segunda-feira, 28 de julho de 2008

Nos passos do apóstolo

"Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?" João 14:5

Dos 12 apóstolos de Jesus alguns se destacaram por fatos positivos, negativos, ou ambos.

Pedro é, certamente o mais conhecido. Intempestivo, passional. É também o que reconhece Jesus como o Messias. De André, seu irmão, pouco sabemos. Tiago e João, outra dupla de irmãos. junto com Pedro, são os que estão presentes em momentos fabulosos como a transfiguração. Mateus, o coletor de imposto, é também um dos evangelistas. Felipe, o que pergunta o que fazer para alimentar a multidão, é também aquele que pede para ver o Pai.

Sobre Bartolomeu, só citado na lista dos 12, Tiago de Alfeu, Tadeu (também nomeado de Tiago e Judas - nome que é descartado depois, pois ficou mal visto) e Simão Zelote pouco sabemos. De Judas Iscariotes ninguém esquece.

Já Tomé, Dídimo, normalmente só é lembrado como o homem a quem faltou fé. Tomé e Dídimo (versão grega do nome) quer dizer gêmeo. Ele aparece três vezes no evangelho de João, mas é o suficiente para aprendermos boas lições com ele (mesmo porque, se não fosse, para que estaria na Bíblia?)

Eu sempre acho que somos precipitados ao julgar Tomé quando ele duvida da ressurreição (Jo 20:29). Será que os demais não duvidariam ? Será que nós não duvidaríamos ? A sua incredulidade foi instrumento de Deus para nos ensinar como funciona a fé - crer no que não vemos. Por outro lado, apesar do momento de dúvida, ele não deixa de mostrar que é conhecedor da soberania de Deus, ao declarar que Cristo é Deus e Senhor.

Tomé também é o homem da ignorância sincera (Jo 14:4-5) e perguntar, afinal das contas, para onde é que Jesus iria. Os demais ficaram quietos, como se soubessem. Ele preferia demonstrar a sua ignorância a correr o risco de ficar sem Cristo e essa vontade era maior do que a vergonha de perguntar diante dos seus companheiros. Quantas vezes temos vergonha de perguntar coisas sobre a Bíblia que nós não entendemos (mas achamos que é feio admitir que não sabemos). Nosso orgulho não tem sido maior que a nossa vontade de conhecer a vontade de Deus ?

Tomé também é aquele que se dispõe a ir com Cristo até a morte (Jo 11:16). Diferentemente de Pedro que não tinha idéia do sofrimento pelo qual Jesus iria passar, Tomé sabia exatamente o que o ameaçava (apedrejamento). Talvez a afirmação tenha sido mais um sinal de lealdade do que de fé madura, mas ele preferiria morrer com Cristo do que viver sem Ele. Sua convivção era tão forte que convenceu os demais discípulos a voltar com Jesus para a Judéia.

E nós ? O que temos feito ?

Não corremos o risco de apedrejamento (pelo menos por enquanto). Mas se corressemos o risco de perder Cristo até onde seríamos capaz de ir ?

Não temos protegido o nosso orgulho ? Será que amamos mais a nossa própria cabeça dura ou a Deus ? Nós sempre vamos ter dúvidas que não podem ficar sem resposta.

Temos titubeado em nossa fé ? Com certeza. Sempre temos de pedir mais fé, o que não podemos perder de vista é quem é o nosso Deus e o nosso Senhor.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Cristianismo, aborto e deficiência

Assim como, no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até o ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição
(I Pe 2:1)

Com pai de uma criança com Síndrome de Down e moderador de um grupo de discussão sobre o assunto eu acompanho diariamente as notícias que surgem sobre o assunto. Há alguns dias fui surpreendido por um artigo no site “Mídia sem máscara” , onde uma articulista católica dava um puxão de orelha num ex-pastor presbiteriano por ele ter recomendado no seu Blog a um missionário que descobrira que seu filho que estava por nascer teria Síndrome de Down, que o mesmo deveria abortar a criança.

Estarrecido, fui buscar o texto original, que me chocou ainda mais que o artigo que eu tinha lido, nele surgem algumas afirmações assustadoras. Como não acredito que ele seja realmente um pastor, aquele que protege suas ovelhas, vou me referir ao mesmo apenas como o “pseudo-pastor”.

A citações são as originais do texto deste senhor.

Pseudo pastor : "Creio que há duas situações nas quais levar uma gravidez desse tipo até o fim é objeto de aceitação, e que pode virar até mesmo em alegria e contentamento. A primeira é quando o casal não sabe e tem o filho com tal deficiência."

Ou seja , a ignorância prévia justifica ter o filho deficiente ? As pessoas que não tem condições financeiras ou culturais para realizar os sofisticados exames de detecção pré-natal seriam obrigadas a aceitar a deficiência do filho como a vontade de Deus, enquanto que aqueles que tem podem fazer prevalecer sua vontade sobre a do Criador ?

Pseudo pastor : "Conheço muitos pais com filhos portadores da “Síndrome de Down” e que reportam o fato de que tais crianças são alegres e felizes, embora criá-las mude toda a vida do casal e da família, sem falar que na adolescência, com o aparecimento dos impulsos sexuais, em geral os portadores da síndrome manifestam intensa energia de natureza sexual, nem sempre fácil para os pais quanto a fazer a gestão de tais impulsos e suas práticas."

Antes de falar essas coisas , o pseudo pastor deveria se informar melhor. Esse é um dos mitos e lendas sobre a SD (o impulso sexual incontrolável). Eles não são diferentes de qualquer adolescente em época de furor hormonal....o comportamento que eles vão ter (assim como de qualquer outro adolescente) vai depender muito da educação que receberam.

Mesmo que fosse verdade, quer dizer que as pessoas que manifestam intensa energia de natureza sexual não deveriam viver ? Quantas pessoas sem nenhuma deficiência se comportam sexualmente de maneira que julgamos inadequada ? Se, nesse caso a medicina desenvolvesse testes pré natais que detectassem essa tendência, provavelmente esse sujeito recomendaria o aborto delas também ?

Pseudo pastor : "No entanto, se o casal foi informado durante a gestação, e se angustia com o que será de suas vidas e da vidinha da criança, a menos que surja uma súbita convicção da parte de Deus no coração, o que deve ser feito é o que vocês fizeram." (o grifo é meu)

E se surgir uma súbita convicção que Deus não quer o filho mesmo sendo "normal" ?? Como surge essa súbita convicção ?? Estamos falando de novas revelações de Deus ?

A revelação de Deus nas escrituras é clara sobre a proteção à vida. Mais do que isso, Deus deixa bem claro durante toda a escritura que ele é Senhor soberano sobre todas as coisas e que nada acontece sem que ele permita. Quando pergunta a Moisés que dizia ser um deficiente (tinha problemas de fala), Deus responde: “Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego?. Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.” (Êxodo 4:10-12)

Nesse momento Deus está assumindo a responsabilidade pela deficiência de Moisés. E Ele diz que fez isso intencionalmente ! Logo, meu filho não é vítima de um “acidente genético”. Deus é o que fez dessa forma. Mas , o mais interessante é que Deus não vê atraso mental, nem cegueira, nem surdez como uma deficiência. Ele não vê nenhum movimento pelo qual o problema de fala de Moisés pudesse impedir que ele fizesse a obra para qual estava sendo chamado. Deus promete não só acompanhá-lo, mas a ensinar o que a sua boca deveria dizer. O sucesso de Moisés na vida não dependia de suas próprias habilidades, mas de Deus que estaria com ele.

Pseudo pastor : "Creio também no Deus que vê o coração, e que não julga como julga o homem, e que sabe com que coração vocês tiveram que fazer isto."

Ainda bem que Deus não julga como o homem... Se julgasse estaríamos todos condenados. Isso não significa que tudo que fazemos de coração está de acordo com a vontade de Deus, pelo contrário, a nossa natureza é pecadora e corrupta e o nosso coração não tem capacidade para decidir pelo bem. A frase é verdadeira, Deus sabe com que coração essas pessoas tomaram essa decisão, com o coração do homem natural.

Pseudo pastor : "Pecado, meu irmão, é ter filhos sem amor, é deixá-los crescer sem afeto, é não educá-los na justiça e na misericórdia, e, sobretudo, é chamá-los à existência sem que se tenha a disposição em amor quanto a cuidar deles; e isso todos os dias da vida que sobre a terra nos for dada viver."

Ou seja, o filho de um estupro é pecado da estuprada ? Os filhos das pessoas que não conhecem meios contraceptivos são resultado do pecado ?

Com essa afirmação também concluo que os filhos que não foram amados pelos pais estão automaticamente excluídos da graça de Deus e, portanto, nunca poderão encontrar a verdadeira felicidade.

Pseudo pastor : "Pecado não é abortar a criança que nasceria sem meios de viver a vida com independência, sendo que tal decisão foi objeto de dor e tristeza (Deus vê) por parte dos pais. Não! Pecado é gerar filhos que existem como abortos vivos no chão da Terra."

Absolutamente intolerável...está chamando os deficientes de abortos vivos ???? Essa semana eu distribuí para os grupos que coordeno uma matéria sobre um paralisado cerebral com grave comprometimento físico...que escreve com a boca...e está no 2o ano da faculdade de jornalismo...isso é um aborto vivo ? Eu preciso apresentar ao pseudo pastor dezenas de pessoas deficientes que levam vidas independentes : cegos que são promotores de justiça, surdos que são professores universitários, tetraplégicos que são gestores públicos importantes, autistas que são grandes músicos, jovens que tem deficiência intelectual que são alunos universitários, bibliotecários, professores de jardim de infância.

Pseudo pastor : "Quanto ao mais, meu querido amigo, cuide bem de sua esposinha, encha-a de amor e carinho, e, tão logo quanto seja possível, busquem juntos ter um outro filho."

Esse não vai ser fruto do pecado....eu imagino...

Pseudo pastor : “O que tanto você quanto a sua esposa precisam saber é que nesta vida, no chão dessa Terra caída, onde nascem aberrações — “cardos e abrolhos”—, ninguém tem a chance de poder fazer o tempo todo apenas as coisas boas e ideais.”

O meu cardo/abrolho está na cozinha ouvindo e cantando músicas de um disco de músicas evangélicas da Igreja Batista da Lagoinha, posso ouví-lo em alta voz cantando “Aos olhos de Deus, você é uma obra prima que Ele planejou com suas próprias mãos...”, depois de passar um dia divertindo-se no parque. Eu o prefiro imensamente mais às rosas artificiais do pseudo pastor.

