quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Dos mortos só se fala bem

Não queremos , porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais que não tem esperança.(I Ts 4:13)


Eu sempre me surpreendo com o dia de Finados. Pessoas acorrendo maciçamente aos cemitérios a ponto das autoridades do trânsito terem que montar esquemas especiais que facilitem o fluxo das pessoas e dos carros em torno deles. Floriculturas cheias e se enchendo de dinheiro, seja pela quantidade vendida, seja pelos preços que praticam nessa época. Mesmo quando o feriado facilita as viagens de turismo, o panorama não muda muito.

As perguntas são inevitáveis. O que essas pessoas esperam encontrar ? Será que acreditam que os seus queridos que já partiram estão ainda dentro do túmulo aguardando uma visita ? Será que estão apenas cumprindo um rito social ? Ou estão apenas desafogando o seu complexo de culpa por não terem dado a atenção necessária à pessoa quando ela estava viva e acham que visitando o seu túmulo estão compensando essa falta ?

Os crentes da Tessalônica também tiveram dúvidas a respeito do destino dos seus mortos e Paulo , ao escrever para eles, orienta-os para que não sejam ignorantes a respeito desse assunto. É a ignorância que faz com que culturas antigas reverenciem os mortos. Algumas delas justificadamente, pois nunca ouviram o plano de Deus e , portanto, não sabem que a alma daqueles que foram salvos já está com Deus, e a dos que não foram salvos já está eternamente afastada do criador.

Nós não podemos alegar essa ignorância. Sabemos o provável destino daqueles que partiram, os seus frutos , quando estavam vivos, demonstravam de qual lado eles estavam. Também não podemos reverenciar restos mortais corruptíveis, pois temos a certeza que os corpos dos que foram salvos ressuscitarão no último dia recebendo um novo corpo , incorruptível, com os quais passarão a vida eterna.

Nós podemos falar bem dos nossos mortos. Ou não. De qualquer forma é com essas palavras da Bíblia que devemos nos confortar, nunca da forma como se confortam aqueles que não tem esperança.

sábado, 20 de setembro de 2008

Por uma igreja séria e atuante

A igreja evangélica opta - consciente ou inconscientemente pelo caminho do Titanic. De nada serve limpar as cadeiras no convés.(Volney Faustini)


Volney Faustini, mais do que um excelente profissional que milita na mesma área que eu, é um amigo do coração e verdadeiro irmão. Inconformado com os rumos do movimento evangélico como um todo, escreveu uma lista do que ele percebe como os grandes problemas que enfrentamos dentro de casa (ou seja, dentro das nossas igrejas).

O texto é, obviamente uma visão generalista, raras e nobres exceções não são avistadas a olho nu, mas existem.

No texto, ele pede a colaboração de todos na construção de um texto coletivo que possa levar a alguma ação efetiva. Abaixo segue a minha reescrita, assim como o original, serve como referência, reflexão e aceita sugestões e acréscimos.

1. Crescente Infantilização Teológica

Nossas igrejas temem o estudo teológico sério. Partem do princípio que os crentes, leigos, não serão capazes de compreender temas mais complexos, o que, por si só é negar a capacidade de Deus de se revelar a seu povo. Nossa produção é pífia e fraca. Na grande maioria das vezes não há discussão (no sentido acadêmico e nobre). Os centros de estudo se fecham em posições cada vez mais extremadas.

Qualquer voz discordante é abatida no nascedouro, sem piedade. Antagonizar para tirar mérito e em seguida desclassificar. Traduzem-se diretamente livros textos que se canonizam via comando e controle com um marketing impositivo e arrogante. Parece que não há mais nada para aprender, desenvolver, contextualizar, analisar, contrapor, acrescentar ou diminuir (claro que não nos referimos a acrescentar ou diminuir a Bíblia, mas o estudo teológico sobre ela). Muito menos revolucionar.

Primeiro corolário : Rebanho Vazio e Superficial.

Na sua grande maioria o rebanho evangélico é massa de manobra e mercado de consumo de produtos pseudo-evangélicos. Apesar do grande volume de Bíblias e livros vendidos nos últimos anos, a leitura é disfuncional e superficial. A postura bereana é nula ("porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim" At 17:11). A fraca herança educacional só contribui, e pouco se desafia no sentido da mudança. Interessa à liderança essa perspectiva sombria pois serve como cortina para que os jovens pastores se 'percam' com seus problemas micro.

