sexta-feira, 27 de março de 2009

A justiça de Deus

Corolário é uma conclusão resultante da comprovação de alguma outra coisa. Simplificando, corolário é uma conseqüência lógica, ou seja, se eu provei que A é igual a B, como colorário, como conseqüência, acaba-se comprovando alguma outra coisa também, resultante dessa que eu comprovei. É um termo muito vago em matemática, que, quando se comprova uma teoria ou algum teorema, além de se comprovar aquilo que estava procurando se comprovar, existem outras conclusões que são ligadas àquela conclusão principal. Na verdade, corolário é sempre uma verdade conseqüente; ele é conseqüência de uma outra verdade.

Corolário da santidade de Deus. Comprovei que Deus é Santo, a justiça de Deus está intimamente ligada com a Sua santidade, ou seja, Deus não poderia deixar de ser justo porque isto seria contra a Sua santidade. Então, se eu comprovo que Deus é Santo, como conseqüência, isto significa uma série de outras questões. Dentro da justiça de Deus estudaremos também aquilo que todo o crente quer que aconteça com relação aos não crentes, ou seja, a ira de Deus.

Salmo 145.17 – Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, benigno em todas as Suas obras.

Justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, justo em todas as Suas obras.

Precisamos entender o que é Justiça e o que é a Justiça de Deus. Estamos estudando os atributos comunicáveis de Deus, ou seja, aqueles atributos que Deus tem de forma perfeita, mas que nós também podemos ter um pouco deles. Há alguns atributos de Deus que mesmo que quiséssemos não poderíamos ter, são os atributos incomunicáveis de Deus. A eternidade de Deus é um atributo incomunicável, não temos nem podemos ter nenhum pouquinho disso. A justiça nós podemos ter, não que todos tenham, mas podemos ter.

Justiça dentro do nosso conceito humano está de conformidade com a lei. Justiça é andar de conformidade com a lei, ou aplicação da lei quando alguém não anda de conformidade com ela.
Isto também é verdade quando se aplica a Deus. Mas quando falamos de Deus não estamos nos restringindo à lei escrita de Deus; e quando falamos da lei escrita, não estamos nos restringido só aquela lei que Deus entregou para Moisés.

A justiça de Deus é andar em conformidade com a vontade de Deus e tudo aquilo que Deus coloca como sendo Sua vontade para nós.

E como é andar de acordo com a vontade de Deus? Ela será um reflexo da santidade de Deus. Deus é perfeito. A justiça de Deus está totalmente ligada à questão da Santidade. Portanto, qualquer coisa que nós façamos que seja contra a santidade de Deus é pecado. É mais do que um livrinho de regras que pode e não pode.

A justiça de Deus visa dar glória à santidade de Deus. Todas as coisas de Deus existem para o louvor da Sua glória. A justiça de Deus quando aplicada visa compensar aquilo que foi feito contra a Sua santidade, que pode ser regatar o pecador ou não. A justiça de Deus é também uma forma de compensação. A diferença é que para alguns essa compensação é pessoal, e para outros essa compensação é vicária, ou seja, alguém pagou essa conta por nós. Mas Deus está se vingando do pecado que foi cometido contra Ele. Se Deus não agisse assim Ele estaria negando a Sua própria santidade. A vingança é a aplicação da justiça. Então, também será uma forma de compensação porque nós atentamos contra a santidade de Deus. A vingança pertence ao Senhor e é livre.

Quando nós atentamos contra a santidade de Deus, nós colocamos a manifestação da ira de Deus. Por que? Porque passamos a ficar com uma dívida em relação à santidade de Deus. O que acontece a respeito da manifestação da ira de Deus? Uma coisa é fácil dizer: que Deus está irado por causa do pecado.

Deus tem duas atitudes em relação à Sua própria ira que estão ligadas a outros atributos d’Ele. Uma dela é o atributo de paciência. Deus retém temporariamente a execução da Sua ira. A outra questão é a da misericórdia, ou seja, Deus não retribui pessoalmente a Sua ira. Porque se Deus retribuísse só individualmente a ira, estaríamos todos nós perdidos. A misericórdia é: Ele mesmo providencia alguém para pagar essa conta, pois essa conta não pode ficar sem pagamento, porque seria dizer que Deus tolera o pecado. Se Deus tolera o pecado isto nega a Sua santidade. Deus, portanto, não pode deixar de seu Justo. Aí percebemos que a justiça de Deus tem duas características:

1) Justiça Absoluta – A justiça absoluta de Deus é a justiça de Deus para com Ele mesmo. A respeito dessa justiça não sabemos detalhes, sabemos que ela é existente. A justiça de Deus para com Ele mesmo, sabemos que ela é existente porque a Bíblia declara isso, mas ela não é explicada na Bíblia.

2) Justiça Relativa – O que conhecemos, e é bom nos acostumarmos com alguma coisa, é o que chamamos de justiça relativa. Não relativa porque ela pode ser de um jeito uma hora e de outro jeito outra hora. Mas é aquela que está relacionada conosco. A Bíblia fala muito sobre a justiça de Deus em relação a nós. Porque ela é em relação a nós, homens em geral, ela é chamada de relativa,

porque ela está relacionada à alguma coisa. Esta justiça relativa se manifesta a todos nós de diversas formas. A justiça, enquanto designa o sinal do homem, graças a Deus, ela não se manifesta a nós, porque ela já se manifestou a nós através de Jesus Cristo. Isto não significa que Deus também não recompense e una algumas coisas no dia-a-dia. Deus é bom mesmo. Só por curiosidade: a palavra “justiça” aparece na Bíblia mais vezes que a palavra “amor”, o que não significa que Deus tem menos amor. Deus é amor, mas é também justiça. Porque, assim como o amor, assim como outros atributos, a justiça é um atributo essencial de Deus, ou seja, faz parte da Sua essência e da Sua natureza, não pode ser separada de Deus, não dá para separar de Deus o fato de que Ele é Justo.

