 55.22 – Confia os teus cuidados ao Senhor, e Ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.

Lança os seus cuidados. Que são os cuidados? São as preocupações. Então, lança as tuas preocupações ao Senhor e Ele te cuidará.

1ª Pedro 5.6-7 – Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.

Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. Estas palavras sabemos de cor. Tão gostoso de ouvir! Mas o que está escrito antes é de grande importância. Para pedirmos sobre nós a poderosa mão de Deus, precisamos nos humilhar, reconhecer como Davi “sou pobre e necessitado”. Enquanto achar que preciso de Deus para fazer a minha vontade em algum detalhe da minha vida e do meu nariz cuido eu, não haverá ajuda. Não falamos assim em oração, nem pensamos em falar, mas é assim que agimos. Se queremos lançar sobre Deus as nossas ansiedades, preocupações, precisamos reconhecer que nada somos. Quando nos humilhamos diante do Senhor, lançamos sobre Ele toda a nossa ansiedade. Toda. Ele certamente cuidará de nós, mas sempre no tempo de Deus.

Salmo 119.50 – O que me consola na minha angústia é isto: que a Tua palavra me vivifica.

Não é só o humilhar, mas temos uma série de meios que Deus deixou para nós enquanto esperamos a Sua resposta à nossa oração: a Palavra de Deus que nos vivifica, esse é o nosso apoio emocional.

Mateus 6.25 – Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?

Jesus afirma que temos valor para o coração de Deus e que não é preciso levarmos a nossa ansiedade.

Salmo 34.4 e 19 – Busquei o Senhor, e Ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores. Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra.

Muitas são as aflições do justo, não são as ansiedades que nós mesmos geramos em nós. O justo será discriminado, perseguido, etc.

1ª Coríntios 16.17-18 – Alegro-me com a vinda de Estéfanas, e de Fortunato, e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte faltava. Porque trouxeram refrigério ao meu espírito e ao vosso. Reconhecei, pois, a homens como estes.

2ª Coríntios 7.5-6 – Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro. Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito.

Temos o consolo emocional diretamente de Deus, mas também temos através da Palavra e de outras pessoas. Que necessidade espiritual que nós temos? Nós só temos uma necessidade espiritual: é a salvação em Cristo Jesus. A única necessidade espiritual que temos é de sermos transformados de seres pecadores em salvos, e esta só acontece pela exclusiva vontade e graça de Deus. O estudo da Doutrina da Salvação, Soteriologia, nos mostra que Deus provê tudo. Tudo. Nenhuma participação nossa. Deus envia Jesus. Quando?

Gálatas 4.4 – Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.

Na plenitude do tempo. Plenitude quer dizer que quando completou o tempo que deveria correr Deus mandou Seu Filho. Nem antes e nem depois. Plenitude não no sentido de encher, mas de completar, ou seja, chegou a hora. E na plenitude do tempo Jesus vai voltar. Quando? Só Deus sabe. Ninguém sabia quando seria a primeira vinda de Jesus. Foi na plenitude do tempo.

1ª Tessalonicenses 1.10 – E para aguardardes dos céus o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Aquele que nos livrou da ira vindoura. Porque quando chegarmos lá veremos que escapamos da ira porque proveu Alguém para levar sobre Si as nossas culpas. Precisamos nos lembrar sempre de que Deus não cancelou simplesmente os nossos pecados. Os nossos pecados não ficaram sem retribuição, porque Deus é santo e não aceitaria que o pecado ficasse sem retribuição. E essa retribuição se deu sobre Jesus. A conta foi paga. Se alguém cobrar temos o Advogado, Jesus, dizendo que a conta já foi paga.

1ª João 4.10 – Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

Aconteceu na hora certa porque Deus nos amou primeiro e nos livrou da ira vindoura. Esta é a única necessidade espiritual que nós tínhamos. Deus é responsável por toda a provisão, mesmo quando temos a impressão de que está vindo através de outras pessoas, ou mesmo quando temos a ilusão de que achamos que a provisão veio por conta do nosso esforço e capacidade.

Efésios 3.20 – Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós.

Deus é poderoso para fazer in-fi-ni-ta-men-te mais do que nós pedimos. Isto significa que estamos pedindo pouco e pedindo mal.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Preservação Providencial de Deus

É a que trata da preservação da vida de todos os seres existentes; não só dos seres humanos. Deus cuida da nossa vida como Ele cuida dos pardais e dos lírios. Vamos ver alguns erros comuns, como aquele erro de achar que criação e providência é uma coisa só na ação de Deus. Isso acontece mais fortemente quando se fala da conservação; dizendo que Deus criou e conserva como uma única ação de Deus, não são coisas separadas.

Berkhof, autor de Teologia Sistemática e cristão reformado, muito conhecido no meio presbiteriano, coloca que a conservação é a manutenção da existência. Quando pensamos em manutenção é sempre em reparar, consertar. Aqui, manutenção é o fato de continuar existindo, ou seja, Deus vai garantir que continuará existindo. A conservação não obrigatoriamente detém a deterioração, que estará potente até quando Deus quiser, ou seja, pode haver a deterioração, mas Deus continua preservando. Isso acontece enquanto Deus quiser preservar, porque no momento em que Ele disser “acabou”, nada há que segure, que possa deter a Sua mão. Preservar não é deixar de desgastar, mas é a manutenção da existência.

Outro erro comum é achar que a preservação de Deus é só imediata, que é sempre direta. Deus também preserva as pessoas usando outras. Houve muitos casos em que usou seres espirituais e seres humanos para garantir a preservação, a continuidade da vida das pessoas. Passamos por muitos riscos, porque há muitos interessados em nos destruir, e é por meio de terceiros que somos preservados. E de novo, a preservação não é simplesmente a continuação da criação.

Deus começa preservando os seres espirituais.

2ª Pedro 2.4 – Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo.

Repare uma coisa interessante: Deus pega os anjos, lança no inferno, mas eles não estão destruídos no inferno. Portanto, Deus está preservando esses anjos; Ele os preserva para o castigo final no lago de fogo.

1ª Timóteo 5.21 – Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade.

Os anjos eleitos Deus guarda. A providência divina se estende sobre todas as coisas, todas mesmo. O que veremos é que a providência de Deus para uns é diferente de providência para outros. Os anjos caídos em conserva no inferno e os anjos eleitos na Sua presença. A história ainda não acabou.

Isaías 40.26 – Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas?Aquele que faz sair o Seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome; por se Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar.

Nem uma estrela some sem que Deus queira.

Neemias 9.6 – Só Tu és Senhor, Tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e Tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus Te adora.

Deus os preserva, guarda, mantém até quando seja a vontade d’Ele.

Gênesis 1.21-22 – Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e, na terá, se multipliquem as aves.

Todas as coisas. Estrelas, os exércitos dos céus, os animais.

Mateus 10.29 – Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai.

Não cai nem uma estrela e nem um pardal.

Lucas 12.6 – Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus.

Deus de nada se esquece e de ninguém.

Salmo 104.27-30 – Todos esperam de Ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o Teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra.

Todos os seres esperam em Deus, recebem de Deus. Sem Deus, acabou; mas com Deus são renovados.

Gênesis 8.22 – Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.

Enquanto a Terra existir Deus estará preservando todas as coisas.

Lucas 21.18 – Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.

Bem, se achávamos que o pardal era pouco importante... o fio de cabelo é menos importante do que o pardal. Deus concorre em todos os detalhes. Deus não definiu antes da fundação do mundo se o fio de cabelo vai cair amanhã ou não, porque não faz parte dos decretos eternos de Deus, mas Ele concorre para que isso aconteça ou não. Se for contra os objetivos de Deus para os Seus decretos eternos, não vai acontecer.

Isaías 41.4 – Quem fez e executou tudo isso? Aquele que desde o princípio tem chamado as gerações à existência, Eu, o Senhor, o primeiro, e com os últimos Eu mesmo.

Todas as coisas, todos os detalhes, está tudo definido. Se Deus estivesse manipulando todos como se fôssemos marionetes não poderíamos ser responsabilizados pelo pecado. Deus concorre, Ele permite ou não que tal coisa aconteça. Se um fio de cabelo não cai sem que Deus permita, por que alguma coisa importante vai acontecer sem que Deus permita? Muitas vezes não entendemos no momento, mas algum tempo depois passaremos a entender que Deus teve um propósito para aquele fato.

Shamar é uma palavra hebraica que significa guardar, preservar, proteger, cuidar, manter. Ela aparece duas centenas de vezes no Velho Testamento. O auge do uso desse verbo está no Salmo 121.

Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda. É certo que não dormita, nem dorme o Guarda de Israel. O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita. De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua. O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.

Nestes oito versículos aparece doze vezes o verbo shamar, deixando bem claro esse “guardar”. Vemos que essa proteção de Deus é contínua. Deus está guardando continuamente. O Deus que nos guarda não dorme, nem dormita, nem cochila; de dia e de noite, para sempre. A guarda de Deus é permanente.

Isaías 58.11 – O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam.

Deus está dizendo que Ele é inseparável da gente. No Salmo 121.5 Ele diz que Ele é inseparável de nós como a nossa sombra! Deus está dizendo assim: Eu sou a sua sombra. Não tem como descuidar! Mesmo em lugar sem luz, onde não aparece a sombra, Deus está ali como nossa sombra. Shamar, Deus está nos guardando continuamente. Falamos da preservação da existência. Até o momento que Deus resolveu que era hora de levá-lo, por mais perseguições, provações, literalmente tudo de mal, Deus nunca permitiu que ele fosse morto; mesmo naquele momento em que ele foi apedrejado e foi dado como morto, Deus o preservou (Atos 14.19-20). Deus está nos guardando. O problema é que achamos que Deus só nos está guardando quando há prosperidade; se ficamos doentes pensamos que Deus não nos guardou. Quanto às provações que passamos, fomos avisados: no mundo vocês passam por aflições, mas, lembrem-se Deus está cuidando de vocês. A proteção de Deus é individual. Ainda que Deus exerça o governo providencial que é coletivo, a provisão, a manutenção é de cada pessoa, de cada indivíduo, de cada ser; e não somente com os seres humanos, mas com toda a criação, pois Ele diz que nenhum pardal cairá sem a permissão d’Ele.

João 17.12 – Quando eu estava com eles, guardava-os no Teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.

Jesus disse que os guardou até ali e agora estava entregando para que Deus continuasse a guardar cada um deles, e nenhum se perdeu, exceto aquele que estava destinado a se perder.

Jó 10.12 – Vida me concedeste na Tua benevolência, e o Teu cuidado a mim me guardou.

Já tinha acontecido todo o mal a Jó; Deus só não permitiu ao diabo tocar na vida de Jó (2.6-8). Temos outros exemplos de preservação, por exemplo, Moisés, preservado no Rio Nilo (Êxodo 2.3-5).

2º Reis 11.1-3 – Vendo Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se e destruiu toda a descendência real. Mas Jeoseba, filha do rei Jorão e irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de Acazias, e o furtou dentre os filhos do rei, as quais matavam, e pôs a ele e a sua ama numa câmara interior; e, assim, o esconderam de Atalia, e não foi morto. Jeoseba o teve escondido na Casa do Senhor seis anos, neste tempo. Atalia reinava sobre a terra.

Atalia deu um golpe de estado matando todos os descendentes do rei Acazias, seu filho, como se fazia naquela época. Não deixavam ninguém para reclamar o trono posteriormente. Porém, Jeoseba, tia de Joás, que tinha um ano de idade, tirou o menino do palácio e o levou para o sacerdote Joiada que o escondeu na Casa do Senhor por seis anos. Joás estava com 7 anos quando Joiada o coloca no trono de Judá. E Paulo, quantas vezes? Foi colocado num cesto (Atos 9.23-25), apedrejado (Atos 14.19-20), açoitado (Atos 16.22-23), naufragado (Atos 27.42-44) e foi picado por uma serpente (Atos 28.3-6). E ainda estava vivo! Porque Deus preservou, guardou, manteve a sua vida biológica. A preservação, além de contínua e individual, é também contra o mal. A preservação é biológica, é física. Não há preservação espiritual, pois a nossa salvação é eterna. Não precisamos ser preservados espiritualmente porque não perdemos a salvação. Paulo reconhecia que enquanto tivesse missão de Deus para cumprir, sua vida seria preservada por Deus aqui na terra. Quando percebeu que sua missão estava chegando ao fim, ele disse que estava próxima a sua partida (2ª Timóteo 4.6-8). Não sabemos até que momento Deus preservará a nossa vida.

Romanos 14.8 – Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Temos de ter essa convicção. A aplicação disso para a nossa preservação é de termos a consciência de que o meu viver é Cristo e o morrer é lucro, pois estarei para sempre com Jesus.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Férias coletivas


Vou tirar um mês de férias e, durante esse período os blogs não vão ter atualização

O que não significa que você não possa visitá-los e ler algum dos 1.021 textos espalhados pelos 4 blogs que eu publico

Mens Insana

Inclusão: ampla, geral e irrestrita

Espicaçando o Marketing

Calvinistas, graças a Deus

Como alguns engraçadinhos tentam usar a área de comentários dos blogs para mandar spam e eu não estarei aqui todo dia para lê-los, durante esse período os comentários serão moderados antes da publicação, quando voltar tiro a moderação.

Um abraço a todos e até a volta

sábado, 19 de dezembro de 2009

Lições sobre a providência

É comum associar-se a Providência de Deus, até pelo fato da palavra providência significar cuidado, às obras boas de Deus. As pessoas pensam que providência é só o que Deus faz de bom, ou que as situações providenciais são somente aquelas que são agradáveis. Porém, o que vemos é que todas as coisas só acontecem de acordo com a vontade de Deus. Assim aprendemos uma palavra bonita: concurso, concorrer, que quer dizer, correr junto. Deus anda junto com todas as coisas que acontecem, sejam boas e ruins. Isto não quer dizer que Deus está executando coisas ruins, mas nenhuma coisa ruim acontece sem que Deus queira; não é só permissão, mas porque Deus quer que aconteça para uma finalidade que a gente saiba ou não. Quando estudamos as histórias bíblicas entendemos algumas, por exemplo, a história de José. Ele passou por uma série de coisas ruins: foi jogado no poço, vendido como escravo, tentado, preso; no final vimos que todas essas coisas concorreram para algum objetivo de Deus. Quando acontece em nossa vida não dá para entendermos porque passamos pelo momento desagradável, porque não temos a visão do todo. Temos a Palavra de Deus afirmando: todas as coisas cooperam para o nosso bem, nós que amamos a Deus.

Aprendemos também que só pode entender, só pode aceitar, só pode viver religiosamente bem com a história da Providência, quem tem convicção absoluta da Soberania de Deus. Se não entendemos, se não aceitamos, se eu não concordamos que Deus é soberano sobre todas as coisas, nunca entenderemos a Providência de Deus. A Providência de Deus está intimamente ligada à Soberania de Deus.

Já vimos que a Providência de Deus está relacionada com todas as doutrinas; Soberania, Onipresença, Onipotência, Onisciência, ou características do Ser de Deus. Com Seus atributos é que Deus opera a Providência. A Providência é uma doutrina pouco estudada por alguns motivos: primeiro, por motivos filosóficos. A partir do século 18, filósofos, historiadores e cientistas começaram a falar em “mãe natureza”. Dizem que todas as coisas naturais têm uma explicação natural; a natureza explica todas as coisas que acontecem na natureza, significando que Deus não precisa participar dessa história. Ou seja, a tal da mãe natureza substitui Deus. Há uma coisa mais forte do que isso, que é o humanismo no sentido de “o homem é o centro de todas as coisas”. E assim o homem se torna o soberano sobre a sua vontade, a sua vida, sem precisar de Deus. Aqueles que defendem essa história da mãe natureza e do humanismo acreditam num Deus Transcendente, ou seja, num Deus que chegou, criou todas as coisas, foi para o céu e lá ficou, deixando que “mãe natureza” cuide da criação. Não nos preocupa aqueles que pensam assim e vivem longe de Deus; nos preocupamos com aqueles que estão perto de nós, dentro da nossa Igreja, que acham que o homem toma as rédeas da situação e as decisões. Vejam os livros de auto-ajuda cristã. O que é auto-ajuda? É o poder de se ajudar a ser auto-suficiente. Em português temos a palavra oximoro que significa paradoxismo, figura que consiste em reunir duas expressões opostas entre si; auto-ajuda cristã é uma dessas figuras, porque, ou confiamos em Deus para nos ajudar ou achamos que nós mesmos podemos resolver nossos problemas. Além das questões filosóficas, há as históricas. No século 20, o século da tecnologia e da comunicação, exacerbou o que sabemos sobre as desgraças do mundo, o que levou muita gente a achar que Deus não estava mais no controle dos fatos, da história. A importância da doutrina da Providência é sabermos que Deus está no controle de tudo e de todos, como diz o Salmo 46 e o Salmo 146 “sabei que eu sou Deus...o Senhor reina para sempre” Na Sua Providência Deus está usando todos os Seus instrumentos para cuidar do objeto da providência divina: toda a criação.

João 1.1-3 – No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, E o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.

Ele estava no princípio; todas as coisas foram feitas por meio dele, ou seja, Ele estava lá criando junto; Ele está cuidando providencialmente junto.

Hebreus 1.3 – Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direta da Majestade, nas alturas.

De quem estamos falando? De Jesus, especificamente de Jesus. Havendo Deus, outrora, muitas vezes falado aos pais pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Seu Filho, Ele que é a expressão exata da Sua glória, sustentando todas as coisas. O que é sustentar? Cuidando, mantendo, conservando, portanto, Agente da Providência de Deus. Jesus não é só aquela Pessoa que veio, fez o trabalho do sacrifício da salvação, foi para o céu e está sentado à direita de Deus sem fazer nada. Jesus está na origem, no meio e no fim de todas as coisas, porque Ele é Deus.

Colossenses 1.17 – Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

Ele é antes de todas as coisas e n’Ele todas as coisas subsistem. Por quê? Porque, quando falamos da conservação providencial de Deus, nem sequer subsistiríamos sem o cuidado providencial de Deus Pai e de Deus Filho.

Salmo 104.27-30 – Todos esperam de Ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó. Envias o Teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra.

Deus dá vida às coisas sem vida. Se Ele se recolhe a vida vai. Ele dá a vida através do Seu Espírito. A providência não só faz parte do plano da salvação, mas de todas as coisas que acontecem com todo mundo, não só com os salvos. A Providência é triúna. Ela tem algumas características.

Salmo 145.17 – Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, benigno em todas as Suas obras.

Deus é justo e perfeito em todas as Suas obras. Portanto, justo e perfeito nas obras da Providência. Todas. Há coisas que achamos tão más que pensamos que Deus não deveria estar olhando para aquilo. Como Deus está em todo lugar e que vê todas as coisas, então sabemos que Deus está lá concorrendo para que aquilo acontecesse ou permitindo que acontecesse. E se Ele concorre deixando que alguma coisa ruim aconteça, mesmo assim essa ação será justa, santa e perfeita, aos olhos de Deus. Sempre volto para a história de José. O que aconteceu com José foi algo muito ruim, mas Deus, em todas as Suas ações é justo, santo e perfeito. Quando lemos a história dos babilônios, persas, assírios, vemos toda a espécie de perversidade que cometiam! Eram cruéis! Terríveis! E fizeram isso com o povo de Israel e com todos os outros povos. E isso estava dentro dos objetivos de Deus.

Isaías 28.29 – Também isso procede do Senhor dos Exércitos; Ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria.

Ele é maravilhoso! O que estava acontecendo na época de Isaías? A profecia de Isaías avisava o povo: “O exílio está chegando. Vocês serão castigados. Vocês vão sofrer”. Isto procede do Senhor que é maravilhoso e grande em sabedoria. Por isso afirmamos que a Providência só pode ser compreendida quando temos plena convicção da Soberania de Deus.

Daniel 4.35 – Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

Todos os moradores são nada. Nós somos nada. Por que a Doutrina da Providência não costuma ser popular? Porque vivemos em uma falsidade humanista em que o homem é o centro: “Eu que resolvo, eu que faço, eu que mando, eu que quero”. Quando reconhecemos a Soberania de Deus, reconhecemos que Deus é tudo e somos nada. São palavras de Nabucodonosor, ele está dizendo que somos nada. Depois de se achar muito grande e poderoso ele foi comer grama como animal.

Provérbios 21.1 – Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o Seu querer, o inclina.

A providência de Deus é sábia, mas também poderosa. O coração dos poderosos vai para o lado que Deus manda. A vontade dos soberanos da terra está nas mãos de Deus.

2º Reis 19.28 – Por causa do teu furor contra mim e porque a tua arrogância subiu até aos Meus ouvidos, eis que porei o Meu anzol no teu nariz e o meu freio na tua boca e te farei voltar pelo caminho por onde vieste.

Depois que o reino de Israel se dividiu, o Reino do Norte, Israel, teve várias dinastias, porque matavam os reis e se apossavam do trono, e todas longe de Deus. Em Judá tem uma única dinastia, que é a linhagem de Davi; alguns reis andaram com Deus e outros não andaram com Deus. Ezequias foi um dos que andou com Deus. Senaqueribe desafiou Deus, o Santo de Israel. A Providência de Deus é santa, sábia e poderosa.

Jó 34.14-15 – Se Deus pensasse apenas em Si mesmo e para Si recolhesse o Seu espírito e o Seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pé.

Há pessoas que acreditam que Deus criou uma máquina chamada “mãe natureza” para cuidar da criação. A pessoa que pensa que Deus não está no controle de todas as coisas sendo o soberano da história e da vida de toda a criação, ela não tem a menor necessidade da chamada Providência de Deus. Por quê? Porque Deus já colocou a “máquina” para funcionar. Ela pensa que com a criação Deus criou uma máquina perfeita que governa perfeitamente a criação, funcionando independente da participação de Deus. A criação de Deus é tão perfeita que ela funciona sozinha! São pessoas que acreditam no Deus Santo, Sábio, Poderoso e Criador de todas as coisas; mas, depois de ter criado tudo voltou para o céu e deixou a criação por sua própria conta, deixou o homem dirigindo o seu próprio destino. Se Deus não continuasse trabalhando, nós, não passaríamos de um dia. Se Deus não estivesse permanentemente cuidando de toda a criação, toda ela pereceria. O que é que tem de ser cuidado? Toda a criação. Tudo o que se desgasta, que envelhece, que morre. Deus não precisa de Providência; Ele é Eterno, Imutável, Santo, Poderoso e basta a Si mesmo. A Providência é em relação às obras da criação. Deus não é obra da criação.

1ª Timóteo 6.16 – o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A Ele honra e poder eterno. Amém!

O único que é Eterno, que é perfeito. O que podemos fazer para nos guardar?

Salmo 104.27-29 – Todos esperam de Ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó.

Ninguém morre fora de hora. A Providência é santa, sábia, poderosa, triúna e necessária. Sem ela não sobreviveríamos. A Providência é imediata, ou seja, sem mediação, quando Deus executa diretamente a ação providencial. Ela é mediata, ou seja, com mediação, quando Deus usa qualquer coisa da criação para atingir os objetivos de Deus mesmo. A intervenção de Jesus é imediata, pois é Deus executando a Providência. Jesus é o Mediador entre Deus e os homens, mas Ele também é Deus. Deus usa como Seu instrumento para a providência aquilo que Ele criou: a natureza, o ser humano, os anjos. O próprio Jesus quando usa algo, como Deus, a Sua Providência é mediata. Por exemplo: na multiplicação dos pães Ele usou pães e peixes. Quando disse a alguns: Vai, está curado. É uma ação imediata, porque não lançou mão de coisa nenhuma. Há naturalistas querendo explicar com fenômenos naturais a revoada de codornizes sobre o acampamento de Israel. Elas estavam lá porque Deus quis.

Oséias 2.21-22 – Naquele dia, eu serei obsequioso, diz o Senhor, obsequioso aos céus, e estes, à terra; a terra, obsequiosa ao trigo, e ao vinho, e ao óleo; e estes, a Jezreel.

Deus diz que faz o ciclo acontecer de forma que começa imediata, quando Ele será obsequioso aos céus, depois continua mediata, porque um será obsequioso ao outro; será bem sucedido, será feliz, será próspero.

Salmo 104.14 – Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão.

Cresce porque Deus faz crescer.

2º Crônicas 14.11 – Clamou Asa ao Senhor, seu Deus, e disse: Senhor, além de Ti não há quem possa socorrer numa batalha entre o poderoso e o fraco; ajuda-nos, pois, Senhor, nosso Deus, porque em Ti confiamos e no Teu nome viemos contra esta multidão. Senhor, Tu és o nosso Deus, não prevaleça contra Ti o homem.

Não há ninguém, além de Deus, que possa fazer alguma coisa, que possa ajudar. Além de imediata e mediata, há outros dois modos: a providência ordinária, comum e a extraordinária, assim chamada aos nossos olhos, porque aos olhos de Deus toda a providência é ordinária, é comum; faz parte da Sua própria natureza. O Salmo 148 fala dessa providência ordinária de Deus, que cuida de tudo, das pequenas coisas, do nosso dia-a-dia, da nossa sobrevivência, do nosso sustento. Chamamos de milagre aquilo que é a providência extraordinária de Deus; mas é aos nossos olhos, nossa percepção, porque o milagre para nós é tudo aquilo que para o nosso entendimento contraria a natureza física das coisas. A providência ordinária pode ser de forma mediata ou imediata. Chamamos de Providência Ordinária tudo o que acontece todo o dia, no dia-a-dia; e Providência Extraordinária aquilo que chamamos de milagres.

Há seis grandes elementos da Providência: Preservação, Provisão, Direção, Governo, Retribuição e o Concurso Providencial de Deus.

Preservação significa: Deus, manter vivo, enquanto for da vontade d’Ele, aquilo que Ele quer; porque é preciso entender que há coisas diferentes da provisão. Provisão é prover de recursos a pessoas, ou a natureza. Preservação é como Deus mantém, como conserva existente a criação. Aqui é como Deus provisiona o dia-a-dia. Veremos qual é a diferença entre Deus dirigir e Deus governar. Quando fala de dirigir, está se referindo a direção que Deus dá individualmente a cada ser. Quando fala de governo está se referindo a coletivos ou seja, as nações. A Retribuição Providencial de Deus inclui tanto a retribuição do pecado como da obediência. E finalmente o Concurso Providencial de Deus, que é o fato de Deus concorrer, estar junto de todas as coisas que acontecem.

Imagem: reprodução de quadro de Virginia Susana Fantoni Ribeiro

Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:
A providência – Rev Héber Carlos de CamposAs Institutas – João Calvino
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(todos da Cultura Cristã/CEP)


As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

domingo, 13 de dezembro de 2009

Faze-nos deuses

…e o povo assentou-se para comer e beber, e levantou-se para divertir-se.” (Ex 32:6b)

As festas judaicas têm a característica de serem longas e alegres. É um povo que gosta de comer, beber, ouvir música, dançar. Mesmo as festas religiosas são assim. No entanto, nem sempre as festas judaicas , mesmo as religiosas, tiveram origens corretas ou se dirigiram ao único e verdadeiro Deus.

Como todo povo impaciente - e as pessoas são impacientes e ansiosas - vendo que Moisés demorava para voltar do Sinai os israelitas pediram a Arão que fizesse um outro deus pois aquele que os tirara do Egito com mão forte e poderosa parecia ter ficado quieto. Assim que o bezerro de ouro ficou pronto foi adorado e o povo comeu, bebeu e divertiu-se.

O Carnaval também é uma festa de origem religiosa. Também tem origem na ansiedade do povo cristão. Como a Igreja determinou que ninguém deveria comer carne durante os 40 dias que antecediam a Páscoa, a própria Igreja instituiu , durante a Idade Média, que o último dia antes da abstenção seria a festa da carne - “carnaval” significa, originalmente, a remoção da carne.

O que era literal ( carne, alimento) foi aos poucos tornando-se simbólico. O carnaval foi se tornando a festa onde os pecados da carne estavam liberados, seriam perdoados na 4a. feira sob o simbolismo das cinzas e , “purificados”, as pessoas voltariam a ser piedosas durante a quaresma.

Da mesma forma que os judeus durante a peregrinação no deserto, adora-se outros deuses. Da mesma forma Deus está dizendo : “ …o teu povo se corrompeu e se desviou do caminho que eu lhes havia ordenado…” Os deuses que são adorados nessa festa são conhecidos , “e são : prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria…bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a estas .” ( Gl 5:19-21)

Você pode até achar o carnaval uma festa bonita e colorida, você pode dizer que só acha bonito o desfile, que só ficou vendo aquele baile na TV por que não tinha outro programa...lembre-se que a Bíblia nos ensina que a pratica e a conivência com a prática do pecado são a mesma coisa. Tenha consciência de que Deus já declarou e preveniu no passado e continua avisando no presente: não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Corpos perfeitos?

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? I Co 6:12-20

Nos dias de hoje existe uma preocupação exagerada a respeito do corpo. Muitas pessoas passam a vida em busca do elixir da eterna juventude nas academias de ginástica, nas clínicas de endocrinologistas e nas mesas de cirurgia plástica. A Bíblia nos ensina que devemos cuidar do corpo, afinal é nele que habita o Espírito de Deus. Ao mesmo tempo, também ensina que não podemos colocar nada acima do louvor a Deus, nem o corpo onde Ele habita.

Paulo escrevendo aos Coríntios se defrontava com duas questões relativas ao corpo. De um lado a preocupação alimentar judaizante que pregava que determinados alimentos faziam mal espiritualmente ao corpo (naquela época eles ainda não sabiam o que era colesterol...).

De outro lado, a influência dos cultos pagãos de fertilidade, onde se praticavam relações sexuais com prostitutas (destinadas para esse fim) como parte do culto.

A cultura grega separava totalmente o corpo do espírito. A cultura judaica que entendia que o corpo era mais do que a casca exterior. Uns entendendo que, se o corpo volta ao pó, nada que é feito com ele afeta a vida espiritual, outros que a renúncia a quaisquer prazeres carnais os levaria à salvação (o mesmo Paulo vai alertar Timóteo sobre isso em I Tm 4:1-5).

A saúde espiritual do corpo sempre é colocada em evidência na Bíblia. Não adianta nada um corpo sarado e marombado para usá-lo de forma inconveniente diante de Deus.

Não temos abertamente cultos com atividades sexuais, mas quantos não estão procurando o corpo perfeito como forma de promover sua promiscuidade sexual, acreditando que quanto mais desejáveis forem, mais parceiros poderão conquistar? Que alimentam seus egos através do seu desempenho sexual (basta parar na frente de uma banca de jornal e ler as capas de revistas masculinas e femininas com fórmulas mágicas para se tornarem melhores na cama) ?

São valores que a sociedade promove continuamente através da mídia. Quanto mais melhor, para poder ter mais é preciso um corpo que se adeque aos valores estéticos desses tempos.

Em relação aos alimentos a Bíblia é clara, nada do que entra pela boca é, a princípio, condenável. Condenáveis são os excessos como a bebedeira ou a glutonaria. Condenável é se deixar controlar pelos alimentos ou pela busca incessante do corpo perfeito. Corpo perfeito nós só teremos quando recebermos um novo corpo incorruptível (1 Co 15:35-49).

Isso não significa que podemos abandonar nossos corpos sem cuidados. A regra fundamental é a do domínio próprio para que apresentemos nossos corpos em sacrifício vivo e agradável a Deus em nosso culto (Rm 12:1).

Mesmo quando nosso corpo estiver chegando aos seus momentos finais, não cabe a nós determinarmos o seu fim. Nenhum argumento (dizer que a batalha está perdida, que a doença não tem volta, que não quer perder a dignidade ou envergonhar a família) justifica que o homem destrua o seu próprio corpo.

O homem ou a mulher perfeita não se definem pelas formas e capacidades do seu corpo. Estamos cuidando do corpo como mordomos daquilo que Deus nos deu, ou estamos adorando o corpo ao invés de Deus? Cuide do seu corpo, afaste-o da idolatria, não o deixe se degradar quando você pode mantê-lo saudável. Mas nunca esqueça que ele não é seu, e que o dono vai pedir contas de como você cuidou dele.

domingo, 29 de novembro de 2009

Judas e os enganadores

Comece sua leitura longe dessa tela. Pegue sua Bíblia e leia a epístola de Judas. São 24 versículos no finalzinho do Novo Testamento, o último livro antes do Apocalipse.

O Judas que escreve essa carta não é o Judas, filho de Tiago (também chamado de Tadeu) nos evangelhos. Esse se identifica na sua carta como irmão de Tiago (Mt 13:55), portanto, também irmão de Jesus.

Ele é humilde o suficiente para não usar essa relação familiar como atestado de autoridade. Não é do tipo que diria: "sabe com quem você está falando?". Pelo tema da carta, supõe-se que a tenha escrito depois do ano 50 d.C.

O tema lembra muito a preocupação de Pedro e de Tiago nas suas cartas: os falsos mestres que surgiam dentro da Igreja. Pessoas que diziam que a salvação era alcançada pelo conhecimento intelectual sobre Cristo (gnosticismo), que alegavam que o pecado não era assim tão ruim e podia ser facilmente removido. Pessoas que definiam a igreja como um corpo de pessoas iluminadas e detentoras dos mistérios de Deus (II Pe 2:1-3).

Você já viu esse filme recentemente? Tenho certeza que sim.

Ele mesmo diz que os crentes já tinham sido avisados que isso iria acontecer. Não podiam se deixar enganar.

Assim como não podemos nos deixar enganar por aqueles que hoje manuseiam (e bem) a Palavra só para nos confundir e defender suas sinecuras.

Não faltavam exemplos na história mostrando que os maus se infiltravam para conturbar o ambiente. Judeus que não acreditaram que podiam entrar na Terra prometida(IICo 10:5, Hb 3:17, Nm 14:29-30); Anjos rebeldes (II Pe 2:4); Sodoma e Gomorra(Gn 19:1-24); Falsos Mestres(II Pe 2:10); Caim, Balaão, Coré.

A carta não fala só dos maus exemplos, mas nos orienta como proceder nessas situações.

Antes de mais nada precisamos ter os olhos bem abertos para identificar aqueles que introduzem perturbação e só cuidam de si próprios. São nuvens que tapam o sol, mas não deixam chover para que a terra seja regada.

O que pode nos defender é a maior de todas armas cristãs, a edificação. Conhecer profundamente a Palavra ( e não conhecer a palavra dos falsos mestres), ter um vida de oração e de comunhão com Deus.