Não há nada aqui que impeça qualquer pessoa, com ou sem deficiência, de ser bem sucedida diante de Deus. A minha função como pai não é a de preparar os meus filhos (com ou sem deficiência) para ser um membro produtivo da sociedade, mas ensiná-los a respeito da justiça, da bondade e de como caminhar humildemente com Deus.

Os profetas do Antigo Testamento já acusavam os falsos profetas de mentir para o povo e para os reis com o objetivos de agradá-los. Cristo já nos alertava sobre o surgimento de falsos mestres que tentariam nos enredar com suas palavras agradáveis. Eles estão aí ao nosso lado, se intitulam pastores, continuam a distorcer a palavra com o objetivo de agradar aos seus seguidores, relativizam as verdades absolutas de Deus de acordo com os seus interesses, inventam novas revelações de Deus para atingir seus ganhos pessoais.

Fiquemos atentos e alertas. Dediquemo-nos ao estudo da Palavra para que não sejamos enganados pelas palavras falaciosas. E que Deus nos proteja e nos ajude.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Salomão e os dias de hoje

E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo, e dai a metade a uma, e metade a outra.I Reis 3:25

Encontrei a parábola abaixo no "Quer ler ? eu deixo..." o excelente blog da Bel. Nesses tempos que vivemos, onde a vida tem cada vez menos valor, me pareceu bastante adequado.

"Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:

- Doutor, o sr. terá de me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...

E então o médico perguntou :

- Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?

A mulher respondeu :

- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher :

- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.

E então ele completou :

- Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...

A mulher apavorou-se e disse : Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime!

- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la."

Os defensores do aborto têm tentado convencer as pessoas que eles tem bons motivos para cometer seus crimes.

Os argumentos são sempre falaciosos e induzem os incautos a achar que a dita "opção" é o melhor caminho.

Alegam incapacidade de mães para cuidar dos seus filhos (ou porque são adolescentes ou porque já tem muitos filhos), que crianças com deficiência vão ser infelizes e trazer infelicidade para as suas famílias ( eu que o diga, quem conhece meu filho e minha família sabe como nós somos "infelizes", assim como dezenas de outras famílias e pessoas com deficiência com quem eu convivo), que filhos indesejados vão sofrer...

O pior de todos, é o que alega que a mãe deve ter direito sobre o seu corpo, como se nós fossemos os legítimos proprietários de nós mesmos. Mesmo que fossemos, a propriedade seria sobre o nosso corpo, não sobre o outro corpo que foi gerado.

Muitos cristãos têm se deixado levar por esses argumentos, talvez, com isso, se achando mais contextualizados no mundo moderno. Esquecem quem é o Senhor da vida e da providência e, no mínimo, tornam-se coniventes com o crime.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A utilidade de um desertor

Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. II Tm 4:11b

Na sua primeira viagem missionária, além de contar com a experiência e apoio de Barnabé, Paulo também teve a companhia do sobrinho deste, João Marcos.

O jovem filho de Maria, dona da casa onde se reuniam os cristãos (At 12:12), não aguentou o tranco e, provavelmente, deu algum trabalho aos dois antes de desertar e voltar para casa. Quando faziam os seus planos para a viagem seguinte Paulo e Barnabé se desentenderam. Barnabé convidara Marcos de novo, e Paulo disse que com esse tipo de gente ele não ia.

Não se sabe o motivo da insistência de Barnabé, se era pelo vínculo familiar ou pelo fato do cipriota ser um mestre em dar segundas chances às pessoas (não tinha sido o próprio Paulo rejeitado pelos discípulos e acolhido por Barnabé? At 9:26-27). Paulo não quis correr riscos com um companheiro duvidoso e arriscado, estava mais preocupado com a missão do que com o jovem fujão. Cada um foi para um lado levando o seu auxiliar preferido.

Mas é o próprio Paulo que vai mostrar, anos depois, que ele mudou e que Marcos mudou.

O mesmo desertor covarde vai ser o companheiro de prisão do apóstolo (Cl 4:10). De companheiro de risco passou a ser uma companhia consoladora e altamente recomendada. Quando escreve a Timóteo, Paulo afirma que Marcos lhe é útil para o ministério (II Tm 4:11). O que aconteceu com Marcos ?

Certamente a combinação da tutela de Barnabé, a influência de Pedro (que o considerava como filho - I Pe 5:13) e a disciplina de Paulo tiveram impacto na sua vida. Instrumentos de Deus para mudá-lo. Marcos esteve em Roma, de onde foi para a Ásia, provavelmente foi missionário na região de Colossos ou Éfeso - certamente estava perto de Timóteo.

Paulo também mudou. Reconheceu em Marcos um homem transformado por Deus. Viu nos seus atos (testemunho) a prova da sua fé. O homem que acabou sendo um dos personagens mais importantes da nossa herança cristã ao escrever um dos evangelhos, mesmo não tendo convivido com Jesus, a partir dos relatos de Pedro e de outros que frequentavam sua casa.

Quando observamos pessoas que se afastam da Igreja temos sido Paulos ou Barnabés ? Será que também não estamos abandonando aqueles que consideramos desertores ? Quando essas mesmas pessoas reaparecem na Igreja, temos as acolhido como Paulo, ou temos guardado ressentimento de suas atitudes do passado.

Seja um pouco Barnabé com aqueles que se afastam. Seja um pouco Paulo com aqueles que retornam. Quem ganha é a obra de Deus, a quem devemos toda glória.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Oficiais na Igreja

I Tm 3:1-13 Tt 1:5-9

1.Introdução

a)Igreja tem de ter estrutura de governo,organização.

Cada Igreja seu governo local ("kata polin")
Pastor não tem lugar fixo, mas missões

b)Presbíteros regentes e docentes(pastores)
Diáconos
"Bispo"= governador , superintendente

c)Hierarquia: subordinação formal não significa que um ofício é mais importante que o outro. Não existe "promoção" de um ofício para o outro.

d)Quem escolhe oficiais são os membros da Igreja. Função do pastor é de organizar e presidir a assembléia, orientar a Igreja sobre a escolha e ordenar os oficiais(At 14:23)

e)Importância do ofício: boa obra (excelente), mas também trabalhosa, dura e difícil. Conduz e vela pelo rebanho.

f)Importância da escolha: auto-análise do candidato(sem pretensão e reconhecedor da vontade de Deus), tão importante quanto a análise da Igreja sobre as qualificações.

2.Qualificações necessárias : não deve ser qualquer um

Oficiais: diferente no ofício - qualificações iguais

a)Irrepreensível: não existe ninguém sem pecado
"anegkleton"(Tt) - não ser marcado por infâmia
"anepilepton"(Tm) - não dá motivos para acusações
Manter a autoridade e o respeito junto ao rebanho.
Diferente do que se arrependeu de uma mancha grave

b)Marido de uma só mulher: em todos os sentidos

c)Não dado ao vinho: "paranoin"( para = excesso)
Não precisa ser abstêmio. Não pode ser dependente
Consequências da bebida:violência, falta de decoro, etc

d)Governe bem sua Casa:
Família: mulher(uma só carne) - vão servir juntos, filhos - crentes e obedientes
Casa: bom administrador dos seus bens(mordomo)
Vai cuidar de muitos "filhos"(rebanho) e administrar os bens de Deus.

e)Não seja neófito : novato na fé
Evitar orgulho que gere arrogância
Falta de firmeza na doutrina pode induzir a erros

f)Fiel à Palavra: firme no conhecimento
Pureza doutrinária - não acrescenta, subtrai ou distorce
Protetor da doutrina, sem escondê-la
Sabe lidar com sutilezas maliciosas e com as curiosidades inúteis que não edificam
Sabe reunir as ovelhas e afugentar os ladrões( que contradizem a doutrina)

g)Hospitaleiro: saber acolher estranhos
Não pode ser arrogante (se afastar das pessoas)

h)Sóbrio e temperante: moderado e moderador

i)Prudente: cuidadoso, vigilante

j)Decoroso: se porta com decência

k)Não tendencioso: caluniador, injuriador (fere com a língua - II Tm 2 : 24)
Não usa de dois pesos ou duas palavras

l)Não cobiçoso/avarento:
Objetivo de vida não é a riqueza material (risco de desonestidade)
Abre mão de lucro pessoal pelo ofício

m)Exemplo fora da Igreja: deve ser considerado pelos não crentes como alguém diferente

3.Qualificações do Ofício:

a)Presbítero/Pastor : apto a ensinar - Rm 12:7
Dom do ensino não significa oratória, mas saber transmitir conhecimentos e não divagações.
Para transmitir precisa conhecer a doutrina
Que seja tão paciente para aprender quanto capaz de ensinar:
- Dedicação ao estudo
- Humilde para aprender com os outros
- Consciente de não ser o dono da verdade

b)Diácono: apto para servir
Todo crente deve ser um servo, mas o ofício de diácono requer pessoas com uma dedicação especial para o serviço cristão

4. Como escolher:

a)Pedindo ajuda a Deus : oração

b)Entender a orientação de Deus na Bíblia : estudar

c)Submetendo os nomes à prova: análise das pessoas conforme a orientação bíblica

d)Evitar proselitismo: não fazer campanha política

e)Se submeter à Soberania de Deus e aceitar a Sua vontade

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Dez mandamentos - ênfase ativa


Os Dez Mandamentos - Ênfase ativa para os dias de hoje
Êxodo 20 : 1-17 Deuteronômio 5 : 1-21



1. As dez palavras : "Constituição" da Aliança - todas outras leis decorrem desta
2. Porquê era um povo, não mais uma família que, obedecendo receberia as bençãos desta Aliança
3. Povo escolhido: a lei foi dada para os salvos . Não é o meio de obter salvação. Indivíduos: a responsabilidade de cada um
4. Para cumprir a lei é preciso conhecê-la, guardá-la no coração e praticá-la
5. A palavra de Deus é eterna : tão válida hoje como nos dias de Moisés. Cristo é o cumprimento da Aliança - não a negação da mesma


Dois Mandamentos : Os dois relacionamentos do decálogo (Não existe independência das relações : uma só vale com a outra) - Relação Vertical : homem/Deus - Mc 12:29-30 x Relação Horizontal : homem/homem - Mc 12:31


6. Ênfase ativa : fugindo da "passividade" dos "não"

1. Não terás outros deuses diante de mim...
Unicidade de Deus que exige exclusividade
Idolatrias cotidianas: o ego, a família, o trabalho, os bens, o time de futebol...
Idolatrias cristãs : a igreja, a Bíblia, o pastor
Politeísmos modernos : Sincretismo(Nova Era), Panteísmo
Ênfase ativa: "O Senhor é Deus, o Senhor é Um" Dt 6:4

