
Primeiro: Deus criou o mundo com o bem e o mal para que o homem seja mais feliz! Isto é um conceito antropocêntrico, pois está dizendo que o mal existe para que o mundo fique mais interessante para o homem! Com o bem e o mal o mundo fica melhor para quem? Para o homem. Leibniz está dizendo que Deus criou o mundo em função do homem. Bem, então, Deus criou todas as coisas boas completamente centrado no homem? Criou o mundo para o desfrute do homem? Na verdade, biblicamente, Deus nos colocou aqui como mordomos e como mordomos temos de cuidar e temos o direito de desfrutar todas as coisas que Deus criou, mas Deus criou todas as coisas para o louvor da Sua glória.
Segundo: dentro desse conceito de Leibniz, o mal não surge na história, mas é inerente à criação, faz parte da criação! O mal surge pré-queda do homem, mas atinge o homem na queda, os anjos já tinham caído, porque senão Satanás não estaria lá no jardim para falar com Eva.
Para Leibniz existia três tipos de mal. Estando no exercício metafísico, a metafísica estava na origem de todas as coisas. O primeiro mal era o metafísico que tinha a ver com a origem do homem. Leibniz dizia que o homem é essencialmente imperfeito porque o homem é finito. Veja a contradição aqui: Leibniz começa a sua tese dizendo que tudo o que Deus criou é bom, portanto precisou juntar o mal e o bem, por que o mal é bom. Mas agora está dizendo que o homem é imperfeito porque ele é finito, ou seja, esta imperfeição do homem é boa para o todo. Se o homem é imperfeito, se ele é incompleto, é essa incompletude do homem que, na verdade, é um mal original. Porque se o homem fosse perfeito ele seria Deus. Se o homem é imperfeito e finito em sua origem, é porque Deus o fez assim. Portanto, a criação é imperfeita ou o mal faz parte da perfeição da criação. É onde Leibniz quer chegar: o mal faz parte dessa perfeição. É uma perfeição imperfeita. Esse mal metafísico, segundo Leibniz, o fato do homem ser incompleto é que vai gerar o mal moral. O mal moral são nossas atitudes contra Deus, é o pecado. Como o homem é limitado, ele é imperfeito. Para Leibniz o mal moral não é pecado, no sentido de estar indo contra a vontade de Deus, mas é simplesmente a ausência do bem, mas ou menos como para alguns a paz é a ausência de guerra. Não praticar o bem significa que está sendo mau, é mais ainda do que ser contra a Lei de Deus. O mal moral é que provoca o mal físico. Concordamos com isto: existe o mal moral e sabemos que ele provoca os males físicos: o sofrimento, a morte, etc. Só existe perfeição em Deus, portanto, o homem perfeito seria equivalente a Deus. Qual o problema lógico disso? A criação é imperfeita porque ela englobou o mal. Dentro dessa lógica Deus não pode julgar ninguém! Deus tem de salvar todo mundo! Ele criou assim, portanto Ele é responsável. Ouvimos isso com muita freqüência! Leibniz esta dizendo que o mal é originário da criação, Deus criou o mundo com o mal existente. O mal existente era o fato do homem ser imperfeito. Ele está dizendo que o homem já é criado de uma forma imperfeita, por isso ele executou o mal moral. A maioria das teodicéias não tem nenhuma justificativa em qualquer texto bíblico. Por que a maioria das teodicéia surgem de elucubrações de seus criadores? Por que nascem da imaginação do homem? Porque tentam justificar o mal. Esse é o motivo sempre. E também justificar a Deus. Mesmo nascendo dentro da igreja, nasce muito mais como exercício filosófico do que como uma discussão teológica. Alguém diz: fiz a exegese de tal texto e cheguei a essa conclusão. Por que? Porque a Bíblia não traz essa explicação. A Bíblia afirma que existe o mal, o mal afronta a santidade de Deus, mas ele está sob o controle de Deus. Por isso as teodicéias não trazem textos bíblicos. As discussões sobre o batismo ou sobre a transubstanciação do pão o do vinho, são pessoas que fazem interpretações diferentes do mesmo texto bíblico, e geram discussões teológicas. No caso da teodicéia será sempre uma discussão filosófica, porque a Bíblia não trata desse assunto. Vamos estudar o que é o mal moral, quais as conseqüências do mal físico, mas não temos teodicéia, porque não precisamos defender Deus, não temos que justificar Deus para a existência do mal no mundo. O homem fica atrás disso para satisfazer a própria curiosidade. O homem fica estudando loucamente o universo porque ele precisa entender com a razão, com o seu intelecto, quando a Bíblia diz que pela fé entendemos que o universo foi formado pela Palavra de Deus (Hebreus 11.3).
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