sábado, 6 de novembro de 2010

O mal moral

Todos os dias vemos acontecer o mal no mundo. Não é uma ilusão como diz o hinduísmo. O mal está aí presente em todos os lugares. Estudamos o mal em dois aspectos: o mal moral e o mal físico (veja as postagens mais antigas), que surge em decorrência do mal moral; e o sofrimento, que é decorrente do pecado.

O Mal Moral

Quem são os agentes do mal moral? São os dois tipos de seres: homens e anjos. Por que não pode ser outro além de homens e anjos? Porque os outros seres não se enquadram em ambiente de mal moral ou não moral. Uma árvore tomba sobre um carro, uma estrela que cai, ou um animal que agride, não faz por maldade, não existe neles vontade própria. Os agentes do mal moral são livres, são racionais, são conscientes. São livres dentro do limite da permissão de Deus, que é bastante ampla. Chamamos de livre agência porque é muito diferente de livre arbítrio; pois o livre arbítrio pressupõe independência do ser de qualquer coisa. Não existe nenhum ser totalmente independente senão o próprio Deus. São racionais, ou seja, sabem o que estão fazendo. São conscientes porque conhecem a diferença entre bem e mal. Portanto, ninguém pode dizer que está fazendo o mal porque foi forçado a isso. Ninguém pode dizer que está fazendo o mal contra sua própria vontade. Ninguém. Quando Paulo escreve aos romanos dizendo: Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço (Romanos 7.19), ele faz por causa da sua natureza humana pecaminosa (vs.17,17,21). Ele luta contra a sua própria natureza. Paulo deixa claro que essa natureza é tão forte que acaba prevalecendo sobre o próprio querer.

O mal moral é a transgressão da lei moral.

1ª João 3.4 – Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.

O pecado é a transgressão da lei moral. Para que serve a lei?

Romanos 7.7 – Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás.

A lei aponta os nossos erros e como funciona também.

Romanos 2.12 – Assim, pois, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão; e todos os que com lei pecaram mediante lei serão julgados.

Os três primeiros capítulos do livro de Romanos tratam dessa questão. O mundo é dividido em dois grupos: os que receberam a Lei revelada, os mandamentos, e aqueles que não receberam a revelação dessa Lei. Nem um e nem o outro é desculpável, porque aquele que não tinha a Lei, tinha a consciência do que é bom e ruim; mesmo não tendo a Lei escrita, tinham consciência do certo e do errado. Diante do Tribunal de Justiça ninguém pode alegar o desconhecimento da Lei. Tanto os que não conheciam a Lei como os que tinham a Lei, a condenação é a mesma: morte. A própria consciência daquele que não tem a lei revelada aponta para os seus erros. Cremos na Doutrina da Eleição, que divide a humanidade em dois tipos: os salvos e os não salvos, os filhos de Deus e os filhos do diabo (1ª João 3.7-10). Fomos escolhidos antes da fundação do mundo (Efésios 1.4). A eleição de Deus não se acontece no momento da concepção. A Lei serve para mais uma coisa:

João 4.16-18 – Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

A Lei aponta para os nossos pecados. A Lei apontou para a mulher samaritana o seu pecado, apontou o pecado dela, mas não a convenceu dele. Quem nos convence de pecado? A Lei e o Espírito Santo, só a Lei não basta, porque se a Lei bastasse estaria todo mundo convencido dos seus pecados. A lei moral é diante de Deus, e ela é bem diferente da lei que os homens transformaram em lei civil, penal, etc. Por exemplo: a cobiça (Romanos 7.7) não é condenada pelo código penal. Diante da Lei de Deus não há agravante nem atenuante, pecado é pecado, não há pecado pequeno ou grande, não há um pecado pior que o outro, não há diferença no tamanho do pecado. O salário do pecado é a morte. Não somos juízes da lei divina, somente Deus é o Juiz da Sua Lei. O juiz absolutamente correto é aquele juiz que julga de acordo com a lei, mesmo que ele não concorde com a lei. Existe o conceito de que há pessoas que não têm consciência alguma. Estou envolvido no movimento de defesa das pessoas com deficiências; conheci pessoas que afirmavam que não tinham noção de nada as que tinham múltiplas deficiências. No entanto, quando lidamos com essas pessoas, percebemos, por determinadas respostas, que eles têm certa noção, percebemos que não há nenhuma pessoa que não tenha consciência. Pode não ter uma lógica estruturada, mas tem consciência. O pecado incomoda muito mais àquele que tem a noção exata de que não existe pecado pequeno, médio ou grande. Mas, mesmo àquele que não é cristão o pecado incomoda; não leva ao arrependimento, mas incomoda. Só o que não considera pecado não incomoda o não cristão, porém aquilo que ele sabe que é errado, incomoda.

