quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Somos motivo de gratidão?

Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós... Fp 1:3


É comum na estrutura das cartas escritas por Paulo um momento de ação de graças logo depois da sua apresentação e saudação. Isso só não ocorre na carta aos Gálatas (ele devia estar tão bravo com as besteiras que aconteciam por lá que, ao invés de ação de graças, vai direto para a bronca : passaram tão rápido do seu primeiro amor...), mas esse é um tema para escrever outra hora.

Quando escreve à igreja de Filipos Paulo se derrete em elogios. Quando isso acontece é bom prestarmos atenção para ver se a nossa igreja segue esse mesmo modelo.Como qualquer igreja, a dos filipenses não era perfeita - encontramos várias correções doutrinárias e recomendações na carta - mas era lembrada com alegria pelo apóstolo.

Existem vários motivos para agradecer a Deus pela vida dessa igreja, mas um deles é destacado : a comunhão de todos os crentes em Cristo. O que era essa comunhão tão modelar ?

a) É uma comunhão de graça. Não é algo natural ou social. Muito mais do que amizades ou encontros de amigos de clube, é algo que não existiria e que, na verdade, nem mereceríamos. É uma comunhão gerada soberana e espiritualmente por Deus, desde a eternidade, que leva cada um dos crentes a ser atraído por uma grande imã que é Jesus Cristo. Comunhão de pessoas que foram chamadas, redimidas, justificadas e santificadas gratuitamente. Ninguém pode ter essa comunhão senão a comunidade dos salvos.

b) Consequentemente, é uma comunhão de . Essa recebida pela graça e que nos faz crer em um só caminho para a salvação. Um fé que comemora a morte e ressurreição de Cristo e espera a Sua volta em glória.

c) É uma comunhão de oração e de ação de graças, expressões práticas dessa fé e dessa alegria. Oram uns pelos outros e agradecem por tudo ao único Senhor de todas as coisas.

d) É uma comunhão de uns com os outros em amor mútuo. Igreja em que os irmãos não amam sinceramente uns aos outros não tem essa comunhão mútua. Se não tem a comunhão entre os irmãos (a quem vemos), certamente é porque não há comunhão com Deus (que não vemos).

e) É uma comunhão de ajuda mútua, que socorre a necessidade de todos. Ninguém deixa alguém que ama passar por dificuldades. É a manifestação concreta do amor mútuo. Paulo conheceu de fato a manifestação dessa ajuda. Os membros da igreja de Filipos ajudavam uns aos outros que estavam próximos e também os missionários em terras distantes.

f) É uma comunhão que trabalha pelo progresso do evangelho. É uma cooperação ativa e constante a irmãos que estão trabalhando na obra de Deus.

g) É uma comunhão da separação. Por mais que essas palavras pareçam contrastantes, a koinonia é uma comunhão que vive em contraste com o mundo. Não se adapta às circunstâncias terrenas, não adota as práticas, os propósitos, os objetivos e as palavras daqueles que se perdem. A luz não se mistura com as trevas.

h) Por fim, é uma comunhão de luta. Numa igreja que vive em comunhão, os crentes lutam juntos contra o inimigo comum que é o pecado.

Nem sempre temos a coragem de passar a nossa igreja pelo crivo dessas qualidades da comunhão, provavelmente porque já sabemos que falharemos em um ou mais pontos. Mas precisamos fazer isso constantemente.

Senão corremos o risco de achar que comunhão é só participar da ceia ou encontrar rapidamente as pessoas no domingo.

Um comentário:

Juber Donizete Gonçalves disse...

Fábio,

Bonito texto sobre a verdadeira koinonia cristã. É preciso viver isso, como a igreja primitiva o fazia.

Graça e Paz.