Devemos manter distância deles, mas só isso não basta, não podemos deixar de livrar os inocentes, aqueles que ainda bebem só leite, das suas garras.

Aquele que é poderoso para nos guardar dos enganadores, é o único digno de de glória, majestade, império e soberania. O resto é invenção de homens.

domingo, 22 de novembro de 2009

Quase convertido...

Antes de continuar, leia Atos 26:1-32

Muitas vezes nos perguntamos por que certas pessoas nunca se convertem. Pessoas que estão envolvidas com o povo de Deus, por parentesco ou amizade. Que frequentam a igreja onde aprendem a palavra e conhecem testemunhos reais e sinceros dados por seus familiares ou conhecidos.

Não conseguimos entender como que elas não são tocadas por sermões geniais, por cânticos emocionantes ou pela vida cristã de quem está ao seu lado. Entendemos menos ainda como é que essas pessoas, mesmo sendo alvo de orações por muitos anos, nunca se arrependem dos seus caminhos longe de Cristo.

Algumas delas chegam mesmo a dar sinais de que poderiam se converter, mas sempre falta um pouquinho para o passo decisivo.

Essas pessoas não são as primeiras, nem serão as últimas a passar por essa situação. Temos uma situação muito semelhante no começo da era cristã.

Paulo estava preso em Cesaréia, aguardando ser enviado para Roma. Os dois governadores romanos que o mantiveram preso (Félix e Festo) sabiam que não havia nenhuma questão legal que justificasse a prisão de Paulo, mas o mantinham lá para não desagradar os judeus e, ao mesmo tempo, para protegê-lo dos mesmos judeus que queriam matá-lo.

Um certo dia, Agripa II, rei da região da Cilícia (a mesma de Paulo) e judeu colaboracionista com o governo romano, vem visitar Festo. Esse, sabendo que Agripa era conhecedor das leis e das tradições judaicas lhe expõe o caso de Paulo. Agripa pede para conhecê-lo e o apóstolo é trazido ao governador e ao rei.

Paulo não tinha nada a perder, já tinha apelado a Roma. Faz um discurso que não é uma defesa jurídica, mas um testemunho cristão. Agripa o ouviu atentamente e, quando Paulo encerrou seu discurso, declarou que por pouco não tinha sido persuadido a tornar-se cristão.

Por que por pouco? Agripa era um homem envolvido com o povo de Deus, conhecia os profetas e as promessas, acabara de ouvir um testemunho real e sincero de um dos maiores evangelistas de toda a história. Todas as condições eram favoráveis à sua conversão. Mas ela não aconteceu.

Não sabemos quais foram os motivos que impediram Agripa de se converter, assim como não sabemos por que isso acontece com tantas pessoas. Mas podemos imaginar hipóteses.

A primeira é a de que Agripa não era a pessoa certa. Deus é soberano na eleição. Todos nós nos perdemos em pecados e como pecadores não temos nenhuma capacidade de fazer escolhas espirituais. Para alguns isso soa injusto mas não podemos nos esquecer de que se a justiça fosse aplicada sobre nós, todos estaríamos condenados à morte eterna. Só mesmo a graça de Deus para escolher alguns para a salvação.

Outra possibilidade é de que não fosse o momento certo. Deus é soberano no tempo. Jacó conviveu anos com Deus, mas foi se converter já velho, voltando para Canaã. Paulo testemunhou a pregação de muitos mártires, mas não foi nesse momento que teve seu encontro com Cristo. Judas conviveu pessoalmente por muito tempo todo com Jesus e se perdeu, o ladrão da cruz teve poucos minutos antes de morrer para reconhecer Cristo como seu Senhor, e se salvou.

Por fim, é possível que a mensagem não fosse a certa para tocar o coração de Agripa. Deus é soberano na forma de conversão. Não é oratória bonita, nem linguagem adequada, nem testemunho comovente que transformam o coração do pecador, mas a ação do Espírito Santo. Conversão não é mérito de quem evangeliza.

A pergunta que fica é: se o que fazemos não é o que leva os homens a Cristo, qual é a nossa função?

Nós não sabemos quem são os eleitos, mas sabemos que temos a missão de levar o evangelho a toda criatura.

Nós não sabemos qual é a hora certa, mas fomos instruídos a pregar em todo tempo, quer seja oportuno ou não.

Nós não sabemos a forma certa, mas não podemos partir do princípio que algum meio é melhor que outro, se calarmos as próprias pedras clamarão.

Podemos orar para que o Espírito Santo toque o coração das pessoas, mas sem nunca esquecer que a soberania é de Deus, não nossa.

Cabe a nós obedecermos aquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

domingo, 15 de novembro de 2009

A páscoa

A Páscoa, seja ela do judeu, seja a nossa Páscoa, desde aquele tempo, é a festa mais importante do povo de Deus.

Páscoa, em hebraico, pesach, significa “passar por cima”, no sentido de poupar. Quem passou por cima de todas as casas dos israelitas foi o anjo do Senhor. Estamos falando de uma passagem, que é muito mais do que a simples passagem pelo mar Vermelho! Não que a passagem pelo mar foi simples. Definitivamente não foi. Porém, é muito mais do que isso, porque é uma passagem de um estado para outro estado. Assim como a nossa Páscoa é a passagem de um estado para outro estado. A passagem do estado de escravidão para o estado da liberdade na terra que o Senhor dará. Assim. Nós também passamos do estado de escravidão do pecado para a liberdade em Cristo Jesus, a caminho da Terra Prometida, a Pátria Celeste. Em ambos os casos, tanto o povo judeu como nós, os cristãos, depois da passagem e antes da Terra Prometida, temos um tempo intermediário que passamos a viver pela esperança. É a nossa esperança. Os israelitas chegaram à Terra Prometida, Canaã. Nós também chegaremos.

Vamos ver algumas coisas que são simbólicas. Na Bíblia não existe coincidência. Em que época do ano se deu esse fato? No mês de Abibe, que passou a ser o primeiro mês do ano; no calendário atual, março ou abril, que no hemisfério norte é saída do inverno para entrada da primavera. O inverno, no hemisfério norte, é uma estação associada a uma situação de morte, tem a simbologia de morte; tudo coberto de neve é como se a natureza estivesse morta. A primavera tem a simbologia de nova vida, de renascimento. A Páscoa aqui é na mesma época, porque, como a Bíblia diz, Jesus estava indo para celebrar a Páscoa em Jerusalém, para a comemoração do Pesach. Há alguns fatos da crucificação de Jesus que estão ligados à Páscoa, como tirá-lo da cruz antes do fim do dia.

Qual era o preparativo para esse Pesach? Um cordeiro, pães asmos (sem fermento), ervas amargas, lombos cingidos, sandálias nos pés, cajado na mão e o SANGUE. Os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão se ligavam à viagem que empreenderiam, estavam prontos para caminhar. Com a celebração da Páscoa é o cordeiro, as ervas, os pães e sangue. A Páscoa é uma refeição. Para nós é também. Qual é a nossa refeição? A Santa Ceia. A Ceia que Jesus instituiu quando Ele comemorou a Páscoa com os Seus discípulos e separou dois elementos da ceia como símbolos para celebrar a nova Páscoa.

A Páscoa do judeu é esta refeição de um cordeiro perfeito, que será sacrificado e tirado o sangue. Por quê? Porque não existe remissão de pecado sem sangue (Hebreus 9.22). O cordeiro seria assado e acompanhado com ervas amargas para lembrarem o sofrimento da escravidão. Essa erva era um memorial dos tempos de amargura. O cordeiro assado com a gordura, pois a gordura é o que dá sabor à carne. Quando se queima a gordura sai o aroma, por isso em todos os sacrifícios a gordura era queimada em oferta de aroma agradável a Deus. O sangue era para ser derramado para o sacrifício e não ingerido. O pão sem fermento, porque o fermento é símbolo de corrupção. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Sem fermento significa: sem o fator que corrompe a farinha.

O sangue foi espargido nos umbrais das portas. O umbral tinha uma simbologia não só judaica- cristã, mas dos cultos pagãos também, porque o umbral é o que mostra a entrada da minha casa, mostrando aquilo que eu creio e aquilo que eu sou.

Deuteronômio 6.9 – E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

Escrever nos umbrais da porta de casa a Palavra de Deus. O Senhor está dizendo: tenha isso no lugar em que você passa toda hora, todo o dia, para memória, para se lembrar do compromisso com Deus. Anos mais tarde o que o povo colocou atrás das portas?

Isaías 57.8 – Detrás das portas e das ombreiras pões os teus símbolos eróticos, puxas as cobertas, sobres ao leito e o alargas para os adúlteros; dizes-lhes as tuas exigências, amas-lhes a coabitação e lhes miras a nudez.

Os símbolos eróticos se relacionavam com os cultos pagãos, pois as religiões pagãs tinham o erotismo como símbolo da fertilidade, para adorar um deus que fosse dar fertilidade para a terra, o rebanho e o povo. Era uma horrível forma de idolatria.

O Pesach é uma refeição, tem toda a preparação dessa refeição, e durante essa refeição vai acontecer uma passagem, mas essa refeição tem algumas características de como participar dela. O participante começaria a se preparar sete dias antes tirando todo o fermento de casa. Se o cordeiro fosse grande para a família, deveria convidar outra família; nada podia sobrar do cordeiro, o que sobrasse deveria ser queimado. Não podia quebrar os ossos desse cordeiro.

No final de todo esse episódio, o povo foi tirado da escravidão, levado para a terra prometida, e o ano começava celebrando a Páscoa. O povo perdeu essa sincronia, porque hoje o ano judaico começa perto do Iom Kipur, a Festa de Purim, e não da Páscoa. O calendário judeu difere do nosso, porque a cada quatro anos temos um ano com 366 dias, o ano bissexto; no deles tem um ano com 13 meses a cada determinado tempo, para compensar as seis horas que faltam para completar o ano.

Além de ser a festa mais importante dos judeus e dos cristãos, a Páscoa é um memorial. A Páscoa não vai fazer acontecer alguma coisa, não vai criar novas ações, novos milagres, ela é uma Festa de lembrança. Sempre que participamos da Ceia, como disse Jesus: fazei isso em memória de Mim.

Quatro mil anos depois, o Senhor Jesus comemora a Páscoa dos judeus, junto com Seus discípulos. Foi uma refeição normal de Páscoa, como Deus havia determinado. Mas, naquele dia, o Senhor Jesus tomou dois elementos e os tornou símbolo da Páscoa cristã.

Para a nossa Páscoa, comemorada na mesma época, temos o Cordeiro sacrificado, na pessoa de Cristo Jesus, Seu sangue derramado e Seus ossos não foram quebrados. O Cordeiro inicia perfeito e acaba totalmente consumido; tanto que quando o soldado abriu o lado com uma lança, saiu água.

Então, temos o Cordeiro perfeito, sacrificado, mas não temos ervas amargas, não para nós, mas teve para Jesus. É um memorial para nunca esquecermos o sacrifício de Jesus por nós.

Hebreus 7.26-28 – Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como Este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a Si mesmo se ofereceu.

Um sacrifício completo, suficiente e definitivo. O sacerdote precisava sempre oferecer primeiro um sacrifício por seus próprios pecados e depois outro pelo povo, e isto todos os anos. O de Jesus foi único, completo, perfeito, suficiente e definitivo.

O pão passou a simbolizar a carne, o corpo de Cristo, que Jesus entregou por nós; e o vinho passou a simbolizar o sangue de Jesus derramado por nós. A Santa Ceia é um memorial da nossa redenção.

Embora, todos os anos comemoramos a Páscoa na época certa, toda vez que participamos da Santa Ceia estamos celebrando a Páscoa cristã. A Páscoa é um memorial, a lembrança que temos de fazer todos os dias.

domingo, 8 de novembro de 2009

Mordomos infiéis

Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão. Is 24:6

O clima está nos jornais todos os dias. E não é de hoje que o assunto é pauta obrigatória na mídia. Em 1992 acontecia no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o meio ambiente e o desenvolvimento. O protocolo de Kyoto, para controle da poluição é discutido desde 1988, já atingiu sua maioridade legal sem que nada tivesse mudado de forma significativa.

Os problemas da Terra são muitos, mas podemos nos concentrar nos três mais impactantes. O efeito estufa, provocado pelo excesso de gás carbônico, que está elevando as temperaturas do planeta. O crescimento buraco na camada de ozônio que nos protege dos efeitos nocivos dos raios solares, e as chuvas ácidas, carregadas venenosamente de poluentes. Existem outros: poluição de mananciais, extinção de espécies animais e vegetais, uso de recursos não renováveis.

O mais interessante dessa história toda é que não existe quem não conheça as soluções para esses problemas, mas cada um só pensa nos seus benefícios de curto prazo (afinal, estaremos mortos quando o problema não tiver mais solução, não é mesmo?)

Apesar de ser um tema crucial para a sobrevivência da humanidade, esse é um assunto sobre qual as igrejas não passam nem perto. Por que não ouvimos nenhuma manifestação dos líderes religiosos (de qualquer crença, diga-se de passagem)? Será que não temos nada a dizer? Ou será que não conhecemos suficientemente a Bíblia para falar a esse respeito?

Por que alguns crentes afirmam que, se a Terra vai ser destruída no final dos tempos nós estamos só dando uma mãozinha para Deus para que a destruição seja mais rápida?

Quando Deus criou todas as coisas (Gn 2:26-31) Ele deu ao homem a função de mordomo da criação. Poderia usar todas as coisas para o seu sustento, mas com a responsabilidade de cuidar do que lhe fora confiado. Na sequência, o homem pecou, contaminou a Terra com as consequências do seu pecado. Deus então ameaça destruir todas as coisas (Gn 6:5-7), mas acaba preservando tanto a raça humana como a criação e reitera a nossa função de mordomos (Gn 9:1-3)

Claro, o homem continuou a não exercer a sua tarefa, por um único motivo: o pecado. Longe de Deus o homem se considera como proprietário e não mordomo da Terra. Tem a pretensão de se igualar a Deus, não poucas vezes afirmando que cabe ao homens sustentar o planeta (tarefa exclusiva do próprio Deus, conforme Jesus declara em Mt 6:26, 30).

O homem que se acredita auto-suficiente na proteção do meio-ambiente, que supõe não precisar de ajuda para cuidar daquilo que imagina ser dono, vai continuar a destruir o planeta. O pecado continuará a afetar não somentes os seres humanos, mas tudo que está à sua volta (Is 24:1-6). Nada restará.

No entanto, como cristãos, conhecedores da tarefa que nos foi dada, devemos lembrar que, enquanto essa Terra existir, nós somos mordomos de Deus, que vai nos cobrar pela nossa obediência. Podemos não resolver sozinhos o efeito estufa, mas temos de cuidar daquilo que está ao nosso alcance.

E, principalmente, levar sempre adiante a mensagem de quem realmente é o Senhor de todas as coisas, inclusive do planeta: Sl 24:1

domingo, 1 de novembro de 2009

Os caminhos de Tessalônica - Final

1. A volta do Senhor

a) Ignorância é o alimento de todos os enganos
b) Tristeza ou esperança ?
c) Ressurreição de Cristo é a garantia da ressurreição ( I Co 15: 12-19)
d) O que é melhor ? Estar morto ou vivo ?
e) A volta
Palavra de ordem
O arcanjo e a trombeta
O Senhor pessoalmente
f) Os vivos e os mortos ( I Co 15:35-57)

2. O dia do Senhor

a) A eterna curiosidade ( At 1:7; Mt 24:36,42-44)
b) Com precisão e de surpresa
c) Os que estão em trevas
d) Os que estão na luz
Dormir : como se não houvesse juízo ( Mc 13:36; Ef 5:14)
Vigiar : cuidado espiritual ( Lc 12: 36-37)
Sobriedade : domínio próprio
e) Vestidos da armadura
Couraça da fé e do amor
Capacete da esperança
f) Nosso destino
Salvos mediante Cristo
Perdidos mediante o pecado
g) Vivos ou mortos : em comunhão

3. Lista de recomendações

a) Líderes
Trabalho
Sobre vós, no Senhor
Admoestação

Paz uns com os outros

b) Os que dão trabalho
Insubmissos : almas pequenas
Desanimados : por qualquer motivo
Fracos : espiritualmente ( sujeitos às quedas do cap. 4)
Todos : paciência
c) Os ofensores
d) Deus : essa é a Sua vontade
Alegres
Orando
Gratos
e) Espírito Santo : cuidar dos dons – especialmente da profecia
f) Julgai todas as coisas
g) Despedida : a suposta tricotomia vale um dia de estudo ( 5:23)

Bibliografia :

Bíblia de Estudo de Genebra –versão revista e atualizada – Cultura Cristã/SBB . 1999
Bíblia Sagrada – versão revista e atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil . 1969
DOUGLAS, J.D & TENNEY, Merrill C. The new international dictionary of the Bible. Zondervan. 1987
HENDRIKSEN, William. Comentario del nuevo testamento – 1y 2 Tesalonicenses . SLC. 1980
KNIGHT, Lida E. Quem é você no corpo de Cristo ? Luz para o Caminho. 1994
Mapas, Gráficos ,Cronologias e Ilustrações – Cultura Cristã. 1999
METZGER, Bruce M. & COOGAN, Michael.D. The Oxford companion to the Bible.Oxford University Press.1993

domingo, 25 de outubro de 2009

Nos caminhos de Tessalônica - parte 3

1. As perseguições

a) Ações de graças
b) Dispostos a sofrer por Cristo
c) A origem da perseguição
d) A honra de ser perseguido ( Mt 5:11-12)
e) A ira de Deus contra os judeus : Mt 21:43 ; Mt 27:25 ; Lc 21:5-6,20-24

2. Glória e alegria

a) Arrancados de vós
b) A ação de Satanás
c) Vou voltar....( At 20:1-2)
d) Amor e orgulho

3. Boas notícias

a) Timóteo – uma forma de defesa
b) O ministério ( diákonos) de Timóteo
c) A arma do inimigo : engano ( mais do que perseguição)
d) Como agradecer o suficiente ?
e) Desejo de Paulo ( diferente de uma oração)

4. Sexo e casamento

a) Importa agradar a Deus
b) Autoridade de Paulo
c) As vontades de Deus
d) Abstenção de imoralidade
e) Possuindo o próprio corpo ? I Co 7:2
f) Fraudes sexuais
g) Santificação : objetivo final

5. Filadélfia

a) Por que falar nisso ?
b) A busca da perfeição
c) Outros conselhos
Þ Vivam tranqüilos
Þ Se preocupe com o que é seu
Þ Trabalhem

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nos caminhos de Tessalônica - Parte 2

1. Eleição

a) Desde a eternidade e em vida ( Ef 1:4-5 , 1 Ts 1:4)
b) Soberana , incondicional e justa ( 1 Co 1:27-28, 4:7, Ef 1:4, 2:8, Rm 9:14-15)
c) Ilimitada quanto à raça
d) Imutável (Rm 8:28-30)
e) Afeta toda a vida ( Cl 3:12-17)
f) Individual e nominal ( Rm 16:3, Fp 4:3)

2. Como saber da eleição ?

a) Pelos frutos os conhecereis
b) Recepção de forma genuína do Evangelho
c) Poder e segurança que vem do ES ( e só vem para os eleitos)
d) Imitadores de Cristo ( I Co 11:1, Ef 5:1)
e) Exemplos para todos : o tambor para o mundo
f) Uma mudança notável
3. Paulo se defende

a) De quem ?
b) Se o mensageiro não é de confiança quem dirá a sua mensagem ?
c) Não veio buscar, mas trazer

4. Possíveis acusações

Þ A mensagem é um erro
Þ Os mensageiros tem motivos impuros
Þ Usam truques para convencer
Þ Abandonaram a Igreja

a) Um evangelho sem truques :

Þ Não precisa de transes emocionais
Þ Não precisa de Programação neurolingüística
Þ Não precisa de oratória

a) Agradando a Deus
b) Não pedimos sustento
c) O evangelho é de Deus

domingo, 11 de outubro de 2009

Nos caminhos de Tessalônica - parte 1

1. Tessalônica – Macedônia ( 160km de Filipos)

a) Fundada em 322-315 a.C. por Cassandro (cunhado de Alexandre ) : nome da mulher
b) Cidade livre sob Otávio Augusto
c) Gregos, Romanos e “outros”
d) Via Ignácio de Bizâncio ao Adriático : porto comercial e militar

2. Paulo em Tessalônica – At 17:1-10

a) Trabalhando para o sustento ( não era um “filósofo ambulante”) e pregando o Evangelho
b) Igreja : muitos “gregos”, alguns judeus

3. Propósito da carta

a) Preocupação pós-Galácia
b) Imaturidade
c) Situações locais ( Jasom, famílias “meio” convertidas) e dúvidas doutrinárias

4. Data e autoria

a) Durante a estada em Corinto ( 51-53 d.C)
b) Certamente escrita por Paulo ( outras versões são infundadas)

5. Divisão para estudo

a) Conversão dos tessalonicenses – 1
b) O ministério de Paulo na fundação da Igreja – 2
c) O ministério de Paulo na preocupação com a Igreja – 3
d) Instrução Moral – 4:1-12
e) A segunda vinda – 4: 13-5:11
f) Deveres Éticos e Conclusão : 5: 12-28

6. Conversão dos Tessalonicenses

a) Saudação : quem é Silvano ???
b) Deus Pai e Senhor Jesus Cristo
c) Damos graças pelos frutos da graça
d) Boas lembranças : fé, amor e esperança ( 1 Co :13-13

sábado, 3 de outubro de 2009

O perturbador de Israel

I Rs 16: 29 - II Rs 1; II Cr 17-20

1.Elias

El’ Yah’ = Yaweh é Deus / O Senhor é Deus
Tesbita = Tisbe em Gileade

Linha profética de Moisés e Samuel
Paralelos com Moisés : Horebe/Sinai ; Manifestação de Deus pelo fogo ; Existência de sucessor ( Josué/Eliseu)
Transfiguração ( Mc 9:4)

2. Situação de Israel

Calamidade religiosa - Jezabel ( princesa de Sidom ) = altar a Baal em Samaria ; perseguição aos profetas de Yaweh ; importação de profetas de Baal.

3. A grande seca - contra Baal ( deus da terra ) e Astarote ( deusa da fertilidade)

4. Sarepta : manifestação de Deus com uma gentia ( não judia) - Lc 4:26

5. O Perturbador de Israel - a verdade de Deus é perturbadora e incomoda os que dele se afastam

6. O desafio do Monte Carmelo e o fim da seca

Desafio a Israel : Deus exige decisão - Js 24:15 Ap 3:15-16
Desafio aos profetas de Baal

Seca não era uma coincidência meteorológica mas vontade de Deus
Sete vezes olha o mar ( paralelo com Namã)

7. Elias também fraqueja
Foge de Jezabel e considera sua carreira encerrada
Deus avisa : quem disse que seu trabalho acabou ?
Serviço de Deus não tem férias nem aposentadoria !

8. Ungindo o sucessor - Eliseu ( Deus é a minha salvação) - continuidade do ministério profético

9. Acabe e o cerco dos Sírios - Deus livra porque não é momento da queda

10. A vinha de Nabote - o rei precisava de um “ mimo ”
Elias volta à cena - mais uma dinastia vai acabar
Arrependimento tardio - só vai adiar o castigo

11. Acabe e Josafá ( rei de Judá ) - nenhum profeta de Yaweh ??

12. Elias e Acazias : não há Deus em Israel

13. A sucessão
O pedido da porção dobrada - Deus é que pode conceder
A carruagem de fogo
Alguns querem achar Elias.

sábado, 26 de setembro de 2009

Eu acuso

"Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?" Mt 7:3

Um ditado antigo diz que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Sempre é muito fácil para nós olharmos o que acontece à nossa volta.

E sempre tão difícil reparar no que acontece dentro de nós mesmos.

Não poucas vezes ouço pessoas reclamando das outras, na igreja isso não é uma exceção. Fulano isso, beltrano aquilo, siclano então, nem te conto o que ele fez (e, claro, sempre acabam contando)

O ser humano se acha, por princípio irreprensível, justo e genial, o que atrapalha o bom andamento do mundo sempre são os outros (nesse aspecto somos todos muito sartrianos, o filósofo francês que declara que "o inferno são os outros").

Jesus, profundo conhecedor da natureza humana não deixou de falar desse assunto no seu longo sermão da montanha. E não usa palavras leves e suaves. Define como hipocrisia essa nossa mania de achar que quem está sempre errado é o nosso próximo.

Reconhecer os próprios erros é um exercício muito dolorido pois implica em humilhação, produto que está fora de estoque, especialmente depois do surgimento dos livros de auto ajuda que nos fazem acreditar que somos, individualmente, o ápice da criação.

O mundo nos estimula a buscar sempre os primeiros assentos. A exigir um lugar à direita do Pai. A exigir adiantado a nossa parte na herança celestial, de preferência em espécie.

Enquanto não pararmos diante de um espelho e reconhecermos quão ínfimos nós somos, quanto somos carentes da graça e da misericórdia, quanto somos pecadores (nisso sim, somos os maiorais), continuaremos a viver em busca de soluções que ardam nos olhos dos outros e que não nos dêem trabalho nenhum.

A Bíblia toda deixa claro, desde os primórdios, que esse modelo não funcionou, não funciona e não vai funcionar nunca.

Quer julgar alguém? Julgue-se a si próprio. Depois disso, tenho certeza que não vai mais buscar os erros dos outros.

E vai viver muito melhor consigo mesmo e com Deus.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Filipenses - Final

1. Espelho, espelho meu, existe alguém mais judeu do que eu ?

a) Por herança ( descendência e lei)
Þ 8o. dia – diferente de muitos judaizantes
Þ Tribo de Benjamin : Saul -> Saulo

b) Por esforço próprio ( estudo e zelo)

c) Lucro que virou refugo

d) A verdadeira justiça ( a que é infinita de verdade)

2. Crescimento espiritual – a “corrida” cristã

a) A motivação : não alcancei e fui conquistado

b) O empenho : não olha para trás – Lc 17:31-32

c) O prêmio : ser perfeito – certeza da nossa esperança

3. Cuidado com os sensualistas

a) Sensual ( agradar os sentidos) : que fingem ser cristãos ( Rm 6:1 ; 16:18)

b) Imitadores meus....1 Co 11:1

c) A triste constatação
Seu fim é a perdição
São idólatras
Se orgulham do que deveriam se envergonhar
Suas preocupações estão aqui

4. A verdadeira pátria

“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas “ ( Samuel Johnson)

5. Exortações

a) Geral : permanecei firmes
b) Boa viagem ( Evódia) x Afortunada ( Síntique) : que trabalhem juntas
c) Sicigo ( companheiro de trabalho/jugo)
d) Clemente - ?

6. O segredo da verdadeira felicidade

a) Alegrai-vos – Gl 5:22 ; Rm 8:28
b) Moderação – um termo muito rico
c) Sem ansiedade – usem o remédio da oração – 1 Pe 5:7
d) O resultado = guardados pela paz – Is 26:3 ; Ef 3:18

7. Síntese da vida e serviço cristãos

a) Verdadeiro – Ef 6:14
b) Respeitável
c) Justo => 2 Co 6:4-10
d) Puro
e) Amável
f) Boa fama

8. Praticando a verdadeira felicidade

a) Vocês deram – mas a alegria é no Senhor
b) Feliz sempre – eu já tenho a experiência ( aprendi o segredo)
c) Tudo posso – 2 Co 12:10

9. Agradecendo a ajuda

10. Despedida

Bíblia de Estudo de Genebra – versão revista e atualizada – Cultura Cristã/SBB . 1999
Bíblia Sagrada – versão revista e atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil . 1969
CASTRO, Ruy . O melhor do mau humor. Companhia das Letras. 1990
DAVIS, John D. Diccionario da Biblia. Centro Brasileiro de Publicidade. 1928
DOUGLAS, J.D & TENNEY, Merrill C. The new international dictionary of the Bible. Zondervan. 1987
HENDRIKSEN, William. Comentario del nuevo testamento – Filipenses . SLC. 1981
HODGES, Charles. Teologia Sistemática. Editora Hagnos. 2001
Mapas, Gráficos ,Cronologias e Ilustrações – Cultura Cristã. 1999
METZGER, Bruce M. & COOGAN, Michael.D. The Oxford companion to the Bible.Oxford University Press.1993
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia – Livro por Livro. Editora Vida.1977

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filipenses - Parte 3

1. O exemplo de Cristo

a) Que se esvaziou.... Não da essência divina mas

Þ Inculpabilidade – 2 Co 5:21
Þ Riquezas celestes
Þ Glória celeste – Is 6:1-2 x 53:3
Þ Autonomia da vontade – Jo 5:19, 30

Assumindo a forma (schema) humana sem perder a forma ( morfe) divina [1]

b) ...e foi glorificado acima de todos – Hb 7: 26

2. Os luzeiros do mundo : 1:27

a) Desenvolvendo a salvação: entendendo o seu significado e aplicando à vida diária

b) Crescimento espiritual (3:12-16) : do novo nascimento à estatura de Cristo

c) Através de quem – 1 Co 3:6 ; Ef 3:14-19

d) Objetivo : brilhar ( luzeiros) no meio de trevas ( geração corrupta)

e) Mesmo na ausência de Paulo : obediência e alegria

3. Dois servos e dois luzeiros

a) Timóteo

b) Epafrodito

4. Cuidado com os judaizantes

a) Não me incomodo em ser repetitivo : judaizantes e sensualistas

b) 3 x acautelái-vos : golpes de martelo

c) Judeus ou judaizantes : o que é pior ?
Þ Cães : 2 Pe: 21-22 ( Pv 26:11) ; Ap 22:15
Þ Obreiros : Lc 13: 26-27 – estão dentro da Igreja
Þ Mutilados

d) A verdadeira circuncisão : Jr 9:23-26 ; 1 Pe 2:9 ( Jo 10:16)
Þ Adora em espírito
Þ Gloria-se em Cristo
Þ Não confia na carne

[1] MORFE = forma : íntimo, essencial, permanente – Rm 8:29; 2 Co 3:18; Gl 4:19
SCHEMA = condição : externa e transitória – 1 Co 7:31; 2 Co 11:14; 1 Pe 1:14

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Filipenses - parte 2


1. Ação de graças : o exercício da comunhão

a) Todas as vezes + com alegria => cooperação e pelo cuidado de Deus
b) Vida Cristã como testemunho da eleição
c) Comunhão
Þ No evangelho
Þ Na fé
Þ Na oração
Þ No amor
Þ Na pregação
Þ Na luta
d) Quem começou a obra ?
e) Aumento do amor ( conhecimento e percepção) para :
Distinguir o excelente
Pureza e irrepreensibilidade
Frutos de justiça

2. O progresso do Evangelho

a) Paulo : preso, velho ( fim de carreira ?) poderia estar cansado, ansioso, revoltado
b) A prisão é um presente
Þ Aos presos e soldados
Þ Estímulo a outros pregadores
Þ Obstáculos que viram oportunidades
c) Pregadores e “pregadores” - pregando por :
Þ Desaforo
Þ Inveja
Þ Interesses próprios
d) O que me importa ???? Quem prega :
Þ Cumpre uma ordem ( Mc 16:15)
Þ Ajuda o mundo que precisa
Þ Cresce espiritualmente

3. Viver ou morrer ? Rm 8:19

a) A certeza de não ser envergonhado – Cristo glorificado
b) Cristocentrismo
c) Dar fruto ou ter o gozo eterno
d) Impressão de que o trabalho ainda não acabou ( 2 Tm 4:6-8)

4. Firmeza , unidade, coragem

a) Persistência no evangelho
b) Harmonia entre irmãos
c) Coragem frente aos inimigos
d) A graça de sofrer com ( e por) Cristo

5. “Puxão de orelha” emotivo

Exortação em Cristo UNIDADADE ( 1:27)
Consolação de amor ==> HUMILDADE ( oposto de Gl 5:26)
Comunhão no Espírito SERVIÇO
Afeto e misericórdia

Para que a alegria seja completa

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Filipenses - parte 1

1. Por quê Filipenses ?

a) A busca da felicidade:
Þ Drogas legais e ilegais
Þ Superatividade e ocupação dos espaços da mente
Þ Consumo de auto-ajuda

b) Por quê não funcionam:
Þ Efeitos passageiros
Þ Escapar da realidade não é a mesma coisa que enfrentá-la
Þ Não resolve o problema principal : pecado
Þ A paz verdadeira só é encontrada na reconciliação com Deus

2. Colonia Julia Augusta Victrix Philippensium :
Þ Crenides : conquistada por Felipe II ( pai de Alexandre, o Grande) – 340 a.C. (?)
Þ 146 a.C. : província romana da Macedônia
Þ 42 a.C. : Batalha de Filipos ( Brutus & Cássio x Otávio & Antonio )
Þ 27 a.C. : Otávio Imperador “exila” ex-Antonistas - colônia romana
Þ Via Egnatia : rota comercial do Oriente ->Roma ( Neápolis-Brindisi-Via Appia)

a) Guarda pretoriana
b) Casa de César
c) Culto ao Imperador – perseguição
d) Maneira digna do Evangelho + importante que a cidadania
e) Praetores duumviri – comandantes civis que reportavam diretamente a Roma

3. A Igreja de Filipos : At 16

a) Passa à Macedônia e ajuda-nos
b) Neápolis – cerca de 15 km de Filipos
c) Lídia & as mulheres no Rio Gangites
d) A jovem possessa ( “piton” – adivinhadora /serpente)
e) A conversão do carcereiro
f) A retratação dos pretores

4. A carta da alegria

a) Paulo na prisão em Roma : 61-63 d.C
b) Agradecer ofertas
c) Responder às notícias
d) Promover a alegria

5. Prefácio

a) Paulo & Timóteo
b) Servos de Cristo Jesus
c) A todos...inclusive
d) Graça e paz

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Maria Lúcia Almeida Ferreira



Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. II Tm 4:7

Quando a Maria Lúcia chegou na Igreja Presbiteriana da Pompéia, um pouco depois de mim, ela já veio mostrando que tipo de pessoa que era. Não esperou se adaptar à igreja foi logo arranjando trabalho para fazer.

Aproveitando a idade das filhas, na época, ela foi trabalhar com os adolescentes. Foi um sucesso. Nunca a UPA tinha sido tão forte e atuante. Nunca mais foi igual aquela da época da tia Malu.

Não eram poucos os seus dons, mas certamente ela se destacava em duas coisas: música e gente, o que revelava claramente a forma como vivia para Deus. Com a música fazia a sua ligação vertical, através do louvor. Com as pessoas, a sua relação horizontal de amor aos que precisavam dela.