2. Não farás para ti imagens de escultura, nem as adorarás...
Deus se revela pela sua palavra (logos).Homem carece de revelação material e que possa controlar. Adoração de imagens = Abominação
Perigo do exagero : não é a escultura em si que é condenada
Perigo dos símbolos (representação material de uma benção espiritual): O exemplo da serpente de Moisés : II Rs 18:4 - Símbolos cristãos : a cruz, os elementos da ceia, o batismo
Ênfase ativa: "Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e verdade" Jo 4:24

3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão...
Essência da pessoa. Aviltar o nome é aviltar a pessoa. Vão : vácuo, nulidade, uso sem sentido, à toa
Perigos: Uso ingênuo, sem “malícia” ; Uso mágico ; Manipulação para objetivos pessoais ; Blasfêmia; Jurar em nome de Deus. Exagero judaico : proibir o uso do nome
Os nome de Deus :
a)'el (singular) 'elõhïm (plural) : deus de forma genérica .Quando se refere a Deus, usa-se complementos: 'elyon : Deus Altíssimo ;'el shaddai : Deus Todo Poderoso ;beth'el : casa de Deus
b)yahweh ou YHWH : Nome pelo qual DEUS se apresenta a Moisés. Eu sou o que sou - Ser Absoluto
c)'adhõnãy : meu Senhor - forma judaica para não falar YHWH ('sema Israel , 'adhõnãy...)
Usos do nome de Deus : Amar (Sl 5:11) Louvar(Jl 2:26) Seguir(Mq 4:5) Pensar(Ml 3:16) Esperar(Sl 52:9) Dar graças(Sl 54:6) Temer(Ml 4:2) Invocar(Sl 99:6) Proclamar(Is 12:4) Bendizer(Sl 145:1-2)
Ênfase ativa: "Celebrem os povos o Teu nome grande e tremendo : porquê é Santo" Sl 99:3

4. Lembra-te do dia de sábado...
Primícias/Dízimo : a parte representa o todo. Santificar o sábado é reconhecer que todos os dias são de Deus. Criação : dura 6 "dias" (Gn 2:2).Deus cansa? Descanso = interrupção (Deus cessa a criação)
Sábado (shabbãth = dia de descanso) : separar um dia da semana para dedicação a Deus (não exercer esforços naturais)
Sábado : judeus, adventistas, mórmons,etc.Domingo : presbiterianos, metodistas, batistas, católicos Base bíblica : Mt 28:1-6 - Ressureição (I Co 15:16-19)
Dia único : comunhão com o corpo de Cristo (Igreja)
Perigos: O dia mais importante que Deus(Mc 2:27-28, Mt 12: 1-14) ; Trocar o tempo de Deus por outras coisas.
Ênfase ativa: "Lembra-te do dia de descanso para o santificar" Ex 20:8

5.Honra a teu pai e à tua mãe...
Decálogo dirigido, a princípio a adultos (mais do que uma exortação a crianças)
Honrar (kabed) : Honrar aos pais é glorificar a Deus. Rigidez do mandamento : Ex 21:15,17 Lv 20:9 Dt 21:18-21
Sentido do sustento e Obediência (Ef 6:1-3 , Cl 3:20)
Perigos :achar que amaldiçoar não se refere a outras ofensas verbais (ofender, insultar, falar mal,etc) ; -meus pais não são crentes, não preciso obedecer...
Promessa: para que se prolonguem... (Pv 3:1-2)
Ênfase ativa : "Honra a teu pai e à tua mãe" Ex 20:12

6. Não matarás...
Vida : um grande mistério. Dom que só DEUS pode dar e tirar.Respeito à vida : Gn 9:6 .Cristo (muito além dos fariseus) : Mt 5:21-22, Mt 25: 31-46. ratsach : homicídio, assassinato involuntário, execução
Perigos: matando com o ódio (ou com ofensas) : assassinato espiritual (I Co 10:31-32) ; assassinato social (Mt 25:31-46) ; preocupação exagerada com a vida (idolatria) Mt 6:25-34 ; medo da morte (Fp 1:21-23)
Distorções perigosas: pena de morte (Jo 8:1-11) e anti-militarismo (Rm 13: 1-5)
Ênfase ativa: "Segui sempre o bem entre vós e para com todos" I Ts 5:15

7. Não adulterarás...
Velho Testamento : relação sexual extramarital entre homem(solteiro ou casado) e mulher casada. Crime contra o marido.Dicionário : relação entre um homem casado e uma mulher que não seja sua esposa, ou entre mulher casada e homem que não seja seu marido.
Dt 22:22-25 - definição de casos de adultério: mulher casada ; mulher solteira prometida ( mulher solteira não prometida não era adultério)
Novo Testamento : a intenção impura (Mt 5:27-28)
Velho Testamento : Ato - Homem x Mulher Casada
Novo Testamento : Intenção - Homem ou mulher x Casamento
Ênfase ativa: "Goza a vida com a mulher (homem) que amas, todos os dias de tua vida fugaz os quais Deus te deu debaixo do sol" Ec 9:9

8. Não furtarás...
Propriedade: o que de direito ou de fato pertence a alguém. Furtar/Roubar : qualquer atentado ou fraude à propriedade alheia
Propriedades: Bens Materiais: Êx 22:1-15, Pv 30:9 ; A propriedade intelectual : quem eram os "piratas"?
Roubando a coletividade: a questão da sonegação (Rm 13:7) ; Roubando o que trabalha para nós: os "sem registro em carteira"(Tg 5:4) ;Roubando de Deus : Ml 3:10
Ênfase ativa: "Ajuntai para vós outros tesouros no céu... porque aonde está o teu tesouro aí também estará o seu coração" Mt 6:19-20

9. Não dirás falso testemunho...
Dizer = responder, corresponder, reagir.Membros da comunidade do pacto devem dizer só a verdade.
Os falsos testemunhos: Ex 23:1-5 Espalhar boatos / fazer fofoca ; Ir com a maioria (contra a verdade) ; Ficar a favor do mais forte (contra a verdade)
Mt 5:33-37:Além dos fariseus - Não jurar - você não é dono de nada ; Mt 12:33-37 Do que está cheio o seu coração? Tg 3:1-12/ 4:11 A língua que tudo controla
Ênfase ativa: "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um" Cl 4:6

10. Não cobiçarás...
Pecado da mente e não dos atos externos.Cobiçar: chamadh-pensamento impróprio quanto à propriedade, tentativa de obter algo de forma ilícita (Dt 7:25, Js 7:21, Mq 2:2)
beça' - desejo por lucro desonesto (Pv 28:16 , Jr 6:13) / 'ãvâ - desejo egoísta (Pv 21:26) .O exemplo de Acã : Josué 7:16-26
Novo Testamento: epithymia - qualquer desejo intenso que, mal orientado pode se concentrar em dinheiro (At 20:33, I Tm 6:9)
pleonexia - avareza (equiparado aos vícios) (Lc 12:15, Mc 7:22, Ef 5:5, Cl 3:5) ambição egoísta : Tg 4:2
Ênfase ativa: "buscai ,pois , em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas" Mt 6:33

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Coisas de família

Felicidade no Lar – Salmo 128:1-4

A busca da felicidade é uma atividade incessante no ser humano. Todos anos publicam-se milhares de livros que oferecem uma fórmula mágica de satisfação pessoal, são os famosos livros de auto-ajuda. Como se o homem pudesse fazer alguma coisa de boa para a sua própria felicidade. O mais preocupante é ver muitos crentes seguindo as receitas desses livros – existem até alguns que se denominam de auto-ajuda cristãos (uma contradição em termos) – ao invés de procurar a única regra de fé e de prática. Felicidade na vida, incluindo o lar, que é uma parte dela, só com a presença de Deus. O temor ao Senhor é a nossa única certeza de uma família abençoada. A única ajuda que precisamos é a que vem do alto, o único livro necessário é aquele que o Pai nos deu.

Privilégio de Ser Pai – Salmos 127:3-5

Ser pai é algo tão importante que Deus mesmo se apresenta a nós como tal. Seja do seu Filho natural, Jesus Cristo, seja de todos nós, filhos por adoção. Receber a benção dessa analogia com Deus é algo tão maravilhoso que quando temos notícias de pais que abusam de seus filhos, alguns a ponto de matá-los, ficamos profundamente escandalizados. Pior, a cada dia, temos notícias de um número maior dessas situações escabrosas. O que leva o homem a agir como tal é a falta do conhecimento de Deus. Paulo, escrevendo aos Romanos (Rm 1:28-32) mostra os dois lados desse afastamento, o homem perde sua afeição natural pelos que deveria amar e perde o respeito aos próprios pais. Cabe a nós levarmos essa palavra aos que não a conhecem, de forma que possam, transformados, recuperar esse privilégio.

Amor de Pai – Efésios 6:4; I Coríntios 13:4-7

Pai é um bicho esquisito. Os filhos esperneiam, desobedecem, se metem em encrencas. Nós ficamos bravos, castigamos e brigamos. Mas nunca deixamos de amar. Se existe um relacionamento que mais se aproxime do amor perfeito descrito por Paulo aos Coríntios, esse é o dos pais em relação aos filhos. Ao mesmo tempo em que dedicamos esse imenso amor sabemos também que esses mesmos filhos não são nossos e que os recebemos apenas como mordomos de Deus para criá-los de acordo com a vontade d`Ele. Mais do que mimar, agradar e defender os filhos, nosso amor por eles só se concretiza quando os ensinamos a amar a Deus e a se entregar ao poder soberano do Criador. Amar os filhos implica em mostrar a eles a única coisa que realmente é indispensável na vida. O resto é só conseqüência.

Quando Era Menino – I Coríntios 13:11

Não lembro de ter visto meu pai muitas vezes na Igreja. Apesar de ser filho, sobrinho e irmão de pastores, suas raras aparições se limitavam a alguns eventos específicos como a profissão de fé e casamento dos filhos e o batismo dos netos. Quando meu tio ainda era vivo ele ainda ia todo o ano ao culto de Natal da Igreja Presbiteriana do Calvário. Mesmo assim, foi com ele que aprendi a gostar da nossa hinódia protestante, que até hoje ele canta de cor com as letras dos Psalmos e Hymnos e toca na gaita. Apesar de não ficar para os serviços eclesiásticos, nunca deixou de nos levar e buscar na Igreja. Também com ele é que aprendi muito do que sei de ética cristã e de comportamento. Nunca consegui copiar a sua proeza de decorar todas as perguntas e respostas do nosso Catecismo. Bons tempos de menino, mas ainda bons tempos de filho adulto.