Esdras 9.15 – Ah! Senhor, Deus de Israel, justo és, pois somos os restantes que escaparam, como hoje se vê. Eis que estamos diante de Ti na nossa culpa, porque ninguém há que possa estar na Tua presença por causa disto.

Deus é justo. Ele reconhece: nós somos pecadores. Se dependesse do nosso proceder, dependesse do nosso delito, não poderíamos estar na presença de Deus. Estamos na presença de Deus porque Ele nos justifica.

Neemias 9.8 – Achaste o seu coração fiel perante Ti e com ele fizeste aliança, para dares à sua descendência a terra dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e cumpriste as Tuas promessas, porquanto és justo.

Deus não pode negar a Sua promessa por causa da Sua própria justiça. Deus não pode andar fora da conformidade da vontade de Deus. Isto é muito importante de se entender pelo seguinte, Deus não pode ser injusto. Não podemos dizer: “se Deus quisesse Ele poderia não punir ninguém”. Ele não pode. Em relação a Uzá (2º Samuel 6.6), ele não agiu de conformidade com a vontade de Deus, que era: ninguém toque na arca a não ser a quem é permitido. Era necessário que Deus manifestasse a Sua justiça ali.

Salmo 119.137 – Justo és, Senhor, e retos os Teus juízos.

Deus manifesta a Sua ira quando Ele quer e do jeito que Ele quer. Naquele momento, quando Uzá tocou na arca, era importante que aquilo acontecesse e que fosse visto por todos. Aquela atitude foi um atentado gravíssimo contra a santidade de Deus. A arca era o símbolo do poder, da majestade, da glória e da santidade de Deus. Era um símbolo muitíssimo sagrado.

Jeremias 12.1 – Justo és, ó Senhor, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos Teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?

Porque Deus vai executar a Sua justiça de acordo com a Sua vontade quando Ele quiser. E mesmo aquele que anda de forma pérfida, de forma má, não sei se a justiça de Deus vai ser executada contra ele pessoalmente ou vicariamente através de Jesus Cristo, porque não sei se ele vai se converter.

Lamentações 1.18 – Justo é o Senhor, pois me rebelei contra a Sua palavra; ouvi todos os povos e vede a minha dor; as minhas virgens e os meus jovens foram levados para o cativeiro.

Deus é justo porque eu me rebelei contra a Sua vontade.

Daniel 9.14 – Por isso o Senhor cuidou em trazer sobre nós e o fez vir sobre nós; pois justo é o Senhor, nosso Deus, em todas as Suas obras que faz, pois não obedecemos à Sua voz.

Deus é justo em todas as Suas obras. Às vezes perguntamos: “Será que Deus está sendo justo aqui?”. Deus está sendo justo em todas as Suas obras e deixa claro que o pecado não vai ficar sem punição.

Apocalipse 16.7 – Ouvi do altar que se dizia: Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os Teus juízos.

Se Deus é justo, tudo o que Ele faz é justo, inclusive o Seu julgamento. Os juízos de Deus são justos. Todos os juízos de Deus são justo porque Ele é Justo.

Deuteronômio 4.8 – E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?

Não existe lei mais justo do que aquela que é dado por Deus.

Aí vemos claramente na Bíblia que há duas linhas de justiça. A primeira é a justiça governativa.

Justiça Governativa – A justiça governativa de Deus é a que estabelece o Seu governo moral. É Deus como instituidor das regras do jogo. É como se Deus dissesse: “Para cumprir a vontade de Deus é isso que espero dos homens”. A justiça governativa apresenta Deus como o grande Legislador. Quando dizemos que não existe Lei como a de Deus, declaramos que Deus enquanto aplicador da justiça, mas também como o Legislador que institui as regras. A essa justiça é dado o nome de Justiça de Governo. É a justiça que institui as regras, que é diferente da justiça que aplica a regra e distribui ações de acordo com o cumprimento dessa justiça que distribui. Ela é chamada justamente de distributiva, que vai remunerar ou vai colher. Vamos ver o que a Bíblia diz da justiça governativa de Deus.

Isaías 33.22 – Porque o Senhor é o nosso Juiz, o Senhor é o nosso Legislador, o Senhor é o nosso Rei; Ele nos salvará.

Quando Samuel fica muito chateado porque o povo lhe pede um rei, é porque Samuel tinha certeza de que Deus era o Poder Executivo, Legislativo, Judiciário e o povo não precisava nada além d’Ele.
Isaías está se referindo ao juízo de Deus enquanto Criador e definidor das leis, das regras.

Tiago 4.12 – Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer, tu, porém, quem és, que julgas o próximo?

Só um é Legislador, só um é Juiz, além de tudo Ele pode salvar e fazer perecer. Aí Tiago pergunta para nós: quem é você que fica julgando? Porque só um é definidor das regras. Só um é o que executa as regras. Ele é o Legislador e o Executor. Como Ele é o Executor Ele tem essa característica de justiça distributiva.