Conheço poucas pessoas que demonstrem tão explicitamente o cumprimento dos mandamentos de amar a Deus e ao próximo. No caso da Maria Lúcia era algo que realizava sem nenhum esforço, fazia parte da sua natureza.

Ficamos amigos pela música. Era um prazer louvar a Deus junto com ela. Fazíamos prelúdios no piano a 4 mãos (um deles era tocar o hino nacional na semana da pátria), compartilhamos as nossas partituras para piano e órgão e não poucas vezes tocamos juntos para acompanhar a congregação.

Aliás, essa deve ter sido um dos poucos pontos que tinhamos discordâncias. Até hoje eu piso fundo no acelerador e mantenho o andamento acima do necessário (aprendi com a Maria Júlia a tocar mais rápido do que devia, pois a congregação sempre vai arrastar e, no fim, chegamos no andamento certo). Ela preferia ir com mais calma, ela se preocupava que algumas pessoas não conseguiriam cantar naquela velocidade.

Cantei no coral com ela regendo. Toquei para o coral com ela regendo. Ela tocou comigo regendo. E também cantou comigo regendo (excelente contralto, por sinal). Além disso sempre me ajudou quando eu regia o conjunto masculino, me chamando a atenção de falhas que eu não percebia (eu regia e cantava ao mesmo tempo).

Quando eu estava no piano, ela costumava chegar no fim do culto e cantar comigo algum hino.

Ela nunca perdeu a esperança de reativar o coral. Tenho certeza que ficou feliz quando a Marlene assumiu essas incumbência.

Eu também tive a oportunidade de ser alvo dos seus cuidados no ministério de visitação. Especialmente quando o Samuel nasceu e ficou um tempo na UTI e, meses depois, quando foi operado do coração. Nem sempre ela pode vir aqui em casa, mas me ligava todas as semanas para ter notícias e me dar uma força.

Não foram poucas as pessoas que testemunharam a importância desse trabalho dela nas suas vidas. Ele fez a diferença.

Nessa semana, a dona Maria Lúcia foi se encontrar com o Criador. Tenho certeza absoluta que está muito melhor do que todos nós. Está ao lado daquele a quem ela dedicou a sua vida. Um dia estaremos lá juntos cantando de novo (será que o céu tem piano para tocarmos juntos de novo?)

Enquanto esse dia não chega, eu vou sentir muita falta dela.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ezequiel - A restauração

...acaso poderão reviver estes ossos ? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes.” (Ez 37:3b)


Perdidos para sempre ?

No Egito gemiam : Ex 2:24
No exílio choravam : Sl 137:1
Mas não é essa a nossa (falta de) esperança : Jr 43:6-7 e Jd 24

Deus é Senhor e fiel à Sua aliança

Na disciplina e na restauração

A restauração é obra exclusiva de Deus (34:11; 36:16-37)

Aponta para um futuro glorioso

i. reunirá os santos : 39:25-28
ii. derramará o Espírito : 39:29
iii. Dará novo céu e nova terra : 40 a 48 x Ap 21-22

Yahweh- Shammah

A aliança não tem fim

i. Deus não planeja conforme a história se desenrola
ii. Deus é imutável – suas promessas também : 36:28; 37:26-28

Nas suas promessas somos mais que vitoriosos : Rm 8:31-39

Muitos esforços têm sido realizados pela ingenuidade humana, mediante doutrinas claramente errôneas ou aparentemente plausíveis, a fim de retirar de Deus a glória da obra de regeneração e levar o homem a reivindicar esta realização para si mesmo ou, pelo menos, a compartilhar da honra.

No entanto, a origem da regeneração se encontra somente na livre e soberana graça do todo-poderoso poder de Deus. A regeneração é uma obra totalmente divina; a glória, portanto, tem de pertencer e pertencerá para sempre a Deus : "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1.13).

Bibliografia :
Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada do Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil. 1969
Bíblia de Estudos de Genebra . Editora Cultura Cristã. 1999
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Editora Vida. 1977
REVISTA EXPRESSÃO. História da Redenção parte 4. Editora Cultura Cristã.
TAYLOR, John B. Ezequiel – introdução e comentário. Mundo Cristão. 1989
van GRONINGEN, Gerard – Criação e Consumação. Editora Cultura Cristã. 2002
van GRONINGEN, Gerard – Revelação Messiânica no Velho Testamento. Luz para o Caminho. 1995

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Ezequiel: a aliança e o mediador

Far-vos-ei passar por baixo do meu cajado, e vos sujeitarei à disciplina da minha aliança (Ez 20:37)

O que é um pacto ?

Contrato firmado entre duas partes
A aliança de Deus não é um pacto entre iguais
Uma das partes não tem capacidade para executá-lo

A história do pacto

Adão : pacto de uma única regra (Gn 2:17; Rm 5:12-21)
Abraão : não é um novo pacto (Hb 11:7)
O pacto do Sinai : formalização de um pacto espiritual pré-existente (Gl 3:24, Rm 10:4)
O cumprimento da lei salva ? Rm 9:14-16
O homem natural não cumpre a lei – Rm 10:2-3

Não seria fácil para Israel cumprir o pacto que lhe foi oferecido gratuitamente ? Rm 10:16-21

Características do pacto

É Deus que busca o homem
Deus requer santidade
Deus promete benção e maldição (Sl 37 e 73)
Deus nos faz herdeiros – mas para o Seu serviço
Somos abençoados e abençoadores

O alerta de Ezequiel (Ez 20)

A aliança está debaixo da disciplina de Deus (20:37)
Israel não cumpriu sua parte no pacto (14:7-8)
Deus não abandona a Sua aliança (18:30-32)

O mediador da aliança

Os agentes do pacto renegaram-no (sacerdotes, profetas, reis....)
Necessidade de um intermediário com as duas naturezas
É Deus quem oferece o pacto, e a justificação através do Seu mediador (17:22-24; 21:25-27)
As funções do mediador (Hb 1:1-4)
i. Profeta : trazendo a revelação de Deus
ii. Sacerdote e sacrifício para a justificação (Hb 7:23-28)
iii. Rei : tão soberano quanto o pai (Jo 14:15)

Bibliografia :
Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada do Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil. 1969
CAMPOS, Héber Carlos de. As duas naturezas do Redentor. Cultura Cristã. 2004
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Editora Vida. 1977
REVISTA EXPRESSÃO. História da Redenção parte 4. Editora Cultura Cristã.
TAYLOR, John B. Ezequiel – introdução e comentário. Mundo Cristão. 1989
van GRONINGEN, Gerard – Revelação Messiânica no Velho Testamento. Luz para o Caminho. 1995
http://www.monergismo.com/

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ezequiel - o Reino


Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne...; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus (Ezequiel 11:19-20)

Introdução : reino , aliança, mediador

Em todos os profetas
Nas palavras do próprio mediador
Em todos os apóstolos

Por quê, ainda assim, tantos acham a Bíblia contraditória ?

Lembrando um pouco sobre o reino

É um reino eterno (cósmico) e um reino futuro
É um reino terreno (Is 2:4 , Ez 25 a 32) e um reino infinito
É um reino para a glória do seu Rei (Is 43:7) – soli Deo gloria
Nem é limitado à igreja (imanente), nem só espiritual e invisível (transcendente)

Muitas teologias tentam limitar o tamanho do reino....e o poder soberano do Rei

O rei soberano

Elohim (Poderoso); Yahweh (Redentor), Adonai (Governador) , El shaddai (todo poderoso
Trono a que nada se compara (1:26-28)
Exerce sua vontade soberana sobre os seus e sobre os povos
Cumpre a sua aliança (11:17)

A soberania de Deus

O “deus” de muitos é só um homem melhorado a quem se podem comparar (Sl: 50:21-22)
Só pode ser adorado por aqueles que reconhecem e vivem de acordo com essa soberania (1 Cr 29:10-15 ; 2 Cr 20:6; Sl 47 :2,3, 7-9; Jó 23:13, 42:2; Pv 21:30)
É essencial; eterna (At 15:18); imutável (Hb 6:17; Sl 119:89; 1 Pe 1: 24-25), é eficaz na sua ação decretiva (Is 14: 24,27) ; é totalmente livre (Ap 4:11; Dn 4:35; Mt 10:29-30)

A ação soberana no tempo de Ezequiel

O castigo que vem do norte...não é pela vontade da Babilônia
A mensagem do profeta é totalmente controlada por Deus (2:2; 3:14) e ele sabe disso (1:3;8:1)
A ação soberana não se limita a seu povo (25:10,17; 28:26; 29:16)
Faz com que Ele escolha os seus salvos (5:13 => 11:17) para uma salvação espiritual (11:19-20)

Bibliografia :
Bíblia de Estudos de Genebra . Editora Cultura Cristã. 1999
Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada do Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil. 1969
CAMPOS, Héber Carlos de. O ser de Deus e seus atributos. Editora Cultura Cristã. 1999
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Editora Vida. 1977
REVISTA EXPRESSÃO. História da Redenção parte 4. Editora Cultura Cristã.
TAYLOR, John B. Ezequiel – introdução e comentário. Mundo Cristão. 1989
van GRONINGEN, Gerard – Revelação Messiânica no Velho Testamento. Luz para o Caminho. 1995
WALTON, John H. Chronological and background charts of the Old Testament. Academie Books. 1978

terça-feira, 21 de julho de 2009

Aprendendo a ensinar - Final

9. Características das faixas etárias

Maternal
· Rápido crescimento
· Superatividade
· Aquisição de linguagem
· Baixa concentração
· Narcisista
· Ilustrações, cores, música, ritmos e tato
· Múltipla expressão
· Variação rápida
· Estimular hábitos ( oração, obediência, prática do amor cristão )


Pré Escolar
· Rápido crescimento
· Agressividade
· Exibicionismo
· Curiosidade
· Fantasia
· Influenciáveis pelo meio ambiente
· Credulidade (fé genuína)
· Movimentos
· Váriação de métodos
· Satisfazer curiosidade
· Estimulo a imaginação
· Dramatização
· Segurança
· Ensinar a orar

Primários
· Iniciação social
· Impaciência
· Distingue real x fantasia
· Maior autocontrole
· Busca de aprovação
· Valores em formação
· Espiritualmente sensíveis (podem se decepcionar)
· Treinar paciência
· Promover a expressão
· Cuidar do entendimento
· Estimular raciocínio
· Atividades de grupo
· Ensinar confiança em Deus ( o amigo )
· Testemunho

Juniores
· Espírito investigativo ( razão das coisas)
· Competitividade
· Leitura e memória
· Formação de clubes
· Lealdade
· Sentimentos disfarçados
· Brincalhões
· Jesus : salvador, herói e amigo
· Atividades ao ar livre e competitivas
· Estimular participação
· Atividades de leitura
· Certificar que entenderam
· Estimular memória
· Interesses diferentes (meninos x meninas )
· Ser líder mais que professor
· Determinar alvos
· Guiá-los a Cristo

Adolescentes
· Fase de crescimento
· Consciência do corpo
· Ansiedade e devaneios
· Rebeldia
· Formação de turmas
· Instabilidade emocional
· Mau humor
· Dúvidas espirituais
· Visão cristã da vida
· Participação
· Aceitação dos valores dos outros
· Alvos e responsabilidades
· Liderança
· Firmeza de valores ( testemunho)
· Deus como o verdadeiro alvo

Jovens
· Ápice da energia física
· Foco nas realizações
· Independência intelectual
· Idealismo
· Grandes decisões ( modo de vida)
· Sentimentos desenvolvidos
· Convicção de fé bem firmada
· Desejo de envolvimento
· Propiciar oportunidades para o serviço cristão
· Aprofundar o estudo da Bíblia
· Promover oportunidades de relacionamento
· Atuar como conselheiro, com cuidado
· Visão de vida e do mundo na perspectiva cristã

Adultos
· Maturidade em todos os aspectos
· Capacidade de discernimento
· Estabilidade e responsabilidade
· Desenvolvimento da ambição
· Sentido de vida definido
· Oportunidades para o serviço
· Atribuir responsabilidades e metas de ensino
· Reenfatizar a Bíblia como guia para a vida
· Aprofundar o estudo

10. Jesus Cristo : o professor modelo

a) Características do Mestre

Postura de servo
Acredita no que ensina
Conhecedor das escrituras
Domínio da técnica de ensino
Objetivos claros

b) Características dos alunos

Imaturos
Impulsivos
Pecadores
Hipócritas
Ignorantes
Preconceituosos
Instáveis

Você ainda acha que ruim é a sua classe ???

c) Princípios do Mestre

Verdade
Olhava para o futuro
Valorizava o contato pessoal
Usava a linguagem adequada
Se detinha no importante ( não dispersava - não deixava dispersar )
Procurava o lado bom dos indivíduos
Trabalhava a consciência ( mais do que a inteligência)
Dava liberdade de ação

d) Material de Ensino

Fontes : escrituras, natureza, cotidiano
Formas : afirmativas, concretas, incisivas, metáforas
Propósito : iniciar , esclarecer, fortalecer , repreender

e) Método de Ensino

Aulas estruturadas : começo-meio-fim
Utilização áudio-visual : objetos, locais
Dramatização
Parábolas - estudo de caso
Preleções - discursos
Cataquese
Discussão / debate

Recomendações finais

Adeque-se à classe, sem fugir do princípio básico : a Bíblia

A preparação da aula começa no fim da aula anterior

Preserve seu estilo : não existe receita de bolo

Ore sempre : Deus é que deve falar através de você

Na dúvida , consulte e siga o Mestre : Jesus Cristo

Bibliografia e recomendações

AYRES , Antonio Tadeu. Como tornar o ensino eficaz. Casa Publicadora Assembléia de Deus. Rio de Janeiro. 1994.
Leitura agradável e prática. Cuidado com o uso de silogismos.

BERKLEY , James P. Aprenda a Ensinar. Edipres. Recife 1964.

COLEMAN Jr., Lucien E. Como ensinar a Bíblia. JUERP. Rio de Janeiro. 1992.
Leitura excelente, cheia de referências bíblicas e modelos de atividades.

CRUZ , Ana Maria Andrade da. Exercícios Bíblicos para você e sua Igreja. JUERP. Rio de Janeiro. 1994.
Sempre é bom ter referências e modelos de jogos e exercícios.

FERREIRA , Júlio Andrade . Educação Cristã . Luz para o Caminho. Campinas.1987.
Noções de como montar um currículo de ED.

HENRICHSEN, Walter A. Métodos de Estudo Bíblico. Mundo Cristão. São Paulo. 1989.
Bom exercício de treinamento sobre formas diferentes de estudar a Bíblia.

OLIVETTI, Odayr . Aprimorando a Escola Dominical. Casa Editora Presbiteriana. São Paulo. 1992.
Leitura não muito leve, mas fundamental como guia para o professor.

ORR, William W. O que ensinar às crianças. Imprensa Batista Regular. São Paulo. 1986.
Bastante básico e simples, nem porisso menos útil.

PRICE , J.M. A pedagogia de Jesus. JUERP. Rio de Janeiro. 1986.
Estudo bíblico detalhado sobre Jesus como professor.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aprendendo a ensinar - parte 2

5. Material de Ensino

a) Revista da Escola Dominical

Vantagens :
• Tem estrutura sistemática e lógica
• Facilita a preparação da aula
• Já tem atividades preparadas

Desvantagens :
• É genérica quanto ao público ( nivela por baixo )
• Facilita a acomodação do professor
• Raramente é bem escrita

Cuidados :
• A revista se adapta à classe não a classe à revista
• A aula não pode ser repetição da revista
• A revista não substitui a Bíblia

Estas observações também são válidas para livros-base

b) Criando o próprio curso

Vantagens :
• Melhor adequação às necessidades da classe
• Maior flexibilidade
• Professores aprendem a desenvolver lógica e estrutura

Desvantagens :
• Exige mais tempo para a preparação
• Maior necessidade de material de apoio
• Maior risco de “ desvios de curso “

Como desenvolver o próprio curso ?

I - Escolhendo o tema :
• Doutrinário
• Atualidades
• Personagens bíblicos
• Livros da Bíblia
• Livros sobre a Bíblia

II - Planejamento
• Duração ( nunca menos que um trimestre )
• Divisão lógica ( estrutura )
• Levantamento de fontes de apoio
• Levantamento de material ( seja conservador)


III - Escolha das fontes
• Comentários bíblicos
• Dicionários e chave bíblicos
• Livros relativos ao tema
• Fontes não religiosas

Cuidados :
• As Bíblias comentadas ( Scofield, Linguagem de hoje)
• Na dúvida consulte pessoas mais experientes sobre as fontes
• Assim como a revista, aula não é resenha de leitura

6. O Uso da Bíblia

Lembre-se :
Escola Dominical é escola de Bíblia
Professor de ED é professor de Bíblia
Nada substitui a Bíblia como matéria-prima da aula

Portanto : o professor precisa ter intimidade com a Bíblia ( não é sabê-la de cor , nem usá-la como amuleto !!! ) - o professor deve estimular que os alunos tenham a mesma intimidade .

Maneiras fundamentais de uso :

Lendo
Ouvindo
Estudando
Praticando

Maneiras acessórias de uso

Decorando
Atividades
Concursos

Cuidados :
não trocar o fundamental pelo acessório
leia na aula, mas nâo deixe que aula seja de leitura
evite a leitura a 2


7. O professor fora da sala

Nunca esqueça o duplo relacionamento :

Os alunos observam o exemplo do professor dentro e fora da sala
O professor conhece as condições de vida de seus alunos

Os 2 grandes perigos :
1. Excesso de intimidade
2. Substituir outros laços de relacionamento

Orientação extra-classe :
• Não precisa fugir dela, é só tomar cuidado
• Deve ser bíblica, não “ achismo “
• Se não tiver a resposta na hora não invente. Pesquise e não deixe de responder.

Problemas típicos do extra-classe :
• Dúvidas bíblicas fora do tema da aula ( estimule , isto significa que a Bíblia é lida )
• Situações cotidianas
• Vocação, cidadania, relacionamentos pessoais


8. Que resultados esperar ?

Valorização das pessoas ( do aluno e de sua relação com o próximo )

Transformação de vida

Conversão de almas

Prática da vida cristã

Melhoria das instituições, através da transformação das pessoas

Motivação para servir


Frustrações vão acontecer. Os resultados acontecem conforme a vontade e o tempo de Deus.

Sempre lembre que sua função é semear e cuidar das plantas. Quem dá o crescimento e colhe os frutos é Deus.

sábado, 11 de julho de 2009

Aprendendo a ensinar - parte 1

1. Introdução

Aprendendo a ensinar

Ensinar : Ajudar
Guiar
Estimular
Desenvolver

O objetivo do ensino é fazer com que o aluno saia da classe com a certeza de que está diferente em relação à hora que entrou.

Como se aprende a ensinar na Escola Dominical ?

* Orando
* Observando
* Estudando
* Ensinando

Ensinando a aprender

O que um aluno de Escola Dominical deve aprender ?

* Conhecer a Deus
* Conhecer a Bíblia
* Viver a vida cristã
* Participar da comunidade cristã

O que fugir destes pontos pode ser útil (ou não) mas não é parte dos objetivos da ED.

Como as pessoas aprendem ?

* Fazendo - não havendo prática não há aprendizado
* Observando - o exemplo sempre é mais forte que as palavras
* Estudando
* Pensando

Como se ajuda a aprender ?

* Criando situações de aprendizagem
* Desenvolvendo um processo de ensino
* Interagindo com os alunos

2. O processo de comunicação


O fator mais importante do processo de comunicação é a ADEQUAÇÃO

Ruídos mais comuns :

Ø Problemas com o código (os alunos não entendem a linguagem)
Ø Exaustão do canal (o método acaba cansando)
Ø Falta de empatia professor/aluno
Ø Despreparo do professor

Como se expressar melhor ?

Ø Prefira a simplicidade - mas não se nivele por baixo
Ø Organize as idéias - é um processo de auto-disciplina
Ø Leia muito
Ø Seja específico

Como falar ?

Ø Seja gentil
Ø Seja firme
Ø Fale a iguais

Os sons e o sentido

Ø Fale de forma audível ( mas não precisa gritar )
Ø Fale de forma clara - pronuncie bem as palavras
Ø Não esqueça do ritmo ( e do andamento : nem Largo, nem Vivace)
Ø Fale com ênfase

Varie o volume, varie o ritmo, varie a ênfase

3. Os métodos de ensino

“ O pior método de ensino é aquele que se usa o tempo todo “ (Gaines Dobbins)

A pior aplicação é usar todos os métodos na mesma aula !

Advertência : aula é aula ! Não confundir com parte devocional . A Igreja tem várias atividades devocionais para suprir esta importante necessidade.

a) Método expositivo - Narração

O mais criticado e o mais utilizado

Vantagens :
Þ Alcança um número grande de pessoas
Þ Permite mais informação em menos tempo
Þ Facilita a apresentação sistemática
( Introdução - Desenvolvimento - Conclusão )

Desvantagens :
Þ Exige preparo e habilidade oral ( risco de monotonia )
Þ Centralização no professor
Þ Dificulta interação com os alunos

b) Método Catequético - Perguntas & Respostas

Desafia os alunos e provoca o raciocínio

Vantagens :
Þ Ajuda a manter a atenção
Þ Auxilia o raciocínio e o desenvolvimento de idéias
Þ Permite monitorar a aprendizagem e a avaliar a aula

Desvantagens :
Þ Pode induzir a raciocínios errados se usado incorretamente
Þ Alunos expansivos podem monopolizar a aula
Þ Pode gerar constragimentos

Alguns cuidados a serem tomados :
Evite perguntas de SIM / NÃO
Dê tempo para a resposta
Comece genérico - continue específico em relação às pessoas
Complete as respostas quando necessário
Cuidado especial com os tímidos
Desafios : nem tão baixos que não funcionem, nem tão altos que desmotivem

c) Discussão ou Debate

Vantagens :
Þ É altamente motivador, permite a participação de todos
Þ O processo de aprendizagem é focado no grupo
Þ Resposta é resultado do trabalho de todos
Þ Desenvolve a capacidade de ouvir outros pontos-de-vista

Desvantagens :
Þ Os alunos mais extrovertidos podem monopolizar a discussão
Þ Pode acirrar preconceitos intelectuais
Þ Pode desvirtuar os objetivos da aula

d) Estudo de caso

Expõe-se um fato e discute-se uma gama de opções de solução

Vantagens :
Þ Conduz a reflexão sobre a prática cotidiana da lição
Þ Permite que os alunos confrontem-se com suas próprias atitudes
Þ Sedimenta melhor o ensino

Desvantagens :
Þ Requer capacidade e habilidade do professor para conduzir o exercício
Þ Pode provocar atitudes preconceituosas

e) Recursos auxiliares

Audio-Visuais : depois da prática , a imagem é o elemento mais forte de fixação

Abuse e use :
Lousa
Retroprojetor
Flanelógrafo
Figuras
Mapas
Bonecos
Etc...etc...etc..

Trabalhos manuais : como prática e como ilustração

Þ Cuidado : não é para matar aula

Imagem : Robert Raikes, jornalista evangélico que, na Inglaterra, a partir de 1780, começou a oferecer instrução rudimentar para crianças pobres em seu único dia livre da semana: domingo, pela manhã e à tarde, pois a maioria mesmo tendo pouca idade já trabalhava durante a semana.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Oséias - um estudo bíblico

Quem é sábio que entenda estas cousas, quem é prudente que as saiba, porque o caminhos do Senhor são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão (Oséias 14:9)


Introdução

Oséias – livramento, salvação
Beeri = Bera (1 Cr 5:6) ? Se sim, confirma a origem do profeta (Israel)
Contexto : Israel - país rico, sensação de segurança de fronteiras, totalmente idólatra, corrupção e injustiça generalizada

Divisão para Estudo

a) A vida do profeta como metáfora
b) Infidelidade e juízo
c) Restauração dos arrependidos
d) A profecia de Oséias e a nossa relação com Deus

Tema : o amor de Deus por Israel (Os 2:14-16; 6:1-4; 11:1-4,8-9; 14:4-8) => o amor de Deus por nós (Ef 2:1-10)

A vida do profeta como metáfora

“Vai e toma...” : ato indecoroso ? de quem é a infidelidade ? e se fosse hoje ?

a) Jezreel (Deus espalhará) : 1 Rs 21:1,19,23 – rei de Israel (Jeroboão II é da dinastia de Jeú)
b) Lo Ruama (Desfavorecida) : nação pronta para o juízo
c) Lo Ami (Não meu povo) : quem abandona quem ?

Promessa de benção => promessa messiânica

O Deus fiel de um povo infiel

Pecado de Israel é maior que o pecado das nações gentias
Castigo por adultério é a morte
Israel (esposa infiel) : confunde-se sobre a origem do seu sustento (2:8 / Jr 44:17-18)
Castigo severo antes da restauração – mediante resgate
Sem rei, sem sacerdotes, sem ídolos => muitos dias, últimos dias)

Indiciamento e condenação

a) A culpa de todo povo – rejeição do conhecimento de Deus (Rm 1:28-31)

b) Culpa dos sacerdotes : vox populi não é vox Dei

c) Castigo será para todos

d) Culto imoral – a vaidade (Aven) no lugar de Deus (´El)

e) Sacerdotes e príncipes : rejeitam advertências (orgulho nas riquezas, acordos com vizinhos, culto a ídolos e ofertas hipócritas a Deus)
ð Deus os rejeitará na aflição

f) Rejeição à cura : idolatria, a fonte de todos os pecados
O pão de duas faces
A pomba tola

g) Soa o alarme do castigo : sem refúgio nos vizinhos (Nm 23:9)

i. Morte da Alegria
ii. Exílio
iii. Perda do discernimento espiritual
iv. Encolhimento da nação
v. Rejeição de Deus

Quanto maior a riqueza maior a idolatria => maior será a destruição

h) O amor imutável de Deus , que repreende a quem ama

i) O exemplo de Jacó e a ganância de Efraim
Jacó sempre buscou a Deus
Efraim (o mercador = Canaã) sempre confiou na sua força
Palavras...visões...parábolas (similes)

j) A tua ruína vem de ti – o salário do pecado é a morte

Conversão e restauração

a) De volta à metáfora do casamento de Oséias
b) Converta-se....arrependa-se...confie em Deus
c) Deus cura...purifica....sustenta.

Aplicação para nós como crentes

a) Conceito messiânico : pouco aplicável à primeira vinda – mas enfatiza o rei dos últimos tempos como descendente de Davi

b) Plano de Deus : a história de Oséias é a história de Israel é a nossa história

c) Conceito escatológico : restauração total e reunião das 12 tribos sob o reino do Messias

d) Nós somos Israel
i. Pecadores, resgatados, reconciliados e restaurados
ii. Muitas vezes auto-confiantes e distantes de Deus
iii. Não podemos ficar surdos à repreensão e à chamada à conversão.

Bibliografia :

Bíblia de Estudos de Genebra . Editora Cultura Cristã. 1999
Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada do Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil. 1969
DAVIS, John D. Diccionario da Bíblia. Centro Brasileiro de Publicidade. 1928
FEINBERG, Charles L - Os profetas menores. Editora Vida. 1988
Mapas, Gráficos, Cronologias e Ilustrações. Editora Cultura Cristã. 1999
METZGER, Bruce M & COOGAN, Michael D. The Oxford Companion to the Bible. Oxford Press. 1993
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Editora Vida. 1977
PFEIFFER Charles.F. & HARRISON, Everett.F. – Comentário Bíblico Moody Vol 3. Imprensa Batista Regular. 1990
REVISTA EXPRESSÃO. História da Redenção parte 3. Editora Cultura Cristã.
van GRONINGEN, Gerard – Revelação Messiânica no Velho Testamento. Luz para o Caminho. 1995
WALTON, John H. Chronological and background charts of the Old Testament. Academie Books. 1978

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Obadias - um estudo bíblico

1. Autor e data : ‘obed ( servo) + yâ ( abreviação de YHWH= Deus)
Data não definida : pode ser pré-exílico ou pós queda de Jerusalém(586aC)

2. Estrutura do livro : processo criminal
a) Introdução : nações contra Edom (1)
b) Edom denunciado (2-7)
c) Acusação formal ( 8-14)
d) Sentença ( 15-20 )
e) Conclusão : O Senhor é Rei ( 21)

3. Quem é Edom ? Gn 36 ; Nm 20: 20-21; Dt 23:7; Dt 2: 12, 22

4. A denúncia
a) Pequeno que não aceita a vontade de Deus
b) Orgulho e arrogância : ninguém pode me derrubar
c) Confiante na própria sabedoria

Castigo : quando for destruído não sobrará nada

5. Acusação formal
a) Violência e hostilidade
b) Alegria na calamidade e jactância na angústia do irmão
c) Traição

6. Sentença
a) Castigo será proporcional ao crime
b) Aviso a outras nações
c) Restauração para quem se arrependeu

7. Escatologia
a) Na batalha final Edom será inimigo ( Zc 14:1-3)
b) Outras nações restauradas ( ex.: Egito) ; Edom será exterminada
c) Israel será exaltada e o Monte Sião purificado
d) O Senhor reinará absoluto

8. As lições de Obadias
a) Contra a auto-suficiência , o orgulho e a arrogância
b) Inutilidade da sabedoria longe de Deus
c) Contra a hostilidade
d) Contra o escárnio ( o nosso “bem feito”)
e) A certeza do julgamento.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Só para lembrar

Paulo não passou muito tempo em Tessalônica, um pouco mais que três semanas. O suficiente para começar uma igreja cristã na cidade. Como em tantas outros locais, a igreja começou a partir da pregação na sinagoga, mas acabou sendo formada majoritariamente por gentios.

Ao contrário de algumas igrejas problemáticas como Corinto ou a dos Gálatas, as cartas para a igreja de Tessalônica refletem o fato de que a igreja recebia sempre a palavra com alegria, mesmo quando levava algum puxão de orelha. O apóstolo faz questão de ressaltar que Tessalônica era uma igreja modelo para toda a região.

O que não significa que fosse uma igreja que não precisasse de instrução doutrinária ou que não precisasse de nenhuma recomendação específica. Não só precisava como é uma das igrejas que recebe duas cartas.

O que me chamou a atenção relendo a primeira carta pela enésima vez é que Paulo, várias vezes, começa seu texto dizendo "quanto isso eu não preciso falar nada, mas..." e começa a falar sobre aquilo que, em tese, não precisaria falar. (1 Ts 1:8; 4:9; 5:1)

Muitas vezes ouço gente nas igrejas reclamando que o pastor vai pregar de novo sobre aquele tema que já está batido, ou que a escola dominical conta sempre as mesmas histórias, ou que não aguenta mais estudos bíblicos sobre isso ou aquilo. Mas quando essas mesmas pessoas se defrontam com o assunto fazem perguntas e afirmações como se nunca tivessem lido ou ouvido nada a respeito.

Claro que algumas não sabem porque não prestaram atenção (ou porque a memória já não funciona tão bem) mas, assim como acontecia com a igreja de Tessalônica, nós sempre temos coisas novas a aprender sobre qualquer coisa da revelação de Deus. Não fosse assim não teríamos sidos instruídos desde os primórdios a meditar sobre a palavra de Deus noite e dia.

Quanto mais lemos e ouvimos, mais aprendemos e mais descobrimos o quanto ainda não sabemos.

Claro, eu não precisaria ter escrito sobre isso para vocês, mas...

sábado, 13 de junho de 2009

Joel - um estudo bíblico

1. Introdução : yô’el = Jeová (Yahweh) é Deus
a) Data mais provável 830 a.C : reino de Joás/regência de Joiada ( não menciona um rei) ; não fala na idolatria pré-exílica.
b) Tema principal : O dia do Senhor
c) Divisão : A praga anuncia o dia do Senhor ( 1:1-2:17) + Juízo e bençãos ( 2:18-3:21)

2. A praga dos gafanhotos
· Literal : a descrição é muito detalhada + Metafórica : semelhança com exércitos inimigos
· Sucessão de enxames ( 4 é o número da criação- Gn 2:10 - aqui a destruição da criação). Jr 15:3 ; Ez 14:21
· Castigo prometido : Dt 28:38-42 -O castigo se abate sobre todas as pessoas e sobre a criação ( a natureza sofre pelo pecado do homem)
· Motivo : foram cortadas as ofertas à casa de Deus – Deus corta o sustento.
· Meu Deus ( exige arrependimento ) X Vosso Deus ( contenta-se com ofertas e sacrifícios)
· A calamidade é pública - a humilhação deve ser pública – o arrependimento público

3. O dia do Senhor
· O gafanhoto foi ruim ? Mais grave será o dia do Senhor.
· Senhor é “ shaddai “ - todo poderoso
· Quem pode suportar tanta destruição ?

4. A misericórdia de Deus
Deus prefere abençoar a destruir . Mas não retém o castigo quando necessário. Remédio para a doença: todos pecaram !
· Arrependimento sincero
· Humilhação diante de Deus
· Confissão de pecados
· Conversão
· Santificação

5. A festa da restauração
O inimigo faz grandes coisas ( nunca subestime Satanás) mas só o Senhor restaura !
A restauração é geral para os salvos : as bençãos como as chuvas serão abundantes.

6. O derramamento do Espírito
Uma das passagens mais mal interpretadas do AT – Os 3:5 ; Is 2:2
Acontecerá depois...naqueles dias....
Tempo : nos últimos dias ( dia do Senhor) - Público : quem o Senhor chamar .
· Analogia com a chuva
· Vem do alto ( no sentido que vem de Deus)
· Vem em abundância
Nm 12:6 – profecia, sonhos , visões .Is 32:15 , 44:3 ; Ez 36:27 , 37:14 , 39:29 ; Zc 12:10

Nem tudo se cumpre em Atos ....Deus cumpre profecia em prestações ?
Pedro usa Joel como exemplo : Pentecostes é uma prova que a profecia se cumprirá.

7. O julgamento de nações ( Josafá = O Senhor julga – II Cr 20 ) :
· Quando Deus resgatar Judá – aí começa o julgamento
· As nações serão julgadas pelo que fizeram ao povo de Deus : Gn 12:1-3
· O grande pecado contra o povo escolhido : Jr 30 ; Mt 25: 31-46
· Guerra santa ( Jl 3:10 ) X Paz eterna ( Is 2:4) – nações contra o povo de Deus ( Is 63 ; Ap 14:14-20)
· Hora da colheita .