Homem Cristão – Colossenses 3:19-21

Pierre Weil, um psicólogo francês, concluiu em seus estudos que há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada, segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz, deve ser considerado como normal e, por conseguinte, servir de guia para o comportamento de todo mundo e mesmo de roteiro para a educação. A essa crença deu o nome de Normose. Uma das normoses cristãs é acreditar que precisamos nos adequar ao mundo para que os nossos filhos não sejam discriminados pela sociedade. Achamos que isso vai poupar nossos filhos de sofrimentos quando, exatamente ao contrário, estamos expondo-os a todas as conseqüências de uma sociedade materialista, hedonista e imediatista. O homem cristão não pode se deixar cair nessa armadilha. Deve ensinar aos filhos que somos diferentes, separados, povo de propriedade exclusiva de Deus. Mesmo que isso signifique algumas dores no presente, de forma alguma se comparam à glória do porvir.

Reconhece as Virtudes – Provérbios 31:10-12; 28-29

Nossa educação, desde casa, passando pelos vários níveis escolares, sempre foi centrada no déficit, ou seja, sempre destacou mais o que não sabemos fazer do que o que sabemos fazer bem. Nunca tive a experiência de ter sido chamado na diretoria porque tinha tirado nota 10 de matemática. Como passamos cerca de duas décadas de nossas vidas dentro de escolas, acabamos por construir esse modelo de avaliar os nossos relacionamentos. Pergunte a um marido quais são os defeitos e qualidades de sua esposa – ele certamente vai lembrar melhor dos defeitos. Se a pergunta for feita para a esposa vai acontecer à mesma coisa. Poucos reconhecem as virtudes e, mesmo quando o fazemos, raramente as valorizamos. Quando foi a última vez que você parou para pensar nas qualidades únicas das pessoas da sua família? Quando foi a última vez que elogiou algo? Quando agradeceu a Deus a benção de ter essa família? Não lembra? Então aproveite para fazê-lo agora.

A Quem Honra, Honra – Efésios 6:1-3

Ser mãe não é padecer no paraíso. O paraíso que cremos e esperamos não tem nenhum tipo de padecimento ou sofrimento. Ser mãe envolve uma série de alegrias, mas também algumas tristezas e contrariedades que fazem parte na nossa vida terrena. Ainda que a obediência e honra aos pais seja um mandamento de Deus, nem sempre é uma constante nas famílias. É um direito das mães esperar essa atitude dos filhos. E também um dever. Esperar que filhos criados longe da Palavra de Deus e da Igreja honrem aos pais é a mesma coisa que esperar que eles aprendam a ler sem ir para a escola. Mães cristãs são aquelas que conquistam esse direito ao conduzir seus filhos pelo caminho da verdade. Filhos cristãos são aqueles que andam nesse caminho.

Publicado originalmente no boletim da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em Maio de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Chefes e índios

E vós pais não, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6:4)

Conta um pastor americano que, certo dia, uma professora recebeu o seguinte bilhete da mãe de um aluno que chegara atrasado na escola : “por favor desculpe o atraso do Marcos. Essa manhã ele foi deposto do cargo de chefe para índio e a cerimônia demorou um pouco mais do nós imaginávamos.”

Atualmente essa cerimônia tem feito falta em muitos lares, seja de não crentes, seja de crentes. Infelizmente muitos pais tem releutado em exercer a responsabilidade e a mordomia que Deus lhes deu. O resultado é que os “negócios” da família são controlados pelos sócios mais novos da “empresa”. Os pequenos chefes precisam aprender o valor da submissão às autoridades. É a Bíblia que ensina “Filhos , obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”( Ef 6:1).

No entanto, apesar de ser a obrigação dos filhos obedecer, é dever dos pais se certificar que essa obediência está sendo observada adequadamente. No mesmo texto de Efésios onde encontramos a recomendação de que os filhos devem ser criados de forma amorosa mas dentro da disciplina e da admoestação do Senhor. O grande problema de muitos pais é acreditar que amor significa atender todos os desejos dos filhos. A criação dos filhos no Senhor é tão importante que é um dos pré-requisitos exigidos aqueles que aspiram a cargos de oficiais na Igreja ( I Tm 3:4-5).

Como é, então , que nós cristãos podemos evitar que os nossos pequenos índios se tornem os grandes chefes do lar ?

Primeiro : obediência é algo que se ensina o mais cedo possível – não se iluda pensando que um bebê não testa o controle dos pais e que não percebe que está ganhando ou perdendo espaço no controle do comando.

Segundo : a educação deve ser sempre com bom senso, nem tirânica nem relaxada. É importante ser justo no tratamento com as crianças – quando obedecem e quando desobedecem.

Por último : sempre que for necessário exercer a disciplina, a ação deve ser executada com amor – como Deus que só repreende a quem ama – quando uma criança percebe uma preocupação genuína por ela ela se sente muito mais confortável em obedecer uma ordem ou aceitar um bronca.

Será que você também não está precisando depor alguns chefes da sua taba ?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adoradores de Baal

"...mas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais nesta boa terra que vos deu o Senhor, vosso Deus" Josué 23:13

Abraham Maslow é um nome mais do que conhecido por todas as pessoas que já fizeram alguma matéria ligada ao comportamento humano, sua famosa hierarquia de necessidade humanas talvez seja um dos modelos mais famosos na psicologia. O quarto dos cinco degraus dessa escala é o que trata das necessidades sociais ou de auto-estima e o principal aspecto desse degrau é a necessidade de pertencimento, ou seja, o ser humano precisa se sentir como parte de um grupo social, precisa do aval do seu grupo social para se sentir feliz.

Até aí, nada que possa interferir na vida religiosa das pessoas. Os crentes podem perfeitamente ter seus grupos sociais aos quais pertençam. O problema é que muitos crentes querem se sentir pertencentes de grupos cujas práticas não são compatíveis com a fé que professam e com o que Deus espera deles.

Crentes que acham que não tem nada demais participar ativamente de festas dedicadas a ídolos alegando que são apenas "inofensivas comemorações folclóricas". Crentes que acham bonitinhas fantasias de festas dedicadas a bruxas. Já ouvi até crentes que alegam que o carnaval é apenas um comemoração da alegria e que devem participar dessa felicidade carnal.

Conheço escolas e igrejas protestantes que inventaram simulacros das festas juninas (festa de origem portuguesa dedicada aos "santos populares", especialmente Antônio, João e Pedro) para agradar seus clientes. Acendem a fogueira comemorativa do solstício de verão, erguem os mastros dos santos e, se distrair ainda distribuem simpatias de Santo Antônio.Claro que também conheço escolas que, por saberem que seus alunos são de religiões diferentes, já avisam no começo do ano que a escola não tem esse tipo de comemoração, e por isso são acusadas, inclusive por alguns crentes, como sendo aquela gente "ortodoxa".

Apesar de todos os avisos de Deus, o povo judeu também quis se sentir pertencido na Terra Prometida, afinal, por que não socializar com os povos pagãos que habitavam na região participando de suas festas e comemorações ? Por que não imitar aqueles postes-ídolos tão bonitinhos (mastros) ? Eram festas tão bonitas que eram dedicadas a falsos deuses, apenas uma manifestação regional...

As consequências dessa confusão religiosa vocês todos, como bons leitores de Bíblia, já conhecem, afastamento de Deus, impureza, guerras, perseguições, cativeiro e destruição.

Será que realmente precisamos participar desses eventos que nos afastam de Deus para galgar o degrau da necessidade social ? Ou a graça nos basta ? Será que precisamos mostrar que somos iguais a todo mundo ou vamos ser sal da terra e luz do mundo ?

Se optarmos pelo afastamento de Deus, já sabemos o que nos espera. Se vamos ser insípidos, para nada serviremos além de sermos lançados fora e pisados pelos homens.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Meu tio Boanerges

“Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2:19)

Eu sei que a morte do tio Boanerges, há 5 anos, provocou um grande número de artigos, depoimentos, loas e apologias baseadas na sua vida pastoral, na sua atuação como líder da IPB, como autor de livros. Eu gostaria de falar um pouco a respeito dele como o tio com quem tive contato durante toda a minha vida, em alguns momentos com mais freqüência, nos últimos anos de sua vida de forma muito esparsa.

A recordação mais distante que tenho na memória é que na casa do tio Boanerges tinha um “jack-in-the-box” do marinheiro Popeye . Jack-in-the-box é aquele brinquedo que é uma caixa com uma manivela que você vai girando (e enquanto gira toca uma música) e, quando você menos espera a caixa se abre e um boneco salta à sua frente. Eu sempre vou associar a musiquinha do marinheiro comedor de espinafre aquele briquedo tocando “Popeye is the sailor man...Popeye is the sailor man...”


Daqueles tempos também lembro dos encontros de toda família para o culto de Natal , eram sete irmãos e dezenove primos. Depois do culto a comemoração sempre continuava na de algum dos que moravam em São Paulo. Muitas vezes foi na sua casa.

Lembro também dos cultos na pequena capela do Calvário, no Brooklin e do grupo de escoteiros que se reunia na igreja. Sempre invejei o fato daquela igreja ter escoteiros. Matei minha vontade de usar farda muitos anos depois quando servi o exército. O que ficou guardado na minha memória é que sempre estranhei que aquela igreja não tinha diáconos...Meu tio, com o humor típico dos “Ribeiros”, dizia que diácono servia para tirar coleta e espantar os cachorros. Como na igreja dele não se fazia coleta e, o sistema de portas evitava a entrada de cachorros, a igreja não tinha nenhum diácono.

Anos depois, já no começo da juventude, foi construída a Igreja do Calvário no Campo Belo, eu ativo na igreja da Lapa, presidente de mocidade, ouvi o seguinte convite do meu tio : “Por que você não vem para a nossa Igreja para ser diácono aqui ? “ . O meu humor também é de “Ribeiro” e eu não resisti devolver a pergunta : “Por quê tio ? Agora vocês estão fazendo coleta ou os cachorros acharam o caminho para entrar na igreja ?”. Ele não respondeu, mas riu do fato de eu ter lembrado do seu antigo chiste.

Lembro da solenidade dos cultos. Da seriedade do louvor. Da necessidade das coisas da igreja serem feitas beirando a perfeição. Eu só conheci a Igreja do Calvário, mas sempre ouvi que as igrejas do meu tio cantavam muito bem . Mais de uma vez vi o canto congregacional ser interrompido por ele, chamando a atenção da igreja : "se vamos continuar cantando desse jeito é melhor não cantar do que desagradar a Deus". Inúmeras vezes ouvi comentários de pessoas que diziam que meu tio era muito bravo. Sempre achei muita graça nesse comentário pensando : “eles não conhecem meu tio direito...”

