segunda-feira, 12 de maio de 2008

Que família, hein ?!


Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão - Mateus 1:1


Ontem escrevendo sobre um outro assunto no Mens Insana me veio à mente a expressão "ser de boa família". Esse termo costuma se referir a pessoas que vêm de famílias que consideramos mais nobres, não obrigatoriamente no sentido clássico da nobreza real, mas naquele que consideramos que seja mais elevado aos nossos valores.

Alguns acham que boa família é só aquela que é estruturada de acordo com os padrões clássicos. Outros que é a família tradicionalmente de "crentes". Muitos, com um pouco menos de exigências, consideram uma boa família qualquer uma que não tenha manchas significativas na sua história. Você pode até achar que isso é uma postura preconceituosa mas, na hora que vê seu filho ou filha namorando alguém, certamente faz essa relação e pensa na genealogia do possível cônjuge que pode ser agregado à sua própria família.

Quando olhamos para a genealogia de Jesus, relatada nos primeiros versículos de Mateus, imaginamos que a natureza humana do Redentor só poderia vir daquilo que fosse a nata do povo de Israel. Ah, você não gosta de ler as genealogias que estão na Bíblia ? Acha que aquelas listas de nomes são muito chatas ? Proponho então que preste mais atenção nelas afinal tudo que foi escrito o foi para o nosso ensino.

Lá você vai descobrir que Jesus é descendente de homens mentirosos (Abrãao, Jacó), assassinos (Davi, Uzias) e idólatras (Salomão, Manassés). O que mais me impressiona, no entanto, é que apenas quatro mulheres são citadas nesse relação e, definitivamente, não são aquelas que nós colocaríamos na nossa lista de mulheres exemplares - as quatro são mulheres de reputação duvidosa.

A primeira é Tamar, mulher que se finge de prostituta para ter relações sexuais com o seu sogro. Depois Raabe que, além de não ser judia, era uma prostituta profissional. Na sequência temos Rute, uma estrangeira (gentia), natural de um povo que sempre foi um dos maiores inimigos de Israel e que usa de um estratagema enganoso para seduzir Boaz. Por fim Bate Seba, a mulher que adulterou com Davi (e não me digam que nesse caso o pecado foi só do rei).

A essa altura você deve estar pensando que essa genealogia é quase um caderno policial da imprensa marrom e não um pedaço daquela que é a nossa única regra de fé e de prática. O que será que podemos aprender com tanta "sujeira" ?

A primeira lição é lembrar que Cristo, o descendente dessas pessoas, veio para salvar pecadores - como você e eu , e como essas mulheres. É a demonstração inequívoca da Graça de Deus por homens e mulheres perdidos. Mostra que as escohas de Deus nada tem a ver com os nossos méritos, nem seguem valores que nos pareçam lógicos. Que a chamada do Espírito Santo atinge quem o Pai escolheu soberanamente - e não de acordo com a nossa justiça.

A segunda lição é que Cristo não veio para salvar apenas pessoas de um povo, raça ou nação. A família da fé não é formada por pessoas de grupos exclusivos, ela se constitui de gente de todos os cantos, cores e tribos.

Finalmente, não podemos esquecer que a nossa genealogia e nossa filiação não são segundo a carne. Somo gerados, nessa nova árvore genealógica, no nosso novo nascimento espiritual e, aí sim, passamos a ser filhos de Deus. Uma nova vida que nunca será perdida.

Um comentário:

Rodrigo Luiz disse...

É verdade Fabião...
E ver que muitos crentes ainda estão vivendo um falso moralismo (sei lá, pra mim moralismo já não me soa bem) me faz sentir vontando a esteca zero, onde perde-se aquele primeiro amor, em que todos são bons e não há defeito em ninguém...e entra-se num senso ridículo de realidade, onde tudo o que pensa-se ser de "boa raíz" é o que esconde o fruto mais podre (ops...fruto não..."obra" da carne).
Cresci com uma irmã que foi meu pai e minha mãe em muitos momentos e aprendi que a presença de Deus em "alguém" da família pode fazer toda a diferença na "estrutura familiar"...
Como diz um "amigo meu":

Favela é Rei !!!