8. Bençãos sobre Judá
· Para saber que o Senhor é Deus ( Ex 10 :2,6) - yo’el
· O povo de Deus ( Israel espiritual) permanecerá para sempre
· Até montes/outeiros ( menos férteis) sobejarão.
· Rio eterno ( Ap 22:1)

domingo, 7 de junho de 2009

Ageu - Um estudo bíblico

“O meu Espírito habita no meio de vós; não temais.” Ag 2:5b

Introdução

· Ageu : “festivo” – Ed 5:1; 6:14
· Período de 4 meses em 520 a.C.
· Povo volta par Israel, começa a reconstrução, mas aos primeiros problemas a abandona por 16 anos. Dario reedita o decreto de Ciro e dá um prazo de 4 anos para a conclusão da obra.

Dedicação às coisas de Deus

a) Censura : Ed 4:24 – Zorobabel, líder político e Josué, líder religioso
· Cheios de desculpas – Lc 14:15-24
· “Este povo” , ao invés de meu povo – primeiro EU , depois Deus
b) Castigo : Lv 26:26 ; Os 4:10; Mq 6:14-15
· Considerai vosso passado....será que não aprendem ?
· Deus continua fiel às Suas promessas, inclusive as de castigo
c) Obediência
· Atendem ao chamado do “Enviado do Senhor”
· Arrependimento autêntico – benção de Deus : Rm 8:31
· Deus desperta, corrige, encoraja e fortalece : Ef 2:13

A Glória vindoura : sétimo dia da festa dos tabernáculos (Lv 23:39-44)
Vozes de alegria e vozes de choro (Ed 3:11-13)
Faltavam os tesouros e a arca
Faltava o “shekinah” (1 Rs 8:10-11)

Mas a glória seria maior :
a) O Espírito irá tabernacular
b) O universo será abalado (Ap 11:15, Hb 12:26-27)
c) A glória em pessoa encherá o templo (Ml 3:1, Jo 1:14)
d) A paz será permanente ( Cl 1:20; Rm 5:1; Fp 4:7; Is 9:6-7)

Deus purifica homens impuros (dois meses depois)
a) Deus busca homens impuros
b) Duas perguntas sobre pureza legal : não se transmite saúde
c) Ofertas recusadas antes da obediência

A vitória de Deus e do seu povo (mesmo dia, dirigida só a Zorobabel)
a) O trono (singular) dos reinos (plural) : Ap 11:15
b) Cavalos e cavaleiros se destruindo : Ez 38:21; Zc 14:13 (mais Ex 15:1,21 e Ap 6: 2,4,5,8 )
c) O tipo messiânico da descendência real (Mt 1:12-13)

Bibliografia :
BALDWIN, J.G. Ageu,Zacarias e Malaquias. Mundo Cristão. 1982
Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada do Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil. 1969
Bíblia de Estudos de Genebra . Editora Cultura Cristã. 1999
FEINBERG, Charles L - Os profetas menores. Editora Vida. 1988
PALMER ROBERTSON, O. O Cristo dos pactos. Editora Cultura Cristã. 2002
PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. Editora Vida. 1977
PFEIFFER Charles.F. & HARRISON, Everett.F. – Comentário Bíblico Moody Vol 3. Imprensa Batista Regular. 1990
REVISTA EXPRESSÃO. História da Redenção parte 4. Editora Cultura Cristã.
van GRONINGEN, Gerard – Criação e Consumação. Editora Cultura Cristã. 2002
van GRONINGEN, Gerard – Revelação Messiânica no Velho Testamento. Luz para o Caminho. 1995

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os objetos da providência

Falando de instrumentos e objetos, há uma coisa muito importante do ponto de vista da Língua Portuguesa, o sujeito da providência é só um: DEUS. Todos os demais seres não são sujeitos da providência, são instrumentos, porque sujeito é só DEUS. Então, além dos instrumentos temos também os objetos da providência de Deus.

Romanos 11.36 – Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém.

Se d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Todas, é uma palavra que aparece muitas vezes na Bíblia e, curiosamente, não prestamos atenção; todas ou todos inclui tudo, sem exceção: todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus; todos pecaram. Tudo o que foi criado diretamente por Deus, ou tudo o que foi criado pelos instrumentos que Deus usa, está debaixo do controle de Deus. Nada escapa da providência de Deus. Deus está cuidando de todas as coisas e governando sobre todas as coisas. Todas. Nada podemos fazer que Deus não saiba ou não queira, porque Ele sabe tudo e controla tudo, Deus pode deixar acontecer ou não. Quando falamos “se Deus quiser” é para nós mesmos que falamos, para nos convencer de que só vai acontecer mesmo se Deus quiser.

A Bíblia diz: Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Há um ditado que diz: há males que vem para bem. Há diferença entre a declaração bíblica e o ditado. Qual é? Primeira: o ditado está dizendo que existe mal que não vem para o bem, porque quando diz “há males que vem” ele está dizendo que alguns vêm para o bem e outros não. A Bíblia diz que todas as coisas cooperam. Segunda: o ditado está sendo genérico quanto a aplicação. A Bíblia afirma que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Aquele que não ama a Deus está fora, o seu destino final é o inferno. O destino daqueles que não amam a Deus é o inferno, aliás, como diz o Apocalipse, é o lago de fogo; Satanás e o inferno serão lançados no lago de fogo e ficarão ardendo lá eternamente. A chance de salvação é enquanto viver aqui na terra, depois da morte não há mais nenhuma oportunidade. Se quisesse tirar alguém do inferno Deus poderia, porque é Onipotente, mas não é essa a Sua determinação.

Neemias 9.6 – Só Tu és Senhor, Tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e Tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus Te adora.

Tu os preservas a todos com vida, o céu, o céu dos céus, a terra, os mares, os que habitam no céu, os que habitam na terra e os que habitam nos mares. Preserva tudo e todos. Sobrou nada.

Jó 9.7-8 – Quem sala ao sol, e este não sai, e sela as estrelas; quem sozinho estende os céus e anda sobre os altos do mar.

Os astros estão todos sob o controle de Deus. Quem os colocou lá? Foi Deus.

Hebreus 1.3 – Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direta da Majestade, nas alturas.

Sustentando todas as coisas. Ele sustenta algumas coisas? Não. TODAS.

Salmo 136.7-9 – Àquele que fez os grandes luminares, porque a Sua misericórdia dura para sempre, o sol para presidir o dia, porque a Sua misericórdia dura para sempre; a lua e as estrelas para presidirem a noite, porque a Sua misericórdia dura para sempre.

E as coisas vão durar até o final dos tempos, enquanto Deus exercer a Sua misericórdia. Porque no momento final Deus já exerceu a Sua Graça com quem tinha de exercer a Graça, já exerceu a Sua misericórdia com quem Ele tinha de exercer a misericórdia. Deus vai deixar de ser misericordioso? Não, porque a Sua misericórdia dura para sempre. Deus usou a Sua misericórdia por causa do nosso pecado. Quando estivermos no céu, não seremos mais pecadores, não será preciso exercer a Sua misericórdia.

Salmo 147.7-8 – Cantai ao Senhor com ações de graça; entoai louvores, ao som de harpa, ao nosso Deus, que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para terra, faz brotar nos montes a erva.

Deus cuida de cada detalhe, de cada coisa. Jesus disse que não cai um passarinho no campo sem que Ele permita, nem um fio de cabelo! porque Deus concorre com a Sua criação. Não significa que Deus esteja derrubando passarinho ou fazendo o cabelo cair. Nada acontece sem que Ele esteja no controle até o mínimo detalhe.

Mateus 8.28-32 – Tendo Ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-Lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos. Então, os demônios Lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada dos porcos. Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo passaram para os porcos...

Jó 1.11-12 – Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra Ti na Tua face. Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele mãos estendas a mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.

Ou seja, Deus não só permitiu, mas Ele está no controle e o diabo tem de obedecer.

Os objetos da providência são todos. Os seres humanos, pegando desde o indivíduo aos coletivos nacionais, vai desde a geração à preservação, até a morte. E também nenhum de nós morre sem que Deus queira, sem que seja da vontade de Deus, principalmente dos salvos.

Eclesiastes 3.1-2, 13 – Tudo tem o seu tempo determinado; e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou... e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho.

Há tempo para tudo debaixo do controle de Deus, e tudo o que desfrutamos é porque Deus quer. Mas não só nós.

Salmo 36.6 – A Tua justiça é como as montanhas de Deus; os Teus juízos, como um abismo profundo. Tu, Senhor, preservas os homens e os animais.

As montanhas, os abismos também estão debaixo da providência de Deus

Mateus 6.28-30 – E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?

Deus veste o lírio do campo, dá proteção, dá abrigo; e o lírio do campo não é a flor rara cultivada por colecionadores, mas é a florzinha do mato. Jesus pergunta: porque vocês estão preocupados? Deus tem cuidado de vocês mesmo com essa fé tão pequena!

Salmo 4.8 – Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só Tu me fazes repousar seguro.

Insônia não é um problema de sono, é um problema de vida. Em paz me deito e logo pego no sono porque só o Senhor me faz dormir tranqüilo. Até do meu sono Deus cuida.

Eclesiastes 9.1 – Deveras me apliquei a todas estas coisas para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e os seus feitos estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, não sabe o homem. Tudo lhe está aculto no futuro.

Tudo está nas mãos de Deus. Todas as coisas, de todos os dias, todos os Seus filhos.

Salmo 139.16 – Os Teus olhos me viram a substância ainda informe, e no Teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.

Todos os meus dias. Isto não significa que eu não tenha a minha vontade, mas Deus conhece todas as coisas. Deus age não só com os homens, mas Ele age coletivamente com as nações, porque também exerce a Sua providência sobre as nações. Como no tempo de Abraão que Deus passa a criar uma nação, que não existia e passa a existir por José, Moisés, pela saída do povo do Egito, tendo cuidado não só com Seu povo, mas com todos os povos da terra, inclusive com os gentios, porque Ele vai usar os gentios como instrumento de repreensão do Seu povo.

O que acontece? A providência de Deus continua igual. Aquela que Ele usou com o povo de Israel, Ele continua usando até hoje, para o nosso bem, para nos sentirmos bem e também para a nossa correção, como Ele fez com o povo de Israel.


Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:
A providência – Rev Héber Carlos de CamposAs Institutas – João Calvino
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(todos da Cultura Cristã/CEP)

As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Instrumentos da providência

Os instrumentos da providência são todos os elementos, a começar de d’Ele mesmo, que Deus usa para executar essa preservação, esse governo que Ele exerce sobre todos nós. Deus mesmo é o primeiro e o principal instrumento da providência.

Romanos 11.36 – Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém.

Porque d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Tudo e todos são instrumentos de Deus para executar a Sua providência. O primeiro conceito é sempre lembrar do concurso providencial. O segundo conceito é que Deus é a causa primeira de todas as coisas. Isso é fácil de admitirmos porque é bastante simples, mas difícil de entender na prática. É fácil de entender porque cremos que Deus criou todas as coisas que existem, e que antes da criação nada existia a não ser Deus mesmo, portanto tudo o que existe, tudo o que acontece, nasce a partir do momento em que Deus começa a criar. Assim Deus é a causa primeira de todas as coisas. Fica difícil de entender porque são todas as coisas, boas e más. Porque não aconteceria uma desgraça se Deus não tivesse criado o mundo. Deus é responsável por tudo o que surgiu. Não significa que Ele seja o agente de tudo o que surgiu. Está claro na Bíblia que Deus não peca, mas se Deus não tivesse criado o Universo não existiria o pecado. Antes da criação só existia Deus, e como Ele é santo, não existiria o pecado.

E Deus não só é a causa primeira de todas as coisas, como Ele é a causa última de todas as coisas, porque todas as coisas acontecem para a glória de Deus. Até a consumação e a glória, que para nós passará a ser eterna, para Deus sempre foi, todas as coisas vão convergir para a glória de Deus. Portanto, tudo o que acontece é porque Deus criou o Universo, e tudo o que acontece é para a glória de Deus. Podemos nos perguntar: Como é que aquela desgraça concorreu para a glória de Deus? No futuro talvez possamos entender. Tudo está debaixo dos propósitos de Deus, que não conhecemos ou que só conseguimos ver em retrospectiva histórica. Sabemos com certeza que é para o louvor da glória de Deus.

Sabemos que Deus age de forma imediata, ou seja, sem mediação, sem nenhum intermediário; e age também de forma mediata, ou seja, através de outras criaturas, de outras obras da criação. Temos vários exemplos na Bíblia de Deus agindo diretamente, Ele fazendo as coisas aconteceram, principalmente quando acontecem os milagres. Os milagres são fatos que não podemos explicar pela nossa lógica humana. Além de Suas ações imediatas, Deus age de forma mediata, e para isso Deus usa instrumentos. É importante termos em mente que Deus criou tudo o que existe e nunca abandonou a Sua criação; ao contrário, Ele está sempre presente, agindo e cuidando de tudo, porque Deus é imanente.

Daniel 4.35 – Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem Lhe dizer: Que fazes?

Segundo a Sua vontade, Ele age com os exércitos do céu e com os moradores da terra. Quem são os exércitos do céu? Os anjos. Temos anjos bons e anjos maus, que são os anjos caídos.

Lucas 22.42-44 – Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a Tua. Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia ora mais intensamente. E aconteceu que o Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

Deus manda anjos para confortar Jesus. Já tinha mandado anjos para servir a Jesus apos a tentação.

Salmo 91.11-12 – Porque a Seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.

Esse texto foi usado pelo diabo quando tentou a Jesus. Deus usa os Seus anjos para dar ordens.

Mateus 26.53-54 – Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?

Jesus está dizendo que se Ele quisesse, o Pai enviaria multidões de anjos, mas se fizesse isso Jesus estaria indo contra o decreto de Deus.

Salmo 78.49 – Lançou contra eles o furor da Sua ira: cólera, indignação e calamidade; legião de anjos portadores de males.

Como vemos, existem mensageiros de males. Há dois extremos: há quem negue a existência do diabo e a culpa é só do homem; há outros que jogam toda a culpa no diabo. Nós ficamos no meio.

Jó 1.6 – Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.

Satanás não foi muito ousado, o seu comparecimento fazia parte da obediência a Deus, do governo de Deus. Satanás está debaixo do controle de Deus. Os filhos de Deus são os seres celestiais. Deus não queria fazer mal a Jó, quem queria isso era Satanás. Precisamos entender bem esse fato. Deus não é responsável pela vontade de fazer o mal, e nem pela execução do mal. Porém, Deus está no controle, ou seja, nada pode acontecer sem a permissão de Deus, por pior que possa parecer. Todos os anjos são instrumentos de Deus para executar a Sua vontade, porque Ele é a causa última da criação. A vontade de Deus significa que isso vai concorrer para a Sua glória. O que aconteceu a Jó serviu para a vida de Jó, pois ele mesmo declara que antes conhecia a Deus só de ouvir, mas agora passou a conhecê-Lo pessoalmente. Essa história de Jó serviu também para os amigos dele e serviu para a glória de Deus. E ela serve para nós até hoje. A história teve um objetivo. Ela mudou a vida de Jó, mudou a vida dos amigos de Jó e muda a nossa até hoje. Deus conhecia o coração de Jó e sabia que ele era fiel, não precisava por Jó à prova, mas Jó não sabia, nem seus amigos e nem o mundo inteiro. Com a história de Jó aprendemos até hoje. Satanás foi instrumento de Deus. A intenção de maldade não foi de Deus, mas de Satanás, e todo o mal praticado contra Jó pelo diabo, Deus usou para concorrer com o Seu plano como um todo.

Não só os anjos são instrumentos de Deus, também os homens, como diz em Daniel. Que homens? Todos os homens. Todos. Inclusive aqueles que não gostamos, como por exemplo, as autoridades. Se houve alguém que teve problemas com autoridade, esse alguém foi Paulo e ele escreveu:

Romanos 13.1 – Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas.

Todas as autoridades são instituídas por Deus. Para mim é a suprema prova da inspiração divina da Bíblia. Vejo Deus dizendo a Paulo: você vai escrever o que Eu quero. Todo mundo tenta limitar as autoridades para deixar algumas de fora, mas a Bíblia é clara: não há autoridade que não proceda de Deus. Isto significa que concordamos com o que fazem todas as autoridades? Não. A Bíblia não diz que somos obrigados a concordar com o que diz toda autoridade, mas está dizendo o seguinte: mesmo aquela pessoa, por mais corrupta que seja, está colocado ali porque Deus quis. Esse tipo de autoridade serve para a nossa repreensão.

1º Reis 17.9 – Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida.

Elias, profeta de Deus, profetizando contra o Reino do Norte, governado pelo rei Acabe e Jezabel, sua mulher. Este período de profecias e durante os três anos e meio que ficou sem chover, e, portanto, não havia comida. Deus enviou Elias para fora do país, para a casa de uma viúva, por quem seria alimentado. Na casa da viúva também não tinha comida. Por que Elias, o profeta judeu, morando em Israel, tem de ser socorrido por uma estrangeira? Para o judeu, pior do que ser mulher era ser estrangeira! É a primeira vez que isso acontece? Não. Temos Raabe e Rute. Então, não é só o povo de Deus que é instrumento de Deus para fazer coisas acontecerem, mas Deus usa todas as pessoas, não só autoridades. Deus usa Raabe, que não era uma autoridade, era uma prostituta! Deus usa as autoridades, mas também as pessoas comuns como a viúva de Sarepta. Não é preciso ocupar um alto cargo para ser usado por Deus.

Lucas 4.25-26 – Na verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom.

Jesus está dizendo que não faltava viúva em Israel, mas Deus mandou Elias para o estrangeiro. Todos os anjos, bons ou maus; todos os homens, bons ou maus; todas as autoridades boas ou más. Todos estão sob o controle de Deus. Quando diz todas as autoridades não significa as autoridades do povo de Deus. Deus chamou Nabucodonosor de “meu servo” e Ciro de “meu pastor”! Eles são autoridades estrangeiras! Deus usa todos. Mas Deus usa também alguns coletivos, Deus usa como instrumento as nações.

Gênesis 15.13 – Então, lhe foi dito: Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos.

Deus está falando a Abraão que sua descendência será escrava por 400 anos depois, porque uma nação serviu como instrumento de Deus para o povo de Israel. Egito é uma nação que tem muita história com Israel. Abraão foi para o Egito, Isaque foi para o Egito, Jacó e seus filhos foram para o Egito, depois alguns profetas se refugiaram no Egito, Jesus quando nasceu, foi morar no Egito. O Egito é muito mais importante para o nosso conhecimento religioso.

Deuteronômio 28.49-50 – O Senhor levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra virá, como o vôo impetuoso da águia, nação cuja língua não entenderás; nação feroz de rosto, que não respeitará ao velho, nem se apiedará do moço.

Estamos ainda no tempo de Deuteronômio, Moisés está vivo e forte, o povo ainda não entrou na terra, não passaram os juízes, nem os reis e Deus, através de Moisés, está dizendo que vai levantar uma nação perversa que não respeita ninguém para ser instrumento de castigo, de vara da justiça. Deus está se referindo a Assíria.

Jeremias 51.20 – Tu, Babilônia, eras meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti, despedacei nações e destruí reis.

Deus está dizendo a Babilônia que ela é Seu martelo para destruir nações!

Isaías 13.17-18 – Eis que eu despertarei contra eles os medos, que não farão caso de prata, nem tampouco desejarão ouro. Os seus arcos matarão os jovens; eles não se compadecerão do fruto do ventre; os seus olhos não pouparão as crianças.

Deus está dizendo através do profeta Isaías, que também a Babilônia será castigada por quem vem depois. Deus diz que a Assíria é ruim, mas a Babilônia é pior, e para acabar com a Babilônia só alguém que seja pior que os babilônios, que eram os medos. A Pérsia é hoje o Iraque. A Média fica um pouco mais para o norte, uma mistura de turcos e dos russos mulçumanos do Afeganistão, Azerbaijão, Cazaquistão, etc. Deus usa toda a Sua criação como instrumento para realizar Seus intentos. Ele usa todos os seres humanos, alguns animais: moscas, gafanhotos, sapos no Egito, a mula de Balaão, as codornizes no deserto, os corvos para Elias, ursas para Eliseu, um grande peixe para Jonas, leões em Samaria, etc. Deus também usa toda a natureza e nem sempre de forma natural. Chover fogo e enxofre não é um acontecimento natural, como foi sobre Sodoma e Gomorra e as cidades da planície. Deus usa a natureza que conhecemos como furacão, terremotos, maremotos e coisas assim, e também aquela que para nós parece antinatural.

Gênesis 20.1-6 – Partindo Abraão dali para a terra do Neguebe, habitou entre Cades e Sur e morou em Gerar. Disse Abraão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscá-la. Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite e lhe disse: Vais ser punido de morte por causa da mulher que tomaste, porque ela tem marido. Ora, Abimeleque ainda não a havia possuído; por isso, disse: Senhor, matarás até uma nação inocente? Não foi ele mesmo que me disse: É minha irmã? E ela também me disse: Ele é meu irmão. Com sinceridade de coração e na minha inocência, foi que eu fiz isso. Respondeu-lhe Deus em sonho: Bem sei que com sinceridade de coração fizeste isso; daí o ter impedido eu de pecares contra mim e não te permiti que a tocasses.

A mentira de Abraão vai fazer o ímpio Abimeleque pecar. Deus age de uma forma imediata, ou seja, não enviou um anjo, veio Ele mesmo falar em sonhos com Abimeleque.

Mateus 2.13; 19-21 – Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar... Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonha a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel.

Em sonho outra vez, mas agora de uma forma mediata, porque desta vez usou um anjo.

Atos 10.9-16 – No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar. Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum. Sucedeu isto por três vezes, e, logo, aquele objeto foi recolhido ao céu.

Temos os sonhos de pessoas dormindo, e também temos as visões, que são sonhos de pessoas acordadas. Não sabemos exatamente quem está falando, porque o texto diz “uma voz”. Então, vemos que Deus age, também, através de fenômenos não explicados para nós.

Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:

A providência – Rev Héber Carlos de Campos
As Institutas – João Calvino
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(todos da Cultura Cristã/CEP)

As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Por que nós oramos?

Qual o nosso modelo de oração? A oração começa com adoração, primeiro o Pai. Depois na parte de pedidos começa com o sustento, proteção, perdão condicional. Isaías foi falar com o rei Ezequias para dizer-lhe que os dias dele estavam contados. Ezequias orou. Deus ordenou e Isaías voltou para dizer-lhe que Deus concedera a ele mais 15 anos. Deus mudou de idéia? Não. Não podemos nos acomodar e pensar que nada temos a fazer já que existe a Providência de Deus.

Por que nós oramos? Primeiro, porque é uma ordem. Nós oramos porque é a vontade preceptiva de Deus. É uma ordem. Deus está dizendo o tempo todo: orai, orai, orai. Mesmo que não tivéssemos a menor compreensão do porque nós oramos, nós deveríamos orar como sinal de obediência. Desde o início desse Curso temos falado que precisamos tomar cuidado com a nossa natureza humana, que é arrogante, querendo ser auto-suficiente, querendo controlar sua vida.

Segundo, nós oramos para reconhecer a nossa dependência. Através de Daniel, Deus diz que todos os seres da terra são reputados em nada. Deus já deixou claro que nós somos nada. Deus tem absoluta certeza disso, nós é que não temos certeza. Para isso precisamos nos colocar em oração, para reconhecermos que tudo vem de Deus. É interessante que na Oração Dominical dizemos: seja feita a Tua vontade, e lá no nosso íntimo estamos desejando que seja conforme a nossa vontade. É, porque só dizemos que a oração foi respondida quando Deus faz a nossa vontade. A nossa oração deve ser como a oração de Jesus lá no Jardim das Oliveiras, Ele pediu ao Pai que passasse d’Ele o cálice, mas que a vontade do Pai fosse cumprida. Por isso a nossa oração deve ser sincera diante de Deus, devemos pedir o que queremos, mas aceitando a vontade de Deus seja ela qual for.

Está escrito na Bíblia que todos os nossos passos são controlados por Deus, e que Deus concorre, anda junto com todas as coisas que Ele criou. As grandes coisas Deus decretou desde a eternidade, ao mesmo tempo, há outras coisas que não estão decretadas desde a eternidade, mas que Deus está, no dia-a-dia, controlando, ou seja, fazendo ou deixando acontecer. Quando digo que Deus não decretou lá na eternidade que eu vou tropeçar nessa cadeira, é porque eu não tenho o fatalismo dos árabes, que dizem que este fato já estava escrito. Mas, se eu for caminhar agora, Deus está governando todas as coisas e Ele pode ou não deixar que eu tropece nessa cadeira. Não significa que na eternidade Deus decretou que no dia 30 de novembro de 2008, às 10h30, eu iria tropeçar na cadeira da Igreja. Precisamos ter cuidado para não cair no fatalismo, achando que tudo o que nos acontece está definido. Deus está ouvindo as nossas orações? É claro que está ouvindo! Senão a Bíblia não diria que muito pode a súplica do justo. Precisamos pedir aquilo que queremos, sempre com a convicção que Deus vai entregar o que for da vontade d’Ele. Não sabemos como responderá porque não podemos entender qual é a vontade de Deus. Em alguns casos, como foi o de Ezequias, Deus resolveu agir e demonstrar a Sua misericórdia. Se Deus não agisse assim não poderíamos entender a misericórdia d’Ele.

Terceiro motivo para a nossa oração é a de fortalecer a nossa fé.

1º Reis 18.1 e 41-44 – Muito tempo depois, veio a palavra do Senhor a Elias, no terceiro ano, dizendo: Vai, apresenta-te a Acabe, porque darei chuva sobre a terra. Então, disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque já se ouve ruído de abundante chuva. Subiu Acabe a comer e a beber; Elias, porém, subiu ao cimo do Carmelo, e, encurvado para a terra, meteu o rosto entre os joelhos, e disse ao seu moço: Sobe e olha para o lado do mar. Ele subiu, olhou e disse: Não há nada. Então, lhe disse Elias: Volta. E assim por sete vezes. A sétima vez disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem. Então, disse ele: Sobe e dize a Acabe: Aparelha o teu carro e desce, para que a chuva não te detenha.

Há três anos e meio que não chovia. Depois de um tempo resolve que vai mandar a chuva de volta. Elias já sabia que iria chover, e ouviu diretamente de Deus. Para que Elias vai orar? Deus já havia dito a ele que choveria, assim mesmo Elias sobe no monte e ora, não só uma vez, mas sete vezes. Nós oramos, e devemos orar pedindo para que Deus faça aquilo que Ele nos prometeu e estamos certos de que Ele fará. Isto fortalecerá a nossa fé, porque estamos pedindo para que Deus cumpra o Seu decreto. Mas Deus sabe que Ele cumprirá o seu decreto. Quem precisa dessa convicção somos nós. Então, oramos para fortalecer a nossa própria fé.

Tiago 5.17-18 – Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terá, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.

É a oração de Elias, primeiro para não chover e depois para chover. Assim mesmo ele orou.

Quarto motivo para orarmos. Por que fazemos todas as coisas? Para a glória de Deus. Nós oramos para a glória de Deus. Faz parte do nosso culto a Deus, pessoal e também congregacional. Há orações que fazemos em direção a Deus e há orações que fazemos contra Deus. Você pergunta: Estamos indo contra a vontade de Deus? Quando estudamos a vontade soberana de Deus, vemos que existe a Vontade Prescritiva de Deus, que são as coisas que Deus prescreveu, recomendou para que nós fizéssemos; esta vontade é que conseguimos negar. Os Dez Mandamentos é a Vontade Prescritiva de Deus e que violamos. Mas a Vontade Decretiva, que são os decretos de Deus, nunca poderemos violar, por mais esforço que se faça.

Existem coisas que estão nos decretos eternos de Deus e coisas que estão no dia-a-dia. Porque se Deus fosse apenas transcendente e deixou tudo programado o que vai acontecer, exatamente como Ele faz, não faria nenhum sentido nós orarmos. A nossa oração não é só um dever, ela tem também uma função. Sabemos que a oração é melhor, é mais importante para nós do que para o Senhor, mas não significa que não vamos pedir as coisas para o Senhor, e as coisas que estão dentro das ações imanentes de Deus, aquelas que Ele cuida de nós no dia-a-dia. Por que na vida temos muita gente orando um pelo outro! Por que na Bíblia estaria escrito: muito pode por sua eficácia a oração do justo? Deus sabe o que precisamos, mas Ele quer que peçamos. Precisamos confessar os nossos pecados, mesmo Deus nos conhecendo melhor do que nós mesmos. A oração pode mudar o rumo de alguma coisa? Nesse padrão a oração pode mudar o rumo, como o caso do rei Ezequias. Deus havia dito: você vai morrer. Meia hora depois Isaías voltou para dizer que ele teria mais 15 anos de vida. Não é por causa da nossa livre agência que Deus muda. A livre agência é a nossa capacidade ou direito que Deus nos deu de escolhermos fazer uma coisa ou outra. Deus governa o nosso dia-a-dia de acordo com a vontade soberana d’Ele. Deus muda as nossas ações porque nós mudamos. O que Deus quer de nós é arrependimento e obediência. Quando nos arrependemos e obedecemos, Deus, efetivamente, nos trata de forma diferente. É promessa d’Ele lá no início. A nossa salvação nada tem a ver com as nossas ações, a nossa vida terrena, sim. Deus nos escolheu para a salvação antes da fundação do mundo, independente das nossas ações, porque assim o Senhor quis.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Providência e outras doutrinas

A Teologia Sistemática procura encontrar as relações lógicas. Ela é um sistema. Ela organiza, ela sistematiza a Teologia. Um sistema é uma coisa que tem relações, então, ela procura entender relações entre as várias doutrinas.

Providência e Soberania – são inseparáveis. Deus só pode executar as obras da providência porque Ele é soberano sobre todas as coisas.

Deuteronômio 4.39 – Por isso, hoje, saberás e refletirás no teu coração que só o Senhor é Deus em cima no Céu e embaixo na terra; nenhum outro há.

Só o Senhor é Deus e não existe mais nenhum. Precisamos tomar cuidado com a tendência de fazer aquela relação entre as forças do bem e as forças do mal, como se pudesse existir 2 forças. Na verdade, só existe uma. Só o Senhor é Deus no Céu, na Terra e debaixo da terra. E nós?

Daniel 4.35 – Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem Lhe dizer: Que fazes?

Nós somos reputados por nada!!! Mas vejam que coisa interessante! Apesar de sermos nada, Deus opera por meio dos anjos e de nós! Quando entrarmos no estudo dos agentes da providência, vamos ver que nós somos agentes da providência também, porque é Ele que nos controla. Não há nada nem ninguém que possa impedir que a vontade de Deus se realize, seja lá qual for a vontade de Deus.

Romanos 11.36 – Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Vamos repetir textos até decorarmos, até ficar gravado em nós, que somos nada diante de Deus, para deixarmos de ser pretensiosos; e também que todas as coisas são d’Ele, por meio d’Ele e para Ele. Tudo o que acontece, seja o bem seja o mal, acontece para Deus, para Sua glória. Ninguém consegue analisar a história no momento em que ela está acontecendo. Mas nós queremos saber de Deus, a razão d’Ele ter permitido aquele acontecimento. Então, dualismo é uma heresia. Alguém diz: “mas o diabo age”; sim, ele age e tem a pretensão de que vai conseguir alguma coisa.

Todo mundo trabalha para Deus – Todo mundo. Não somente nós, mas todo mundo.

2º Samuel 24.1 – Tornou a ira do Senhor a acender-se contra os israelitas, e Ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá.

Lembram-se desta história? Foi assim: Deus tinha colocado Davi no trono e deu a ele poder, glória e capacidade, e lhe deu uma ordem: Davi não poderia levantar censo. O censo, naquele tempo, só contava os homens com capacidade militar. Deus estava dizendo a Davi: Você não precisava saber o tamanho do seu exército se confia em mim. O seu exército sou Eu. Mas o povo começou a fazer outras coisas que levantou a ira do Senhor contra Israel. Deus ordenou que Davi não levantasse o censo, mas permitiu que Davi o fizesse para mostrar que Ele é o Senhor e castigar o povo.

1º Crônicas 21.1 – Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel.

Deus estava irado contra o povo de Israel e usou Satanás como agente.

Jeremias 27.6-7 – Agora, eu entregarei todas estas terras ao pode de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e também lhe dei os animais do campo para que o sirvam. Todas as nações servirão a ele, a seu filho e ao filho de seu filho, até que também chegue a vez da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis o fizerem seu escravo.

Nabucodonosor era um homem perverso, mas Deus o chama de “meu servo”. Na parábola dos talentos todos são chamados de servos, tanto os bons como os maus. Agora entendemos que o rei Nabucodonosor foi instrumento nas mãos de Deus para executar a vontade divina, mas o judeu na época não podia entender.

Isaías 44.28 – Que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado.

Ciro é outro servo de Deus, para cumprir a Sua vontade. Deus chama Ciro de “meu pastor”!

Isaías 10.5-6 – Ai da Assíria, cetro da minha ira! A vara em sua mão é o instrumento do meu furor. Envio-a contra uma nação ímpia e contra o povo da minha indignação lhe dou ordens, para que dele roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas.

Assíria, cetro da minha ira. Deus está dizendo que usará a Assíria como Seu instrumento. Como vemos, mesmo aqueles que desprezam o povo de Deus, são instrumentos de Deus. Hoje, os não crentes, que desprezam a Deus, que desprezam o Seu povo, também são instrumentos de Deus. Quando dizemos que estamos sendo perseguidos pela lei ou por uma autoridade, são instrumentos de Deus.

Romanos 13.1-2 – Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas. De modo que aquele que opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.

Paulo estava escrevendo para uma Igreja que estava no centro da autoridade do mundo. Paulo já tinha sido perseguido, apedrejado, chicoteado, preso, pelas autoridades; ainda assim, escreve: toda autoridade é instituída por Deus. Toda: Nabucodonosor, meu servo; Ciro, meu pastor; a Assíria, meu cetro. Toda autoridade instituída por Deus, para nossa disciplina. Todos os moradores da terra estão a serviço de Deus. Se eles são bons servos ou maus servos, é outra história. Devo obediência às autoridades instituídas por Deus, até o limite da Sua vontade. Quando a ordem da autoridade humana está em desacordo com a lei de Deus, então importa mais obedecer a Deus do que aos homens.

Providência e os Decretos de Deus – é bom entendermos que os decretos de Deus são aquelas coisas que Ele resolve desde o antes do antes, que são diferentes das coisas do dia-a-dia. Deus não decretou se vou tropeçar naquela pedra. Deus decretou que vou ser salvo ou se vou me perder.