Justiça Distributiva – a justiça que tem haver com a execução penal da lei. Com execução penal quero dizer com a distribuição da justiça. Deus também distribui recompensa, não é só castigo. Estamos falando da Justiça Relativa de Deus, porque ela tem relação com os homens. É essa que nos faz alguma diferença. A justiça de Deus com os anjos a Bíblia não nos revela como ela é e se está sendo ou não aplicada. Ela é ou será aplicada, não temos a menor dúvida. Então, a aplicação da justiça não é uma opção de Deus. De novo, Deus não pode escolher não fazer justiça porque Ele estaria sendo conivente com o pecado, e estaria contra a Sua própria santidade. A justiça é um ato que faz parte do ser de Deus. Obrigatoriamente Ele tem de fazer isso. Se Deus não executasse a justiça Ele não seria Santo. Com Sua Justiça Distributiva Deus distribui a recompensa e sempre vai distribuir o castiga contra o pecado, não contra o pecador. Aí é que está a grande diferença. Nós somos pecadores, mas a justiça de Deus foi aplicada em alguém que ficou em nosso lugar. Se o problema de Deus fosse com o pecador estaríamos todos perdidos! O que acontece: aqueles a quem Cristo não está pagando com o Seu sangue pelo pecado, esses vão ser punidos pessoalmente. Agora, nós também estamos sendo punidos vicariamente, ou seja, Alguém está pagando por isso.

Quando Deus diz que o nosso pecado foi apagado, é porque Alguém pagou no lugar. Depois que o Senhor Jesus pagou Deus não mais vai se lembrar disso. Estará esquecido para sempre porque foi pago. Posso ser corrigido no meu dia-a-dia, mas nem de longe é a morte, o salário do pecado.

Isaías 3.10-11 – Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações. Ai do perverso! Mal lhe irá; porque a sua paga será o que as suas próprias mãos fizeram.

Deus está dizendo que o justo vai ter a paga da sua justiça e o perverso vai ter a paga do seu pecado. Deus está dizendo que existe recompensa e existe punição. A Bíblia está dizendo: porque nós podemos ser justos. Se nós não pudéssemos ser justos aqui na terra, este atributo de Deus estaria entre os atributos incomunicáveis. Como é um atributo comunicável podemos ser justos, mas não seremos justos como Deus, porque não somos Deus, mas temos a capacidade de sermos justos. Absolutamente justos? Não. Perfeitamente justos? Não. Mas temos parte dessa justiça. Uma pessoa pode ser perversa a vida toda, pois Deus tem um propósito que foge à minha compreensão.

Romanos 2.5-7 – Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento; a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade.

A ira de Deus se manifesta em nosso dia-a-dia, eu diria, em pílulas homeopáticas. Mas, o dia da ira é aquele que definitivamente Ele vai separar os que vão para o forno e ser queimado.

1ª Pedro 1.17 – Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos como temor durante o tempo da vossa peregrinação...

Aquele que julga, sem acepção de pessoas, as obras de cada um. Nós não somos salvos pelas obras, mas as nossas obras também vão ser julgadas. A Bíblia diz que quando chegar lá receberemos galardão, mas não sei como será. Lá receberemos um corpo incorruptível, mas como ele vai ser? Mesmo que a Bíblia explicasse não temos capacidade de entender, porque estamos aquém da perfeição.

Essa Justiça Distributiva divide-se entre duas categorias. Uma que remunera e recompensa e a outra que retribui. Quando ela remunera ela não está também retribuindo as nossas boas obras? As nossas boas obras não tem uma retribuição, na verdade, somos remunerados pela graça de Deus, porque fazer a vontade de Deus não é nada mais do que a nossa obrigação. Se estamos recebendo algum prêmio por isso, é porque Deus está sendo bondoso em nos dar além do que merecemos. Então, a justiça é retributiva, ela está retribuindo quando não fazemos o que é esperado de nós. Deus está me dando um prêmio adicional quando fazemos nada mais do que a nossa obrigação.

Esta justiça retributiva é condicional. Ela está condicionada à obediência. Não fazemos mais do que a nossa obrigação em obedecer, mas, de qualquer forma, estamos remunerados em obedecer.

Deuteronômio 7.12-14 – Será, pois, que, se ouvindo estes juízos, os guardares e cumprires, o Senhor, teu Deus, te guardará a aliança e a misericórdia prometida sob juramente a teus pais; Ele te amará e te abençoará, e te fará multiplicar; também abençoará os teus filhos, e o fruto da tua terra, e o teu cereal, e o teu vinho, e o teu azeite, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas, na terra que, sob juramento a teus pais, prometeu dar-te. Bendito será mais do que todos os povos; não haverá entre ti nem homem, nem mulher estéril, nem entre os teus animais.

Ou seja, se o povo fosse absolutamente obediente nada daria errado. Mas, deu tudo errado. Porque a natureza do homem é rebelde. Aqui Deus está falando sobre o povo. Enquanto povo você tem de

obedecer. Mas, mesmo individualmente vemos que Ele dá essa premiação. Mas, o povo como um todo, é um povo rebelde. Quando Elias se queixou de que estava só, Deus disse a ele que havia alguns que eram os remanescentes. O povo, como um todo, é rebelde, a nação é castigada. Mesmo alguns que foram para o exílio foram castigados como nação, não significa que individualmente não foram abençoados.

Mateus 25.21 – Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entre no gozo do teu senhor.

Parábola dos Talentos. O senhor disse; você foi fiel no pouco. Comparado com o que somos ou não somos fiéis, que são coisas muito pequenas, a recompensa da vida eterna que Deus dá para nós é o “sobre o muito te colocarei”. A justiça retributiva é condicional. Apesar dela ser condicional, ou seja, estamos sendo remunerados por aquilo que obedecemos ou não, ela é totalmente imerecida. Porque a condição que está sendo colocada a nós, nada mais é do que o óbvio! Qual a condição que está sendo colocada para nós? Sejamos obedientes. Obediência tem de haver de qualquer forma. Portanto, se estamos ganhando alguma coisa por sermos obedientes, estamos ganhando mais do que merecemos.