O que é o mal? Segundo Agostinho, é a ausência do bem, mais ou menos, é o mesmo que dizer que doença é ausência de saúde. Podemos definir assim? Quando alguém fica doente do fígado é porque perdeu a saúde do fígado? Vírus, bactéria, é mito, lenda? Vamos usar a gripe como metáfora. Não há nada que resolva a gripe. Hoje em dia faz-se transplante, mas a gripe ainda não se resolveu. Podemos tomar uma série de atitudes contra a gripe: tomar vacina, tomar vitaminas, etc., então é possível nos precaver, assim podemos nos precaver contra o mal; a única diferença é que podemos nos precaver totalmente contra o mal, porque somos livres, racionais e conscientes. Contra a gripe não, porque o vírus está fora do controle. Essa definição torna o mal absolutamente passivo, porque foi o bem que se omitiu; o agente do mal aqui é o bem que resolveu ficar ausente. Agostinho não está totalmente errado, mas também não está absolutamente certo. Porque dizer que o mal é ausência do bem, é afirmar que o mal, em si mesmo, não existe. Agostinho acrescenta que o mal surge em oposição ao bem. Qual é o único bem existente? É Deus. Deus é um ser indivisível, enquanto somos feitos em pedaços. Sendo um ser indivisível, Deus é imutável; porque nenhum pedaço de Deus pode ser alterado. Nós podemos ter pedaços tirados, alterados, corrompidos, etc. Nessa complexidade podemos ter pedaços que sejam bons e que sejam tirados, aí o bem se retira e o mal se instala. Ele dizia também, que o livre arbítrio original, porque sabemos que lá na origem existia livre arbítrio, permitia, mas não obrigava o homem pecar. O livre arbítrio é efetivamente independência, então o homem era independente para fazer o julgamento moral. Ou seja, Deus deu ao homem a capacidade de efetivamente escolher. Nem Agostinho e nenhum outro teólogo para frente, vão explicar como que Deus deu ao homem essa capacidade que chamam de “escolha do contrário”, ou seja, escolher contra a sua própria natureza. Sabemos que os anjos foram criados perfeitos e mesmo assim alguns anjos caíram. O homem foi criado com a natureza perfeita e teve capacidade para escolher contra a sua natureza. Sabemos que nada acontece fora da vontade e do plano de Deus.

Porém, existe a outra possibilidade que é a da existência real do mal, porque se o mal é a transgressão da lei, então o mal é uma coisa ativa. O mal deixa de ser a omissão do bem para ser alguma coisa ativa. Entendemos que os dois estão presentes o tempo todo. Sabemos que o mal está acontecendo por comissão e também por ausência do bem. Isso não pode ser considerado de uma forma isolada. O mal existe, ele se compõe de existência real e também de ausência do bem.

Mas, como o mal surge? Na cabeça do homem e da mulher ele surgiu por sugestão do diabo. E como ele surge na cabeça de Satanás? Sabemos que ele foi criado perfeito, que caiu e que foi antes da queda do homem. Tanto Satanás como Adão foram criados perfeitos e tinham a capacidade de não pecar, mas tinham a liberdade para pecar, tinham a liberdade, mas não a obrigação; ninguém os obrigou a pecar. escolheram pecar. O que sabemos? A Bíblia ensina que Satanás cobiçou em seu coração ser igual a Deus (Ezequiel 28.13-15; Isaías 14,12-14). A cobiça gera o pecado (Tiago 1.14-15). A Lei diz “não cobiçarás” (Êxodo 20.17; Romanos 7.7). Como surgiu a cobiça no coração de Satanás? Foi a capacidade e a liberdade de escolha que Deus lhe deu. Por que? Só Deus sabe. Não temos detalhes da queda dos anjos. Sabemos que o casal foi expulso do Éden para não comerem da árvore da vida e não se tornarem eternos.

Sabemos que o mal surge nessas circunstâncias: seres racionais, livres, que em algum momento lhes foi dado, em sua própria natureza, a capacidade de escolher, ou seja, eles poderiam não ter escolhido o pecado. Se Deus criou todas as coisas, isso significa que a origem do mal é conseqüência da criação de Deus. E se Deus é a causa primeira de todas as coisas, Deus é também a causa primeira da existência do mal. Se disser que Deus não é a causa primeira da existência do mal, estará dizendo que alguma coisa pode ser criada fora do controle de Deus, e aí cai no dualismo, porque estará dizendo que existe outro ser que é independente de Deus. Se Deus criou todos os anjos e homens, e os criou perfeitos e ao mesmo tempo livres, porque naquele momento eles eram, eram também livres para não pecar. O mal não foi imposto. Portanto, o mal não é algo independente de Deus. O mal, desde a sua origem, tem os seus propósitos.

Gálatas 5.22-23 – Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Contra estas coisas não há lei, porque quem tem essas coisas não tem o mal.

