sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Liberais e conservadores

Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 1 Co 10:23

Conversando outro dia com uma amiga de igreja eu comentava que nos meus tempos de mocidade eu era visto como um bicho meio estranho (não que tenha deixado de ser). Eu era considerado um liberal pela turma conservadora e, a turma que se dizia liberal me achava conservador demais.

Como não gosto de rótulos nunca me denominei um liberal-conservador, tão pouco um conservador liberal, até porque, além de não definirem nada são oxímoros.

Alguns líderes religiosos, de tempos em tempos, resolvem se promover com discursos liberais que afrontam suas (assim declaradas) convicções religiosas. Alguns para conquistar adeptos para suas seitas, outros, por pura vaidade de aparecer na mídia.

E quando são entrevistados ainda tem a cara-de-pau de dizer que aquelas são opiniões pessoais e não representam o pensamento da sua organização religiosa. Como é que eles conseguem ter essa vida dupla eu, até hoje, não consegui compreender.

O que é ser liberal ? Ser conservador é exatamente o oposto disso ? Os crentes devem ser liberais ou conservadores ?

A palavra liberal tem origem num termo que significava "um tecido que se separava facilmente", algo que não se fixava de forma sólida. Com o tempo, passou a designar idéias ou opiniões avançadas (em relação a paradigmas estabelecidos), e também idéias e pessoas que se julgavam livres e tolerantes.

Conservador, por outro lado, são as idéias e pessoas hostis a qualquer inovação, adeptos das tradições. Conservar é evitar a deterioração.

Tanto um termo como o outro são usados indistintamente de forma elogiosa (de um liberal/conservador para seus pares) ou pejorativa (em relação aos oponentes). Sem nenhuma ambiguidade, nós devemos ser conservadores em algumas coisas e podemos ser liberais em outras.

Me explico melhor.

Nós devemos ser radicalmente conservadores nas doutrinas que alicerçam a nossa crença (a Salvação pela graça, só através da Fé no sacrifício de Cristo, nosso único e suficiente intermediário com Deus), no nosso monoteísmo, nas escrituras como única regra de fé e de prática.

Podemos ser liberais no comportamento - até o limite do escândalo do próximo - o amor ao próximo é o que limita a nossa liberdade. A recomendação bíblica é a de sempre se pensar primeiro no interesse do outro.

Podemos ser liberais em idéias sociais, econômicas e políticas - até o limite onde isso não se oponha à Palavra de Deus.

Podemos até ser liberais na forma de culto - até o limite da ordem (1 Co 14:23,33)

Em tudo mais até o limite da edificação e do crescimento espiritual. E sabemos muito bem quando algo não é sensato, quando o que fazemos não é para glória de Deus.

Agindo dessa forma, nunca precisaremos nos preocupar em adotar essa ou aquela postura. E nenhum rótulo conseguirá se colar nas nossas testas.

3 comentários:

Lou Mello disse...

Se você me perguntar agora, como me defino, eu diria que sou um conservador. Mas, por favor, não me rotule. Pretendo continuar fazendo um discurso mais liberal para conseguir mais adeptos.

Mauricio Abreu de Carvalho disse...

Olá Adiron

Concordo contigo, se não formos conservadores em relação aos pressupostos básicos do cristianismo bíblico então não pertencemos a mesma fé. Parece simples não é.

Um abração

Fábio Adiron disse...

Maurício

Obrigado por sua presença...falando de Práxis Cristã, acho que essa pode melhorar muito quando as pessoas se preocuparem mais no que é fundamento e deixarem de lado as picuinhas que não levam a nada

Abraço