Memórias. Trabalhei durante alguns anos numa agência de turismo para estudantes. De tempos em tempos corria pelas faculdades para afixar cartazes e distribuir folhetos promocionais. Numa dessas vezes estava no Mackenzie, onde o tio Boanerges era presidente. Acabei meu trabalho e pensei em ir cumprimentá-lo. Entrei no prédio onde ficava o seu escritório sem me dar conta de que, na sua função ele deveria ser uma pessoa muito ocupada para receber esse tipo de visita sem aviso prévio. Cheguei até a sua secretária, ela falou com ele ao telefone e pediu que eu esperasse um pouco. Logo em seguida ele me recebeu, conversamos durante uns 15 ou 20 minutos. Com todas as suas atividades ele sempre encontrou tempo para a família.

Depois o contato foi se escasseando. Eu fui ficando mais cheio de atividades profissionais e os compromissos da minha igreja impediam que eu pudesse ir mais vezes à Igreja do Calvário. Volta e meia eu recebia através do meu pai, algum livro ou estudo bíblico que ele havia publicado e me mandava uma cópia.

Quando nasceu Samuel, meu filho mais velho, tive mais contato com ele. Samuel nasceu com uma cardiopatia congênita e foi operado do coração com oito meses de idade. Quase toda semana tia Haydée ligava para mim ou para minha mãe para ter notícias. Também nós tínhamos mais notícias dele que já há algum tempo vinha enfrentando problemas de saúde. Quando o Samuel já estava bom fomos até a casa deles fazer uma visita, para que eles conhecessem a criança por quem vinham orando incessantemente. Ficamos um bom tempo conversando , principalmente sobre o Samuel. Ele e o Samuel tinham passado por cirurgias cardíacas e ele queria saber tudo sobre as perspectivas do meu filho depois da cirurgia.

Ele sempre perguntava como estava a minha igreja e o meu trabalho na igreja. Mas pouco nos dedicávamos a esse assunto. Nos contatos breves e longos, muito mais do que o “Reverendo”, sempre foi o Tio Boanerges.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Anjos : estudo bíblico

1. Definição : angelos (grego) – mal’âk (hebraico) : mensageiro, enviado. Seres celestiais supernaturais (ou seja, além da natureza como a entendemos), um pouco acima dos homens em dignidade.

2. A natureza dos anjos :
Þ Foram criados por Deus (Sl 148:2-5 ; Cl 1:16) antes do homem (Jó 38:7 – estrelas da alva )
Þ São espíritos e não tem natureza corpórea ainda que tenham, no passado, assumido formas antropomorfizadas (Hb 1:14). Não casam, não se reproduzem. (Lc 20:34-36)
Þ São seres individuais e não a personificação de Deus, tendo poderes mas não os atributos de Deus : onisciência (Mt 24:36; 1 Pe 1:12) ou onipotência (Sl 103:20 ; 2Ts 1:7 ; 2 Pe 2:11)
Þ Também não são seres humanos glorificados ( ninguém “vira” anjo) : 1 Co 6:3, Hb 1:14 e podem ser imperfeitos (Jó 4:18)

3. Tipos de anjos

Þ São uma multidão em número não revelado na Bíblia ( Ap 5:11) Estão organizados em hostes (Rm 8:38 ; Ef 1:21; Cl 2:15)
Þ Existem diversos tipos mas a Bíblia não indica se existe hierarquia entre elas (Cl 1:16). Somente um anjo é chamado de anjo superior (arcanjo) : Miguel (Jd 9)
Þ Somente dois anjos são “nomeados” : Gabriel (Dn 8-9 ; Lc 1) e Miguel ( Dn 10,12 ; Jd 9 e Ap 12:7 )
Þ Querubins : guardiões que Deus colocou à porta do Éden após a queda do homem. Adornavam a arca da aliança e as cortinas do tabernáculo simbolizando a presença de Jeová entre eles. Aparecem em Ezequiel sustentando o trono de Deus.
Þ Serafins : estavam em volta do trono de Deus na visão de Isaías (Is 6: 2-3 ) não havendo outras menções a respeito dos mesmos. Os judeus os consideravam uma ordem superior de anjos.
Por sinal, os querubins e serafins são os únicos que são descritos como tendo asas.
Þ Tronos, domínios, principados e potestades : seres angélicos não descritos em detalhes. Podem ser tanto bons como maus (se caídos).

A Igreja católica divide os anjos em 3 tríades, inclusive criando uma 9a. categoria* – não existe base bíblica alguma para isso : Serafins , querubins e tronos / Domínios, potestades e virtudes*/ Principados, arcanjos e anjos

4. O estado dos anjos : Foram criados santos e perfeitos (Gn 1:31-2:1 Jd 6) Alguns caíram ( 2 Pe 2:4 ; Jd 6): não se diz quando/como, mas certamente antes da queda homem, pois Satanás já estava presente na queda do homem.

5. O trabalho dos anjos:
a) Nem todos os anjos são “mensageiros” (querubins e serafins assustariam as pessoas)
b) Adorar a Deus na sua presença ( Mt 18:10; Hb 1:6 ; Ap 5:11)
c) Assistir , proteger e guiar o povo de Deus ( Gn 19:11; Sl 34:7, 91: 11-12; Dn 3:28, 6:22; At 5:19 , 8:26, 27:23-24)
d) Interpretar a mensagem de Deus (Dn 7:16 , 10:10-21; Zc 1:9,19)
e) Executar os juízos de Deus (Gn 19:12-13; 2 Rs 19:35; Ez 9:2-7; At 12:23 )
f) Assistem o ministério de Jesus (Lc 1:26-38,2:13-14 ; Mt 4:11; Lc 22:43;Mt 28:2-7; At 1:10-11)

6. O trabalho dos anjos caídos :
Þ Satanás = adversário – se opõe a todos os desígnios de Deus (1 Pe 5:8 ; Rm 8:38 ; Dn 10:12-13; Jó 1: 12-13 ,19 ; At 10:38 ; Mt 4: 3 ; Jo 13:27)
Þ Também tem o poder de realizar maravilhas ( 2 Co 11:14-15 ) mas esse poder é restrito pelo Espírito Santo ( 2 Ts 2:7). O destino desses anjos já está definido : Mt 25:41

Esse estudo, intencionalmente, não discute a figura do “Anjo do Senhor”, que muitos entendem como sendo manifestações pré-carnais de Jesus Cristo.

Referências bibliográficas :
BALDWIN, Joyce G. Ageu, Zacarias e Malaquias. Mundo Cristão.1972
Bíblia de Estudo de Genebra –versão revista e atualizada – Cultura Cristã/SBB . 1999
Bíblia Sagrada – versão revista e atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil . 1969
DAVIS, John D. Diccionario da Bíblia. Centro Brasileiro de Publicidade. 1928
DOUGLAS, J.D & TENNEY, Merrill C. The new international dictionary of the Bible. Zondervan. 1987
DUARTE, Marcelo. O guia dos curiosos. Cia da Letras. 1996
HENDRIKSEN, William . Colossenses e Filemon. Casa Editora Presbiteriana. 1993.
HODGES, Charles. Teologia Sistemática. Editora Hagnos. 2001
KÜNG, Hans. On being a christian. Wallaby.1976
LOPES, Augustus Nicodemus. A “Batalha Espiritual” em perspectiva in Fé Cristã e Misticismo. Cultura Cristã. 2000.
METZGER, Bruce M. & COOGAN, Michael.D. The Oxford companion to the Bible.Oxford University Press.1993
PORTELA NETO, Francisco Solano. Avaliando as manifestações sobrenaturais in Fé Cristã e Misticismo. Cultura Cristã. 2000.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Bíblia e as deficiências

Não foram poucas as vezes que fui questionado sobre qual a posição que a minha igreja ou a minha religião tem em relação à questão da deficiência e, sempre acabei respondendo que não havia uma posição oficial ou formal a esse respeito. Mas, sendo ao mesmo tempo, presbítero e professor de escola dominical e pai de um menino com síndrome de Down, eu nunca fiquei satisfeito com essa resposta. A minha igreja é uma igreja calvinista que professa o tripé teológico reformado : “sola gratia, sola fides, sola scriptura” (só pela graça, só pela fé, só pelas escrituras), logo, foi justamente nas escrituras que fui buscar uma resposta. O meu texto é longo, porque são muitas as reflexões e são um ponto de partida para quem quer saber o que Deus pensa sobre as deficiências.

Quem criou a boca do homem ?

Partindo do começo da Bíblia, a primeira referência que encontrei estava em Êxodo 4, muitos podem até pensar que o livro que relata a saída do povo judeu do Egito é só sobre pragas, mandamentos e bezerros de ouro, mas lendo os 12 primeiros versículos desse capítulo encontramos Moisés em frente à sarça ardente, relutando contra o chamado que Deus lhe fazia e, num determinado momento ele diz : “Ah, Senhor! eu não sou eloqüente, nem o fui dantes, nem ainda depois que falaste ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua. Ao que lhe replicou o Senhor: Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego?. Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.” (Êxodo 4:10-12)

Nesse momento Deus está assumindo a responsabilidade pela deficiência de Moisés. E Ele diz que fez isso intencionalmente ! Logo, meu filho não é vítima de um “acidente genético”. Deus é o que fez dessa forma. Mas , o mais interessante é que Deus não vê atraso mental, nem cegueira, nem surdez como uma deficiência. Ele não vê nenhum movimento pelo qual o problema de fala de Moisés pudesse impedir que ele fizesse a obra para qual estava sendo chamado. Deus promete não só acompanhá-lo, mas a ensinar o que a sua boca deveria dizer. O sucesso de Moisés na vida não dependia de suas próprias habilidades, mas de Deus que estaria com ele.

Miquéias 6:8 diz : Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus? Não há nada aqui que impeça qualquer pessoa, com ou sem deficiência, de ser bem sucedida diante de Deus. A minha função como pai não é a de preparar os meus filhos (com ou sem deficiência) para ser um membro produtivo da sociedade, mas ensiná-los a respeito da justiça, da bondade e de como caminhar humildemente com Deus.

Que mais a Bíblia fala sobre deficiências e problemas ?

A Bíblia diz muito mais a respeito de problemas de saúde. Um dos pontos que pais de crianças com algum problema enfrentam é o seguinte questionamento : se você diz que seu Deus é bom, como é que ele permite que essas coisas aconteçam ? Por que é que Ele faz com que a sua vida se torne mais complicada e lhe dá esse tipo de preocupação ? Existem dois patamares em que isso pode ser discutido, o primeiro é porque qualquer pessoa fica doente em algum momento da vida, outro é porque algumas pessoas em particular tem problemas ou deficiências.

Do ponto de vista geral, a Bíblia deixa bem claro porque os homens tem um fim mortal. Por causa do pecado. Quando Deus criou o mundo e o homem não havia doença nem morte. Mas os nossos pais ancestrais, Adão e Eva pecaram, desobedecendo as ordens de Deus ( Gênesis 2 e 3) e, nesse momento a morte passou a fazer parte da raça humana, uma herança que cada um de nós recebe ao nascer : “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.” (Romanos 5:12).