Lucas 17.10 – Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer.

Somos servos inúteis! Inútil em que sentido, é por que não serviu para nada? Não. Mas, porque tudo o que fizemos foi mais nada do que o óbvio.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.

Ou seja, se fazemos alguma coisa boa, além de não ser mais do que a nossa obrigação, não é nem pela nossa vontade ou por mérito nosso, o que fazemos de bom é porque veio de Deus. A nossa boa obra vem de Deus, porque é Deus que executa em mim o querer e o realizar (Filipenses 2.13). O mal é boa parte do que fazemos na vida. Uma coisa é o que vem de Deus e outra é o que Deus permite que aconteça. O mal Deus permite que aconteça, contudo, não vem d’Ele. Sendo Deus Soberano e Onipresente não há nada que fuja ao Seu controle. O que Deus está fazendo é diferente do que Ele está olhando nós fazermos.

1ª Coríntios 4.7 – Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenha recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?

Então, fazemos as coisas boas porque recebemos de Deus.

17 de Agosto de 2008

Como vimos, a justiça de Deus é um atributo comunicável, ou seja, é um daqueles atributos que Deus tem de forma eterna, infinita, perfeita, mas, é um dos atributos que nós também temos de uma forma parcial, temporária e imperfeita. A outra questão é que a justiça de Deus está intimamente ligada com a santidade de Deus, ou seja, é impossível Deus não exercer a Sua justiça, porque se Ele
não exercesse a Sua justiça, estaria contrariando a Si próprio, Ele estaria atentando contra a Sua própria santidade.

A justiça tem haver em andar conforme as regras. A justiça de Deus é andar em conformidade com a vontade de Deus. Atentamos contra a santidade de Deus nos momentos em que não andamos de acordo com a vontade de Deus.

Para efeito de estudo, facilitando a nossa compreensão, dividimos a Justiça de Deus em duas partes: a Justiça Governativa e a Justiça Distributiva. A Justiça Governativa é aquela na qual Deus estabelece quais são as regras, as Leis. E a partir dessas leis surge a Justiça Distributiva, que pode distribuir duas coisas: ela pode remunerar e pode retribuir. Ela remunera dando a recompensa e retribui dando a penalidade, castigo. Vimos que todo pecado é algo que atenta contra a santidade de Deus e que Deus não tolera que nenhum pecado fique sem retribuição, sem penalidade. Todo pecado precisa ter a sua penalidade. Não tem nenhum pecado do mundo e de nenhuma pessoa que Deus não seja compensado, retribuído pelo atentado à Sua santidade. O que acontece com esse pecado é que ele será pago de uma forma pessoal, ou seja, aqueles que não são salvos vão pagar os seus pecados de uma forma pessoal; ou que esse pecado já foi pago de forma vicária, isto é, alguém pagou no lugar; ou seja, nenhum pecado vai ficar sem punição. Nós não estamos sendo penalizados porque Alguém pagou. Deus anulou os nossos pecados porque Alguém pagou por eles. Sem pagamento não tem negociação. Até os que estão para nascer, dos que estão predestinados à salvação, o preço já está pago por Jesus, pois Deus sabe a quantidade de pessoas e de pecados também.

A justiça remunerativa não deixa de ser uma recompensa, mas é uma recompensa com um caráter, no mínimo curioso, porque nós somos premiados por alguma coisa da qual não temos nenhum mérito. Mesmo quando Deus nos premia por cumprirmos a Sua vontade, Ele o faz por Sua graça porque não estamos fazendo nada mais do que a nossa obrigação. Deus nos recompensa não só por causa da Sua graça (lembrando que graça é um favor imerecido), mas também porque Ele prometeu e Ele não volta atrás nas Suas promessas.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.

Tudo o que recebemos de bom vem de Deus, de Deus que não muda as Suas promessas.

Filipenses 2:6-8 – Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a Si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo de humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Veja que interessante, nós escapamos da ira de Deus porque Alguém, que não merecia nada da ira de Deus, recebeu essa ira sobre Ele. Imaginem a quantidade dessa ira! Toda essa ira acumulada só poderia ser paga por alguém que não tivesse dívida; alguém que não tivesse nenhuma dívida pessoal. E mais, ele teria que ser semelhante a nós; se não fosse semelhante a nós a ira não estaria se manifestando sobre os homens.

Então, a justiça remunerativa é condicional, é imerecida e ela vem do pacto. Deus sempre vai ser fiel à Sua promessa. Ele recompensa porque Ele prometeu recompensar. Porque Ele resolveu recompensar mesmo que seja o fato de não estarmos fazendo nada mais do que a nossa obrigação, só Deus sabe! Deus fez um pacto, fez uma promessa.

1º Crônicas 29.14 e 16 – Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas?Senhor, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para Te edificar uma casa ao Teu santo nome vem da Tua mão e é toda Tua.

Davi, quando recebe todas essas doações para construção do templo, reconhece que nada estamos dando, tudo vem das mãos de Deus, que prometeu dar essas coisas para o povo obediente, apesar de não ser merecido, mas porque Deus prometeu.

Romanos 6.23 – Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A única coisa que teríamos como merecimento é o salário. A própria Bíblia diz que o salário nada mais é do que obrigação do patrão com o seu empregado. O único salário que temos direito é a morte. A morte é separação eterna de Deus. A nossa morte física é por causa do pecado. A alma de todas as pessoas é imortal. Os que se perdem vão para o sofrimento eterno. Nada adianta uma pessoa dizer: “não vou para o céu, mas também não vou para o inferno; vou para lugar nenhum”, porque não é assim. A alma do perdido vai viver eternamente, sofrendo eternamente. Nós, os salvos, vamos para a felicidade eterna junto a Deus.