Isaías 46.8-11 – Lembrai-vos disto e tende ânimo; tomai-o a sério, ó prevaricadores. Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei.

Eu te digo, porque eu te digo desde a antiguidade porque eu já tinha decretado.

Salmo 62.1 e 5 – Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; d’Ele vem a minha salvação... Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança.

Aí entra de novo aquela questão que somos reputados por nada. A minha alma espera somente em Deus. A minha alma não espera na minha capacidade, na minha competência, na minha força... aí entra o amor de Deus, que é uma coisa fantástica! Lembramos o hino que diz: Não sei porque de Deus o amor a mim se revelou. Por quê? Não sei. Eu sei que foi pela graça e pela misericórdia, mas não sei por quê. Sei que foi para glória d’Ele também. Porque eu, para a glória d’Ele. Porque não outro, para a glória d’Ele.

Soberania e Onipotência também são coisas inseparáveis, porque a providência só acontece pela Onipotência de Deus. Deus só pode cuidar de todas as coisas se tiver poder sobre todas as coisas.

Efésios 1.19 – E qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder.

Suprema potência do poder de Deus sobre todas as coisas.

Romanos 4.17 – Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí, perante Aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.

O Deus que é capaz de coisas tão impossíveis como criar a partir do nada!

Hebreus 1.3 – Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direta da Majestade, nas alturas.

Sustentando algumas coisas? Não. Sustentando todas as coisas.

Providência e a Criação são ambas decorrentes da vontade, da soberania, da onipotência de Deus, mas uma não é a outra. Criação é a ação de Deus fazendo as coisas a partir do nada. Providência são todas as ações de Deus que acontecem depois da criação. Essas ações são em relação a nós, que cremos, a todos os que não crêem e a toda obra criada. Providência vem depois da criação, ela não é a criação continuada. Deus criou. Quando acabou a criação passou a cuidar daquilo que foi criado.

Atos 17.24-25 – O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois Ele mesmo é que a todos dá vida, respiração e tudo mais.

O Deus que criou todas as coisas é o mesmo Deus que mantém a vida, que dá a vida, a respiração, e também termina a respiração no momento em que Ele determinou. Isto vai determinar uma coisa importante, que a nossa cosmovisão, a maneira como a gente enxerga o mundo. Vamos ver a cosmovisão de quem acredita em Deus e de quem não acredita.

1º Reis 18.17-18 – Vendo-o, disse-lhe: És tu, ó perturbador de Israel? Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor e seguistes os baalins.

Com quem o profeta Elias está conversando? Com o rei Acabe, que chama Elias de “perturbador de Israel”, porque a visão que ele tem do mundo é muito pequena, se limitando ao seu reino. Elias responde: o perturbador é você, pois, Israel está nessa situação porque você deixou o Senhor, que é Senhor de todas as coisas.

Para entendermos a questão da providência precisamos ter certeza absoluta da Soberania. Só podemos entender a ação de Deus em todas as coisas, se acreditarmos firmemente que Deus está no controle de todas as coisas. E quando dizemos todas, são todas mesmo; não são algumas, não são somente as que nos interessam ou as que achamos bonitinhas. Cremos porque está assim na Bíblia em diversos momentos. Primeiro está colocado que Deus não parou de trabalhar. Não podemos pensar que Deus trabalhou até o sexto dia, descansou no sétimo e continuou no descanso, fazendo mais nada. Jesus disse “meu Pai trabalha até agora”. Deus está no controle das coisas que consideramos importantes e das que nós não consideramos importantes, mas Deus considera que precisa estar no controle; Jesus disse que Ele sabe até quantos fios de cabelo nós temos! E quando falamos de Soberania, falamos da vontade soberana de Deus, quando Ele atua e faz, quando Ele usa alguém para fazer ou aquilo que Ele deixa que algumas pessoas façam.


Há uma palavra nova: Concurso. O que é Concurso? No conceito comum é uma prova para trabalharmos na área pública ou estamos concorrendo a alguma coisa. Curso é caminho ou ocorrência, é andar em determinado caminho. Concurso é andar junto. Assim Deus está caminhando ao lado, junto com todas as coisas que acontecem. As coisas boas e as coisas más. Quando afirmamos que Deus concorre para que todas as coisas aconteçam, não estamos dizendo que Deus está fazendo alguém pecar, porque isso seria contra a santidade de Deus. A pessoa peca porque é pecadora, porque ela é má. Deus não está fazendo a pessoa pecar. O fato de a pessoa pecar concorre para que se execute a vontade de Deus. Vamos ver o que aconteceu com José. Os irmãos não gostavam dele. Primeiro jogaram José dentro de um poço, depois o venderam para uma caravana que estava passando. Isso foi uma ação boa? Não. Eles fizeram mal para o irmão, mal para o pai, contaram uma mentira para o pai, dizendo que
encontraram a capa de José cheia de sangue em algum lugar. José foi levado para o Egito, onde foi ser instrumento para salvar a família dele anos depois. E quando os irmãos o reencontram, ficam apavorados e pensam que José vai obrigá-los “a fazer pirâmide para o resto da vida”. Porém, José lhes afirma que o que eles fizeram, não que tenha sido bom, no sentido de ser agradável, mas foi bom para os planos de Deus. Não que Deus tenha feito o mal, mas Deus está concorrendo, está andando junto com todas as coisas. Por isso que lá na frente vemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Todas.

Mateus 24.22 – Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.

Deus resolve tudo o que acontece na história, inclusive a duração das coisas. Jesus está se referindo aos dias de sofrimento e de tribulação. Deus é Senhor da História. A História não acontece por acaso. No nosso vocabulário não deveriam existir as palavras sorte, azar, acaso. Nada acontece por acaso e nem o desenvolvimento da própria História. Deus está no controle de tudo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Milagres

O que é milagre?

É um acontecimento sobrenatural, inexplicável.

O que é sobrenatural? Sobrenatural é alguma coisa que está além da natureza como nós a entendemos, e não como Deus a entende, porque para Ele não existe o sobrenatural. Sobrenatural é alguma coisa que viola a lei da natureza, que vai contra a lei natural estabelecida.

Já dissemos que há muitas pessoas pensando que Deus criou o mundo, Se assentou no trono e mundo passou a funcionar por sua própria conta e a dona da História é a tal de mãe natureza. Aí acontecem atos subversivos contra a mãe natureza, significando que ela não tem controle de nada e que ela mesma pode ser violada.

Deus parou o sol. Isto significa que Deus intervém quando Ele julga necessário. Isto é uma demonstração clara da providência de Deus, ou seja, Ele continua agindo em relação às coisas que foram criadas.

Precisamos tomar cuidado com o uso da palavra, pois, às vezes, chamamos milagre o que achamos muito legal ou bonitinho. Por exemplo: o nascimento de uma criança é um milagre! Não, não é um milagre, porque faz parte da ordem natural das coisas. Tudo o que tem explicação não é milagre. Milagre é aquilo que não tem explicação alguma pelas leis da natureza como nós as conhecemos. E isso mostra que mesmo essas leis naturais estão debaixo do controle providencial de Deus. Mesmo coisas que são muito boas para nós, não aconteceram obrigatoriamente por milagre.

É preciso cuidado no uso da palavra, para não desvalorizar o que foi efetivamente um milagre. Outra coisa, não tentar naturalizar o milagre, ou seja, procurar uma explicação científica para justificar o milagre. Por exemplo: o povo conseguiu atravessar o Mar Vermelho porque, naquela época, houve um fenômeno meteorológico, bateu um vento muito forte e separou as águas! ou seja, Deus não fez nada! Lázaro ressuscitou por acaso! Já ouvi que a multiplicação dos pães aconteceu porque as pessoas de comoveram com a atitude do menino e resolveram tirar da sacola o lanche que traziam escondido! Porque há pessoas que precisam achar explicação para as coisas inexplicáveis.

Os milagres aconteceram em períodos bastante claros. Como acontecem os milagres? Fisicamente. Onde existe uma concentração grande de milagres? Biblicamente: primeiro há um grande momento, que o momento dos Patriarcas até entrada na terra prometida. Em Gênesis e Êxodo há uma série de milagres. Há alguns momentos da História da revelação onde existe uma concentração. Se for fazer uma contagem dos milagres relatados, o maior número é no ministério de Jesus. Mas temos vários ali no começo, até entrar Josué, e durante o período dos Juízes; no período dos reis já nem tanto. Há um momento que tem uma série de milagres seguidos ali no tempo dos Reinos de Israel e de Judá. Vai ser principalmente na época de Elias e Eliseu. Aí vai acontecer com Jesus e depois no período apostólico.

E hoje? Ninguém pode falar que não existe milagre, mas ao mesmo tempo precisamos tomar muito cuidado com uma porção de coisas que são chamadas de milagres. Primeiro porque sabemos que há muita tapeação. Segundo, porque os milagres sempre tiveram objetivos claros do plano de Deus e, geralmente, vamos ver que nesses momentos o milagre acontecia como algo que comprovasse a Revelação. São grandes momentos de revelação: patriarcas, profetas, Cristo.

Não é preciso mais comprovar a Revelação; não estamos mais nesse momento histórico.

E também há a terceira questão, que preciso muito cuidado: Deus nos avisou que muita gente faria sinais e prodígios, que não viriam da parte d’Ele e que muitos fariam isso em nome de Deus.

Não existe milagre secreto. Os milagres sempre se realizaram na presença de testemunhas. Os milagres de Jesus serviam para mostrar o poder que Ele tinha. De novo, precisamos tomar cuidado porque existem outros sinais que são feitos e também servem para alguma coisa! Vemos curas feitas por outras pessoas. Satanás não está no comando, mas ele tem poder, e ele age com o objetivo de enganar. Em Apocalipse diz que ele virá com sinais e prodígios para seduzir os homens, para as pessoas ficarem entusiasmadas.

Não é pela discussão do milagre ou não que levaremos as pessoas a conhecerem a Jesus. Temos de levar a palavra do Evangelho. Ninguém vai se converter por argumentação lógica.

Não podemos menosprezar o poder de Satanás e nem lhe atribuir poder demais. Ele não é onipresente, onipotente e onisciente. Somente Deus tem esses três atributos. Deus não deu esse poder a nenhuma criatura. Milagre é um acontecimento inexplicável que vai além das leis da natureza como nós entendemos. Então, abrir o mar, parar o sol, ressuscitar mortos é ir além das leis naturais. Eliseu fez o machado boiar; não há lei que explique. Isto é milagre. Agora, se alguém deixa de embarcar num avião que caiu ou sai de um edifício um minuto antes de cair, isto não é milagre, mas a Providência de Deus. Ninguém morre de véspera. Tudo o que tem acontecido com as nações está debaixo do comando de Deus.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Providência - Introdução

Salmos 73 – Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo. Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos. Para eles não há preocupações, o seu corpo é sadio e nédio. Não partilham das canseiras dos mortais, nem são afligidos como os outros homens. Daí, a soberba que os cinge como um colar e a violência que os envolve como manto. Os olhos saltam-lhes da gordura; do coração brotam-lhes fantasias. Motejam e falam maliciosamente; da opressão falam com altivez. Contra os céus desandam a boca e a sua língua percorre a terra. Por isso, o seu povo se volta para eles e os tem por fonte de que bebe a largos sorvos. E diz: Como sabe Deus? Acaso, há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes os ímpios; e, sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã castigado. Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de Teus filhos. Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles.

Tu certamente os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na destruição. Como ficam de súbito assolados, totalmente aniquilados de terror! Como ao sonho, quando se acorda, assim, ó Senhor, ao despertares, desprezarás a imagem deles. Quando o coração se me comoveram, eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à Tua presença. Todavia, estou sempre contigo, Tu me seguras pela minha mão direta. Tu me guias com o Teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. Os que se afastam de Ti, eis que perecem; Tu destróis todos os que são infiéis para contigo. Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, par proclamar todos os Seus feitos.

E aí começa a história da providência. Chega nesse mundo em que estamos e o salmista, como nós em muitos momentos, fala assim: “Eu comecei a olhar o mundo, e todo o mundo que está longe de Deus está se dando bem, vive na riqueza, na opulência, fala mal de todas as coisas”. Ele mesmo ficou sentado pensando: por que eu não faço a mesma coisa? O salmista vai contando esta história e achando que está tudo perdido, até que ele entrou na Casa de Deus e atinou com o destino dos ímpios (v.17). A respeito desse destino de um e de outros, não só no futuro que a gente não sabe quando vai chegar, mas no nosso presente, tratamos da doutrina da providência.

O que quer dizer Providência? Aquele que lha antes para alguma coisa. Na nossa linguagem mais corrente, providência ou prover é a mesma coisa que suprir; é aquele que cuida. A partir de agora vamos estudar o que Deus fez, a partir do momento em que Ele conclui a criação. Por quê? Porque a criação é uma obra acabada, encerrada. Há quem diga que a providência é a criação continuada. Não. Ela não é a criação continuada. A criação já foi feita, a partir daí é o cuidado que Deus tem com a Sua criação. Providência é a manutenção e o cuidado de Deus. Estudaremos a partir de três princípios importantes. Só poderemos entender a Doutrina da Providência se estivermos de acordo:

1 – Deus existe.
2 – Deus é uma Pessoa, tem vontade própria e por isso planeja de acordo com o Seu querer.
3 – Deus efetivamente faz.

A Doutrina da Providência, nos últimos dois séculos, aos poucos foi sendo abandonada pela Igreja, em função de uma série de fatos que veremos, sejam fatos filosóficos, científicos e fatos históricos. Para entendermos a situação da providência de Deus, esse Deus que existe, tem vontade e age, é preciso que tenhamos absoluta convicção da soberania de Deus. Se houver alguma dúvida sobre a soberania de Deus, não entenderemos nada do que contem essa doutrina. Deus é soberano sobre todas as coisas, até sobre as coisas ruins e até sobre as coisas muito ruins. Ele está no comando de tudo o que foi criado. Como nada existe que não tenha sido criado por Deus, a soberania divina é absolutamente sobre tudo.

Deus é o que faz as coisas pecaminosas? Não, porque Ele é Santo. Isto não significa que o pecado aconteça fora do controle de Deus. Nada acontece fora do controle de Deus. Mesmo que vejamos no jornal a pior da pior notícia, isso não acontece fora do controle de Deus. Se alguém disser que Deus não estava ali naquele momento, já negou a soberania, o poder e a onipresença de Deus. Nem todas as coisas ruins acontecem como manifestação da justiça de Deus. A maioria das coisas ruins que acontecem, acontecem como manifestação do nosso pecado. Isso não significa que Deus não esteja no controle. Como não temos a mente de Deus, não podemos dizer que tal desgraça aconteceu porque foi um castigo de Deus. O que podemos ter certeza que ela não teria acontecido se não estivesse na vontade de Deus. O conforto diante de uma tragédia e que nada acontece que não esteja no plano de Deus. Se a pessoa não acredita em Deus não tem conforto. Vemos na Bíblia que muitas vezes nós somos repreendidos e, às vezes, Deus usa os ímpios.

A Providência faz parte das obras que Deus fez para fora do Seu Ser. Deus fez a criação do nada. A providência é o cuidado de Deus com a criação. Qual é a atividade providencial de Deus? Ele provê as necessidades de todas as Suas criaturas, sejam humanas ou não. Não tomba um pássaro se Deus não permitir. Tudo faz parte de um plano de Deus. Ele preserva o universo. Não haveria um mínimo de preservação se não fosse o cuidado de Deus. O homem se esforça para destruir, mas mesmo a essa ação destruidora está sob o controle de Deus. Tudo está debaixo da soberania e providência de Deus. E essa destruição também, só acontece se Deus permitir. É do agrado de Deus que preservemos a natureza, mas por causa da nossa natureza pecaminosa a destruímos. Por causa do nosso pecado a natureza geme! Deus dirige o caminho de todos os indivíduos; até do assassino, do seqüestrador, do ladrão, Deus está na direção. É difícil entender isso! Porque temos a tendência de querer desculpar a Deus, porque temos vergonha de dizer que Deus está no controle. E isso que é o pior, porque, nós, de vez em quando, tiramos Deus do controle, numa tentativa de preservar Deus de tudo o que ruim. Tentamos proteger Deus!!! O Rev. Eber conta no livro dele, de uma enfermeira de um hospital, que queria ser tão boazinha com Deus, a todo paciente que entrava no hospital e que ela que atendia, sempre dizia “Fica tranqüilo que Deus nada tem a ver com isso que você está passando”. Por isso temos de ter absoluta convicção da soberania de Deus. Deus é Soberano e estava no controle daquele mal, sim. Por que aquilo aconteceu? Não sei, mas tenho certeza de Deus estava no controle. Deus vai punir o culpado porque Ele está no controle. Deus governa toda a sua obra. E governando a sua obra Ele vai exercer a Sua justiça. Seja a Sua justiça amorosa para com aqueles que Ele amou, ou seja a Sua justiça da ira.

Uma coisa importante também é que a providência é diferente dos decretos eternos de Deus. Os decretos eternos de Deus foram determinados antes da criação e a providência divina é a partir da criação. Deus governa exercendo a Sua justiça. Deus concorre com tudo o que o homem faz. O que isso quer dizer? Deus está correndo junto com todas as coisas que os todos os homens fazem. Isto significa que Ele está concordando? Não, significa que Ele está acompanhando tudo o que todos fazem. Na prática do mal Deus está acompanhando e permitindo, não significa que Ele esteja concordando. Se negarmos o controle de Deus sobre todas as coisas, também negaremos o Seu poder de governar sobre todas as coisas. Não é preciso pedir a Ele que tome o controle das rédeas, porque Ele é o Senhor das rédeas. Deus está fazendo sempre de acordo com a vontade d’Ele. Por isso é preciso que creiamos profundamente na soberania de Deus. Quando olhamos para a história e vemos a escravidão e a saída do povo do Egito, entendemos perfeitamente o plano de Deus. Por quê? Porque se fosse fácil sair do Egito o povo não daria valor e não entenderia que tinha sido a mão de Deus. Isso acontece conosco hoje. Não podemos entender muitas coisas porque ainda estamos no meio do caminho. A Bíblia diz em Romanos 8.28: Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus. Todas. E em Romanos 11.36 a Bíblia diz: Todas as coisas foram feitas por Ele, com Ele e para Ele. Todas. A Bíblia não diz que só coisas boas foram feitas para Ele. Aí os ímpios prosperam, como diz o Salmo 73 acima. Para quê? Para a glória de Deus. Paulo escreveu aos Coríntios dizendo: todas as coisas me são lícitas. Todas. Mas quando Paulo faz essa afirmação, ele não está falando do pecado. O pecado nunca é lícito, porque pecado é um desvio de Deus. Há coisa que não é pecado e que não é conveniente. Apesar de existir muitas coisas que nos são lícitas e não são pecado, não significa que todas elas são para a nossa edificação. Sabemos que muitas coisas que fazemos não servem para edificação alguma.

Vamos pensar do ponto de vista lógico: Deus é Soberano? Sim. Deus é Onipotente? Ele pode fazer qualquer coisa? Sim. Então, nada fora da vontade d’Ele pode acontecer. A soberania de Deus é absoluta. Não podemos nos esquecer que há a Vontade Decretiva de Deus, que é imutável e está determinada desde antes da criação; e há a Vontade Preceptiva, também chamada permissiva, que é a Sua norma de vida para os homens, mas que Ele sabe que não fazem, porque são pecadores. Quando o homem não cumpre a Vontade Preceptiva, não significa que ele esteja agindo contra a Vontade Decretiva de Deus. Por exemplo: Joãozinho foi jogar bola. Não quer dizer que ele foge à Vontade Decretiva de Deus. Porque se assim fosse, poderíamos dizer que Deus não tem controle sobre Joãozinho e se Deus não tem controle sobre Joãozinho, então Deus não é tão soberano! Mas cremos na absoluta soberania de Deus. A obra redentora do Senhor Jesus foi Vontade Decretiva de Deus. Os Dez Mandamentos é a Vontade Preceptiva de Deus. Tudo o que Deus faz é para a glória d’Ele.

Hebreus 1.3 – Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direta da Majestade, nas alturas.

Sustentando todas as coisas. Todas. Não algumas, não as que são legais, não as que são bonitinhas, mas, todas as coisas.

Romanos 11.36 – Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém.

Para Ele são todas as coisas. Não são algumas coisas não são só as coisas que agradam a Deus, as boas ações, o louvor, mas são todas. Mesmo as coisas ruins se não fossem por meio d’Ele, se Deus não estivesse no caminho, deixando fazer ou não, elas não aconteceriam; elas acontecem para Ele, para servirem aos propósitos de Deus, não aos nossos.

Jó 2.10 – Mas ele (Jó) lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.

Jó falou isso depois da mulher dele dizer “amaldiçoa Deus e morre”. Satanás diz a Deus: “posso mexer com Jó?”, Deus responde: “Pode, mas não tire a vida dele”. Não é Deus quem exerce o mal, mas o mal não acontece sem que Deus permita. Deus não é mal, mas o mal não acontece sem o controle de Deus. Não existe reino do mal e reino do bem, pois haveria dois poderes lutando. Não temos dois poderes lutando. Temos somente um poder que está acima de todas as coisas. Sabemos que Satanás está derrotado. Se fosse permitido tirar a vida de Jó, acabaria o livro e não conseguiria comprovar que Jó era realmente fiel. O objetivo do livro é mostrar a soberania de Deus e que Jó, apesar de todas as provações, permaneceu fiel. O diabo só pode tirar a vida de alguém quando Deus permite. No começo do século 20 houve um bandido aqui em São Paulo, perito em fugir do presídio. Chamava-se Meneghetti. Numa entrevista, quando já estava com cerca de noventa anos, perguntaram a ele se era verdade que tinha tirado a vida de um soldado; ele respondeu: quem tirou a vida dele foi Deus eu apenas atirei. Ele entendia mais de soberania do que muitos crentes.

Oséias 6.1 – Vinde, e tornemos para o Senhor, porque Ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará.

Ele que nos despedaçou, Ele que nos feriu. Oséias está reconhecendo que aquilo que foi mal para o povo veio de Deus.

Jó 1.20-22 – Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.

Jó levantou-se, rasgou as vestes e adorou. Isso é, efetivamente, reconhecer que todas as coisas vêm de Deus; que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, que todas as coisas existem para a glória de Deus. Jó sofreu tudo o que sofreu e não atribuiu a Deus, porque não foi Deus que fez o mal, o mal veio de Satanás, está claro na história de Jó. Deus está no controle. Não aconteceria se Ele não quisesse, e se acontece é porque Deus tem um plano. Temos de ter sempre em mente que Deus é a causa primeira de todas as coisas. Deus criou tudo a partir do nada, então nada existe cujo início não tenha sido em Deus.

Já dissemos que a Doutrina da Providência ficou como que deixada de lado pelas Igrejas, porque fica difícil para as pessoas aceitarem que uma desgraça aconteceu dentro da vontade de Deus. E quando começa este distanciamento da Igreja da Doutrina da Providência? Isto vem acontecendo desde o século 19. Não que ela tenha sido negada ou abandonada pela Igreja. Não. Nunca. Mas o ensino dela deixou de ser ministrado como devia. A Doutrina da Providência começa a perder um pouco de força com desenvolvimento de algumas ciências no século 19.

A primeira delas é emergência do Naturalismo. A idéia do Naturalismo é que a natureza tem vida própria, no sentido de que todas as coisas que acontecem na natureza têm origem na própria natureza. Todo o movimento naturalista vem com a idéia de que a natureza tenha a sua própria dinâmica, ela não depende de ninguém externo, e aí surge o conceito da “mãe natureza”. Não que exista uma figura “mãe natureza” e nem ela é um ídolo, como são outros ídolos, mas ela mesma se supre, se sustenta. Nenhum fenômeno natural tem alguma origem externa, chamado de deísmo. O deísmo é a idéia de que Deus veio, criou todas as coisas, voltou para o Céu e deixou que as coisas acontecessem aqui do jeito que quisessem! O deísmo tem a idéia de Deus somente transcendente, ou seja, Deus está lá no Céu Se importar com que acontece aqui.

O outro movimento científico foi o Subjetivismo. O quer dizer subjetivo? A origem é da palavra sujeito, no sentido de pessoa. A idéia do Subjetivismo é que a religião não é uma coisa que vem de fora do sujeito, mas ela vem de dentro dele. O Subjetivismo diz que Deus não existe, quem inventa Deus são as próprias pessoas. O conceito do subjetivismo é que Deus foi uma idéia criada na cabeça do ser humano. Entre os que pensavam assim há alguns nomes famosos: Felebarh, Nitch, Mark e Freud. Calvino escreveu nas Institutas que a religião está no coração do homem, faz parte da sua natureza e foi o próprio Deus que a colocou no coração do homem, explicando que tanto aqueles que conhecem Deus e a Lei são responsáveis, como aquele que nunca ouviu falar de Deus, também tem noção de que existe um Ser superior que criou todas as coisas, por isso ninguém tem desculpa, como diz a Bíblia na carta aos Romanos. Se Deus é uma invenção no coração humano, fica sem sentido a providência! Que Deus é esse que vai ser providencial se ele nem existe! Então, Subjetivismo tem a ver com a filosofia.

E, por fim, já entrando no século 20, acontecem dois episódios, também bastante conhecidos, que foram a 1ª e 2ª Guerras Mundiais. A 1ª Guerra Mundial acontece num momento de grande euforia econômica social, matando, provavelmente, mais gente do que na 2ª Guerra, e causam muito mais sofrimento porque suas armas eram menos sofisticadas. Uma guerra que arrasa a Europa, que era o mundo ocidental. Quando o mundo conseguiu sair dessa guerra, 20 anos depois começou a outra. A 1ª acabou em 1918 e a 2ª começou oficialmente em 1939. Entre as duas guerras foi um período de muita turbulência: crise econômica, ascensão do comunismo, do nazismo, do franquismo, etc. Foi um período de desgraça absoluta. Qual era a percepção das pessoas? De que os acontecimentos estavam sem nenhum controle, porque “se Deus existisse nada disso aconteceria”. Esta é uma frase que ouvimos muito! E isso acaba sendo importante, porque as pessoas confundem a Doutrina da Providência, entendendo que a providência divina é só para o bem. Se a providência é só para o bem e acontece uma porção de coisas ruins, portanto, não existe Providência, ou pior, não existe Deus que esteja efetivamente tomando conta dos fatos. Todo o mal sucedido foi permitido por Deus, sem nenhuma dúvida, porque Deus é Soberano. Ele está no controle de tudo, inclusive a ação do diabo. Por que Deus permitiu? Não sabemos. De uma coisa temos certeza: foi para a glória d’Ele.

Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo
Transcrição da Missionária Heloísa Martoni
Bibliografia usada na preparação da aula:
As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
A providência – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)
As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A criação - estudo bíblico

Estas são as coisas mais importantes que precisamos saber sobre a criação: que ela é um ato divino, que Deus faz todas as coisas pela Sua livre vontade, ou seja, Deus não tinha necessidade de criar nada, Ele criar porque quer, por Sua própria vontade que é soberana. para a Sua própria glória, Ele faz a partir do nada e que Ele faz através de Jesus Cristo. Por quê? Porque a criação não é um ato isolado de Deus, porque Deus não é Ser unitário, Deus é um Ser Triúno. Como Deus é Triúno a criação é triúna. As três Pessoas de Deus participam ativamente do ato de criação.

A criação é também atemporal, ela acontece no tempo que não sabemos qual é, porque antes da criação não existia o tempo. O tempo fez parte da criação. O tempo passou a existir no momento que Deus diz que houve dia e noite. Antes disso não havia tempo algum. O tempo de Deus não é o nosso tempo. A ordem das coisas criadas é exatamente como está em Gênesis, mas se o dia foi de 24 horas ou 24 bilhões de anos, não nos preocupa.

Deus criava de duas maneiras: mediata e imediata. Todo o princípio da criação é imediata, ou seja, não é através de nenhuma outra coisa criada, porque criou do nada. A criação do homem é mediata porque Deus já havia criado a terra.

Onde Deus estava antes da criação? Deus estava em Si mesmo. Deus está presente desde sempre, porque Ele é eterno, sem princípio e nem fim. Quando perguntamos onde Deus ficava antes que houvesse mundo, estamos voltando à nossa limitação de tempo e espaço. Como a Bíblia descreve Deus sentado no trono, pensamos que Deus precisa de um lugarzinho para ele. Deus não é matéria, não ocupa espaço. Precisamos usar a lógica, se Deus ocupasse espaço, teríamos um enorme problema, porque como é um Ser Infinito, Deus ocuparia todo o espaço disponível, portanto não existiria mais nada além d’Ele mesmo. Ninguém viu a Deus. Houve a Teofania, que são formas que Deus adotou para Se manifestar. Mas, jamais alguém viu a Deus, nem Moisés. As pessoas viram ao Senhor Jesus, e Ele era Deus, mas Deus feito em carne. Porque a Bíblia diz que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança, temos a tendência de pensarmos em Deus com a nossa aparência humana.

O que é realmente importante é saber que Deus criou todas as coisas da maneira como Ele criou, que foi por Sua vontade, criou do nada através do Verbo, e não essa preocupação insana que temos de querer entender como as coisas foram criadas e ficar acochambrando a Bíblia com a ciência ou acochambrando a ciência com a Bíblia. Deus tem poder para criar o mundo da forma como Ele criou. Se foi num estalo de dedos, Deus tem poder para isso. Se foi de forma que levou séculos, Ele tem poder para isso. A questão é que fica fugindo do que é mais importante para ficar discutindo os detalhes, como essa terra que vira gente e lhe sopra as narinas.

Ao criar o universo Deus dá a esse universo uma existência autônoma, ou seja, este universo passa a funcionar por conta própria, mas isso não significa que o universo vai ser independente, que ele vai deixar de depender de Deus. O mais importante na criação é que o universo é distinto de Deus. Deus não está nas coisas criadas. A obra criada não é Deus, ela é criada por Deus. Nós não somos um pedacinho de Deus. Fomos criados por Deus, a nossa natureza é outra. A partir daquele “Vive em nós” é outra história.

Isaías 42.5 – Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela.

Deus criou todas as coisas e dá a sobrevivência de tudo o que é criado. A Terra é autônoma, mas se Deus não continua cuidando de todas as coisas nada subsistirá.

Atos 17.24 – O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.

Por quê? Porque Ele não é pedacinho das coisas criadas. Ele é o Criador. Deus é transcendente e imanente. Se estivesse na obra criada Ele seria só imanente. Ele participa de tudo o que acontece na obra criada, portanto Deus é imanente, mas Ele está independente e acima de toda a criação. Tudo depende de Deus desde sempre e Ele ocupa todos os espaços.

Salmos 139.7-10 – Para onde me ausentarei do Teu Espírito? Para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a Tua mão, e a Tua destra me susterá.

Efésios 4.6 – Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.

“E está em todos”. Se Deus está em todos os lugares, Ele está em todos.

A Criação é independente, ela vem do nada, é através do Verbo, e ela tem um objetivo: para a glória de Deus. Deus criou todas as coisas para a manifestação da Sua própria glória. Deus criou todas as coisas para Si mesmo, para Sua própria glória. Seria Deus egoísta? Vamos voltar lá, antes da criação. O que acontecia antes da criação? Era somente Deus. Não havia a Sua obra da criação, Ele estava sozinho. Então para quem Ele criou todas as coisas? Para Ele mesmo. Não era preciso criar, a Criação é um ato livre de Deus, criou porque quis. Nós somos a “rapa do tacho” da Criação. Mas, se Deus Se basta, é auto-suficiente para Si mesmo, a Criação deveria existir para a felicidade do homem, não de Deus, porque Deus já se basta a Si mesmo! Deus precisa da nossa glorificação? Não. Quero fazer vocês pensarem. Não sabemos quando os anjos foram criados, só sabemos que eles foram criados entre o nada e o homem. A única coisa que sabemos é que os anjos já haviam caído antes da queda do homem. Quanto tempo Adão ficou sozinho no Éden? Não sabemos. Quanto tempo Adão e Eva viveram no paraíso antes da queda? Não sabemos. Quando lemos a Bíblia parece que tudo está passando muito rápido. A única coisa que temos certeza é que Satanás já tinha caído quando acontece a queda do homem. O que sabemos é que os anjos foram criados depois de No princípio (Gênesis 1.1). Depois Deus criou alguma coisa que estava sem forma e vazia e o Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gênesis 1.2). Vazia no sentido de não haver habitante algum, nenhuma espécie de população. Não vazia de vácuo, de nada haver. Essa criação primordial não tinha forma e nenhum tipo de população. Mas ela era alguma coisa. É importante sabermos que a Criação não é só para o louvor da glória de Deus, mas também a manifestação da Sua glória.

Isaías 43.7 – A todos os que são chamados pelo meu Nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.

“Que criei para minha glória”.

Isaías 60.21 – Todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado.

Para a glória de Deus.

Isaías 61.3 – e a por sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

“Para a Sua glória”.

Ezequiel 36.21-22 – Mas tive compaixão do meu santo Nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi. Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o Senhor Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo Nome, que profanastes entre as nações para onde fostes .

Deus está dizendo: “Não é para vocês que estou fazendo estas coisas, mas é para manter a glória do meu próprio Nome”.

Ezequiel 39.7 – Farei conhecido o meu santo Nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo Nome; e as nações saberão que eu sou o Senhor, o Santo em Israel.

Outra vez Deus está dizendo: “Para o meu próprio Nome, em defesa da minha Santidade”.

Lucas 2.14 – Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem Ele quer bem.

O que tinha acabado de acontecer? O nascimento de Jesus. O Senhor Jesus nasceu para a glória de Deus, viveu para glorificar a Deus.

Romanos 9.17 – Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu Nome seja anunciado por toda a terra.

Para a felicidade do povo? Não. Para Faraó ficar importante? Não. Para manifestar a glória d’Ele.

Romanos 11.36 – Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!