Um pouco mais adiante, no mesmo livro de Romanos, aprendemos que a morte não se aplica somente à raça humana mas a toda criação : “Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora. “ (Romanos 8:20-22)

Todos nós somos afetados. A partir do momento em que nascemos, os efeitos cumulativos de doenças hereditárias, a poluição dos nossos meios de vida, e uma hoste de vírus e bactérias vão destruindo aos poucos o nosso corpo até chegarmos à morte. A doença é apenas o início do processo de morte e é causada porque nós, pessoas, somos pecadores. Você pode até argumentar que não justo que paguemos pelo pecado de Adão, mas não demora muito para que você pratique os seus próprios pecados e essa “pena de morte” é tão certa para você como foi para Adão.

Mas também existem boas notícias. Deus não nos deixa abandonados para morrer. No seu amor Ele desenhou um plano para resolver o problema criado por Adão e Eva. O seu plano se completou finalmente quando Deus mesmo se fez homem e morreu voluntariamente na cruz para pagar a pena de morte que cada um de nós merecia : “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6:23).

A Bíblia diz mais a esse respeito : “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” (Romanos 5:8), e mais : “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades ; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.” (Isaías 53:5-6)

Portanto, a razão pela qual todas as pessoas tem doenças é por causa do pecado. Mas tome um cuidado, o fato de uma pessoa estar temporariamente doente não significa que aquela doença específica foi o castigo por uma “má ação” ou que estar saudável, também temporariamente, indica uma pessoa que está vivendo em “pureza”. Essa falsa teologia da prosperidade não tem nenhuma base bíblica e só serve para confundir as pessoas. A verdade é, todos pecamos, todos vamos morrer, mas Cristo nos garante uma vida eterna através do seu sacrifício na cruz.

Por quê essa criança tem esse problema ?

Os discípulos de Jesus fizeram essa pergunta em João 9:1-3. Eles se dirigiram a um homem que era cego de nascença e perguntaram : “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2). Essa costuma ser uma reação comum ao sofrimento pessoal, pensar que eu estou sendo punido por Deus. Se alguém está doente é porque fez algo errado. Existe evidência a esse respeito na Bíblia, mesmo porque a escritura nos diz que colhemos o que semeamos. Esse homem tinha semeado pecado e estava colhendo sua deficiência ?

Não é raro encontrarmos pais e mães de crianças com problemas se sentindo culpados por essa condição. Acreditam que Deus lhes deu essa criança para que eles reconhecessem os seus erros e se aproximassem mais d’Ele. Pensam que , se eles tivessem sido pessoas mais espirituais, seu filho não teria nascido daquele jeito.

Certamente os pais daquele homem cego não estavam suficientemente próximos de Deus. Afinal de contas , quem realmente está ? Mas a resposta que os discípulos ouviram foi : “Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.”(João 9:3). Deus queria ser glorificado através da cura daquele homem e o tinha feito cego para que o mundo pudesse ver que Jesus tinha o poder para curar. Que papel fantástico aquele homem teve na história !

Algumas vezes, Deus quer ser glorificado através da cura mas, em muitas outras vezes Ele recebe glória de outra forma. Na segunda carta que Paulo escreve à igreja de Corinto, ele fala a respeito de um “espinho na carne” que o torturava. Ele orava constantemente pedindo a cura desse mal. Claro que Deus poderia ser glorificado caso o curasse mas, nesse caso, Ele queria mostrar outro tipo de poder, o poder de agir através das fraquezas de uma pessoa. A resposta de Deus à oração de Paulo é : “a minha graça te basta, porque o eu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9). Por isso Paulo pode se vangloriar do seu defeito para que as pessoas vissem o poder de Deus agindo através dele. Essencialmente essa é a mesma resposta que Deus deu a Moisés em Êxodo 4. Deus usou um homem que era pesado de língua e de fala para libertar o povo de Israel da escravidão de forma que ninguém pudesse dizer que Moisés tinha feito isso pelos seus méritos, mas pelo poder de Deus.

Eu nunca ouvi falar de uma pessoa com síndrome de Down que tivesse sido “curada”. Deus poderia fazer isso se quisesse. Mas Deus tem sido glorificado mesmo através das pesquisas feitas a partir dessa situação genética específica que é a trissomia 21. Muitas pessoas tem se interessado mais por bioquímica , e é a bioquímica, mais do que qualquer outro ramo da ciência que tem declarado que nós, humanos, somos o resultado de um projeto complexo e não um “acidente evolutivo”. Quanto mais as pessoas pesquisam a incrível complexidade das células, mais elas são levadas a crer que nós fomos maravilhosamente criados. E com isso glorificar o Deus da criação.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Elegendo prioridades

Ao que respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o Senhor; assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é. (Ageu 2:14)


Eu sempre gostei muito do livro de Ageu. Não só pelo significado do nome do autor (festivo) mas, principalmente, porque o curtíssimo livro do profeta é uma fabulosa aula de eclesiologia. Sempre fico impressionado, quando olho para nossas igrejas e vejo nelas o povo de Israel daquele tempo. Explico melhor.

O povo tinha voltado do cativeiro, começou a reconstruir o templo e resolveu dar uma pausa. De 15 anos! Simplesmente abandonaram a obra. O mesmo povo que achou que ia encontrar um jardim florido no seu retorno, e achou um país abandonado e miserável. Que achou que o castigo tinha terminado, mas sofria com as secas. Era um povo em crise, não mais política ou bélica. Sofriam de paralisia moral e de acomodação. Resignados, matavam a fé aos poucos.

Nesse contexto Deus levanta o profeta. Não para chamar ao arrependimento como no passado, mas para provocar a mudança de atitude e mostrar quais deveriam ser as prioridades. Não veio para dar receitas de como levantar a moral, não publicou um livro de auto ajuda, nem fez sermões barganhando prosperidade. Deixou claro que se eles não tinham nada é porque Deus não ocupava o primeiro lugar nas suas vidas. O trabalho deles se tornara inútil, seu culto desprezível.

Essa é a mesma situação que vemos tantas vezes dentro das nossas igrejas. Pessoas que nunca tem tempo para Deus, porque têm tantas outras prioridades que, quando muito, se dignam a aparecer no culto. Pessoas que acham que a obra não precisa delas, já tem gente fazendo mesmo... Pessoas que acreditam que seu sucesso na vida depende do seu esforço pessoal ou, ultimamente, de acreditar com bastante força em segredos.

Você está relegando Deus a planos inferiores? Nada vai dar certo. Inútil será levantar de madrugada...

Movido pela mensagem, o povo retomou o trabalho. E, em seguida, começou a resmungar. Ah...esse templo novo é tão feinho, nem parece o de Salomão - como se, depois de 70 anos de exílio, algum deles tivesse visto o templo original. Eu já escrevi antes sobre isso.

Isso não lembra algumas frases que você ouve ? "No meu tempo a mocidade era mais animada". "Esse coral está tão desafinado". "Quando fulano dava aula de Escola Dominical era bem melhor". Claro, os que falam nunca são aqueles que vão animar a mocidade, cantar no coral ou sequer assistir aula de ED, quanto mais trabalhar para melhorá-la.

Aos que trabalhavam, Ageu trouxe a mensagem de Deus : vão em frente! Quem trabalha, se preocupe em agradar a Deus e não dê bola para as fofocas e murmurações. Glória por glória, nenhuma será maior que a dos céu.

Você trabalha para Deus e os outros criticam? Não olhe para os lados. Deus é quem julgará, a Ele que você deve satisfações.

Ageu ainda deixa um recado final. Vocês lembram da miséria em que estavam antes? Não esqueçam os erros do passado para não incorrer nas mesmas consequências.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Afinal, de quem é a Terra ?

Na verdade a terra está contaminada debaixo dos seus habitantes; porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos, e quebram o pacto eterno. (isaías 24:5)


Quase todos os dias recebo mensagens com alguma recomendação ecológica. Em defesa das árvores, dos bichos, dos mananciais de água. Não poderia ser muito diferente, uma vez que estamos acabando com o planeta com uma velocidade cada vez maior. O clima se deteriora. A água vai acabar. E nós vamos acabar chupando cana que está substituindo a produção de alimentos.

E estamos acabando com o planeta porque os seres humanos não valem mais pelo que são, mas pelo que tem. A nossa cultura e os nosso valores são todos atrelados ao consumo. E o consumo precisa de recursos naturais para se sustentar, e esses não são ilimitados.

Todo mundo, desde o cidadão comum aos mais poderosos governantes, sabe qual é a solução. Mas os interesses políticos e econômicos não permitem que ela seja aplicada. Quando alguém te pergunta qual é a sua posição como cristão, qual tem sido a sua resposta ? Fica em silêncio como têm ficado todas as religiões ou, como eu ouvi recentemente, "se o mundo, tal qual ele existe hoje, vai acabar, eu não preciso me preocupar com isso" ?

Não temos nada a dizer ou não conhecemos suficientemente a palavra de Deus a esse respeito ?

Deus criou todas as coisas e colocou o homem como mordomo (administrador) delas. Deveria cuidar do que lhe foi confiado e usufruir da criação para o seu sustento. Isso não foi suficiente e o homem quis ser igual a Deus, e se corrompeu tanto a ponto de Deus resolver destruir tudo. O pacto foi renovado com Noé e a missão de cuidar da Terra foi mantida: usar os recursos, mas proteger a natureza.

Por quê então, continuamos a destruir ?

O homem longe de Deus não se considera mordomo, mas proprietário, e continua querendo se igualar ao Criador. Alguns líderes costumam afirmar que precisamos sustentar o planeta. Deus não nos deu a capacidade de sustento, Ele nunca abriu mão dessa função. Ele é que alimenta as aves do céu e veste a erva do campo.

Mas nós queremos ser auto suficientes e independentes de Deus. Acreditamos que, sozinhos, podemos ser os agentes da nossa própria providência. Qual o resultado? Continuamos a destruir e a contaminar a Terra com o nosso pecado. Chegamos literalmente a contaminar animais com doenças humanas, como os macacos da Amazônia que sofrem de malária.

Sabemos que, em algum momento, Deus vai acabar com todas as coisas e criar novos céus e nova terra. Enquanto temos esse céu e essa terra nós, como cristãos, temos obrigações - nos somos os mordomos de Deus. Claro que nenhum de nós, individualmente, vai conseguir acabar com o efeito estufa - mas você colabora para minimizá-lo ou pega o carro para ir até a padaria na esquina?