Efésios 1.11-14 – Nele, segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade, a fim de sermos para o louvor da Sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em Quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, tendo n’Ele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o Qual, é o penhor da nossa herança, até o resgate da Sua propriedade, em louvor da Sua glória.

Nós somos feitos herdeiros. Não éramos filhos, mas fomos adotados como filhos e fomos feitos herdeiros para herdarmos a participação no Reino, não somos herdeiros para ficarmos ricos aqui na terra, como alguns acreditam. Há muitos que acreditam na Teologia da Prosperidade que diz: “já que sou herdeiro, me dá a minha parte agora em dinheiro e vou gozar a vida”. Aí onde entra a retribuição. Aí diz que ninguém vai ficar sem a aplicação das penalidades, e é aí, justamente na aplicação das penalidades que vai se manifestar a ira de Deus.

Atos 28:4 – Quando os bárbaros viram a víbora pendente da mão dele (Paulo), disseram uns aos outros: Certamente, este homem é assassino, porque, salvo do mar, a Justiça não o deixa viver.

Paulo, em viagem para ser julgado em Roma, no meio do caminho o navio naufraga; depois todos se salvarem de um naufrágio, estão se aquecendo perto de um foguinho, Paulo vai ajudar a pegar madeira para alimentar o fogo, e pega uma serpente. Veja a reação dos bárbaros! Ele dizem: “o homem se salvou do naufrágio e agora tem uma cobra pendurada em sua mão”. Ou seja, até os ímpios reconhecem a justiça de Deus, mesmo aqueles que não conhecem a Lei dizem que existe um Deus que condena aqueles que fazem coisas erradas.

Romanos 1.32 – Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.

Paulo está dizendo aos romanos que os judeus não têm desculpa, porque eles conheciam a lei.

Romanos 2.8 – mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.

Agora Paulo está falando que também os gentios não têm desculpa porque agora Deus se manifesta em todas as coisas e também devem saber que existe castigo tanto para os que não conhecem a lei como para o que a conhecem a lei.

Romanos 12.19 – Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

Quando diz “daí lugar à ira”, não está se referindo à nossa ira, mas à ira de Deus, porque é a Ele que pertence a vingança. Os ímpios também são indesculpáveis, quem pode aplicar a ira é Deus e só Deus.

2ª Tessalonicenses 1.6-9 – Se, de fato, é justo para com Deus que Ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do Seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do Seu poder.

A Deus pertence a vingança e a manifestação definitiva da vingança de Deus é só na volta de Cristo. Temos de querer que Jesus volte logo para o nosso bem e não para o mal dos outros. O Apocalipse registra aquele clamor “até quando, Senhor, até quando?” e a resposta é “até que Jesus venha”. Alguns vão ser punidos de outra forma anteriormente, sim, mas a manifestação final é só na volta de Jesus. Aí Ele vai manifestar a Sua ira.

Hebreus 10.26 a 31 – Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas, quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o Seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

O autor está dizendo que em vários lugares da Bíblia está escrito que a vingança acontecerá, que o julgamento acontecerá desde lá de trás, desde Moisés. Uma coisa que precisamos é parar de ter vergonha da ira de Deus. Gostamos de falar que Deus é amor. Houve tempo que alguns pregadores só falavam da ira de Deus, e aconteceu que passamos para o lado oposto, só falando do amor de Deus, tendo vergonha de dizer às pessoas que elas estão indo para o inferno. Deus está dizendo que o pecado vai ser punido. E não é nada bom cair nas mãos do Deus Vivo, quando você tem dívida de pecado e que vai cair sobre você. Depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade significa que apesar de eu já ter contato com a verdade, eu a nego e continuo vivendo em pecado de-li-be-ra-da-men-te. Deliberadamente é “com a intenção de”, “com vontade”, “faço porque gosto”. Como crentes devemos dizer como Paulo: “não consigo deixar de pecar, mas não é por intenção; gostaria de não pecar”. Aquele que é transformado deve permanentemente se incomodar com o pecado e não ter prazer no pecado. Aqueles que conheceram a verdade e mesmo assim não se sentem incomodados por essa verdade. Ninguém, mesmo salvo, deixa de pecar, mas se sente incomodado pelo pecado. Mas aquele que rejeita a verdade tem prazer no pecado. Se fizermos algum mal intencionalmente e não ter nenhum arrependimento, nenhum incômodo por isso, é porque alguma coisa ainda não mudou lá dentro. Temos nossas fraquezas, mas lutamos contra elas; elas não nos dão prazer, nem há intenção. Se o mal que você pratica não a incomodar, então você está perdido mesmo. A ira de Deus de um modo horrível se manifestará contra os que têm prazer no pecado. A ira de Deus se manifestou contra nós de um modo horrível também, só que, pela graça de Deus, ela não recaiu sobre nós, mas sobre Alguém, sobre Jesus. Sentir vergonha de afirmar que Deus é Deus de justiça e de ira é ser conivente com o pecado. E também acontece o contrário, temos sido politicamente corretos com aquilo que a sociedade muda permanentemente, e passamos a tolerar como aceitável; estamos sendo coniventes, ou seja, o pecado é nosso também.