D’Ele, por meio d’Ele e para Ele. São as coisas de Deus? É o louvor a Deus? São todas as coisas. Não são algumas coisas, são todas as coisas. Acontecem coisas ruins no mundo? Sim. Para quê? Para a glória de Deus. Todas as coisas são d’Ele, por meio d’Ele e para Ele, porque é a maneira d’Ele manifestar a Sua glória, o Seu amor, o Seu poder. Por que Faraó endurece o coração e não deixa o povo sair? Porque se o povo na sai na primeira ou na segunda vez, diriam que saíram pelos méritos de Moisés, saíram pela bondade de Faraó. O mal somos nós. Todas as coisas ruins que acontecem é por causa do nosso pecado. De Deus não vem o mal. Ele permite porque dá autonomia ao homem, que é a livre agência. Não é livre arbítrio, que é a capacidade do homem de realizar a sua própria salvação, fazer coisas espiritualmente boas, do qual ele não é capaz. O homem é livre para escolher as suas ações de acordo com a sua natureza. Deus está tão acima de nós que Ele escolheu para salvar entre homens muito perversos e não entre os que “pareciam bonzinhos”, para mostrar que não é pelos nossos méritos, mas para manifestar a Sua própria glória.

1ª Coríntios 15.28 – Quando, porém, todas as coisas Lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará Àquele que todas as coisas Lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Aqui está falando que Deus criou todas as coisas, deu autonomia ao homem e o homem se tornou filho da ira (Efésios 2.3). Não que Deus não esteja mais no controle de todas as coisas, mas que essas pessoas se negam sujeitar-se a Deus. No final dos tempos todos vão estar de novo sujeitos a Deus e Ele entrega ao Filho para que o Filho seja tudo em todos. Alguns vão estar sujeitos a Deus juntos de Deus e outros vão estar sujeitos a Deus, bem longe de Deus.

Efésios 1.5-6, 9, 12 e 14 – e em amor nos predestinou para Ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória de Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado. Desvendando-nos o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito que propusera em Cristo... a fim de sermos para louvor da Sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo... O qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da Sua propriedade, em louvor da sua glória.

Para o louvor da Sua glória. Somos para o louvor da Sua glória. Em doze versículos quantas vezes lemos para o louvor da Sua glória? Três vezes.

Efésios 3.9-11 – E manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Através de quem Deus se manifesta? Através da Igreja. É função da Igreja levar esta manifestação ao conhecimento dos outros.

Vimos que a criação é um ato divino, é um ato livre de Deus e é um ato atemporal. Um quarto ponto que é importantíssimo sabermos que a criação é a partir do nada. A palavra latina nihil quer dizer “nada”. Deus cria a partir do nada, porque só Ele tem essa capacidade criadora. Nada existia a não ser Deus mesmo e Ele é Espírito. Esta é a nossa convicção: Deus criou tudo a partir do nada pelo poder da Sua Palavra. A criação não aconteceu por obra do acaso. Qualquer teoria científica, concordemos ou não com ela, sempre apresentará um problema. Em todas as teorias científicas chega um momento que vem a pergunta: como isso surgiu? Ou, como isso estava lá para que acontecesse. Dizem: juntou uma grande porção de gás e aconteceu uma explosão. Como esse gás surgiu? Ou, quem pôs fogo nesse gás? Podem alegar que o encontro dos elétrons, prótons ou do nitrogênio geraram a explosão! Na verdade, o conceito da explosão é assim: houve a explosão e as coisas foram se organizando durante esse tempo. Existe a teoria do big-bang que existe um monte de gás que estava livre no universo e por uma conjunção do acaso teve uma reação química que explodiu e transformou energia nuclear em matéria. Isto é uma teoria, ou seja, alguém pensou que poderia ter sido desse jeito. O que o acelerador de partículas está tentando fazer é ver se essa combinação de junção de gases poderia de alguma forma gerar esse tipo de explosão. Ele não vai explicar como essa matéria estava lá para poder explodir. O acelerador de partículas vai dizer que é possível a junção desses gases explodir e virar matéria, mas ele vai continuar sem explicar de onde surgiram esses gases, mesmo que seja possível. Mesmo que ele prove que é possível, ele não estará provando que foi isso que aconteceu, mas que é possível que gases de determinada forma e em determinadas condições explodirem e virarem matéria.

Dependente e Independente

A criação tem existência separada de Deus, ou seja, Deus cria todas as coisas e essas coisas não são Deus. A obra da criação não faz parte do Ser de Deus. Ela é independente de Deus, mas, ao mesmo tempo, essa criação só subsiste por causa da providência de Deus. A criação não é Deus, como tem muita gente que acredita. A criação não é Deus, mas não sobrevive sem a providência de Deus, por isso ela é dependente de Deus, mas ela é independente da existência de Deus. Quando dizemos que Deus continuou agindo na natureza, que a natureza é dependente de Deus, nós estamos falando de um Deus imanente, ou seja, Deus continua participando da obra criada; mas, ao mesmo tempo, Ele é separado da obra criada, Ele está acima de todas as coisas, Ele é transcendente. Deus consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Resumindo, a criação é um ato divino, e, portanto, triúno, é um ato livre de Deus, é atemporal, é a partir do nada, ela é independente, ou seja, ela tem existência distinta de Deus e ela tem um objetivo, ela tem uma finalidade que é para a glória de Deus. O importante é a nossa convicção de que Deus é o Criador de tudo. Os detalhes da criação não têm tanta importância, porque Deus tem poder e capacidade para fazer da forma que Ele bem entende.

Com a preocupação de saber quais os elementos químicos que Deus usou na composição da terra que formou o homem, estamos tentando debater a ciência com a religião. Ciência é uma coisa e religião é outra. Ciência se debate em fórum de ciência. E esta contraposição é que acaba criando um problema, porque tenta se adequar. Há três linhas religiosas a respeito da criação que são compatíveis com aquilo que nós acreditamos:

Temos uma linha agostiniana que entende que havia coisas simbólicas no relato da criação, porque ele tinha certeza de que Deus não tinha um dia de 24 horas. Quem usa relógio com um dia de 24 horas somos nós. Se alguém disser que Deus criou em 5 segundos ou 5 bilhões de anos, tudo bem, porque Deus tem poder e capacidade para fazer tanto em 5 segundos como em 5 bilhões de anos.

Depois nós temos os que são chamados hoje, até de uma forma pejorativa, de criacionistas, porque são as pessoas que entendem que o relato é ao pé da letra.

E por último temos os que são chamados harmonizadores. Estes são os que preocupam. O primeiro e segundo caso – perfeitos. Os harmonizadores são aqueles que dizem: “já que eu não tenho como negar a ciência deixa-me tentar adaptar a ciência a Deus ou Deus a ciência. A Bíblia comprova a ciência”. A Bíblia não foi escrita para comprovar a ciência. A Bíblia é matéria de fé. Por que eles fazem isso? Porque se envergonham de afirmar que acreditam que Deus criou a partir do nada. São pessoas preocupadas em entrar no contexto do mundo. Não podemos dizer que o mundo está certo, que a ciência está certa, porque uma das coisas que a ciência procura é tentar explicar que a criação foi feita a partir do nada, mas sem Deus. Não estou dizendo que algum crente está deixando de ser criacionista, o que me incomoda pessoalmente é o fato de tentarem achar um caminho explicável. Também não estou dizendo que o harmonizadores negam que Deus é o Criador de tudo. Vejam que interessante! Existem outras teorias criacionistas de outras religiões que acham que o mundo foi feito de outra forma; mas, nenhuma das teorias criacionistas científicas seguem um caminho diferente da ordem das coisas criadas como está na Bíblia. Nenhuma teoria científica diz que criou primeiro o homem depois os animais. Ninguém inverte a ordem. Ninguém diz que os mares surgiram antes de surgir a luz. A seqüência criacionista, curiosamente, acaba seguindo a mesma ordem bíblica. A evolução criacionista é um pedaço de uma das teorias. Entre as principais grupos de teóricos temos:

1º) Os dualistas. A teoria dualista é a que separa Deus da matéria. Ela não nega a existência de Deus, ela nega que Deus é o Criador da matéria. Ela não explica da onde surge a matéria, mas ela parte de um princípio que desde sempre houve Deus e houve matéria. Ela diz que a matéria é auto-existente, que a matéria, assim como Deus, são dualistas e que existem desde sempre. Para o dualista a matéria é eterna assim como Deus é eterno. O que acontece é que essas mesmas teorias assumem que Deus é perfeito e que a matéria é imperfeita. Então, onde entra Deus nessa história? No dualismo Deus entra como um moldador de todas as coisas, ou seja, a matéria existe desde sempre e Deus vem brincar de massinha para moldar a matéria que existia desde sempre. Quem acredita nessas coisas? Sócrates, Platão, os gnósticos, os maniqueístas. Ninguém está dizendo aí que Deus não existe, mas foi apenas um bom arquiteto, pegou o que existia e moldou. Eles dizem que a matéria está subordinada a Deus, porque Deus está acima de todas as coisas, mas eles não aceitam que a criação é a partir do nada. Por quê? Porque dizem que do nada nada se faz. Afirmam que Deus fez, mas a partir de alguma coisa tão eterna quanto Deus. Quando entra na questão espiritual, alguns desses dualistas partem do princípio que o mal é tão eterno quanto Deus, que existe desde sempre um senhor do bem e um senhor do mal e que estão em constante luta até que haja um desfecho. Este é o pensamento da maioria das religiões orientais, como os budistas. Islâmico, não, eles são monoteístas.

2º) Teoria da emanação. Aqueles que acreditam nessa teoria da emanação, não dizem que Deus não existe, também não negam que a criação como conhecemos é obra de Deus, eles negam que a criação é a partir do nada. Eles dizem que a criação emanou, saiu de Deus naturalmente. Onde está o erro? Primeiro, deixa de ser um ato livre de Deus, porque foi involuntária, escapou d’Ele a criação, com isso estão negando a transcendência de Deus. Se a criação é uma emanação de Deus, é uma coisa que sai do Ser de Deus, portanto, a obra criada são pedacinhos do Ser de Deus, ou seja, a criação também é deus. Negando que foi um ato livre de Deus, eles negam que Deus é soberano, porque não conseguiu segurar essa emanação criativa. Isso quer dizer que a criação estava fora do controle de Deus. E se ela está fora do controle de Deus quando ela surge, ela continua depois, isto é, Deus não controle sobre aquilo que Ele criou. Se tudo o que foi criado é emanação de Deus, o mal também é uma criação de Deus. Portanto, se o mal é uma emanação de Deus, está negando a Santidade de Deus.

3º) Os evolucionistas. Existe a teoria evolucionista espiritual e a naturalista. Ambas procuram estudar ou teorizar a respeito da origem das coisas. Os evolucionistas não estão preocupados em explicar a origem, mas o processo de transformação da coisa criada, porque a teoria evolucionista parte do princípio que algo existia, ela parte do princípio que já existiam os gases e que por algum motivo, aumentou a taxa de compressão do universo e obrigou os gases se chocarem e provocarem uma grande explosão. Darwin foi um naturalista que estudava bicho e se preocupou unicamente com a biologia zoológica. Ele dizia que entre os seres vivos do reino animal se percebe que tal bicho foi tendo transformações. Ele não fala, mas sugere que a linhagem do homem é a mesma linhagem dos demais primatas. Ele não diz que o homem é um macaco que evoluiu, mas ele diz que surgiram do mesmo tronco: um evoluiu para ser macaco e outro evoluiu para ser homem.

A teoria da evolução espiritual parte do princípio que Deus vem evoluindo no processo de criação. Acreditam que Deus cria, continua criando e que Ele dá um toque qualitativo de vez em quando. Então, é uma teoria teísta, ou seja, Deus criou, o universo começa a se organizar e de tempos em tempos Deus voltava e fazia um efeito milagroso qualquer e a criação dá um salto de qualidade.

A teoria da evolução naturalista que parte do princípio que espécie gera espécie. Aí tem muito a ver com Darwin. Ele diz que eram seres unicelulares que por causa do seu ambiente, evoluíram. A tese de Darwin é que o ser evolui por pressão do ambiente onde ele está. Há quem diz que a única coisa que diferencia o homem dos outros animais é o polegar em posição oposta e consegue segurar algo. Então, há microrganismos que geraram plantas, que geraram seres primários, que vão gerar seres superiores, e estes seres superiores vão melhorando até ser superior a tudo. A teoria da evolução está dizendo que todos nós somos filhos de uma célula original qualquer lá do começo, até primos da girafa nós somos, se for o caso. Tudo surgiu de um microrganismo original que foi mudando e se separando em diversos contextos. Darwin não chegou nesse ponto, mas a sua declaração de que em dado momento um evoluiu para homem e outro evoluiu para primata, no conflito de criação e evolução acabaram por colocar palavras que ele não disse. Não que a teoria de Darwin fosse uma teoria teológica. Ele não estava preocupado em negar a existência de Deus, os ateus é que queriam provar que Deus nada tinha a ver com a criação.

Também os evolucionistas cristãos. São aqueles que não podendo combater cientificamente a teoria da evolução, dizem que a Bíblia mostra que a evolução existe mesmo. Os seres humanos nascem dos microrganismos. Eles dizem que quando Deus fez o homem da terra, e no meio da terra tinha microrganismos vivos, é aí que a Bíblia mostra que o homem é criado da forma como a evolução explica. Deus é poderoso, mas Ele é só um montador. E aí fica pior, acaba tendo uns traços panteístas, porque misturam o Deus moldador com a nossa imagem e semelhança de Deus que só pode ser espiritualmente, pois Deus é Espírito, e coloca o ser humano nas coisas criadas.

Isso encerra o assunto? Não. Se encerrasse a gente não estaria discutindo a criação há dois séculos, porque, na verdade, a Igreja passou a discutir esse problema da criação a partir do século 19. Veja que interessante! As outras teorias, os dualistas e a emanação, são conceitos filosóficos religiosos tão distantes do mundo ocidental, que não afetaram, porque se eles acreditam naquilo, nós cremos na Bíblia. A teoria que nasce dentro do mundo ocidental é que gera a discussão. Não há nenhuma grande discussão a respeito da criação nascendo dos teólogos da origem da Igreja, da Idade Média. O debate criacionista surge, principalmente, com Darwin e seus companheiros. Darwin nasceu no mundo ocidental, no maior império do mundo, tão grande que o ditado inglês dizia “nas terras do rei o sol nunca se põe”, porque a qualquer hora o sol sempre estava brilhando em algum domínio da Inglaterra; então, Darwin surge no centro do centro do mundo, dentro de uma sociedade cristã! Antes disso encontramos outros debates teológicos a respeito da salvação pela graça, se homem nasce com pecado ou sem pecado, mas sobre a criação é somente a partir de Darwin.

Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:
As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
O ser de Deus – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)

As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Uma festa diminuída

E, se Cristo não ressucitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. I Co 15:14


É comum ouvirmos de todos os cristãos, e aqui incluo não só os reformados, mas também os católicos, ortodoxos, evangélicos de todas as espécies, que o Natal é a maior festa da cristandade.

É no Natal que as famílias se reunem, que até aqueles que há muito não frequentavam a igreja aparecem para ouvir os corais (especialmente se forem os de crianças). Uma festa em que todos estão alegres porque, afinal de contas, é o nascimento de mais um bebê.

Além disso o Natal tem o componente de ganância por presentes e de gulodice pelos acepipes natalinos. Certamente uma festa de arromba.

Já a Páscoa...bem a Páscoa é sempre olhada como uma data um tanto deprimente, afinal temos de falar de sofrimento, de morte, de túmulo. Não são palavras que as pessoas gostam de ouvir. Nem os ovos de chocolate conseguem quebrar totalmente esse espírito fúnebre.

E também a Páscoa representa um feriadão de 3 dias (4 para alguns, e a semana toda para a maioria dos estudantes universitários), uma ótima oportunidade de viajar.

Esse costume está tão arraigado nas nossas igrejas que a maioria comemora a páscoa no domingo que antecede a mesma (o que automaticamente acaba com qualquer comemoração do domingo de Ramos, que as nossas crianças nem sabem mais do que se trata), afinal, as pessoas não estarão mesmo na igreja.
As classes de escola dominical acabam tendo aulas conjuntas e, raramente, o coral tem quórum para uma apresentação mais complexa. Pense nisso, quantas vezes você já ouviu algum coral cantando o Messias no Natal ? E quantas vezes as monumentais paixões de Bach durante a Páscoa?

Pior, as próprias igrejas estimulam seu esvaziamento promovendo acampamentos e retiros (onde, quem já participou de algum, sabe que boa parte do tempo é dedicada a esportes e atividades sociais, ainda que alguns se denominem "retiros espirituais").

Agora... o que seria de nós sem a páscoa? Sem o sacrifício, morte e ressurreição de Cristo? Apenas um bando de gente infeliz afundada nos seus pecados.

Se vivemos é porque Cristo foi a primicia daqueles que ressucitam para a vida eterna. Essa é a nossa fé, essa é a nossa certeza.

Ou não?

Se a nossa convicção é de que, sem a ressurreição nós não somos nada, porque não estamos todos juntos reunidos para comemorar essa que, de fato, é a data mais importante do nosso calendário religioso?

Um dia ainda nos convenceremos de verdade sobre isso. Aí sim, estaremos comemorando com pompa e júbilo a grande festa da cristandade.

Feliz Páscoa.

sábado, 4 de abril de 2009

Pescando em aquário

...e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Mt 10:7

Missão é uma ordenança, uma vocação e um privilégio que Deus nos concede. Não é uma atividade opcional.

A forma e o local onde cada um faz isso depende dos dons e habilidades que recebeu. Missionário não é só quem está no meio da África, mas também que fala do evangelho para o seu vizinho.

Pregar, nem sempre é algo bem visto pelo mundo. A maioria dos não crentes acha muito chato ouvir a palavra de Deus. Mesmo quando somos mal vistos, a Bíblia nos lembra que devemos pregar, quer seja oportuno ou não.

Agora, duro mesmo não é nos depararmos com quem não quer nos ouvir, mas com os missionários que só querem pescar em aquário. Esses ouviram dizer que seriam pescadores de homens, mas não prestaram atenção ao fato de que a atividade deveria ser exercida em mar aberto.

São batistas querendo converter congregacionais. Pentecostais querendo converter metodistas. Presbiterianos querendo converter luteranos.

Eles não querem converter ninguém a Cristo, querem é converter à sua denominação e, especialmente, à sua igreja local. Ao invés de aumentar a congregação dos salvos só estão disputando fatias de mercado.

Confundem missões (pregar o evangelho a quem não o conhece) com debate teológico. Eu posso até achar que a doutrina defendida por essa ou aquela igreja é errônea. Isso é muito diferente de questionar se a fé das pessoas que frequentam outras igrejas é legítima ou não.

Pescar em aquários não vai satisfazer a nossa obrigação de pregarmos o evangelho. Não é sinal de obediência, nem de serviço bem feito para Deus.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Homens de pouca Fé

Cristian Sehnem*

Surpresas vêm para todos. De uma hora para a outra o inesperado bate a nossa porta e muda tudo, às vezes para o bem, outras não. Quem sabe aquele temor que, de repente, se confirma: uma doença, acidente de trânsito, infidelidade conjugal, morte. Nesse momento muitos lembram de quem tudo pode, Deus, e na igreja encontram conforto e esperança. “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”. (Mateus 11: 28).

Pessoas com deficiência também têm surpresas. E da mesma forma podem precisar de um encontro com Deus, ou mesmo frequentar uma igreja regularmente. A limitação física, intelectual ou sensorial não lhes assegura paz de espírito, nem as torna angelicais. Possuem limites e virtudes como quaisquer outras, cada uma a sua maneira. Por isso, precisam de ambientes que não impeçam nem constranjam. Igrejas onde não serão a atração do dia por usarem muletas ou cadeira de rodas, comunicarem em gestos, verem com as mãos ou terem um entendimento menos ágil. E tendo que suportar, ainda, olhares distantes de piedade e incompreensão. “Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor?” (Êxodo 4: 11).

Para que todos possam estar nas igrejas é preciso que ofereçam espaços, equipamentos e, principalmente, atitudes acessíveis. Medidas que promovem a inserção de quem possui deficiência, mas também de idosos, obesos, estrangeiros, gestantes, com dificuldades de aprendizagem, e tantos outros. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (Mateus 28:19).

Sim, a preocupação social com minorias excluídas tem adquirido força recentemente, e com ainda poucos resultados concretos. Inúmeras barreiras continuam dificultando o ir e vir de boa parte dos cidadãos. Só que igrejas contam com a Orientação Celestial, um detalhe que, creio, lhes proporciona imensurável vantagem. “Eu sou o que primeiro direi a Sião: Ei-los, ei-los; e a Jerusalém darei um mensageiro que traz boas-novas”. (Isaías 41: 27).

Somos todos limitados, e igrejas são constituídas por homens e mulheres comuns. Mas ignorar o acesso a um irmão não deve ser princípio de qualquer denominação religiosa. Eu acredito em Deus, e as igrejas, locais onde podemos melhor encontrá-Lo, e compreender os porquês da vida, devem estar atentas a essa questão. Não por caridade, misericórdia ou compaixão, mas por direito, respeito e amor em Deus. “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo”. (Lucas 10: 27).

*Cristian Sehnem é Conselheiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Santa Cruz do Sul/Unisc

Descrição da imagem : logotipo do Churches for All (Igreja para todos), uma esstilização do símbolo internacional de acessibilidade

sexta-feira, 27 de março de 2009

A justiça de Deus

Corolário é uma conclusão resultante da comprovação de alguma outra coisa. Simplificando, corolário é uma conseqüência lógica, ou seja, se eu provei que A é igual a B, como colorário, como conseqüência, acaba-se comprovando alguma outra coisa também, resultante dessa que eu comprovei. É um termo muito vago em matemática, que, quando se comprova uma teoria ou algum teorema, além de se comprovar aquilo que estava procurando se comprovar, existem outras conclusões que são ligadas àquela conclusão principal. Na verdade, corolário é sempre uma verdade conseqüente; ele é conseqüência de uma outra verdade.

Corolário da santidade de Deus. Comprovei que Deus é Santo, a justiça de Deus está intimamente ligada com a Sua santidade, ou seja, Deus não poderia deixar de ser justo porque isto seria contra a Sua santidade. Então, se eu comprovo que Deus é Santo, como conseqüência, isto significa uma série de outras questões. Dentro da justiça de Deus estudaremos também aquilo que todo o crente quer que aconteça com relação aos não crentes, ou seja, a ira de Deus.

Salmo 145.17 – Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, benigno em todas as Suas obras.

Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, justo em todas as Suas obras.

Precisamos entender o que é Justiça e o que é a Justiça de Deus. Estamos estudando os atributos comunicáveis de Deus, ou seja, aqueles atributos que Deus tem de forma perfeita, mas que nós também podemos ter um pouco deles. Há alguns atributos de Deus que mesmo que quiséssemos não poderíamos ter, são os atributos incomunicáveis de Deus. A eternidade de Deus é um atributo incomunicável, não temos nem podemos ter nenhum pouquinho disso. A justiça nós podemos ter, não que todos tenham, mas podemos ter.

Justiça dentro do nosso conceito humano está de conformidade com a lei. Justiça é andar de conformidade com a lei, ou aplicação da lei quando alguém não anda de conformidade com ela.
Isto também é verdade quando se aplica a Deus. Mas quando falamos de Deus não estamos nos restringindo à lei escrita de Deus; e quando falamos da lei escrita, não estamos nos restringido só aquela lei que Deus entregou para Moisés.

A justiça de Deus é andar em conformidade com a vontade de Deus e tudo aquilo que Deus coloca como sendo Sua vontade para nós.

E como é andar de acordo com a vontade de Deus? Ela será um reflexo da santidade de Deus. Deus é perfeito. A justiça de Deus está totalmente ligada à questão da Santidade. Portanto, qualquer coisa que nós façamos que seja contra a santidade de Deus é pecado. É mais do que um livrinho de regras que pode e não pode.

A justiça de Deus visa dar glória à santidade de Deus. Todas as coisas de Deus existem para o louvor da Sua glória. A justiça de Deus quando aplicada visa compensar aquilo que foi feito contra a Sua santidade, que pode ser regatar o pecador ou não. A justiça de Deus é também uma forma de compensação. A diferença é que para alguns essa compensação é pessoal, e para outros essa compensação é vicária, ou seja, alguém pagou essa conta por nós. Mas Deus está se vingando do pecado que foi cometido contra Ele. Se Deus não agisse assim Ele estaria negando a Sua própria santidade. A vingança é a aplicação da justiça. Então, também será uma forma de compensação porque nós atentamos contra a santidade de Deus. A vingança pertence ao Senhor e é livre.

Quando nós atentamos contra a santidade de Deus, nós colocamos a manifestação da ira de Deus. Por que? Porque passamos a ficar com uma dívida em relação à santidade de Deus. O que acontece a respeito da manifestação da ira de Deus? Uma coisa é fácil dizer: que Deus está irado por causa do pecado.

Deus tem duas atitudes em relação à Sua própria ira que estão ligadas a outros atributos d’Ele. Uma dela é o atributo de paciência. Deus retém temporariamente a execução da Sua ira. A outra questão é a da misericórdia, ou seja, Deus não retribui pessoalmente a Sua ira. Porque se Deus retribuísse só individualmente a ira, estaríamos todos nós perdidos. A misericórdia é: Ele mesmo providencia alguém para pagar essa conta, pois essa conta não pode ficar sem pagamento, porque seria dizer que Deus tolera o pecado. Se Deus tolera o pecado isto nega a Sua santidade. Deus, portanto, não pode deixar de seu Justo. Aí percebemos que a justiça de Deus tem duas características:

1) Justiça Absoluta – A justiça absoluta de Deus é a justiça de Deus para com Ele mesmo. A respeito dessa justiça não sabemos detalhes, sabemos que ela é existente. A justiça de Deus para com Ele mesmo, sabemos que ela é existente porque a Bíblia declara isso, mas ela não é explicada na Bíblia.

2) Justiça Relativa – O que conhecemos, e é bom nos acostumarmos com alguma coisa, é o que chamamos de justiça relativa. Não relativa porque ela pode ser de um jeito uma hora e de outro jeito outra hora. Mas é aquela que está relacionada conosco. A Bíblia fala muito sobre a justiça de Deus em relação a nós. Porque ela é em relação a nós, homens em geral, ela é chamada de relativa,

porque ela está relacionada à alguma coisa. Esta justiça relativa se manifesta a todos nós de diversas formas. A justiça, enquanto designa o sinal do homem, graças a Deus, ela não se manifesta a nós, porque ela já se manifestou a nós através de Jesus Cristo. Isto não significa que Deus também não recompense e una algumas coisas no dia-a-dia. Deus é bom mesmo. Só por curiosidade: a palavra “justiça” aparece na Bíblia mais vezes que a palavra “amor”, o que não significa que Deus tem menos amor. Deus é amor, mas é também justiça. Porque, assim como o amor, assim como outros atributos, a justiça é um atributo essencial de Deus, ou seja, faz parte da Sua essência e da Sua natureza, não pode ser separada de Deus, não dá para separar de Deus o fato de que Ele é Justo.

Esdras 9.15 – Ah! Senhor, Deus de Israel, justo és, pois somos os restantes que escaparam, como hoje se vê. Eis que estamos diante de Ti na nossa culpa, porque ninguém há que possa estar na Tua presença por causa disto.

Deus é justo. Ele reconhece: nós somos pecadores. Se dependesse do nosso proceder, dependesse do nosso delito, não poderíamos estar na presença de Deus. Estamos na presença de Deus porque Ele nos justifica.

Neemias 9.8 – Achaste o seu coração fiel perante Ti e com ele fizeste aliança, para dares à sua descendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e cumpriste as Tuas promessas, porquanto és justo.

Deus não pode negar a Sua promessa por causa da Sua própria justiça. Deus não pode andar fora da conformidade da vontade de Deus. Isto é muito importante de se entender pelo seguinte, Deus não pode ser injusto. Não podemos dizer: “se Deus quisesse Ele poderia não punir ninguém”. Ele não pode. Em relação a Uzá (2º Samuel 6.6), ele não agiu de conformidade com a vontade de Deus, que era: ninguém toque na arca a não ser a quem é permitido. Era necessário que Deus manifestasse a Sua justiça ali.

Salmo 119.137 – Justo és, Senhor, e retos os Teus juízos.

Deus manifesta a Sua ira quando Ele quer e do jeito que Ele quer. Naquele momento, quando Uzá tocou na arca, era importante que aquilo acontecesse e que fosse visto por todos. Aquela atitude foi um atentado gravíssimo contra a santidade de Deus. A arca era o símbolo do poder, da majestade, da glória e da santidade de Deus. Era um símbolo muitíssimo sagrado.

Jeremias 12.1 – Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos Teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?

Porque Deus vai executar a Sua justiça de acordo com a Sua vontade quando Ele quiser. E mesmo aquele que anda de forma pérfida, de forma má, não sei se a justiça de Deus vai ser executada contra ele pessoalmente ou vicariamente através de Jesus Cristo, porque não sei se ele vai se converter.

Lamentações 1.18 – Justo é o Senhor, pois me rebelei contra a Sua palavra; ouvi todos os povos e vede a minha dor; as minhas virgens e os meus jovens foram levados para o cativeiro.

Deus é justo porque eu me rebelei contra a Sua vontade.

Daniel 9.14 – Por isso o Senhor cuidou em trazer sobre nós e o fez vir sobre nós; pois justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as Suas obras que faz, pois não obedecemos à Sua voz.

Deus é justo em todas as Suas obras. Às vezes perguntamos: “Será que Deus está sendo justo aqui?”. Deus está sendo justo em todas as Suas obras e deixa claro que o pecado não vai ficar sem punição.

Apocalipse 16.7 – Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os Teus juízos.

Se Deus é justo, tudo o que Ele faz é justo, inclusive o Seu julgamento. Os juízos de Deus são justos. Todos os juízos de Deus são justo porque Ele é Justo.

Deuteronômio 4.8 – E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?

Não existe lei mais justo do que aquela que é dado por Deus.

Aí vemos claramente na Bíblia que há duas linhas de justiça. A primeira é a justiça governativa.

Justiça Governativa – A justiça governativa de Deus é a que estabelece o Seu governo moral. É Deus como instituidor das regras do jogo. É como se Deus dissesse: “Para cumprir a vontade de Deus é isso que espero dos homens”. A justiça governativa apresenta Deus como o grande Legislador. Quando dizemos que não existe Lei como a de Deus, declaramos que Deus enquanto aplicador da justiça, mas também como o Legislador que institui as regras. A essa justiça é dado o nome de Justiça de Governo. É a justiça que institui as regras, que é diferente da justiça que aplica a regra e distribui ações de acordo com o cumprimento dessa justiça que distribui. Ela é chamada justamente de distributiva, que vai remunerar ou vai colher. Vamos ver o que a Bíblia diz da justiça governativa de Deus.

Isaías 33.22 – Porque o Senhor é o nosso Juiz, o Senhor é o nosso Legislador, o Senhor é o nosso Rei; Ele nos salvará.

Quando Samuel fica muito chateado porque o povo lhe pede um rei, é porque Samuel tinha certeza de que Deus era o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e o povo não precisava nada além d’Ele.
Isaías está se referindo ao juízo de Deus enquanto Criador e definidor das leis, das regras.

Tiago 4.12 – Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer, tu, porém, quem és, que julgas o próximo?

Só um é Legislador, só um é Juiz, além de tudo Ele pode salvar e fazer perecer. Aí Tiago pergunta para nós: quem é você que fica julgando? Porque só um é definidor das regras. Só um é o que executa as regras. Ele é o Legislador e o Executor. Como Ele é o Executor Ele tem essa característica de justiça distributiva.

Justiça Distributiva – a justiça que tem haver com a execução penal da lei. Com execução penal quero dizer com a distribuição da justiça. Deus também distribui recompensa, não é só castigo. Estamos falando da Justiça Relativa de Deus, porque ela tem relação com os homens. É essa que nos faz alguma diferença. A justiça de Deus com os anjos a Bíblia não nos revela como ela é e se está sendo ou não aplicada. Ela é ou será aplicada, não temos a menor dúvida. Então, a aplicação da justiça não é uma opção de Deus. De novo, Deus não pode escolher não fazer justiça porque Ele estaria sendo conivente com o pecado, e estaria contra a Sua própria santidade. A justiça é um ato que faz parte do ser de Deus. Obrigatoriamente Ele tem de fazer isso. Se Deus não executasse a justiça Ele não seria Santo. Com Sua Justiça Distributiva Deus distribui a recompensa e sempre vai distribuir o castiga contra o pecado, não contra o pecador. Aí é que está a grande diferença. Nós somos pecadores, mas a justiça de Deus foi aplicada em alguém que ficou em nosso lugar. Se o problema de Deus fosse com o pecador estaríamos todos perdidos! O que acontece: aqueles a quem Cristo não está pagando com o Seu sangue pelo pecado, esses vão ser punidos pessoalmente. Agora, nós também estamos sendo punidos vicariamente, ou seja, Alguém está pagando por isso.

Quando Deus diz que o nosso pecado foi apagado, é porque Alguém pagou no lugar. Depois que o Senhor Jesus pagou Deus não mais vai se lembrar disso. Estará esquecido para sempre porque foi pago. Posso ser corrigido no meu dia-a-dia, mas nem de longe é a morte, o salário do pecado.

Isaías 3.10-11 – Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações. Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram.

Deus está dizendo que o justo vai ter a paga da sua justiça e o perverso vai ter a paga do seu pecado. Deus está dizendo que existe recompensa e existe punição. A Bíblia está dizendo: porque nós podemos ser justos. Se nós não pudéssemos ser justos aqui na terra, este atributo de Deus estaria entre os atributos incomunicáveis. Como é um atributo comunicável podemos ser justos, mas não seremos justos como Deus, porque não somos Deus, mas temos a capacidade de sermos justos. Absolutamente justos? Não. Perfeitamente justos? Não. Mas temos parte dessa justiça. Uma pessoa pode ser perversa a vida toda, pois Deus tem um propósito que foge à minha compreensão.

Romanos 2.5-7 – Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento; a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade.

A ira de Deus se manifesta em nosso dia-a-dia, eu diria, em pílulas homeopáticas. Mas, o dia da ira é aquele que definitivamente Ele vai separar os que vão para o forno e ser queimado.

1ª Pedro 1.17 – Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos como temor durante o tempo da vossa peregrinação...

Aquele que julga, sem acepção de pessoas, as obras de cada um. Nós não somos salvos pelas obras, mas as nossas obras também vão ser julgadas. A Bíblia diz que quando chegar lá receberemos galardão, mas não sei como será. Lá receberemos um corpo incorruptível, mas como ele vai ser? Mesmo que a Bíblia explicasse não temos capacidade de entender, porque estamos aquém da perfeição.