1ª João 1.5 – Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há n’Ele treva nenhuma.

Portanto, só Deus é eterno e existe treva em algum lugar, e o mal está nas trevas. Deus não é o criador do mal, mas é criador daquele que gerou o mal. O mal não é eterno, não existe desde a eternidade, há o momento em que ele surge.

Colossenses 1.16-17 – Pois, n’Ele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio d’Ele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

Paulo está falando especificamente da pessoa do Senhor Jesus Cristo. Paulo não disse que n’Ele foram criadas todas as coisas boas, mas todas as coisas. Tudo. Criou todas as coisas e tudo, tudo está sob o Seu controle. No céu e na terra, visíveis e invisíveis, nada escapa do Seu controle. Tudo foi criado para Ele, portanto, existe uma finalidade, e a finalidade é que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. O mal existe, há o tempo em que ele foi criado. Deus é responsável pelo fato do mal ter sido criado, porque Deus é o responsável primeiro por todas as coisas.

1ª João 5.17 – Toda injustiça (iniqüidade) é pecado, e há pecado não para morte.

João está dizendo que todo o mal é pecado, mas tem um pecado que não é para morte. Toda a Bíblia ensina que pecado é pecado. Adão e Eva pecaram e foram condenados à morte. O salário do pecado é a morte. A Lei diz: não matarás. Muita gente pensa que não tem pecado porque nunca matou alguém. Jesus veio e diz: se você odiar alguém, em seu coração já matou; só de pensar na ação do mal, já pecou.

Deus criou o ser humano com uma natureza perfeita, mas a desobediência de Adão e Eva produziu imperfeição nessa natureza, ela se tornou pecaminosa; essa natureza passou de pai para filho em todas as gerações. Essa imperfeição produzida pelo pecado faz parte da nossa essência; a partir do momento em que faz parte da nossa essência, ele passa a se manifestar em todos os momentos, todos os lugares, em todas as situações.

1º Reis 8.46 – Quando pecarem contra Ti (pois não há homem que não peque), e Tu te indignares contra eles, e os entregares às mãos do inimigo, a fim de que os leve cativos à terra inimiga, longe ou perto esteja.

O texto diz que não há homem que não peque. Nenhum ser humano escapa do pecado.

Romanos 3.9, 19-23 – Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado. Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.

Todos pecaram. Todos são culpados, todos são condenáveis. A única escapatória é a glória de Deus.

Romanos 7.18 – Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.

Quem está falando isso é alguém que alcançou a estatura espiritual de Cristo, o apóstolo Paulo. Ele diz que em sua carne reside o mal. Quando Paulo se queixa do espinho na carne, Deus lhe diz que a graça divina é o suficiente, para que Paulo não pensasse que ele era muito bom. Embora tenha alcançado a estatura espiritual de Cristo, ele permanecia com a natureza física pecaminosa.

Todo pecado é manifestação nossa de rebelião contra Deus; seja consciente ou não; seja transgredindo a lei ou seja ofendendo a santidade de Deus. Com lei ou sem lei, todos são pecadores. Se todo o pecado é rebelião contra Deus, se todo o pecado é condenado, porque João diz que há pecado para morte e pecado não para morte.

Romanos 7.11 – Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento, me enganou e me matou.

Paulo está se referindo ao seu tempo de judaísmo, dizendo que o pecado está exclusivamente ligado ao mandamento e que esse mandamento que o condena à morte. Todo o pecado conduz à morte e alguns terão vida, não é porque não houve condenação, mas é porque Alguém pagou. Cristo Jesus. O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. Deus perdoa os pecados, no sentido de esquecê-los, porque Jesus já pagou o preço deles. Não há pecado que não seja punido. Em nosso caso, nós que somos salvos, o nosso pecado foi punido em Jesus.

Pecado para morte o apóstolo João tinha absoluta convicção disso.

1ª João 1.8-10 – Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-l’O mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.

João está dizendo que podem falar o que quiserem, qualquer coisa, mas não podem negar o próprio pecado, porque ao afirmar isso está chamando Deus de mentiroso. João sabia que o pecado condena à morte. Quando João se refere ao pecado não para morte, está falando da morte física. Pecado que causa a morte na sua conseqüência imediata. Podia ser uma condenação com a execução da parte de Deus. Houve casos que Deus executou imediatamente, como no caso de Safira e Ananias (Atos 5.1-11).

Números 18.22 – E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram.

No caso a execução imediata por causa de algum pecado, em outra situação era uma condenação legal. O pecado, mediante a própria lei judaica, condenava a pessoa à morte. No Livro de Levítico temos a pena de morte para os transgressores da lei. Condenação e execução legal. Legal, no sentido de ter sido julgado e condenado à morte.

1ª Coríntios 11.30 – Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.