Deus é amor, mas também é justiça, Deus é também ira, faz parte da essência d’Ele. Se Deus não manifestasse essa ira, Ele estaria sendo conivente com o pecado. O nosso objeto de pregação é o pecador e não o pecado, porque queremos que o pecador se converta. Levamos a mensagem de Deus para que ele se arrependa, o que não significa que eu concorde com o seu pecado. Não podemos tolerar o pecado, mas tentar resgatar o pecador. A nossa obrigação é levar a palavra de arrependimento e de salvação. Se ele vai se arrepender ou ser salvo é outra história; deixa de ser minha responsabilidade. A Bíblia diz que todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão, o fato de desconhecer a lei não justifica; e os que com lei pecaram mediante lei serão julgados. Haverá diferença de sofrimento para os que se perdem. Nenhum se justifica de um lado nem do outro, nem os que conhecem e nem deixam de conhecer a lei, porque o homem não pode negar a sua natureza moral e a natureza moral de Deus. Vemos em outros textos que mesmo os que não reconheciam a Deus como único Deus, sabiam que aquilo era uma coisa errada, ou seja, tinham conhecimento de que aquilo que faziam era errado. O homem natural quando mata, rouba, adultera, ele sabe que está fazendo uma coisa errada, por isso eles não têm justificativa. Ele pode não saber onde está escrito, mas ele sabe que está fazendo uma coisa errada. Às vezes, concordamos com alguns, que a ira de Deus é injusta! Como pode ser isso?

Romanos 3.5-6 – Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a Sua ira? (Falo como homem). Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo?

A Carta aos Romanos é um compêndio da Teologia Sistemática. Deus nunca é injusto. Ele aplica a Sua ira exercendo Sua justiça. A justiça tem haver com a Santidade de Deus. Deus aplica a ira porque Ele é santo. Se Deus fosse pecador não precisaria aplicar a ira, porque Ele toleraria o pecado dos outros. Deus não tolera pecado porque Ele é santo. Sendo santo Ele cobra a ofensa a Sua santidade.

Romanos 9.22 – Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a Sua ira e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muito longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição...

Deus tem paciência com os vasos de ira, mas eles são preparados para a perdição.

24 de Agosto de 2008

Então, a Justiça Distributiva de Deus é aquela que remunera o bem e retribui o mal. Sabemos, que por merecimento não temos direito a remuneração nenhuma, mas, mesmo assim, Deus, através do Seu pacto nos propõe remuneração. Como Deus não volta atrás naquilo que Ele promete, distribui essa remuneração. Deus também retribui o mal que é feito, porque todo o pecado atenta contra a santidade de Deus. Deus sendo santo, em hipótese alguma, pode tolerar qualquer pecado. Se Deus tolerasse qualquer pecado estaria deixando de ser Santo. Não existe pecado melhor ou pior. Todo pecado é passível de punição. Estas são as características da Justiça Retributiva, também chamada de ira de Deus.

A primeira característica da ira de Deus, é que ela é necessária. A justiça está na essência de Deus, então, ela é principalmente necessária a própria pessoa de Deus, porque é ela que dará compensação pelo atentado que cometemos contra a santidade de Deus. Havendo pecado é obrigatoriamente necessário que haja retribuição, ou seja, a ira de Deus não é algo que Deus queira ou não, ela não é opcional de Deus, ela é essencial de Deus.

Hebreus 1.13 – Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os Teus inimigos por estrado dos Teus pés?

Deus vai colocar os inimigos por estrado dos pés, isto é, sobre tudo o que Ele está.

Gênesis 18.25 – Longe de Ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?

Deus é o Juiz de toda a terra. Deus nunca poderia perdoar todos os homens porque a justiça está no Seu ser, na Sua essência. A ira de Deus sempre se manifesta. Ela vai se manifestar diretamente ao pecador, ou ela se manifesta vicariamente, mas nenhum pecado deixa de ser pago.

Além de necessária, a ira de Deus é eqüitativa, ela se manifesta contra todas as pessoas sem exceção. Todos pecaram, todos são objetos da ira. E isso é importante, porque ela vai manifestar de uma forma pessoal ou de uma forma vicária. Nós fomos perdoados, nós fomos justificados, não porque Deus resolveu simplesmente apagar os nossos pecados, mas porque Alguém pagou a conta. Deus usou o Seu Filho para o pagamento dessa dívida, mas o pecado não ficou sem retribuição. Deus odeia o pecado, não o pecador. Se Deus odiasse o pecador nenhum de nós estaríamos salvos. Deus odeia o pecado e este precisa de compensação, de retribuição, e para isso precisa de um substituto, que precisa ter uma natureza humana. Se Ele não tivesse uma natureza humana não poderia servir de compensação pelos pecados do homem. Para ser substituto do ser humano Jesus Cristo precisava ser humano. Isto é fundamental, porque se negar que Jesus tinha natureza humana, nega todo o Seu sofrimento; negando o Seu sofrimento, nenhum pecado foi pago; se nenhum pecado foi pago, estamos todos condenados, perdidos.

Hebreus 12.28-29 – Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Nós temos de temer a Deus. Não temos de temer o castigo, porque já foi pago. Isto não significa que Deus não tenha de nos corrigir; mas essa disciplina é para correção. A compensação pelo nosso pecado já foi paga por Cristo e só por Cristo. Não há penitência que Deus pudesse dar que fosse suficiente para compensar o atentado que fizemos contra a santidade de Deus. Quando Deus nos repreende não estamos pagando pecado. Não. Deus está chamando a nossa atenção, pois estamos desviando dos Seus caminhos; Deus está nos exortando a seguir o caminho da santificação.

1ª Tessalonicenses 1.10 – E para aguardardes do céu o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Para aguardar Jesus que nos livra da ira vindoura. Nós não vamos receber pessoalmente a ira porque Alguém nos livrou dela.