Essa Justiça Distributiva divide-se entre duas categorias. Uma que remunera e recompensa e a outra que retribui. Quando ela remunera ela não está também retribuindo as nossas boas obras? As nossas boas obras não tem uma retribuição, na verdade, somos remunerados pela graça de Deus, porque fazer a vontade de Deus não é nada mais do que a nossa obrigação. Se estamos recebendo algum prêmio por isso, é porque Deus está sendo bondoso em nos dar além do que merecemos. Então, a justiça é retributiva, ela está retribuindo quando não fazemos o que é esperado de nós. Deus está me dando um prêmio adicional quando fazemos nada mais do que a nossa obrigação.

Esta justiça retributiva é condicional. Ela está condicionada à obediência. Não fazemos mais do que a nossa obrigação em obedecer, mas, de qualquer forma, estamos remunerados em obedecer.

Deuteronômio 7.12-14 – Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardares e cumprires, o Senhor, teu Deus, te guardará a aliança e a misericórdia prometida sob juramente a teus pais; Ele te amará e te abençoará, e te fará multiplicar; também abençoará os teus filhos, e o fruto da tua terra, e o teu cereal, e o teu vinho, e o teu azeite, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, na terra que, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te. Bendito será mais do que todos os povos; não haverá entre ti nem homem, nem mulher estéril, nem entre os teus animais.

Ou seja, se o povo fosse absolutamente obediente nada daria errado. Mas, deu tudo errado. Porque a natureza do homem é rebelde. Aqui Deus está falando sobre o povo. Enquanto povo você tem de

obedecer. Mas, mesmo individualmente vemos que Ele dá essa premiação. Mas, o povo como um todo, é um povo rebelde. Quando Elias se queixou de que estava só, Deus disse a ele que havia alguns que eram os remanescentes. O povo, como um todo, é rebelde, a nação é castigada. Mesmo alguns que foram para o exílio foram castigados como nação, não significa que individualmente não foram abençoados.

Mateus 25.21 – Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entre no gozo do teu senhor.

Parábola dos Talentos. O senhor disse; você foi fiel no pouco. Comparado com o que somos ou não somos fiéis, que são coisas muito pequenas, a recompensa da vida eterna que Deus dá para nós é o “sobre o muito te colocarei”. A justiça retributiva é condicional. Apesar dela ser condicional, ou seja, estamos sendo remunerados por aquilo que obedecemos ou não, ela é totalmente imerecida. Porque a condição que está sendo colocada a nós, nada mais é do que o óbvio! Qual a condição que está sendo colocada para nós? Sejamos obedientes. Obediência tem de haver de qualquer forma. Portanto, se estamos ganhando alguma coisa por sermos obedientes, estamos ganhando mais do que merecemos.

Lucas 17.10 – Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.

Somos servos inúteis! Inútil em que sentido, é por que não serviu para nada? Não. Mas, porque tudo o que fizemos foi mais nada do que o óbvio.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.

Ou seja, se fazemos alguma coisa boa, além de não ser mais do que a nossa obrigação, não é nem pela nossa vontade ou por mérito nosso, o que fazemos de bom é porque veio de Deus. A nossa boa obra vem de Deus, porque é Deus que executa em mim o querer e o realizar (Filipenses 2.13). O mal é boa parte do que fazemos na vida. Uma coisa é o que vem de Deus e outra é o que Deus permite que aconteça. O mal Deus permite que aconteça, contudo, não vem d’Ele. Sendo Deus Soberano e Onipresente não há nada que fuja ao Seu controle. O que Deus está fazendo é diferente do que Ele está olhando nós fazermos.

1ª Coríntios 4.7 – Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenha recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?

Então, fazemos as coisas boas porque recebemos de Deus.

17 de Agosto de 2008

Como vimos, a justiça de Deus é um atributo comunicável, ou seja, é um daqueles atributos que Deus tem de forma eterna, infinita, perfeita, mas, é um dos atributos que nós também temos de uma forma parcial, temporária e imperfeita. A outra questão é que a justiça de Deus está intimamente ligada com a santidade de Deus, ou seja, é impossível Deus não exercer a Sua justiça, porque se Ele
não exercesse a Sua justiça, estaria contrariando a Si próprio, Ele estaria atentando contra a Sua própria santidade.

A justiça tem haver em andar conforme as regras. A justiça de Deus é andar em conformidade com a vontade de Deus. Atentamos contra a santidade de Deus nos momentos em que não andamos de acordo com a vontade de Deus.

Para efeito de estudo, facilitando a nossa compreensão, dividimos a Justiça de Deus em duas partes: a Justiça Governativa e a Justiça Distributiva. A Justiça Governativa é aquela na qual Deus estabelece quais são as regras, as Leis. E a partir dessas leis surge a Justiça Distributiva, que pode distribuir duas coisas: ela pode remunerar e pode retribuir. Ela remunera dando a recompensa e retribui dando a penalidade, castigo. Vimos que todo pecado é algo que atenta contra a santidade de Deus e que Deus não tolera que nenhum pecado fique sem retribuição, sem penalidade. Todo pecado precisa ter a sua penalidade. Não tem nenhum pecado do mundo e de nenhuma pessoa que Deus não seja compensado, retribuído pelo atentado à Sua santidade. O que acontece com esse pecado é que ele será pago de uma forma pessoal, ou seja, aqueles que não são salvos vão pagar os seus pecados de uma forma pessoal; ou que esse pecado já foi pago de forma vicária, isto é, alguém pagou no lugar; ou seja, nenhum pecado vai ficar sem punição. Nós não estamos sendo penalizados porque Alguém pagou. Deus anulou os nossos pecados porque Alguém pagou por eles. Sem pagamento não tem negociação. Até os que estão para nascer, dos que estão predestinados à salvação, o preço já está pago por Jesus, pois Deus sabe a quantidade de pessoas e de pecados também.

A justiça remunerativa não deixa de ser uma recompensa, mas é uma recompensa com um caráter, no mínimo curioso, porque nós somos premiados por alguma coisa da qual não temos nenhum mérito. Mesmo quando Deus nos premia por cumprirmos a Sua vontade, Ele o faz por Sua graça porque não estamos fazendo nada mais do que a nossa obrigação. Deus nos recompensa não só por causa da Sua graça (lembrando que graça é um favor imerecido), mas também porque Ele prometeu e Ele não volta atrás nas Suas promessas.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.

Tudo o que recebemos de bom vem de Deus, de Deus que não muda as Suas promessas.

Filipenses 2:6-8 – Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo de humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Veja que interessante, nós escapamos da ira de Deus porque Alguém, que não merecia nada da ira de Deus, recebeu essa ira sobre Ele. Imaginem a quantidade dessa ira! Toda essa ira acumulada só poderia ser paga por alguém que não tivesse dívida; alguém que não tivesse nenhuma dívida pessoal. E mais, ele teria que ser semelhante a nós; se não fosse semelhante a nós a ira não estaria se manifestando sobre os homens.

Então, a justiça remunerativa é condicional, é imerecida e ela vem do pacto. Deus sempre vai ser fiel à Sua promessa. Ele recompensa porque Ele prometeu recompensar. Porque Ele resolveu recompensar mesmo que seja o fato de não estarmos fazendo nada mais do que a nossa obrigação, só Deus sabe! Deus fez um pacto, fez uma promessa.

1º Crônicas 29.14 e 16 – Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas?Senhor, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para Te edificar uma casa ao Teu santo nome vem da Tua mão e é toda Tua.

Davi, quando recebe todas essas doações para construção do templo, reconhece que nada estamos dando, tudo vem das mãos de Deus, que prometeu dar essas coisas para o povo obediente, apesar de não ser merecido, mas porque Deus prometeu.

Romanos 6.23 – Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A única coisa que teríamos como merecimento é o salário. A própria Bíblia diz que o salário nada mais é do que obrigação do patrão com o seu empregado. O único salário que temos direito é a morte. A morte é separação eterna de Deus. A nossa morte física é por causa do pecado. A alma de todas as pessoas é imortal. Os que se perdem vão para o sofrimento eterno. Nada adianta uma pessoa dizer: “não vou para o céu, mas também não vou para o inferno; vou para lugar nenhum”, porque não é assim. A alma do perdido vai viver eternamente, sofrendo eternamente. Nós, os salvos, vamos para a felicidade eterna junto a Deus.

Efésios 1.11-14 – Nele, segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade, a fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em Quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o Qual, é o penhor da nossa herança, até o resgate da Sua propriedade, em louvor da Sua glória.

Nós somos feitos herdeiros. Não éramos filhos, mas fomos adotados como filhos e fomos feitos herdeiros para herdarmos a participação no Reino, não somos herdeiros para ficarmos ricos aqui na terra, como alguns acreditam. Há muitos que acreditam na Teologia da Prosperidade que diz: “já que sou herdeiro, me dá a minha parte agora em dinheiro e vou gozar a vida”. Aí onde entra a retribuição. Aí diz que ninguém vai ficar sem a aplicação das penalidades, e é aí, justamente na aplicação das penalidades que vai se manifestar a ira de Deus.

Atos 28:4 – Quando os bárbaros viram a víbora pendente da mão dele (Paulo), disseram uns aos outros: Certamente, este homem é assassino, porque, salvo do mar, a Justiça não o deixa viver.

Paulo, em viagem para ser julgado em Roma, no meio do caminho o navio naufraga; depois todos se salvarem de um naufrágio, estão se aquecendo perto de um foguinho, Paulo vai ajudar a pegar madeira para alimentar o fogo, e pega uma serpente. Veja a reação dos bárbaros! Ele dizem: “o homem se salvou do naufrágio e agora tem uma cobra pendurada em sua mão”. Ou seja, até os ímpios reconhecem a justiça de Deus, mesmo aqueles que não conhecem a Lei dizem que existe um Deus que condena aqueles que fazem coisas erradas.

Romanos 1.32 – Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.

Paulo está dizendo aos romanos que os judeus não têm desculpa, porque eles conheciam a lei.

Romanos 2.8 – mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.

Agora Paulo está falando que também os gentios não têm desculpa porque agora Deus se manifesta em todas as coisas e também devem saber que existe castigo tanto para os que não conhecem a lei como para o que a conhecem a lei.

Romanos 12.19 – Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

Quando diz “daí lugar à ira”, não está se referindo à nossa ira, mas à ira de Deus, porque é a Ele que pertence a vingança. Os ímpios também são indesculpáveis, quem pode aplicar a ira é Deus e só Deus.

2ª Tessalonicenses 1.6-9 – Se, de fato, é justo para com Deus que Ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do Seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Seu poder.

A Deus pertence a vingança e a manifestação definitiva da vingança de Deus é só na volta de Cristo. Temos de querer que Jesus volte logo para o nosso bem e não para o mal dos outros. O Apocalipse registra aquele clamor “até quando, Senhor, até quando?” e a resposta é “até que Jesus venha”. Alguns vão ser punidos de outra forma anteriormente, sim, mas a manifestação final é só na volta de Jesus. Aí Ele vai manifestar a Sua ira.

Hebreus 10.26 a 31 – Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas, quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o Seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

O autor está dizendo que em vários lugares da Bíblia está escrito que a vingança acontecerá, que o julgamento acontecerá desde lá de trás, desde Moisés. Uma coisa que precisamos é parar de ter vergonha da ira de Deus. Gostamos de falar que Deus é amor. Houve tempo que alguns pregadores só falavam da ira de Deus, e aconteceu que passamos para o lado oposto, só falando do amor de Deus, tendo vergonha de dizer às pessoas que elas estão indo para o inferno. Deus está dizendo que o pecado vai ser punido. E não é nada bom cair nas mãos do Deus Vivo, quando você tem dívida de pecado e que vai cair sobre você. Depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade significa que apesar de eu já ter contato com a verdade, eu a nego e continuo vivendo em pecado de-li-be-ra-da-men-te. Deliberadamente é “com a intenção de”, “com vontade”, “faço porque gosto”. Como crentes devemos dizer como Paulo: “não consigo deixar de pecar, mas não é por intenção; gostaria de não pecar”. Aquele que é transformado deve permanentemente se incomodar com o pecado e não ter prazer no pecado. Aqueles que conheceram a verdade e mesmo assim não se sentem incomodados por essa verdade. Ninguém, mesmo salvo, deixa de pecar, mas se sente incomodado pelo pecado. Mas aquele que rejeita a verdade tem prazer no pecado. Se fizermos algum mal intencionalmente e não ter nenhum arrependimento, nenhum incômodo por isso, é porque alguma coisa ainda não mudou lá dentro. Temos nossas fraquezas, mas lutamos contra elas; elas não nos dão prazer, nem há intenção. Se o mal que você pratica não a incomodar, então você está perdido mesmo. A ira de Deus de um modo horrível se manifestará contra os que têm prazer no pecado. A ira de Deus se manifestou contra nós de um modo horrível também, só que, pela graça de Deus, ela não recaiu sobre nós, mas sobre Alguém, sobre Jesus. Sentir vergonha de afirmar que Deus é Deus de justiça e de ira é ser conivente com o pecado. E também acontece o contrário, temos sido politicamente corretos com aquilo que a sociedade muda permanentemente, e passamos a tolerar como aceitável; estamos sendo coniventes, ou seja, o pecado é nosso também.

Deus é amor, mas também é justiça, Deus é também ira, faz parte da essência d’Ele. Se Deus não manifestasse essa ira, Ele estaria sendo conivente com o pecado. O nosso objeto de pregação é o pecador e não o pecado, porque queremos que o pecador se converta. Levamos a mensagem de Deus para que ele se arrependa, o que não significa que eu concorde com o seu pecado. Não podemos tolerar o pecado, mas tentar resgatar o pecador. A nossa obrigação é levar a palavra de arrependimento e de salvação. Se ele vai se arrepender ou ser salvo é outra história; deixa de ser minha responsabilidade. A Bíblia diz que todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão, o fato de desconhecer a lei não justifica; e os que com lei pecaram mediante lei serão julgados. Haverá diferença de sofrimento para os que se perdem. Nenhum se justifica de um lado nem do outro, nem os que conhecem e nem deixam de conhecer a lei, porque o homem não pode negar a sua natureza moral e a natureza moral de Deus. Vemos em outros textos que mesmo os que não reconheciam a Deus como único Deus, sabiam que aquilo era uma coisa errada, ou seja, tinham conhecimento de que aquilo que faziam era errado. O homem natural quando mata, rouba, adultera, ele sabe que está fazendo uma coisa errada, por isso eles não têm justificativa. Ele pode não saber onde está escrito, mas ele sabe que está fazendo uma coisa errada. Às vezes, concordamos com alguns, que a ira de Deus é injusta! Como pode ser isso?

Romanos 3.5-6 – Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a Sua ira? (Falo como homem). Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?

A Carta aos Romanos é um compêndio da Teologia Sistemática. Deus nunca é injusto. Ele aplica a Sua ira exercendo Sua justiça. A justiça tem haver com a Santidade de Deus. Deus aplica a ira porque Ele é santo. Se Deus fosse pecador não precisaria aplicar a ira, porque Ele toleraria o pecado dos outros. Deus não tolera pecado porque Ele é santo. Sendo santo Ele cobra a ofensa a Sua santidade.

Romanos 9.22 – Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a Sua ira e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muito longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição...

Deus tem paciência com os vasos de ira, mas eles são preparados para a perdição.

24 de Agosto de 2008

Então, a Justiça Distributiva de Deus é aquela que remunera o bem e retribui o mal. Sabemos, que por merecimento não temos direito a remuneração nenhuma, mas, mesmo assim, Deus, através do Seu pacto nos propõe remuneração. Como Deus não volta atrás naquilo que Ele promete, distribui essa remuneração. Deus também retribui o mal que é feito, porque todo o pecado atenta contra a santidade de Deus. Deus sendo santo, em hipótese alguma, pode tolerar qualquer pecado. Se Deus tolerasse qualquer pecado estaria deixando de ser Santo. Não existe pecado melhor ou pior. Todo pecado é passível de punição. Estas são as características da Justiça Retributiva, também chamada de ira de Deus.

A primeira característica da ira de Deus, é que ela é necessária. A justiça está na essência de Deus, então, ela é principalmente necessária a própria pessoa de Deus, porque é ela que dará compensação pelo atentado que cometemos contra a santidade de Deus. Havendo pecado é obrigatoriamente necessário que haja retribuição, ou seja, a ira de Deus não é algo que Deus queira ou não, ela não é opcional de Deus, ela é essencial de Deus.

Hebreus 1.13 – Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os Teus inimigos por estrado dos Teus pés?

Deus vai colocar os inimigos por estrado dos pés, isto é, sobre tudo o que Ele está.

Gênesis 18.25 – Longe de Ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?

Deus é o Juiz de toda a terra. Deus nunca poderia perdoar todos os homens porque a justiça está no Seu ser, na Sua essência. A ira de Deus sempre se manifesta. Ela vai se manifestar diretamente ao pecador, ou ela se manifesta vicariamente, mas nenhum pecado deixa de ser pago.

Além de necessária, a ira de Deus é eqüitativa, ela se manifesta contra todas as pessoas sem exceção. Todos pecaram, todos são objetos da ira. E isso é importante, porque ela vai manifestar de uma forma pessoal ou de uma forma vicária. Nós fomos perdoados, nós fomos justificados, não porque Deus resolveu simplesmente apagar os nossos pecados, mas porque Alguém pagou a conta. Deus usou o Seu Filho para o pagamento dessa dívida, mas o pecado não ficou sem retribuição. Deus odeia o pecado, não o pecador. Se Deus odiasse o pecador nenhum de nós estaríamos salvos. Deus odeia o pecado e este precisa de compensação, de retribuição, e para isso precisa de um substituto, que precisa ter uma natureza humana. Se Ele não tivesse uma natureza humana não poderia servir de compensação pelos pecados do homem. Para ser substituto do ser humano Jesus Cristo precisava ser humano. Isto é fundamental, porque se negar que Jesus tinha natureza humana, nega todo o Seu sofrimento; negando o Seu sofrimento, nenhum pecado foi pago; se nenhum pecado foi pago, estamos todos condenados, perdidos.

Hebreus 12.28-29 – Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Nós temos de temer a Deus. Não temos de temer o castigo, porque já foi pago. Isto não significa que Deus não tenha de nos corrigir; mas essa disciplina é para correção. A compensação pelo nosso pecado já foi paga por Cristo e só por Cristo. Não há penitência que Deus pudesse dar que fosse suficiente para compensar o atentado que fizemos contra a santidade de Deus. Quando Deus nos repreende não estamos pagando pecado. Não. Deus está chamando a nossa atenção, pois estamos desviando dos Seus caminhos; Deus está nos exortando a seguir o caminho da santificação.

1ª Tessalonicenses 1.10 – E para aguardardes do céu o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Para aguardar Jesus que nos livra da ira vindoura. Nós não vamos receber pessoalmente a ira porque Alguém nos livrou dela.

A ira de Deus é necessária, é eqüitativa, a manifestação dela é terrível para os ímpios e gloriosa para nós. Ela é ao mesmo tempo terrível e gloriosa. Depende do lado que estamos.

Filipenses 2.10-11 – Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

Nós estaremos lá para compartilhar dessa glória. Glória que não é nossa, é do Senhor Jesus, mas nós iremos participar dela. Aí será a manifestação final da ira de Deus e que nós estaremos com Cristo.

Hebreus 10.30-31 – Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o Seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

Apocalipse 6.15-17 – Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles e quem é que pode suster-se?

Os homens estão dizendo assim: Por favor, montes, desabem sobre nós, porque é melhor desabarem do que estar sob a ira do Cordeiro. Deus é Triúno, portanto a manifestação é sempre dos três, porque são um só Deus. Temos de dar o valor real para o sacrifício de Cristo, porque Deus não está dando uma ira pior para os ímpios e melhor para nós. A ira que Deus distribuiu é a mesma, só que ela não caiu sobre nós, mas sobre Cristo Jesus. O Senhor Jesus recebeu sobre Si toda a ira que teria caído sobre nós, se não tivéssemos sido escolhidos por Deus.

Qual a diferença entre ira de Deus e o ódio de Deus? Um dos atributos de Deus é a eternidade. Deus é eterno desde sempre e para sempre. Todos os atributos de Deus, portanto, são eternos. A ira de Deus também é desde sempre e para sempre. A manifestação da ira de Deus, não. Ela ocorre no tempo, porque a manifestação da ira de Deus só começa acontecer depois que surgiu o pecado. A manifestação da ira é só quando alguém atenta contra a Sua santidade. A ira de Deus estava latente, estava pronta, ela não nasceu com o pecado. Como atributo de Deus ela existe desde sempre e para sempre. Vimos que a ira é eqüitativa. Vimos também que o ódio de Deus é direcionado para o pecado. A ira de Deus é um ato judicial, ela se manifesta a todos os pecadores. Ela se manifesta a todos os pecadores, porque todos pecaram. Mas, para alguns, Deus providenciou o Substituto. Deus providenciou o Substituto para aqueles a quem Ele amou, os quais separou desde antes da fundação do mundo.

A diferença fundamental entre a ira e o ódio de Deus, é que a ira de Deus vai se manifestar contra todo pecado. Essa execução da ira se manifesta contra todo o pecado, mas ela só vai acontecer de uma forma pessoal para aqueles que Ele não escolheu em amor. Deus odeia o pecado, mas a manifestação do ódio pessoal vai acontecer contra aqueles que não foram salvos. É um ato eletivo, é uma escolha de Deus. A Bíblia não diz qual o critério usado por Deus para essa escolha. Para aqueles que Ele não escolheu a ira se manifestará.

Romanos 9.11-13 – E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.

Por que Deus amou Jacó e se aborreceu de Esaú? Não foi por obras, porque eles não eram nem nascidos. O que Deus faz com aqueles que Ele não prefere? Deixa viver de acordo com a sua própria natureza, natureza essa pecaminosa. Quando a Bíblia diz que “os entregou”, está dizendo que Deus deixou que vivessem de acordo com a sua natureza pecaminosa. Quando nos transforma, é porque Deus está fazendo uma intervenção em nossa natureza.

Àqueles que Deus escolheu, Ele ama, e para esses Ele manifestará os Seus atributos. O primeiro deles é o amor, que Ele manifesta através da Sua misericórdia, quando Ele não nos dá o que merecemos: o castigo.

Deus amou o mundo, isto é, pessoas de todas as raças e nações. Deus não vai salvar todo mundo, mas todo aquele que n’Ele crê. A fé vem de Deus e ela vem somente para aqueles que Ele dá. Pela graça somos salvos através da fé. A ira é essencial a Deus e é distribuída sobre os que se perdem. A misericórdia também é essencial a Deus, mas é distribuída para os que são salvos. O objeto da ira de Deus não é o mesmo objeto da misericórdia divina.

Tiago 2.13 – Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.

O juízo final de Deus não é para todo mundo, assim como a graça de Deus não é para todo mundo. Precisamos ter mais convicção disso; devemos dar mais valor para isso. Todos os dias devemos agradecer a Deus porque somos objetos da Sua misericórdia e da Sua graça. Deus não tem nenhuma obrigação essencial, na pessoa de Deus, de mostrar amor. Ele tem amor, mas não tem nenhuma obrigação de mostrar esse amor. Agora, Deus tem obrigação de mostrar a ira, porque a ira é necessária, porque a ira responde ao atentado do pecado contra a santidade de Deus.

Romanos 12.19 – Não vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

No momento em que nos vingamos estamos cometendo pecado; porque a vingança não é nossa, mas temos de dar lugar à ira de Deus. Deixemos que Deus se vingue, porque d’Ele é a vingança. Ele é o proprietário desse instrumento. Temos lutar contra a injustiça, mas isso não significa que vamos nos vingar pessoalmente. Para isso existe os instrumentos de justiça colocados por Deus. A Bíblia diz que toda autoridade,todo o governo é colocado por Deus, para o bem ou para o mal. Sabemos que a justiça humana não será suficiente e nem competente para, efetivamente, aplicar essas coisas.

Tiago 1.20 – Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

Por que? Porque estamos contaminados pelo pecado. Alguém comete um homicídio e cumpre a pena de 30 anos de prisão. Isso produz a justiça de Deus? Isto produz uma reparação social que nós estabelecemos. Esse alguém vai para o inferno? Não sabemos. Depende de Deus.

A ira de Deus existe em manifestações parciais, ou seja, Deus não deixa de nos dar gotas de ira e de vingança espalhadas pela história; mas o Dia da Ira, o dia da manifestação final da ira é o Dia Final.

Coré, Data e Abirão se revoltaram contra a autoridade de Moisés perguntando: “Por que só vocês falam com Deus? Que privilégio é esse? Só vocês têm direito de falar com Deus? Queremos ter o mesmo direito”. Moisés ou Arão fizeram alguma coisa? Não. Deus mesmo manifestou a Sua ira e eles foram tragados pela terra. Há vários casos da manifestação do juízo de Deus! Sodoma e Gomorra; o Dilúvio são manifestações da ira de Deus, mas nenhuma é a manifestação final. O dilúvio foi a maior narrada pela Bíblia, pois acabou com todos, menos com uma família. Na manifestação final da ira de Deus, como já vimos em Romanos, Tessalonicenses e Apocalipse, é quando Deus vai definitivamente separar.

Jesus e do Dia da Ira

Hebreus 7.22 – Por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.

Jesus é o Fiador. Quem é o fiador num contrato de aluguel? É o que assume a dívida, uma dívida que não é dele.

Colossenses 2.14 – Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;

E o que acontece com Jesus? Jesus tornou-se nosso Fiador, Fiador fiel que pagou a nossa dívida.

Isaías 53.5 – Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados.

Jesus foi a pessoa que recebeu todos os nossos pecados. Jesus foi recebedor da ira de Deus, por nossa causa. Ele foi alvo da ira de Deus, porque a ira de Deus necessariamente precisa se manifestar. Jesus não é só recebedor da ira de Deus.

Romanos 5.9 – Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira.

Justificados pelo sangue de Jesus, nós somos salvos da ira. Não quer a ira não serve para nós, mas somos salvos da ira.

1ª Tessalonicenses 1.10 – e para aguardardes do céu o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Jesus é recebedor da ira, mas, para nós, Ele é Salvador. Ele nos salva de receber a ira de Deus, a ira final.

Atos 17.31 – Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-O dentre os mortos.

Deus vai julgar o mundo através de Jesus Cristo. O varão que Deus ressuscitou dentre os mortos é Jesus.

João 5.27 – E Lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.

Deus deu autoridade para Jesus seja o Juiz.

Mateus 28.18 – Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

Recebeu autoridade para qualquer coisa. Quando fala toda autoridade, é toda mesmo.

Apocalipse 6.19 – Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Essa é a pergunta que nós sempre fazemos, não é? Porque esse julgamento, esse Aplicador da ira é quem recebeu a autoridade para fazer justiça.

Nós não somos objetos da ira de Deus. Deus nos repreende para nos dirigir, nunca para pagar pecados. A ira de Deus se manifesta para as pessoas pagarem o pecado que cometeram. No tempo de Noé foi aplicada. Quando puniu Davi foi uma repreensão para correção e não punição pelos pecados. Não é verdade o que diz: “aqui se faz aqui se paga”. A disciplina de Deus é para aqueles que Ele ama. Deus repreende aos Seus filhos a quem Ele ama. A manifestação da ira, isto é, pagar pelo pecado, ou vai pagar no inferno os que não forem salvos, ou Cristo pagou por nós, porque o resgate do pecado só pode ser pago pelo sangue de Jesus.


A Justiça de Deus– Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em 10 de Agosto de 2008

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:

As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
O ser de Deus – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)


As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sola gratia

Dentre os Atributos Comunicáveis de Deus estudamos a misericórdia. Hoje estudamos a Graça. Lembrando o que é Graça: Graça é favor imerecido.

Qual a diferença entre Misericórdia e Graça. Misericórdia de Deus é não dar o castigo que nós merecemos. Graça, fora o fato de que ela é de graça, é algo que se recebe sem ter mérito algum, ou seja, alguma coisa que não merecemos. A graça e o mérito são mutuamente excludentes, ou seja, onde existe mérito não existe graça. Se eu mereço não existe graça. Diz a Bíblia que o trabalhador é digno do seu salário, isto é, o salário é devido àquele que trabalha. Graça é receber quando não existe direito e nem mérito nenhum.

Como Deus é eterno e infinito, a Graça de Deus também é eterna e infinita, o que não significa que a aplicação da graça de Deus é eterna. Vamos entender. A graça de Deus se manifestou a partir do momento que passamos a existir, nós seres humanos. Antes da criação do homem a graça estava nos decretos de Deus, mas não era aplicada porque não havia para quem se manifestar. A Graça de Deus é infinita, mas a manifestação da graça divina não é para qualquer pessoa. A graça de Deus se manifesta para os que são escolhidos, para aqueles que são o objeto da Sua graça. Então, a graça de Deus é eterna porque Ele é gracioso desde sempre, pois faz parte da Sua essência; a graça de Deus é infinita porque Deus é infinito, mas a manifestação, a aplicação da graça surge no tempo e ela é limitada pelo querer de Deus, isto é, quando Deus resolveu dar a Sua graça. A Graça de Deus é valorosa, ela é soberana, ou seja, Deus escolhe a quem distribuir, porque Deus é soberano, e ela é maravilhosa, como diz o hino!

A obra da graça perpassa todo o plano de salvação. Que mérito tínhamos ou temos nós? Nenhum. Por merecimento teríamos a condenação. Mérito por mérito, todos nós estaríamos condenados. A graça se manifesta desde a eleição, passando pelo sacrifício de Cristo até a chamada do Espírito Santo. O que a Bíblia diz?

Efésios 2.8 – Porque pela graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus.

Somos salvo pela graça. A fé é o meio de salvação. E mesmo a fé não vem de nós, é dom de Deus. A minha fé não vem da minha vontade, tenho fé porque Deus me deu fé. Eu merecia essa fé? Não. Portanto, também a fé eu recebo pela graça. A fé vem pela graça de Deus. Não é só de graça, mas pela graça. Todos os passos da redenção são decorrentes da Graça de Deus, e a graça está dentro dos atributos de bondade de Deus. Onde nasce a graça de Deus por nós? Ela nasce no amor de Deus. A graça é decorrente do amor de Deus por aqueles que Ele resolveu amar, e que Ele resolveu chamar pela Sua graça. Cristo morreu por esses. De novo, Cristo não morreu por todo mundo. Quando fala em João 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira...” a palavra “mundo” é principalmente para diferenciar a crença que o judeu tinha que Deus tinha amado só os judeus; quando fala “o mundo” está dizendo que Deus amou pessoas de todas as raças e nações, não significa que Ele amou todas as pessoas de todas as raças e nações.

Aqueles que Deus quis salvar Ele deu para o Filho. Jesus disse: aqueles que o Pai me deu. Se Jesus diz “aqueles que o Pai me deu”, Ele está dizendo que existem alguns que o Pai não me deu. Aqueles que o Pai deu de maneira nenhuma Jesus lançará fora. Somos regenerados pela ação do Espírito Santo, que nos chama e quando Ele chama não tem ninguém que possa dizer: “eu não quero”. Seria muita arrogância dizer que temos capacidade para resistir ao chamado do Espírito Santo. No momento em que o Espírito Santo nos chama não há nada que possa resistir. A Graça de Deus é irresistível. A vontade soberana de Deus é sempre cumprida, executada.

Somos justificados pelo sangue de Jesus Cristo. O que nos justifica é o sangue de Jesus Cristo. O que significa “justificar”? Tornar justo. Eu era injusto. Como eu me torno justo de novo? Pagando a dívida. Só me torno justo de novo pagando a minha dívida. Mas eu não tenho como pagar a minha dívida, quem me justifica é o sangue de Jesus. O plano de salvação todo ele é de graça e pela graça. Completado esse ciclo: eleição, justificação e regeneração, eu, salvo, entro em outro processo que se chama crescimento espiritual ou santificação. Se dependesse de mim eu não poderia fazer nada sozinho. Portanto, mesmo a minha santificação só se dá porque eu recebo de Deus a capacitação, os meios que Ele me dá para me santificar. Portanto, a minha santificação é pela graça.

1ª Pedro 5.10 – “Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à Sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”.

Aquele mesmo que chamou pela graça, Ele mesmo vos aperfeiçoará. Ele fala em aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar através da obra de Deus mediante Cristo Jesus. Há a participação pessoal no processo da santificação por Deus, procurando entender melhor a vontade de Deus através da Sua Revelação, procurando estar em comunhão permanente com Deus através da oração, através da comunhão com os irmãos da Igreja, que também fazem parte do processo de comunhão com Deus. Mas nada disso se aproveitará se Deus não estiver aperfeiçoando, firmando, fortificando e fundamentando. Portanto, não adianta conhecer muito bem a Bíblia, não faltar nem um domingo à Igreja, porque nem por isso está sendo santificado.

Hebreus 13.20-21 – “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a Sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém”.

Aquele que nos aperfeiçoa, para fazermos a vontade d’Ele, para a glória de Deus. Deus não nos aperfeiçoa para sermos bonitinhos e simpáticos, nós somos aperfeiçoados para a glória de Deus. Hebreus 11.34 diz: “extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros”. Através de quem os judeus fizeram tudo isso? Por que eles eram o máximo? Não. Foi pela graça de Deus. Gideão com seus 300 homens foram instrumentos de Deus para a vitória. Josafá também viu

a vitória de Deus, pois ficou vendo Deus agir no meio do exército inimigo, matando-se uns aos outros no meio da noite. Pela fé em Deus colocaram-se nas mãos do Senhor e foram instrumentos de Deus para a vitória. E tudo isso é pela graça de Deus.

O eleito é objeto da graça de Deus. A manifestação da graça vai se dar no momento de acordo com a vontade d’Ele. Pode andar a vida inteira como o ladrão da cruz e ter a manifestação da graça de Deus, cinco segundos antes de expirar. Deus continua manifestando a Sua graça através de cada um de nós. O processo da santificação é decorrente da graça divina e se manifesta em doses para nós. A graça é distribuída àqueles que Deus escolheu para distribuir e no tempo que Ele resolveu distribuir. A eleição é objeto da graça, mas enquanto não vier a chamada do Espírito Santo e a regeneração, não haverá o novo padrão de vida, porque não nasceu de novo ainda. O plano de salvação inclui eleição, justificação e regeneração. A pessoa só está salva quando completa o ciclo. Em nenhum momento se vê na Bíblia a palavra Graça ligada à recompensa material. Do mesmo jeito que os ímpios prosperam, mesmo que não ganhem na loteria, prosperam. Entra a teoria da prosperidade, que se baseia na teoria dos amigos de Jó: se você está sendo bem sucedido, é porque você esta sendo bonzinho e Deus o está abençoando. Se não vai bem é porque você não foi bonzinho e Deus está te castigando. Quem decide a hora da conversão não é o indivíduo, é Deus. No momento que o Espírito Santo chamar a pessoa vai mudar. Aquele que diz que vai deixar para se converter na hora da morte, Deus pode não lhe dar tempo para isso, porque pode morrer de repente; nem pode dizer que vai fazer o que quer até morrer, porque ele fará até quando Deus permitir. Pensam assim porque não são transformados.