Segundo corolário : Ausência de Inovação e Estrutura na Educação Teológica.

O postulante ao ministério e pastorado carece de opções. A concorrência entre ofertantes é mínima - há o que sobra, o resto. Pelo porte do Brasil, temos quantos bons centros de preparo teológico e pastoral? Somos quantos Estados da Federação? Temos quantas cidades representativas? Se tivéssemos um exame da OAB Teológico, qual seria o número de aprovados? O que fazer? Pior, muitas das igrejas que se dizem evangélicas, por princípio, ordenam ministros sem nenhuma formação teológica (afinal, para que estudar essas coisas complexas que não vão ser usadas no ida a dia?)

Terceiro corolário : Produção editorial ridícula

Com um mercado relativamente grande as editoras tem tido bons anos de resultados financeiros, sem no entanto se deter para preparar e lançar autores nacionais. Ou melhor, bons autores nacionais. O que temos visto e lido tem sido abaixo da crítica, quando não são reprodução de teses acadêmicas, são textos supostamente apologéticos que mais parecem auto-ajuda.. Deveríamos também reconhecer que nossa dependência em importar e traduzir obras estrangeiras é uma acomodação num modelo ultrapassado e que em nada vai auxiliar em prol da mudança. Que tal um esforço na descoberta e desenvolvimento de novos autores?

2. Esvaziamento da Liderança Nacional

Longe de regurgitar o choro dos órfãos de fulano ou beltrano, e muito menos apregoar um papismo à la gospel tropicalista. Mas refiro-me a nomes de expressão nacional que não se intimidem frente a um debate público de nível (sem artimanhas apelativas do tipo 'mas a Bíblia diz'). Público perante a população em geral, e público também para o interno - os evangélicos. Carecemos de nomes que aglutinem e que enobreçam a representatividade. Nomes que não firam a decência evangélica. Nomes que não tragam uma agenda repleta de politicagem (com cheiro de enriquecimento ilícito e sangue de inocente). Nomes que não nos remetam às suas agendas comerciais de produtos editoriais de quinta categoria. Nomes que sejam genuinamente brasileiros e sim - comprometidos com a transformação macro, ainda sob o risco de serem taxados de messianistas ou ortodoxos.

Primeiro corolário : Espetacularização do Ridículo transformado em Ícones da Juventude

A crescente busca por impacto em apresentações e aparições de certos nomes da fama, tem produzido uma estapafurdia caricatura do cristão. A demanda pelo novo (no sentido de moda, modismo, lançamento) tem criado espetáculo histriônicos numa mistura de pseudo espiritualidade e exageros emotivos e manipulativos. Isso tudo só serve aos imbecis. E os imbecís são servidos 'a eles', aos borbotões. A alavancagem midiática serve à comercialização e interesses empresariais. O ministério, para esses, não se encontra em nenhuma lista de prioridades. Sem engano.

Segundo corolário : Reedição da Dependência externa

Não sabemos o que é mais é triste (o que é pior) : receber o filho de Billy Graham como grande esperança ou manter certos "apóstolos" no status-quo. Por falta de mais alternativas. Rick Warren ou bossa nova na casa de espetáculos ? Programas 'top-down', transmissões via satélite (dubladas ou tradução simultânea)? Grandes nomes para grandes massas ou massas grandes para nomes grandes? Em pleno século XXI, repetimos os trejeitos de uma republiqueta de bananas. Em pleno avanço de país emergente e possivelmente uma das 5 grandes potências em 25 anos, somos, como povo evangélico imaturos, dependentes, bebês-chorões, mimados, fracos e covardes. Não há nem contra-argumentos, nem justificativas.

Terceiro corolário : Institucionalização do poder dentro da própria Instituição.

As agendas (ou a missão) das instituições foram substituidas pelo fim em si mesmo. Ao invés de serem meios para se alcançar o ideário cristão maior, se tornaram matriz da manutenção de poder. Pessoas no comando, mantém, reforçam e garantem o poder para se manter, reforçar e garantir o poder. Organismos que nos remetem ao feudalismo misturado com um capitalimo desenfreado - ora usando a máquina encastelada, ora a dependência econômica. Há exceções - mas façamos uma auto-crítica profunda e descobriremos que o buraco é mais embaixo.