A ira de Deus é necessária, é eqüitativa, a manifestação dela é terrível para os ímpios e gloriosa para nós. Ela é ao mesmo tempo terrível e gloriosa. Depende do lado que estamos.

Filipenses 2.10-11 – Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.

Nós estaremos lá para compartilhar dessa glória. Glória que não é nossa, é do Senhor Jesus, mas nós iremos participar dela. Aí será a manifestação final da ira de Deus e que nós estaremos com Cristo.

Hebreus 10.30-31 – Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o Seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.

Apocalipse 6.15-17 – Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles e quem é que pode suster-se?

Os homens estão dizendo assim: Por favor, montes, desabem sobre nós, porque é melhor desabarem do que estar sob a ira do Cordeiro. Deus é Triúno, portanto a manifestação é sempre dos três, porque são um só Deus. Temos de dar o valor real para o sacrifício de Cristo, porque Deus não está dando uma ira pior para os ímpios e melhor para nós. A ira que Deus distribuiu é a mesma, só que ela não caiu sobre nós, mas sobre Cristo Jesus. O Senhor Jesus recebeu sobre Si toda a ira que teria caído sobre nós, se não tivéssemos sido escolhidos por Deus.

Qual a diferença entre ira de Deus e o ódio de Deus? Um dos atributos de Deus é a eternidade. Deus é eterno desde sempre e para sempre. Todos os atributos de Deus, portanto, são eternos. A ira de Deus também é desde sempre e para sempre. A manifestação da ira de Deus, não. Ela ocorre no tempo, porque a manifestação da ira de Deus só começa acontecer depois que surgiu o pecado. A manifestação da ira é só quando alguém atenta contra a Sua santidade. A ira de Deus estava latente, estava pronta, ela não nasceu com o pecado. Como atributo de Deus ela existe desde sempre e para sempre. Vimos que a ira é eqüitativa. Vimos também que o ódio de Deus é direcionado para o pecado. A ira de Deus é um ato judicial, ela se manifesta a todos os pecadores. Ela se manifesta a todos os pecadores, porque todos pecaram. Mas, para alguns, Deus providenciou o Substituto. Deus providenciou o Substituto para aqueles a quem Ele amou, os quais separou desde antes da fundação do mundo.

A diferença fundamental entre a ira e o ódio de Deus, é que a ira de Deus vai se manifestar contra todo pecado. Essa execução da ira se manifesta contra todo o pecado, mas ela só vai acontecer de uma forma pessoal para aqueles que Ele não escolheu em amor. Deus odeia o pecado, mas a manifestação do ódio pessoal vai acontecer contra aqueles que não foram salvos. É um ato eletivo, é uma escolha de Deus. A Bíblia não diz qual o critério usado por Deus para essa escolha. Para aqueles que Ele não escolheu a ira se manifestará.

Romanos 9.11-13 – E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.

Por que Deus amou Jacó e se aborreceu de Esaú? Não foi por obras, porque eles não eram nem nascidos. O que Deus faz com aqueles que Ele não prefere? Deixa viver de acordo com a sua própria natureza, natureza essa pecaminosa. Quando a Bíblia diz que “os entregou”, está dizendo que Deus deixou que vivessem de acordo com a sua natureza pecaminosa. Quando nos transforma, é porque Deus está fazendo uma intervenção em nossa natureza.

Àqueles que Deus escolheu, Ele ama, e para esses Ele manifestará os Seus atributos. O primeiro deles é o amor, que Ele manifesta através da Sua misericórdia, quando Ele não nos dá o que merecemos: o castigo.

Deus amou o mundo, isto é, pessoas de todas as raças e nações. Deus não vai salvar todo mundo, mas todo aquele que n’Ele crê. A fé vem de Deus e ela vem somente para aqueles que Ele dá. Pela graça somos salvos através da fé. A ira é essencial a Deus e é distribuída sobre os que se perdem. A misericórdia também é essencial a Deus, mas é distribuída para os que são salvos. O objeto da ira de Deus não é o mesmo objeto da misericórdia divina.

Tiago 2.13 – Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.

O juízo final de Deus não é para todo mundo, assim como a graça de Deus não é para todo mundo. Precisamos ter mais convicção disso; devemos dar mais valor para isso. Todos os dias devemos agradecer a Deus porque somos objetos da Sua misericórdia e da Sua graça. Deus não tem nenhuma obrigação essencial, na pessoa de Deus, de mostrar amor. Ele tem amor, mas não tem nenhuma obrigação de mostrar esse amor. Agora, Deus tem obrigação de mostrar a ira, porque a ira é necessária, porque a ira responde ao atentado do pecado contra a santidade de Deus.

Romanos 12.19 – Não vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

No momento em que nos vingamos estamos cometendo pecado; porque a vingança não é nossa, mas temos de dar lugar à ira de Deus. Deixemos que Deus se vingue, porque d’Ele é a vingança. Ele é o proprietário desse instrumento. Temos lutar contra a injustiça, mas isso não significa que vamos nos vingar pessoalmente. Para isso existe os instrumentos de justiça colocados por Deus. A Bíblia diz que toda autoridade,todo o governo é colocado por Deus, para o bem ou para o mal. Sabemos que a justiça humana não será suficiente e nem competente para, efetivamente, aplicar essas coisas.

Tiago 1.20 – Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

Por que? Porque estamos contaminados pelo pecado. Alguém comete um homicídio e cumpre a pena de 30 anos de prisão. Isso produz a justiça de Deus? Isto produz uma reparação social que nós estabelecemos. Esse alguém vai para o inferno? Não sabemos. Depende de Deus.