Acreditar que vamos viver numa terra sem pecado e sem contaminação (mensagem que devemos levar a todos) é a base da nossa esperança. Isso não significa que podemos desprezar e destruir o que Deus nos deu nessa vida.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Qual é mesmo a vontade de Deus?

Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:1-2

Eu queria tanto saber a vontade de Deus... Há tanto tempo estou esperando a vontade de Deus... não foi a vontade de Deus... quantas vezes você já ouviu essas frases ? Quantas vezes você mesmo não disse essas frases ?

Lembro de uma vez ter lido uma frase de um pastor de Governador Valadares (não me lembro o nome dele) : "Dizer : não foi a vontade de Deus, para tudo que você deixou de conquistar por não ter perseverado o suficiente, é apenas uma maneira religiosa de ser covarde". Aliás, Deus é tantas vezes mencionado em depoimentos em CPI´s que eu acho que Ele deveria ser citado para depor pessoalmente.

Quando cobramos a manifestação da vontade soberana de Deus o que é que estamos esperando ? Um manual de instruções caído do céu ? A visita de um anjo ? Um profeta com uma nova "bíblia" revelada individualmente para cada um de nós ?

Se nós não experimentamos a vontade de Deus não é porque ele não a revela mas porque o nosso orgulho, a nossa comodidade e a nossa preguiça nos impedem de reconhecê-la. Deus nos oferece, pela graça, experimentarmos e vivermos a sua boa, agradável e perfeita vontade. Nunca disse que vai ficar explicando porque faz desse ou daquele jeito, como se devesse se justificar diante de nós.

Para ter acesso ilimitado ao conhecimento dessa vontade precisamos de três coisas (não, não é múltipla escolha, precisamos das três) : humilhação, renúncia e esforço.

Ele pede que entreguemos as nossas vidas para ele, como sacrifício humilde. Tudo: corpo e alma. Não é um pedido de auto imolação, mas nosso orgulho e a nossa auto-suficiência precisam morrer. Ele quer um sacrifício vivo (de quem nasceu de novo), santo (de quem busca continuamente a santificação) e agradável (dedicado e sem hipocrisia). Esse é o nosso culto. Quem não o matou o velho homem, quem não busca permanentemente a Deus, quem não reconhece que Ele é dono de sua vida, nunca vai experimentar essas vontade.

Também afirma que cada um vai conhecer a vontade do contexto a que se amoldar. Todos nós seguimos modelos. Quais são os seus ? O herói do cinema ? O esportista vitorioso ? Aquele pastor de auto-ajuda que cultua seu próprio ego ? Quando escreve aos Coríntios o mesmo Paulo afirma que "a má companhia corrompe o bom caráter" (1 Co 15:33). Se tomamos a forma do tempo presente, se queremos nos adequar aos modelos sociais, se idolatramos a aparência do mundo só vamos entender a vontade do mundo, não a de Deus.

Por fim, a ordem para que nos transformemos sempre, sem parar. Estudando a Palavra, vivendo em comunhão e oração, ativos no trabalho cristão. Santificação exige dedicação, tempo e trabalho. Quantas vezes não somos criticados pela acomodação que nos atinge depois da conversão ? Crentes que acham que a obra só é daqueles que foram vocacionados para trabalhar. Sem esforço ninguém experimenta a vontade de Deus.

Não é optativo. Ou melhor, talvez seja. Cristo avisou que entra no reino dos céus quem faz a vontade do Pai (Mt 7:21). Só pode fazer a vontade quem se humilha, renuncia ao mundo e se esforça para conhecê-la. A opção é se dirigir para outro reino, bem longe do céu.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Crentes fora de moda

Concílio de Westminster


Estando ele em Jerusalém, durante a festa da páscoa, muitos vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana (João 2:23-25)


Com muita freqüência nos surpreendemos com o aparecimento e crescimento espetacular de algumas igrejas evangélicas ou pseudo evangélicas. Mesmo quando nos limitamos à nossa denominação, não é incomum vermos esse fenômeno acontecer . Até a nossa igreja local já passou por momentos de crescimento explosivo e empolgante. Certamente você se lembra quando “todo mundo” ia na Igreja X, Y ou Z porque lá encontrava “uma palavra de poder, um louvor genuíno ou manifestações espirituais autênticas”.

Também vimos, depois de algum tempo, essas mesmas igrejas perderem o seu público para uma outra, onde a palavra, aparentemente era mais forte ainda; o louvor, definitivamente, mais edificante; as manifestações espirituais muito mais significativas. Muitas das igrejas que ficaram para trás se estabilizaram depois do período de euforia espiritual, outras, simplesmente desapareceram. Algumas deixaram de ser a igreja da “moda” para serem apenas igrejas. Outras deixaram de ser.

A moda, como sabemos, é fugaz. Os estilistas que apresentaram suas criações nas fashion weeks, mal acabam de colher os louros da crítica e do público e já voltam para suas pranchetas e computadores para desenhar a próxima estação, que será apresentada daqui a seis meses. Eles não se iludem com o sucesso do momento, sabem que as mesmas pessoas que se encantaram com o seu show, vão querer rapidamente outras novidades.

Esse comportamento não é novo, nem pode ser atribuído ao nosso mundo consumista. Usar as coisas e as pessoas para, em seguida, descartá-las é uma das características mais marcantes do ser humano. Faz parte da sua essência, e Jesus já sabia muito bem disso quando ignorou a muitos que o seguiam pois, como nos relata João, ele conhecia a natureza deles. Mas, quem são esses nômades que passam a vida migrando de uma igreja para a outra ? Quem são esses “crentes” que nunca ficam fora da moda eclesiástica do momento ?

Carentes profissionais

O primeiro tipo vou denominar os Carentes Profissionais. São pessoas com muito pouca ou nenhuma estrutura espiritual. São emocionalmente instáveis e não tem nenhuma convicção clara. Estão sempre se afogando e, por isso mesmo, passam a vida se agarrando em todas as cordas que aparecem. Cada vez que uma dessas cordas mostra as suas fraquezas eles percebem que vão começar a se afogar novamente e agarram na próxima corda que é lançada, e que, naquele momento lhes parece mais confiável.

Imagine uma pessoa que há muito tempo está desempregada. Talvez você mesmo já tenha passado por isso. Quando a situação realmente começa a apertar, essa pessoa abre mão de suas aspirações de carreira e aceita qualquer trabalho que permita garantir o seu sustento. É claro que nunca vai ser um profissional exemplar no seu novo emprego, pois sabe que só está ali por necessidade e, assim que surgir uma oportunidade melhor vai abandoná-la.

Os carentes profissionais vivem dessa forma permanentemente, animam-se rapidamente com uma igreja vibrante, mas continuam em busca de uma igreja melhor, de uma igreja perfeita. Nunca serão membros exemplares de nenhuma comunidade. A cada nova proposta voltam a se converter e, realmente, não se convertem nunca.

Dependentes químicos

Não. Eu não estou falando de ex-viciados que genuinamente foram regenerados. Os dependentes químicos a que me refiro, são aquelas pessoas que se empolgam com o espetáculo de determinadas igrejas. Sua fé está totalmente atrelada ao brilhantismo de um pregador, ao hit-parade musical de um conjunto de louvor, à emoção intercessória da comunidade.

Num determinado momento, porém, o pregador começa a lhes parecer repetitivo. As músicas antiquadas frente às novas tendências. A intercessão não lhes dá o resultado esperado. Nesse momento, seu organismo passa a ter necessidade de emoções mais fortes, de show mais espetaculares. Como se a “droga” anterior não fizesse mais efeito e eles precisassem de algo mais forte.

A vida dessa pessoas é movida pelo êxtase (não é à toa que a droga mais excitante dos nossos tempos tem o nome de “ectasy”). Precisam sempre de mais para alcançar o mesmo resultado. E nunca alcançam a satisfação espiritual, porque a sua experiência não é verdadeiramente com Cristo, mas com o conteúdo material das igrejas.

Cambistas de sinais

Um economista americano, Nobel de economia em 1967, chamado Milton Friedman, ao se referir ao jogo econômico e empresarial que vigora desde a revolução industrial, cunhou a frase que se tornou clássica : “não existe almoço grátis”. Ele só queria mostrar que ninguém mais faz gentilezas ou cortesias. Se alguém está te pagando o almoço, é porque vai querer algo em troca disso.

Nas igrejas temos pessoas assim. Nas igrejas da moda temos muitas pessoas assim. Elas entregam a sua dedicação e a sua adoração...desde que sejam bem pagas por isso. Mas a sua moeda não é financeira, elas estão lá em troca de sinais, de milagres. Esperam que a sua suposta dedicação espiritual lhes traga benefícios na suas vidas pessoais. Que a sua fé vai ser bem remunerada em forma de sucesso profissional, prosperidade e admiração pelo mundo. Estão na igreja em busca da mesma “sorte no amor, no trabalho e nos relacionamentos” que são vendidas pelas cartomantes de plantão.

Quando as suas vidas tem algum contratempo é porque a igreja não está lhe remunerando bem. São cambistas de sinais e prodígios. Os mesmos que seguiram a Cristo, mas Ele não se confiava neles.

Crentes fora de moda

Do outro lado da mesa, temos uma série de pessoas que são crentes muito sem graça. Pessoas que são capazes de passar uma vida inteira na mesma igreja. Cantar os mesmos hinos com prazer durante décadas. Pessoas que não se incomodam se o pastor é um orador mais ou menos brilhante, pois tem a convicção de que o que importa é a mensagem que vem de Deus. Pessoas que chegam a acreditar até mesmo que o infortúnio pessoal faz parte dos planos de Deus para as suas vidas.

São como alguns que usam o mesmo modelo de roupa desde que se tornaram adultos. Nunca mudaram o corte ou a cor dos cabelos. Não precisam ler as últimas fofocas para se sentirem atualizadas. Definitivamente são os crentes fora de moda.

Mas são exatamente essas pessoas os esteios de cada igreja local. Pessoas que preferem a certeza da fé e da sólida doutrina aos encantos passageiros do mundo. Não estão preocupadas com a admiração da sociedade, mas com a satisfação de Deus com elas.

Essas pessoas são assim porque, ao contrário dos demais homens tiveram a sua natureza humana transformada em novas criaturas. E são, justamente elas, que um dia irão ouvir : “servo bom e fiel....entra no gozo do seu Senhor” (Mateus 25:21).

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Um jovem de valor


O teu pai não comeu e bebeu, e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso lhe sucedeu bem.Julgou a causa do pobre e necessitado; então lhe sucedeu bem. Porventura não é isso conhecer-me? diz o Senhor. Jr 22:15-16

Era uma vez um jovem que nasceu numa família complicada. Seu avô, apesar de ter nascido numa família de pais crentes e piedosos, era um agoureiro, advinho e tinha se metido em rituais de magia negra e sacrifícios humanos. O pai não era nada melhor, pelo contrário, era tão ruim que acabou sendo assassinado pelos seus próprios empregados. Aos 8 anos o jovem estava orfão no meio de uma família que há mais de 50 anos tinha se afastado de Deus.