Temos uma coisa dentro de nós mesmos que chama pecado. Quando nós nascemos de novo e somos regenerados recebemos uma nova natureza. Não significa que a nossa natureza carnal tenha morrido, continuamos sendo carnais, convivendo com a natureza pecaminosa que está dentro de nós. Sempre teremos dúvidas pelo principal motivo do nosso pecado e a nossa relutância em aceitar que algumas coisas de Deus Ele não nos revelou. Nós achamos que precisamos saber. Mas Deus diz: “você não precisa saber”, e diz também: A minha graça te basta. A pessoa escolhida será salva, mas enquanto não passar pelo novo nascimento não está salva. A Graça nos aperfeiçoa, nos firma, nos sustenta, nos leva e nos prepara para entrada na Glória. Este é o objetivo final: entrar na glória junto com Deus.

A graça também se manifesta nos fazendo instrumentos de salvação. O que é instrumentos de salvação? que é diferente do plano de salvação?

Atos 20.24 – Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o Evangelho da graça de Deus.

O Evangelho nos é dado pela Graça. O que é o Evangelho? São as boas novas de salvação. Ele é o instrumento da salvação. Ele não é a salvação. Mas o instrumento da salvação que é o Evangelho pelo qual nós recebemos as boas novas de como nós fomos salvos, nos é dado pela graça também.

Atos 20.32 – Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor e à palavra da Sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos que são santificados.

Não é só o Evangelho que recebemos pela graça, também a Palavra de Deus que nós recebemos é a Palavra da Sua graça. Para quem Paulo está falando? É para os gentios? Ele está falando para os presbíteros da Igreja de Éfeso. Também a Palavra de Deus que recebemos é a Palavra da graça. Essa Palavra tem poder para nos edificar, para nos comunicar da herança que nós recebemos, pois quando somos salvos, junto com a salvação somos adotados por Deus; porque não éramos filhos e passamos a ser filhos de Deus. Como filhos passamos a ser parte da herança e não vai ser recebida em moeda corrente nacional nessa vida. Não podemos exigir de Deus a nossa parte da herança agora.

1ª Pedro 1.23 – pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a Palavra de Deus, a qual vive e é permanente.

Pela Palavra de Deus somos regenerados, somos salvos. É a Palavra que salva? Não. Ela é instrumento. Tanto não é a Palavra que salva, porque se a Palavra salvasse qualquer um que ouvisse seria salvo. Ela é instrumento para levar aqueles que vão ser salvos à salvação, mas ela sozinha não salva. Agora, esta palavra do Evangelho precisa ser anunciada. Como o Evangelho é anunciado?

Efésios 3.8-13 – A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé n!Ele.. Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória.

Quem prega, não prega por nenhum mérito de pregador. Quando falo “prega” não é só o pastor no púlpito, mas qualquer um que fale de Cristo para outras pessoas, faz isso pela graça. Que mérito teria eu para falar do Evangelho? Se Paulo, que era Paulo se dizia o menor! Eu sou o menor! Porque só a graça de Deus que permite que eu tenha condição de fazer isso. É um prêmio poder pregar o Evangelho, como é um prêmio poder sofrer por Cristo. O Evangelho, a Palavra e a pregação do Evangelho só acontece pela graça. Da mesma maneira que é pela graça que nós somos...

1ª Pedro 4.10 – Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

Ou seja, a nossa capacitação para qualquer coisa também vem de Deus pela graça, pela multiforme graça de Deus. A graça de Deus se manifesta de várias formas, inclusive na distribuição dos dons.

Romanos 12.6 – tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada...

Nós recebemos diferentes dons de acordo com a graça de Deus. Eu não mereço receber mais dons ou menos dons. Dom não é a minha habilidade em fazer alguma coisa, não é porque tenho habilidade que Deus me dá o dom, é o contrário. Estamos falando de dons espirituais.

1ª Coríntios 15.10 – Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a Sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.

Paulo está falando do seu ministério, do seu trabalho como missionário, como pregador, por causa da graça. Porque ele recebeu a graça, ele se esforçou mais. Não é que ele se esforçou para receber mais graça. Não. Porque somos salvos fazemos aquilo que é a vontade de Deus. Não fomos salvos por fazer a vontade de Deus. Mas, porque fomos objeto dessa Graça nos esforçamos mais. Aliás, esta é uma das maneiras que podemos usar conosco mesmos para tirarmos a dúvida se fomos eleitos ou não, porque a nossa vida efetivamente muda.

1ª Coríntios 3.10 – Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém, cada um veja como edifica.

Paulo está falando de uma discussão na Igreja sobre quem será melhor, será Paulo, será Apolo... Paulo está falando que ele só plantou Igrejas pela graça, ele não tinha nenhum mérito em ser plantador de Igrejas. Ele declara que ele plantou, Apolo regou, mas o crescimento vem de Deus (v.6), tanto um como o outro vem de Deus.

2ª Tessalonicenses 2.16-17 – Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança. Pela graça, consolem o vosso coração e vos confirmem em toda boa obra e boa palavra.

Toda consolação e esperança que nós recebemos vem também pela graça. Dizendo “pela graça” estou dizendo que não tenho nenhum merecimento, porque graça é favor imerecido. A minha esperança e a minha consolação vem pela graça. Deus nos dá alguma coisa por merecimento, mas quando digo “pela graça” estou dizendo que recebi sem merecimento nenhum.

Atos 27.23-24 – Porque, esta mesma noite, um anjo de Deus, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por Sua graça, te deu todos quantos navegam contigo.

Paulo está num navio, indo preso para Roma, quando eles estão chegando na costa da Ásia, vem uma tempestade, todo mundo está apavorado, uma das opções do comandante do navio é jogar todos os presos na água, para ver se o barco fica mais leve. Paulo diz: pela graça nenhum desses que estão dentro do barco vai perecer. Por algum motivo especial Deus, pro Sua graça, preservou todos. Era da vontade de Deus que Paulo passasse o que iria passar em Roma.

Há coisas que são implicitamente pela graça. Se eu não reconhecer algumas coisas como sendo da graça de Deus, significa que eu mesmo não estou entendendo suficientemente o que vem da graça ou não que está escrito na Bíblia. Paulo quando diz que Timóteo era seu filho na fé, ele está dizendo que Timóteo foi gerado por seu intermédio, ele foi o instrumento de Deus para a conversão de Timóteo. Em 2ª Coríntios 8.1 a 7 Paulo vai deixar claro que não é só a nossa relação com Deus que a graça se manifesta, mas a nossa relação entre irmãos e com outras pessoas.

2ª Coríntios 8.1-7 – Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às Igrejas da Macedônia; porque, no meio de muito prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus; o que nos levou a recomendar a Tito que, como começou, assim também complete esta graça entre vós. Como, porém, em tudo, manifestais superabundância, tanto na fé e na palavra como no saber, e em todo cuidado, e em nosso amor para convosco, assim também abundeis nesta graça.

A graça de poder ajudar os outros. Eles diziam: “nós queremos a graça de poder colaborar”. Como eu posso colaborar com os outros? Depende de mim? Temos de reconhecer que se podemos colaborar é porque os recursos vêm de Deus. O que eu tenho, não tenho por nenhum mérito meu. Queremos ser participantes da graça de Deus e de participar com Ele.

A Graça, como Deus, é triúna.

Efésios 1.1-2 – Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Deus Pai é a fonte de toda a graça.

João 1.17 – Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.

Jesus, então, é a expressão, Ele é a manifestação, Ele é o canal através da qual a graça de Deus se manifestou.

Hebreus 10.29 – De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digo aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?

O Espírito Santo é o Comunicador, o Administrador da graça.


A GRAÇA DE DEUS – Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em 20 de Julho de 2008

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:

As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
O ser de Deus – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)

As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

sexta-feira, 13 de março de 2009

Nota máxima


Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus... Mt 5:19a


A maioria das escolas que eu conheço entendem que um aluno que atinge a média 7 numa matéria, está apto para continuar o seu curso. Algumas são um pouco mais tolerantes e aceitam notas um pouco menores.

Em outros contextos, no entanto, a exigência pode ser maior. Alguns sistemas de avaliação empresarial tem metas mais altas. Em concursos classificatórios, a nota mínima é definida pela competência (ou incompetência) coletiva, se os candidatos forem bons, a nota mínima sobe.

De qualquer forma, é quase uma unanimidade que um sujeito nota 9 faz parte do topo da pirâmide do conhecimento ou da qualidade. Nelson Rodrigues contestaria minha afirmação lembrando que toda unanimidade é burra. Tenho de concordar com ele.

O que não significa que muitos crentes tenham entrado nessa onda. Já ouvi gente dizendo, como se fosse um crente do tipo "superior", que era um cristão nota 9. Sua referência era muito simples, ele entendia que nunca descumpria 9 dos 10 mandamentos (não, não tive a coragem de pergunta em qual deles ele falhava).

Da mesma forma ouvimos, não com pouco frequência, infelizmente, pessoas que se vangloriam de ter quase todos os frutos do espírito (devem ser árvores enxertadas que dão dois tipos de fruto), ou que se enquadram na maioria das bem-aventuranças (também não sei exatamente o que é ser semi-bem-aventurado)

Quando Deus nos oferece essas listas não é o Seu objetivo que a gente as use como cardápios de restaurantes, onde escolhemos algumas coisas em detrimento das outras.

Essas fazem parte da Sua vontade preceptiva, ações e comportamentos que Ele nos recomenda a ter. O mínimo que Deus quer são cristãos nota 10, que cumpramos a lei na prática e nas intenções.

Mais que isso, cumprir a lei é o mínimo que devemos fazer, a Bíblia nos revela que o verdadeiro cristão não é apenas aqueles que cumpre as regras, mas que tem uma vida de piedade que vai muito além delas.

Se você está satisfeito apenas em alcançar um desempenho medíocre no sua vida espiritual é porque ainda não passou por uma experiência real de conversão. Aquele que realmente tem Cristo no seu coração não passa a ser um pessoa que nunca peca, mas é uma pessoa cotidianamente incomodada com os seus pecados e em constante busca de crescimento espiritual.

Os nota 7, 8 ou 9, podem até pensar que são grande coisa. Para Deus, o seu valor só se compara aos menores.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A soberania de Deus

A Soberania é uma característica de Deus, faz parte da Sua essência. Quando entendemos e reconhecemos a soberania de Deus, passamos a entender uma série de outras coisas na vida. Muito da incompreensão de coisas que estão escritas na Bíblia, é a causa do problema de pessoas não aceitarem o fato de que Deus é soberano. A soberania significa que eu tenho de me humilhar diante de Deus e reconhecer que Deus é tudo e eu sou nada. Se a pessoa não reconhece que Deus é Soberano, como ela poderá entender quando Tiago diz “alegrem-se por passar provações na vida”? Ou, então, como posso ser salvo sem fazer nada?

Vamos ver as características da Soberania de Deus. Ela é essencial. Essencial quer dizer que a soberania não pode ser separada da existência de Deus, ou seja, Deus só existe como Ele é porque Ele é soberano e Ele é soberano porque Ele existe como Ele é. Faz parte do Ser de Deus. Como já sabemos Jesus tinha duas naturezas, duas essências e, portanto, Ele tinha a Sua vontade soberana como Deus e a Sua vontade não soberana como homem. Jesus, no Jardim do Getsêmani, como ser humano pede ao Pai que passe Dele aquele cálice, reconhecendo a vontade soberana de Deus. Ele pede como humano e não vai ser atendido.

A Soberania de Deus é eterna, como Ele é eterno, uma vez que a Sua soberania faz parte do Seu Ser. Deus escolheu os homens antes da fundação do mundo, o que significa que Ele não passou a ser soberano depois da criação. Deus é soberano desde sempre, desde a Sua eternidade.

A Soberania de Deus é poderosa. Ela não pode ser resistida. Alguns acreditam que podem resistir à vontade de Deus. A vontade decretiva de Deus não pode ser resistida. O diabo resistiu à vontade de Deus? Como aconteceu a queda dos anjos a Bíblia nada diz, portanto, qualquer coisa sobre isso é especulação. Como sou avesso às especulações, o que está escrito é para nosso conhecimento, o que não está escrito pertence a Deus. Só sabemos que foi em algum momento antes da criação do homem.

A Soberania de Deus é imutável. Se ela faz parte do Ser de Deus, não tem como a soberania de Deus ficar mudando de tempos em tempos.

Hebreus 6.17 – Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do Seu propósito, se interpôs com juramento...

Deus fez um juramento a Abraão (v.13) Ele jurou por Si mesmo. Deus fez isso para mostrar que Ele é imutável.

1ª Pedro 1.24-25 – Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva; seca-se a erva e cai a flor; a Palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada.

As coisas passam, mas a soberania de Deus não muda.

Salmos 119.89 – Para sempre, ó Senhor, está firmada a Tua palavra no céu.

Para sempre veio de sempre. Então ela não varia e nem envelhece. A vontade soberana de Deus não tem prazo de validade. Nem no começo e nem no fim.

A soberania de Deus é eficaz. A vontade decretiva de Deus, pela qual Ele decreta tudo quanto deve acontecer, acontece sempre. Ela pode não acontecer do jeito que você gostaria que ela acontecesse, desejando que algumas coisas que Deus decretou já tivessem acontecido. Mas, a vontade decretiva de Deus sempre aconteceu e acontece sempre, enquanto que a vontade preceptiva, mediante a qual Ele ordena às Suas criaturas os seus deveres, mas, é freqüentemente desobedecida.

A soberania de Deus é inata, ou seja, ela existe desde que Deus existe. Ninguém lhe deu essa soberania. Ela não nasceu num determinado momento.

A soberania de Deus é livre, como todas as outras características de Deus. Ela é livre porque Deus é o único Ser totalmente independente de qualquer outra coisa que exista no universo. Deus é o único Ser que é totalmente independente do que quer que seja ou exista. Deus faz como Ele quer, quando Ele quer e do jeito que Ele quer.

Apocalipse 4.11 – Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas Tu criaste, sim, por causa da Tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Digno de todo esse poder porque Ele fez tudo do nada. Deus criou tudo e tudo a partir do nada.

Daniel 4.31-35 – Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabuco-donosor: Já passou de ti o reino. Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas com os bois, e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que aprendas que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. No mesmo instante, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor: e foi expulso de entre os homens e passou a comer erva como os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves. Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e, segundo a Sua vontade, Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

Nabucodonosor era o senhor do universo conhecido até que Deus o puniu fazendo-o pastar literalmente. Quando voltou o entendimento, porque Deus restaurou o seu entendimento, Nabucodonosor reconheceu que Deus era o Senhor supremo. Por este texto podemos entender que Nabucodonosor se converteu.

Mateus 10.29-30 – Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados.

Nenhum cabelo cai! Nenhum cabelo cresce! Jesus está dizendo que Deus não é soberano apenas sobre as coisas grandes, como o reino de Nabucodonosor, mas também sobre coisas pequenas, Ele é soberano até o ínfimo dos detalhes.

Como é que funciona essa Soberania e essa Vontade Soberana de Deus.

Romanos 12.2 – E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

O nosso objetivo é experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. E se a gente não se renovar, não se transformar não experimentará a boa e agradável vontade de Deus, mas ainda perfeita vontade de Deus.

1ª Tessalonicenses 5.18 – Em tudo, daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

Essa é a vontade de Deus. Quem diz que não sabe qual é a vontade de Deus para a sua vida, é porque não lê a Bíblia. Quem não sabe qual é a vontade de Deus para a sua vida é porque não procura saber qual é. A Bíblia diz: Em tudo daí graças. Em tudo. “A minha vida não anda tão boa”.

Em tudo daí graças. “Aconteceu uma desgraça”. Em tudo daí graças. Por quê? Porque todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Só as coisas boas? Não. Todas. Em tudo e não por tudo. Em qualquer situação podemos e devemos ser gratos a Deus, porque esta é a vontade d’Ele.

A vontade de Deus tem algumas formas como nós classificamos; toda essa classificação são nomes que damos para facilitar a nossa compreensão.

Temos primeiro a Vontade Decretiva de Deus. O que é vontade Decretiva de Deus? É aquela que tem a ver com os decretos de Deus. A vontade pela qual Deus estabeleceu tudo que deve acontecer desde sempre e para sempre. Nessa vontade decretiva Deus age de forma direta ou indireta; Deus faz essa vontade decretiva Deus usando outros meios também; mas ela é absolutamente irresistível, e, portanto, imutável. São aquelas coisas que Deus resolveu que vão acontecer e acontecerão. São os decretos de Deus, que é diferente da Vontade Preceptiva de Deus.

A vontade Preceptiva de Deus que são os preceitos de Deus, ou seja, as regra que Deus estabelece. A vontade de Deus é que as pessoas não pequem, e para isso Ele instituiu uma série de regras, dizendo assim: essas coisas são pecados e essas outras não são. Talvez essa seja a vontade de Deus que tem mais emendas constitucionais colocadas pelos homens. Os homens que colocam muitas regrinhas de pode e não pode. Essa vontade preceptiva de Deus pode ser violada. Na vontade preceptiva de Deus, Ele nos dá a livre agência, isto é, liberdade de ação. Livre arbítrio é a capacidade de distinguir entre o que é bom e o que é ruim e optar pelo certo, que é a capacidade de discernimento. A vontade preceptiva nos dá liberdade de ação. E como vamos agir? De acordo com a nossa natureza humana. Livre arbítrio é tão amplo que daria o direito de agir contra a nossa própria natureza. O livre arbítrio é liberdade espiritual, e nós não temos essa liberdade espiritual, porque espiritualmente nós somos caídos. Livre agência é a liberdade natural que nós temos. O fato de termos a natureza pecaminosa não significa que pecamos o tempo todo. Não podemos confundir escolha espiritual com escolha natural. A pessoa não salva também faz coisas boas e ruins. São escolhas naturais de ações naturais. Não temos como fazer a escolha espiritual, porque a nossa natureza nos faz sempre escolher o que agrada a nós mesmos.

Essa é a primeira das classificações da Vontade de Deus. A vontade de Deus é automaticamente soberana. Existe uma outra classificação que tem a ver com a vontade decretiva de Deus, que diz o seguinte: a vontade decretiva se divide em vontade secreta e vontade revelada, que é diferente da vontade preceptiva, que são as regras que Deus deu para nós e se são regras para o nosso viver, elas são reveladas. Não existe preceito divino secreto. A vontade preceptiva de Deus é sempre revelada. Mas existe muitos decretos divinos secretos, que estão dentro da vontade decretiva de Deus.

Tiago 4.14 – Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.

Aqui diz que não somos dono da nossa vida porque não sabemos o que vai acontecer amanhã! Somos como neblina! Salomão dizia que as coisas que fazemos são vaidade e correr atrás do vento.

O que vai acontecer amanhã está dentro dessa vontade secreta de Deus. Já está decretado e Deus sabe o que vai acontecer amanhã. Mas nós não sabemos. E há quem pretenda ser igual a Deus! O que temos de fazer como crentes? Temos de conhecer muito bem qual é a vontade preceptiva de Deus. Podemos procurar compreender a vontade de Deus que é decretiva e que foi revelada. Precisamos parar de perder tempo procurando descobrir qual é a “caixinha de surpresa” de Deus. O que Ele decretou para nós está decretado, vai acontecer e não podemos mudar. Mesmo que nós conseguíssemos descobrir a “caixinha de surpresa de Deus”, não poderíamos mudar, porque a vontade decretiva de Deus é imutável, poderosa, eficaz e ela vai acontecer. Por isso Jesus pergunta: Por que vocês estão ansiosos pelo dia de amanhã? Porque o dia de amanhã já está decretado por Deus. Nada adianta ficarmos ansiosos: seja bom o dia de amanhã, ou seja, ruim, ele vai acontecer. Como a parábola de Jesus sobre aquele homem que planejou construir novos celeiros e decide construir mais celeiros – o que não quer dizer que a nossa vida não deva ter planejamento – o que não podemos é confiar a nossa vida em cima dessas coisas, mas também não podemos dizer “Ah, deixa rolar porque vai acontecer mesmo!” Não podemos por a nossa esperança em nossa prudência.

Salomão dizia que tudo é vaidade e correr atrás do vento, mas use da sabedoria e do conhecimento, porque é melhor ser sábio do que estulto. Não podemos por a nossa confiança, a nossa esperança nessas coisas. Devemos ser prudentes, mas não podemos dizer que a nossa prudência garantiu o nosso futuro. Quem garantiu o meu futuro foi Deus. Quando somos bem sucedidos naquilo que fazemos, não é porque fomos bons naquilo que fizemos, mas porque Deus nos permitiu realizar e nos concedeu a vitória.

Como é que Deus manifesta esse poder? Sabemos que o poder de Deus é absoluto e triúno. O poder de Deus se manifesta na aplicação da vontade de Deus. Ela pode ser mediata ou imediata. Mediata significa quando Deus executa o Seu poder por meio de um outro ser. Isto quer dizer que Deus usa outros meios. Assim como Deus disse “por meio de Ciro, meu servo”, porque através de Ciro Ele executou a Sua vontade de por fim no castigo do povo de Israel. Deus não usa somente os homens; nos dias de Noé Ele usou a chuva.

Deus também pode fazer isso de forma imediata. Imediata significa de forma direta. Qual o maior exemplo da ação imediata de Deus? É a criação, porque Deus criou do nada. Ele não usou nenhum outro meio para criar. Ele criou do nada. A criação é imediata, o que não significa que todas as etapas da criação sejam imediatas. Na criação do homem usou material que Ele já havia criado. O poder de Deus se manifesta em várias esferas de ação.

Salmo 62.11 – Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus.

O poder pertence a Deus. Faz parte da essência do Seu Ser. O poder é d’Ele exclusivamente. Deus é a essência do poder do Universo.

Efésios 1.l9 e 3.20 – E qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder... Ora, aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós.

Tudo que acontece no mundo vem do poder de Deus e da Sua vontade decretiva.

Hebreus 1.3 – Ele que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

Esse poder é de Deus. De quem está falando este texto? Está falando de Jesus. ...nos últimos tempos falou através do Seu Filho... Ele, que é o resplendor da Sua glória. Essa ação do poder de Deus tem todas as coisas, vem desde a criação passando pela preservação de todas as coisas criadas (Doutrina da Providência Divina), não só na preservação das coisas criadas, mas na multiplicação dos seres que foram criados e no governo de todas as coisas, seja um governo bom ou ruim, e principalmente, na aplicação da graça redentora de Deus. Poder para aplicar em tudo. Para que?

Salmo 121.2 – O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.

O poder de Deus também está atuando no socorro das nossas aflições.

Salmo 46.1 – Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.

O poder de Deus socorrendo nas nossas tribulações.

Hebreus 2.18 – Pois, naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.

O poder de Deus também nos ajuda quando somos tentados, nos ajuda a resistir a tentação, se recorremos a Ele.

Romanos 4.20-21 – Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que Ele era poderoso para cumprir o que prometera.

Abraão estava convicto e é essa convicção que devemos de ter sempre; a convicção de que Deus vai cumprir o que Ele prometeu.


Aula de escola dominical ministrada em 21/09/2008 na IP Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:

As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
O ser de Deus – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)

As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Simples assim

"Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza." (1 Tm 4:12)


Na teoria todo mundo sabe os motivos que levam o homem a pecar. É da sua própria natureza, é tentado por sua própria cobiça e, apesar do diabo dar uma mãozinha, sabemos que se resistirmos ao tentador, ele fugirá de nós.

Também já foi mais do que explicado que o pecado nasce na intenção. Sua execução não é obrigatória. Tem ódio no coração? Já cometeu o assassinato. Só imaginou a cena? Já cometeu adultério. Cobiçou? Vale tanto quanto ter roubado.

Apesar dessas coisas serem ululantemente declaradas na Bíblia, continuamos a pregar como se só causas externas gerassem o pecado. E continuamos a considerar como pecador só aquele que efetivou fisicamente a sua intenção.

Muitos sermões, artigos e mensagens parecem se basear no ditado popular que diz que "a ocasião faz o ladrão" quando não é a ocasião que faz o ladrão, esse já está feito, a ocasião só facilita o exercício do crime.

No passado a culpa era de livros lascivos. Depois surgiu o cinema com sua incitação à violência. A televisão, não poucas vezes, foi comparada à besta escatológica. No caminho passamos pelas revistas pornográficas, os videogames de combates até chegarmos à Internet que desbancou a todos os demais demônios midiáticos anteriores.

Multiplicam-se as palestras a respeito dos perigos e das tentações da rede, como se Jesus tivesse dito que "não peço que os livre do mal, mas que os isole do mundo" - antes que alguém deixe um comentário me acusando de heresia, o que o Mestre disse foi justamente o contrário, basta olhar na sua Bíblia, em João 17:15.

Tão pouco estou fazendo proselitismo do lixo geral que circula em todas as mídias. Mídias, que posinal, também servem para o bem quando as utilizamos adequadamente.

O que precisamos analisar é o nosso comportamento, o nosso coração. Se foi transformado ou não. Se o pecado é algo que nos incomoda ou nos dá prazer.

Enquanto continuarmos a procurar em fatores externos as causas do nosso mau agir, estaremos cada vez mais longe de Deus.

É de mim e de você que Ele quer uma vida fiel na palavra, no procedimento, na fé e na pureza. O mundo e sua corrupção Ele mesmo já entregou aos seus próprios pecados e, por eles, receberá sua retribuição.

Quando você estiver frente a frente com Deus, Ele não vai aceitar esse tipo de desculpas, apenas dizer: servo mau e inútil...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Em nome de quem?

“Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não a beijou.” 1 Reis 19 :18

A tecnologia moderna é algo fantástico. Permite que cheguemos a lugares que nem sonhávamos que existissem. Claro, também permite que cheguem a nós coisas que preferiríamos que nem existissem. Como quaisquer outras coisas que não convêm, basta um pouco de bom senso para filtrar o que presta e o que não presta. Através de uma dessas tecnologias, a Internet, que você me lê agora. Assim como pode ler algumas dezenas de bons sites e blogs cristãos (alguns que eu recomendo estão nos links ao lado). Como qualquer outra ferramenta, a Internet não é boa nem ruim. O que pode ser bom ou ruim é o uso que se faz dela.

O problema são as pessoas que, cheias de boas intenções mas, praticamente, sem atenção nenhuma, se aventuraram na rede (é verdade, algumas pessoas também se aventuram em outras missões sem nenhum preparo ou dedicação séria a elas no mundo analógico). Também existem pessoas que acham que sua missão precisa lhes render algum ganho pecuniário, a ponto de apelarem para recursos que chegam a ser mesquinhos.

Um deles é uma ferramenta chamada Google AdSense que funciona da seguinte forma : você abre espaços no seu site ou blog para que o Google veicule pequenos anúncios pagos. Caso alguém clique no anúncio a partir do seu site, o Google repassa para você uma parcela que ele recebeu do anunciante, o que significa alguns poucos centavos por clique.´

Como o Google escolhe os anúncios que vão ser veiculados no seu site ? Um robô lê os textos que você publica e, a partir de palavras que ele encontra, envia os anúncios que usem palavras semelhantes. Claro que o Google faz um filtro dos anúncios, usando os seus próprios critérios (evitam pornografia, incitação à violência ou discriminação, etc), o que não significa que os anúncios realmente vão ter aderência ao assunto do site.

O que poderia acontecer? Se fosse nesse blog, provavelmente apareceriam anúncios de empresas de reforma ou alguém vendendo os gibis do Calvin. Mas não vai acontecer aqui, não escrevo pelos centavos que isso poderia me render.

Outro dia entrei num site de um certo pastor fulano de tal, que usava como título pessoal "servo do Deus altíssimo", mas não altíssimo o suficiente para lhe garantir o sustento e, portanto, não custava nada arrecadar um subsídio com os pequenos anúncios. Acontece que o sujeito resolveu escrever um artigo sobre a idolatria mariana e, como prêmio, sua página exibia logo no cabeçalho um anúncio que vendia produtos para a Novena de Nossa Senhora. O que isso significa ?

Primeiro : que um leitor desavisado não sabe exatamente qual é a posição do pastor que malhava a santa, mas vendia produtos da mesma;

Segundo : que o site gerava negócios para comerciantes de ídolos;

Terceiro (e mais grave a meu ver) : que o pastor recebia dinheiro cuja origem era a venda desses produtos.

No mesmo momento me veio à lembrança os problemas que Paulo, Gaio e Aristarco enfrentaram em Éfeso, porque o ourives Demétrio (escultor de imagens de Diana) achou que seu negócio corria perigo. Esse arriscaram suas vidas em defesa da sua fé. Enquanto que pessoas como o dono do site que menciono, não só não se arrisca como se tornou acionista dos demétrios modernos, de quem recebe dividendos.

Se você usa a rede como instrumento de propagar a sua fé, que Deus permita que você faça isso de uma forma séria e edificante e que proteja do engano os que são Seus.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Os nomes de Deus - um estudo bíblico


Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. (Êxodo 3:13-14)


Na cultura judaica, o nome refere-se àquela parte que define a identidade, a natureza e a essência de cada ser. Para cada judeu, o nome é o seu chamado espiritual, um título que reflete seus traços particulares de caráter.

Nomes de Deus no Antigo Testamento

Elohim : Deus poderoso

El´- aquele que é forte – Elohim : plural
Uso ligado à soberania de Deus
Gn 1:1; Dt 5:23, 8:15; Sl 68:7; Is 45:18, 54:5; Jr 32:27

a) El´Shaddai – Deus todo-poderoso – importância pactual
Gn 17:1-2; 28:3;43:14;48:3 Ex 6:1-5; 17:1 Sl 91:1-2
b) El´Elyom : Deus altíssimo – majestade e possuidor de tudo
Gn 14:18-24; Dt 32:8 Sl 92-8
c) El´Olam – Deus Eterno – imutabilidade
Gn 21:33 Is 40:28

Adonai : Deus governador – superioridade Dt 10:17

Iavé (YHWH) : Deus Redentor Ex 3:1-4

a) Iavé Jireh – Deus proverá : Gn 22:14
b) Iavé Mecadishken – Deus santifica : Ex 31:13 Lv 21: 8,23
c) Iavé Nissi – Deus minha bandeira : Ex 17:15
d) Iavé Rohi – Deus pastor : Sl 23:1 => 1Pe 2:25, 5:4
e) Iavé Shalom – Deus é paz : Jz 6:24 => Rm 15:33 1 Ts 5:23
f) Iavé Tsidkenu – Deus é justiça : Jr 23:6 Lv 19:35-36
g) Iavé shamah – Deus ali – Ez 48:35
h) Iavé Elohim Israel : Senhor Deus de Israel : Jz 5:3; Is 17:6

Nomes de Deus no Novo Testamento

Théos : Deus – Jo 10:34; 1 Co 1:18-24, 15:18

Kyrios : Senhor , que possui poder : Lc 10:2, Fp 2:11

Atribuído também ao Filho e ao Espírito Santo : Fp 2:9-10 ; 2 Co 3:17-18

Páter (ou Abba em aramaico) – Pai : Ef 1:3, Jo 5:17-23 , Gl 4:17

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Eu tenho a força

Todos os dias recebo alguma mensagem que vai mudar a minha vida. Que fará de mim uma pessoa melhor, satisfeita comigo mesmo e, especialmente, bem sucedido.

De acordo com as propostas de fórmulas mágicas, que variam de manuais de instruções a receitas infalíveis de como ficar rico, eu preciso tomar posse de mim mesmo. me pertencer e, de acordo com o que me der na veneta (ou na telha, como queiram) definir o meu destino que eu atingirei o que eu quiser.

A ênfase da auto ajuda seria o desenvolvimento da personalidade e dos poderes mentais, mas o que se vende é a solução de problemas, o progresso social e o bem-estar pessoal.Especialmente se o que eu quiser for dinheiro.

Claro que esse tipo de falácia não é coisa da nossa modernidade. Quando escreveu o seu monumental livro "Os miseráveis", em 1862, Victor Hugo já criticava esse tipo de comportamento. Chamava a atenção para a falsa similitude entre bom êxito e merecimento e a ilusão de que prosperidade fosse sinônimo de capacidade (segundo essa lógica, os homens mais hábeis seriam aqueles que ganharam na loteria).

Ser feliz passou a ser simplesmente um sinônimo de riqueza e de egolatria (idolatria de si mesmo).

Até aí, nada surpreendente. As escrituras já nos advertem sobre isso. O homem natural preferiu adorar a si mesmo. Abandonou o criador a favor da criatura. Um antigo provérbio chassídico diz que "Não existe espaço para Deus naquele que está repleto de si mesmo".

O que é assustador é a quantidade publicações ditas evangélicas e/ou reformadas sobre o tema. Títulos com temas como "surpreenda-se com o seu potencial", "automotivação", "você é maior que os seus medos" chegando ao cúmulo de absurdos de "posso ser quem sou" (mesmo afastado de Deus ?)

Que tipo de pregação é essa que defende a supremacia da vontade individual sobre a vontade de Deus ? Que tenta nos convencer que o ser humano precisa de aperfeiçoamento e não de transformação ? Ou que propõe que a transformação é possível por conta própria ?

A Bíblia nos conta a história de um homem que achou que poderia ser auto-suficiente. Que seu poder, riquezas e exércitos lhe bastariam. Vivia, como ele mesmo declarava, sossegado e próspero, como uma árvore que subia aos céus e sustentava a todos. Provavelmente, todos os dias quando olhava para o espelho, ele declarava para si mesmo : eu nasci para vencer...

Até o dia em que Deus derrubou a árvore e esse homem, literalmente foi comer grama.

Quando foi restaurado ele mesmo reconheceu que "todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a Sua vontade Ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem Lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? "(Dn 4:35). O nome do sujeito era Nabucodonozor.

Certamente os autores e fabricantes de produtos de auto-ajuda devem estar ricos. Já os crentes que depositam sua esperança nesse tipo de expediente e não em Deus estão se tornando, rapidamente, um bando de miseráveis espirituais.

Que não precisem comer grama para descobrirem o único caminho da felicidade.