A ira de Deus existe em manifestações parciais, ou seja, Deus não deixa de nos dar gotas de ira e de vingança espalhadas pela história; mas o Dia da Ira, o dia da manifestação final da ira é o Dia Final.

Coré, Data e Abirão se revoltaram contra a autoridade de Moisés perguntando: “Por que só vocês falam com Deus? Que privilégio é esse? Só vocês têm direito de falar com Deus? Queremos ter o mesmo direito”. Moisés ou Arão fizeram alguma coisa? Não. Deus mesmo manifestou a Sua ira e eles foram tragados pela terra. Há vários casos da manifestação do juízo de Deus! Sodoma e Gomorra; o Dilúvio são manifestações da ira de Deus, mas nenhuma é a manifestação final. O dilúvio foi a maior narrada pela Bíblia, pois acabou com todos, menos com uma família. Na manifestação final da ira de Deus, como já vimos em Romanos, Tessalonicenses e Apocalipse, é quando Deus vai definitivamente separar.

Jesus e do Dia da Ira

Hebreus 7.22 – Por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.

Jesus é o Fiador. Quem é o fiador num contrato de aluguel? É o que assume a dívida, uma dívida que não é dele.

Colossenses 2.14 – Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz;

E o que acontece com Jesus? Jesus tornou-se nosso Fiador, Fiador fiel que pagou a nossa dívida.

Isaías 53.5 – Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados.

Jesus foi a pessoa que recebeu todos os nossos pecados. Jesus foi recebedor da ira de Deus, por nossa causa. Ele foi alvo da ira de Deus, porque a ira de Deus necessariamente precisa se manifestar. Jesus não é só recebedor da ira de Deus.

Romanos 5.9 – Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo Seu sangue, seremos por Ele salvos da ira.

Justificados pelo sangue de Jesus, nós somos salvos da ira. Não quer a ira não serve para nós, mas somos salvos da ira.

1ª Tessalonicenses 1.10 – e para aguardardes do céu o Seu Filho, a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

Jesus é recebedor da ira, mas, para nós, Ele é Salvador. Ele nos salva de receber a ira de Deus, a ira final.

Atos 17.31 – Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-O dentre os mortos.

Deus vai julgar o mundo através de Jesus Cristo. O varão que Deus ressuscitou dentre os mortos é Jesus.

João 5.27 – E Lhe deu autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem.

Deus deu autoridade para Jesus seja o Juiz.

Mateus 28.18 – Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

Recebeu autoridade para qualquer coisa. Quando fala toda autoridade, é toda mesmo.

Apocalipse 6.19 – Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?

Essa é a pergunta que nós sempre fazemos, não é? Porque esse julgamento, esse Aplicador da ira é quem recebeu a autoridade para fazer justiça.

Nós não somos objetos da ira de Deus. Deus nos repreende para nos dirigir, nunca para pagar pecados. A ira de Deus se manifesta para as pessoas pagarem o pecado que cometeram. No tempo de Noé foi aplicada. Quando puniu Davi foi uma repreensão para correção e não punição pelos pecados. Não é verdade o que diz: “aqui se faz aqui se paga”. A disciplina de Deus é para aqueles que Ele ama. Deus repreende aos Seus filhos a quem Ele ama. A manifestação da ira, isto é, pagar pelo pecado, ou vai pagar no inferno os que não forem salvos, ou Cristo pagou por nós, porque o resgate do pecado só pode ser pago pelo sangue de Jesus.


A Justiça de Deus– Aula ministrada na Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em 10 de Agosto de 2008

Transcrição da Missionária Heloísa Martoni

Bibliografia usada na preparação da aula:

As Institutas – João Calvino
Criação e Consumação – Gerard von Groningen
O ser de Deus – Rev Héber Carlos de Campos
Razão da Esperança – Rev Leandro Antonio de Lima
Teologia Concisa – J.I.Parker
Teologia Sistemática* – Charles Hodge – Ed Hagnos
Teologia Sistemática – Louis Berkhof
(exceto mencionado* todos da Cultura Cristã/CEP)


As citações Bíblicas são da tradução de Almeida - revista e atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil

Um comentário:

Regis Ilha disse...

O pecado é pago ou perdoado? Se a Justiça de Deus é retributiva, cada pecado deve ser pago na Pessoa de Jesus, mas se é pago, é pago e não precisa perdão. Porque Deus ainda perdoa pecado pago? Se eu ou alguém pagou por mim, nada mais resta. Não preciso de perdão, mas de Justiça. Foi pago, estou livre, não existe mais o pecado. Mas sabemos que a Justiça de Deus não é assim. Ele PERDOA pecados. Como conciliar isto? Cristo pagou a Ofensa do pecado, o dano do pecado, restaurou ao Pai a dignidade de seu Governo. Assim Deus pode livremente PERDOAR pecados não pagos. Se foram pagas não há como perdoar, só declarar justo; mas se existem pecados a perdoar e existem, então a obra de Cristo, Seu Ato de Justiça, proporcionou ao Pai realizar o perdão sem colocar em risco a santidade e a seriedade do pecado perdoado. Ele perdoa pecados, livremente, por seu próprio poder, mas é afiançado pelo Filho, que reparou toda a ofensa, não PERDOA levianamente, mas pelo grande ato de justiça do Filho, derrama seu amor sobre os homens, DEIXANDO IMPUNES os pecados antes cometidos. Se ficam impunes, não foram pagos, mas perdoados. O que o irmão pensa sobre isto? Me preocupo em manter o poder de Deus EM PERDOAR O PECADO, sendo justo e justificador daquela que tem fé em Jesus.