domingo, 8 de novembro de 2009

Mordomos infiéis

Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão. Is 24:6

O clima está nos jornais todos os dias. E não é de hoje que o assunto é pauta obrigatória na mídia. Em 1992 acontecia no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas para o meio ambiente e o desenvolvimento. O protocolo de Kyoto, para controle da poluição é discutido desde 1988, já atingiu sua maioridade legal sem que nada tivesse mudado de forma significativa.

Os problemas da Terra são muitos, mas podemos nos concentrar nos três mais impactantes. O efeito estufa, provocado pelo excesso de gás carbônico, que está elevando as temperaturas do planeta. O crescimento buraco na camada de ozônio que nos protege dos efeitos nocivos dos raios solares, e as chuvas ácidas, carregadas venenosamente de poluentes. Existem outros: poluição de mananciais, extinção de espécies animais e vegetais, uso de recursos não renováveis.

O mais interessante dessa história toda é que não existe quem não conheça as soluções para esses problemas, mas cada um só pensa nos seus benefícios de curto prazo (afinal, estaremos mortos quando o problema não tiver mais solução, não é mesmo?)

Apesar de ser um tema crucial para a sobrevivência da humanidade, esse é um assunto sobre qual as igrejas não passam nem perto. Por que não ouvimos nenhuma manifestação dos líderes religiosos (de qualquer crença, diga-se de passagem)? Será que não temos nada a dizer? Ou será que não conhecemos suficientemente a Bíblia para falar a esse respeito?

Por que alguns crentes afirmam que, se a Terra vai ser destruída no final dos tempos nós estamos só dando uma mãozinha para Deus para que a destruição seja mais rápida?

Quando Deus criou todas as coisas (Gn 2:26-31) Ele deu ao homem a função de mordomo da criação. Poderia usar todas as coisas para o seu sustento, mas com a responsabilidade de cuidar do que lhe fora confiado. Na sequência, o homem pecou, contaminou a Terra com as consequências do seu pecado. Deus então ameaça destruir todas as coisas (Gn 6:5-7), mas acaba preservando tanto a raça humana como a criação e reitera a nossa função de mordomos (Gn 9:1-3)

Claro, o homem continuou a não exercer a sua tarefa, por um único motivo: o pecado. Longe de Deus o homem se considera como proprietário e não mordomo da Terra. Tem a pretensão de se igualar a Deus, não poucas vezes afirmando que cabe ao homens sustentar o planeta (tarefa exclusiva do próprio Deus, conforme Jesus declara em Mt 6:26, 30).

O homem que se acredita auto-suficiente na proteção do meio-ambiente, que supõe não precisar de ajuda para cuidar daquilo que imagina ser dono, vai continuar a destruir o planeta. O pecado continuará a afetar não somentes os seres humanos, mas tudo que está à sua volta (Is 24:1-6). Nada restará.

No entanto, como cristãos, conhecedores da tarefa que nos foi dada, devemos lembrar que, enquanto essa Terra existir, nós somos mordomos de Deus, que vai nos cobrar pela nossa obediência. Podemos não resolver sozinhos o efeito estufa, mas temos de cuidar daquilo que está ao nosso alcance.

E, principalmente, levar sempre adiante a mensagem de quem realmente é o Senhor de todas as coisas, inclusive do planeta: Sl 24:1

Um comentário:

Rubinho Osório disse...

Só para lembrá-lo que existe a ONG "A Rocha Brasil" - www.arocha.org - organização cristã voltada para as questões ambientais.