Romanos 1.32 – Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.

Não são poucos os que dormem e muitos são passíveis de morte. Aí pode ser a questão da apostasia. O apóstata é um salvo que perdeu a salvação? Não, de maneira nenhuma, porque o salvo nunca perde a salvação. Apóstata é aquele que conheceu e depois negou, sem nunca tomar posse da verdade.

Mateus 12.32 – Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.

Marcos 3.29 – Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.

Lucas 12.10 – Todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão.

Aí tem uma diferença entre apostasia e blasfêmia. A apostasia é a negação daquilo que se confessava e participava; ou seja, participou da verdade, do meio de graça e depois negou tudo conscientemente. O apóstata passou por convertido e depois negou todas as coisas, numa rejeição consciente. Do mesmo jeito que a blasfêmia vai ser uma afirmação consciente. Apostasia é quando alguém participa e depois passa a negar. A blasfêmia é a afirmação de que alguma coisa feita pelo Espírito Santo foi feita pelo diabo, e ou, feita pelo diabo e afirmar que foi o Espírito Santo. Fica esclarecido quando Jesus tinha expulsado demônio e os judeus disseram que Ele tinha parte com os demônios; ou seja, eles estavam atribuindo ao diabo o poder que o Espírito Santo estava dando a Jesus. Uma obra satânica atribuída ao Espírito Santo, numa declaração consciente, é também blasfêmia.

Hebreus 6.4-6 – Impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-O à ignomínia.

O importante é que em nenhum momento o texto diz “aqueles que foram salvos”, mas, aqueles que participaram da luz, aqueles que se aproveitaram do dons do Espírito Santo, aqueles que provaram a verdade, uma vez negando essas coisas, não têm mais nenhuma chance

Hebreus 10.26-27, 29 – Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrario, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?

O texto diz que depois de ter conhecido a verdade, alguém resolve viver deliberadamente na mentira, ou seja, resolve, conscientemente, continuar praticando aquilo que sabe que é pecado, não tem jeito! A pessoa conheceu a verdade, sabe que está errado e continua conscientemente fazendo, isto é apostasia. Na primeira carta aos Coríntios Paulo repreende a Igreja por estar tolerando alguém que já conhecia a verdade e, conscientemente, adulterava com a madrasta (1ª Coríntios 5.1). Isto é apostasia.

Agora vamos falar da blasfêmia especificamente contra o Espírito Santo. A blasfêmia contra o Pai ou contra o Filho tem possibilidade de salvação. Blasfêmia contra o Espírito Santo é atribuir ao diabo a obra realizada pelo Espírito Santo, e, ou atribuir ao Espírito Santo uma obra maligna.

Efésios 1.17-19 – Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento Dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do Seu poder.

Iluminar é função do Espírito Santo; iluminar para o arrependimento, para salvação, no dia-a-dia para sermos incomodados pelo pecado. Se o pecado nos incomoda é porque o Espírito Santo está falando à nossa consciência. A evidência da presença do Espírito em nós é o incômodo causado pelo pecado. Há manifestação do Espírito Santo para esclarecer a vontade de Deus. Não há para nova revelação além da Bíblia. O que não significa que o Espírito Santo não esteja agindo. Ele convence do pecado, ilumina para o arrependimento, para curar, para falar com sabedoria (1ª Coríntios 12.7-10). Precisamos tomar cuidado para não cairmos em exageros; como há muito charlatanismo, nossa tendência é deixarmos de crer na ação especial do Espírito Santo. Quando não sabemos o que é, é melhor ficar quieto. Afirmar que o Espírito Santo não se manifesta mais, não é bíblico. Há mensagem que sentimos ter sido trazida pelo Espírito Santo. Ele se manifesta de muitas maneiras em nossas vidas.

João 14.26 – O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

Uma ação do Espírito Santo é nos trazer a mensagem do Evangelho de Jesus, não um novo Evangelho. A Bíblia diz que é anátema, maldito aquele que apresentar outro Evangelho além daquele ensinado pela Palavra de Deus. Temos falado de situações irreversíveis, pecado para a morte, não eu o nosso pecado seja menos para a morte, como qualquer outro, mas, Alguém morreu por nós, e por isso temos vida eterna. Aqueles que foram condenados à morte física, não há nada que se possa fazer, condenados legalmente ou condenados por Deus pela blasfêmia, Deus os entregou à sua própria maldade, natureza, ao seu próprio pecado. Deus endureceu seus corações, não terá mais retorno.

Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni


Bibliografia usada na preparação da aula:
A providência – Rev Héber Carlos de Campos
As Institutas – João Calvino
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Sistemática – Louis Berkhof(todos da Cultura Cristã/CEP)
As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

Um comentário:

Wellington Agápto de Freitas disse...

Muito bom ...
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