segunda-feira, 19 de maio de 2008

Os melões do Egito

Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. Nm 11:5

Eu gosto de comer (basta reparar no meu tamanho) e de cozinhar (se você der uma passeada pelo Mens Insana, meu blog de generalidades, vai encontrar várias receitas).

Eu nunca fui ao Egito, nem em algum restaurante egípcio mas, se algum dia tiver essa oportunidade, eu já sei quais serão os pratos que eu vou pedir : salada de pepinos, peixe com alho porró e, especialmente, melões de sobremesa. Eu sempre quis saber que gosto têm os melões do Egito.

Pense junto comigo. O povo de Israel tinha sido liberto da escravidão e dos trabalhos forçados. Testemunhara maravilhas que Deus operara na vida deles, incluindo a fabulosa travessia a seco pelo mar Vermelho e, para completar, estava a pouco dias de viagem da Terra Prometida (ainda não tinha sido condenado a passar 40 anos no deserto) e, no caminho, eram literalmente alimentados com o pão do céu. Poderia estar numa situação melhor ? Tinha do que reclamar ?

Mas reclamava. Ou, pelo menos, alguns grupinhos reclamavam daquela "porcaria" do maná que tinham de comer todos os dias e, nesses momentos tinham saudades da comida da escravidão. Tinham a pachorra de dizer que comiam de graça. Lembro quando fui para a Inglaterra, em 1976, com um grupo da Cultura Inglesa. Alguns jovens que estavam comigo ao invés de aproveitar a oportunidade de conhecer um novo mundo, estavam mais preocupados com as saudades que tinham do feijão.

Isso sempre me faz lembrar alguns pseudo-cristãos que vivem, como a mulher de Lot, olhando para trás com saudades do tempo de escravidão. Jogadores de futebol que se dizem convertidos, mas na hora do jogo dão pontapés, xingam o juiz e gritam palavrões, afinal, jogo é jogo. Músicos ditos "de Cristo" , mas que não converteram seus ouvidos. Também existem os avarentos "de Cristo", que não converteram os seus bolsos e os torcedores "de Cristo" que não podem perder um jogo por causa de coisas menores como cultos. Um dia ainda vão ouvir desse mesmo Cristo : nunca vos conheci !

Os convertidos de verdade (conversão é, literalmente, mudança de direção) foram salvos da escravidão do pecado, testemunham a presença de Deus nas suas vidas e, em pouco tempo, estarão na Terra Prometida. Podem ter saudades dos melões do Egito ? Conversão implica em arrependimento sincero, tristeza pelo que fazíamos no passado. É vida nova, mudança - se não houve mudança, algo está errado. É alegrar-se sempre com os dons de Deus, o maior deles, a salvação.

De qual maná você anda cansado ? Desse hábito chato de ler a Bíblia ? De ter de acordar cedo para ir à escola dominical ? De encontrar aqueles velhos implicantes ou aqueles jovens rebeldes que freqüentam a sua Igreja ?

Quando isso acontece é hora de você examinar o seu coração e escolher entre a Terra Prometida com Deus ou o prazer momentâneo das codornizes (depois leia todo o capítulo 11 de Números, caso você não lembre quais as consequências disso) - e descobrir que o maná é muito mais saboroso que qualquer melão.

2 comentários:

Lou Mello disse...

Pessoalmente, implico com o futuro e não com o passado. Os caras novos estragaram a maioria das coisas com os olhos voltados para a Igreja-mercado. Mas gostava de estudar a Bíblia e de um bom sermão. A música era legal, também, já que ocupava uma parte pequena nos cultos, independentemente agradar ao Deus dos Antigos ou ao Deus dos moderninhos.

Fábio Adiron disse...

Lou : a vida seria mais fácil se as pessoas não a complicassem...pela simpleificação, pela simplificação