Aliás, como a maioria daqueles que nasceram em famílias não crentes, exceto pelo fato que, felizmente, não tiveram seus pais assassinados, vêm de famílias que acreditam em ocultismo, adoram ídolos e que desconhecem por completo o Deus verdadeiro.

Não se sabe exatamente como, aos 16 anos, esse jovem teve o seu encontro com Deus. Não só a sua vida foi transformada, mas ele passou a empreender a missão que lhe cabia de transformar o seu país. Acabou com todos os vestígios de idolatria e de feitiçaria dentro e além das suas fronteiras. Certamente muitos se salvaram por causa do esforço desse jovem (que também morreu jovem, aos 39 anos) que não era pregador, nem profeta. Que não tinha nome de enviado de Deus, ao contrário, seu nome era "o Senhor sustenta".

Um jovem que pregava com as suas ações e o seu testemunho, a ponto da Bíblia relatar que antes dele não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro semelhante. Nem Davi. O nome desse jovem era Josias. Um homem que não se desviou nem para a direita, nem para a esquerda. Um ilustre desconhecido de muitos crentes, infelizmente.(recomendo que você pegue sua Bíblia e leia II Cr 34 e 35 e II Rs 23 em diante)

A história de Josias nos deixa lições importantes :

A primeira é que nem a salvação, nem a perdição são hereditárias, os descendentes de Josias também se afastaram de Deus e, como Ele mesmo já avisara, o povo acabou punido com a destruição e o exílio anos mais tarde.

A segunda é que são os nossos atos que falam mais alto na nossa tarefa evangelizadora. Discurso sem vida não comove ninguém. Mesmo porque a conversão verdadeira acontece no coração, mas se manifesta em ações. Boas ações não salvam ninguém, mas os que são salvos as praticam.

A terceira é que não existe idade para se começar a labutar na seara de Deus. Nunca se é jovem demais, nem velho demais. Nem para continuar. Crente de verdade nunca se aposenta. Sabemos que nem todos serão salvos através do nosso trabalho, o que não justifica desistirmos deles.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sede de vingança


“Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó, e os espalharei em Israel. “( Gn 49:7)


Conta o livro de Gênesis que, habitando Jacó e seus filhos na região de Siquém, um dos filhos de Hamor (dono das terras) se enamorou de Diná filha de Jacó e , num arroubo juvenil acabou por possuí-la . Em seguida , os filhos de Jacó exigiram que toda a casa de Hamor se circuncidasse para que Siquém pudesse ter Diná como esposa. Quando todos os homens da cidade passavam pelo período mais doloroso da recuperação cirúrgica, Simeão e Levi , provavelmente com seus servos invadiram a cidade e mataram todos os homens e saquearam os seus bens.

Jacó teve duas atitudes em relação a isso, primeiro a de repreensão dos filhos , mostrando que, por causa disso, ele e sua descendência seriam odiados pelos moradores da terra. Mais tarde, quando abençoa os filhos antes de morrer, Jacó mostra não ter esquecido a traição e vingança dos filhos e acaba por amaldiçoá-los , mostrando a futura divisão e dispersão dos seus descendentes e o fim das suas tribos enquanto povos.

Quando abrimos os jornais, o que mais lemos é sobre a sede de vingança e de retaliação de vários povos. A vingança já começou na forma de preconceito, xenofobia e ataques contra pessoas cujo único erro é terem aproximadamente a mesma origem étnico-religiosa dos inimigos e promete se estender aos povos que vivem em países que abrigam refugiados – mesmo sabendo-se que muitos deles não concordam com as ações dos mesmos.

Ninguém questiona que a atitude de Siquém em relação a Diná foi errada , nem se acredita que as ações terroristas recentes e passadas sejam justificadas, pelo contrário foram de uma crueldade monstruosa. Mas a vingança incontida não é o que Deus espera dos seus filhos, da mesma forma como Jacó não esperava isso dos seus.

Os filhos de Jacó deveriam ser exemplos. As pessoas que efetivamente são cristãs não podem se deixar levar pela propaganda da retaliação e da justiça com as próprias mãos. Aqueles que pregam isso, até por terem espírito de cowboys do velho oeste , acreditam sua vingança seja uma forma de justiça e, pretensiosamente, a intitulam de infinita. Mas nós sabemos a quem pertence a vingança – e não é a nós.

Que possamos, como verdadeiros cristão, estar espalhando essa mensagem e evitando que outros sejam amaldiçoados como foram Simeão e Levi.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A oferta de Caim

"...mas para Caim e para a sua oferta não atentou." Gn 4:5


Nós costumamos agradecer aquilo que Deus nos dá, com a certeza que tudo vem d´Ele. Damos graças nas nossas orações. Devolvemos o nosso dízimo. Até damos ofertas especiais em algumas ocasiões. Mas como é que temos agradecido ?

É verdade, alguns nem agradecem e fingem que não é com eles. Outros se limitam a um obrigado. Muitos retribuem os presentes de Deus. Poucos reconhecem a Sua soberania sobre todas coisas, especialmente sobre as suas vidas.

Caim e Abel foram pessoas gratas a Deus. Isso num tempo em que nenhuma lei prescrevia que devessem algum tipo de oferta, ou seja, ambos deram voluntariamente (o que também demonstra que não é porque a oferta é voluntária que ela é melhor). Cada um deles ofertou conforme o fruto do seu trabalho.

Deus aceitou a ofera de um e rejeitou a do outro. Será que temos um Deus carnívoro que não gosta de vegetais ? Se assim fosse, Deus não teria requerido ofertas de manjares como está escrito em Levítico 2. Como podemos entender a forma como Deus julga as nossas ofertas ?

Basta olhar com cuidado para essa história :

Deus não gosta de sobras

O texto diz que Caim deu um fruto da terra, enquanto Abel ofertou as primícias e a gordura (a melhor parte). Deus se agrada de quem o coloca no lugar certo - o primeiro lugar. De quem lhe oferece o que tem de melhor. Não de quem paga as contas e, se sobrar oferece algo. Não de quem vai à Igreja só quando não tem um programa melhor. Não de quem doa aquilo que ocupa espaço na sua casa e precisa se livrar. Nem aceita a desculpa de que "não é o melhor, mas é sincero". De boas intenções, já diria minha mãe, o inferno está repleto.

Deus não se vende

Deus não barganha com o que é a obrigação do crente. Ao contrário do que algumas seitas preceituam, Deus não negocia bençãos no balcão dos púlpitos. Deus não nos deve nada, se Ele nos dá algo é por sua maravilhosa graça, não pelo nosso merecimento. E a primeira primícia que Ele quer é a nossa vida. Não há oferta ou trabalho que esconda uma vida de pecados ou dedicadas a outras atividades. Da mesma forma que não existe dedicação à Igreja que substitua a permanente entrega das nossas vidas a Deus.

Deus não se deixa iludir

Uma vida de entrega a Deus só conduz a mais entrega, uma vida afastada de Deus só leva a mais pecados. Não podemos jogar a culpa da rejeição em Deus, se somos rejeitados é porque provocamos isso e, como Deus alerta Caim, há tempo de se corrigir, mas se não houver correção, vai pecar ainda mais - que foi exatamente o que aconteceu.

Caim agradeceu. Abel se declarou um servo. Você tem feito o que ?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Os melões do Egito

Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. Nm 11:5

Eu gosto de comer (basta reparar no meu tamanho) e de cozinhar (se você der uma passeada pelo Mens Insana, meu blog de generalidades, vai encontrar várias receitas).

Eu nunca fui ao Egito, nem em algum restaurante egípcio mas, se algum dia tiver essa oportunidade, eu já sei quais serão os pratos que eu vou pedir : salada de pepinos, peixe com alho porró e, especialmente, melões de sobremesa. Eu sempre quis saber que gosto têm os melões do Egito.

Pense junto comigo. O povo de Israel tinha sido liberto da escravidão e dos trabalhos forçados. Testemunhara maravilhas que Deus operara na vida deles, incluindo a fabulosa travessia a seco pelo mar Vermelho e, para completar, estava a pouco dias de viagem da Terra Prometida (ainda não tinha sido condenado a passar 40 anos no deserto) e, no caminho, eram literalmente alimentados com o pão do céu. Poderia estar numa situação melhor ? Tinha do que reclamar ?

Mas reclamava. Ou, pelo menos, alguns grupinhos reclamavam daquela "porcaria" do maná que tinham de comer todos os dias e, nesses momentos tinham saudades da comida da escravidão. Tinham a pachorra de dizer que comiam de graça. Lembro quando fui para a Inglaterra, em 1976, com um grupo da Cultura Inglesa. Alguns jovens que estavam comigo ao invés de aproveitar a oportunidade de conhecer um novo mundo, estavam mais preocupados com as saudades que tinham do feijão.

Isso sempre me faz lembrar alguns pseudo-cristãos que vivem, como a mulher de Lot, olhando para trás com saudades do tempo de escravidão. Jogadores de futebol que se dizem convertidos, mas na hora do jogo dão pontapés, xingam o juiz e gritam palavrões, afinal, jogo é jogo. Músicos ditos "de Cristo" , mas que não converteram seus ouvidos. Também existem os avarentos "de Cristo", que não converteram os seus bolsos e os torcedores "de Cristo" que não podem perder um jogo por causa de coisas menores como cultos. Um dia ainda vão ouvir desse mesmo Cristo : nunca vos conheci !

Os convertidos de verdade (conversão é, literalmente, mudança de direção) foram salvos da escravidão do pecado, testemunham a presença de Deus nas suas vidas e, em pouco tempo, estarão na Terra Prometida. Podem ter saudades dos melões do Egito ? Conversão implica em arrependimento sincero, tristeza pelo que fazíamos no passado. É vida nova, mudança - se não houve mudança, algo está errado. É alegrar-se sempre com os dons de Deus, o maior deles, a salvação.

De qual maná você anda cansado ? Desse hábito chato de ler a Bíblia ? De ter de acordar cedo para ir à escola dominical ? De encontrar aqueles velhos implicantes ou aqueles jovens rebeldes que freqüentam a sua Igreja ?

Quando isso acontece é hora de você examinar o seu coração e escolher entre a Terra Prometida com Deus ou o prazer momentâneo das codornizes (depois leia todo o capítulo 11 de Números, caso você não lembre quais as consequências disso) - e descobrir que o maná é muito mais saboroso que qualquer melão.