3.Imobilidade

Convivemos no passado com gente que por idade (éramos mais jovens) ou ingenuidade, facilmente se entusiasmava para colocar ordem na casa. Era relativamente mais fácil de se juntar e tomar pelo menos uma atitude e assinávamos uma Declaração. Hoje nem atitude nos é servida nem sequer temos para oferecer. De imediato produziamos um Manifesto ou uma carta aberta. Hoje vejo muita gente infeliz, aflita e revoltosa, com seus corações muito afinados com a agenda do Reino de Deus, a grande Comissão, o testemunho pessoal íntegro e uma vida exemplar de santidade e compromisso. Mas estão isolados e desarvorados com o que nos desafia diante do atual estado das coisas.

Corolário absoluto : Ausência de movimentos de ruptura.

Acomodação, desânimo, distanciamento. Por essas e outras razões, é muito difícil esperar por um movimento de reflexão e de mudanças. Uma iniciativa que venha propor alternativas positivas, que auxilie os que realmente são sinceros e desejosos do progresso do Reino - sem demagogia e sem falsas promessas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Palavras, palavras

A morte e a vida estão no poder da língua... Pv 18:21


Respondendo a Polônio, que lhe perguntava o que lia, Hamlet diz : "palavras, palavras, palavras... "

Ouvindo os nossos políticos na televisão ou algumas pessoas que sempre estão se justificando, tenho muitas vezes me lembro da frase do príncipe da Dinamarca.

Deus nos mostra dezenas de vezes na Bíblia o poder e a fraqueza, o bom e o mau uso das palavras. No decálogo entregue a Moisés, dois mandamento se referem ao uso das palavras, das sete abominações citadas por Salomão (Pv 6), três estão no falar, Cristo menciona várias vezes problemas com as palavras, Tiago dedica um capítulo inteiro da sua carta ao tema.

Palavras são penetrantes, podem ir fundo no coração do homem. Também tem alcance e se ramificam rapidamente.

Palavras, no entanto, não substituem atos, meras palavras levam à penúria (Pv 14:23). Também não alteram os fatos (contra os quais não há argumentos, já diz um dos nossos ditados populares). Além disso, não são nenhuma garantia de ação.

Palavras podem ser hipócritas (disfarçando o que realmente sentimos), falsas (só uma mentirinha), maledicentes (você viu o que o fulano fez?), inoportunas e torpes. Aliás, esse hábito têm se multiplicado entre os cristãos que acreditam que o uso comum de termos chulos os tornam aceitáveis. Esquecem que o testemunho também está no bem falar e que são exatamente eles que deveriam ser diferentes do resto do mundo.

Boas palavras também têm poder, penetração e alcance.

Boas palavras são honestas em qualquer situação, como beijo nos lábios (Pv 24:26).

Boas palavras são poucas, até o tolo quando se cala é sábio (Pv 17:28). Quanto menos falamos menos pecamos, no muito falar não falta transgressão (Pv 10:19)

Boas palavras são calmas. Escuta-se antes de julgar, esperam que os ânimos serenem, influenciam as pessoas e desviam o furor (Pv15:1)

Boas palavras são aptas. Estão sempre preparadas para responder adequadamente, para a edificação.

Tiago diz que quem domina a língua, é capaz de dominar todo o seu corpo.

Você se domina ou é dominado pelas suas palavras ?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Dia de festa

Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1:12

Tiago era um sujeito que sabia bem o que era passar por dificuldades. Presenciou o sacrifício de Cristo. Viu muitos dos seus pares serem presos e mortos. Vivia no centro da perseguição religiosa ao cristianismo. Passou fome junto com toda a igreja de Jerusalém.

Mesmo assim ele começa sua carta fazendo uma declaração de amor pelas provações. Não diz para as pessoas simplesmente tolerarem as dificuldades mas para se alegrarem. E muito. Momentos de provações deveriam ser motivo de festas. Ser perseguido pelos homens ou pelo Diabo, um privilégio.

Certamente Tiago não era um precursor do masoquismo. Era um homem que conhecia perfeitamente o objetivo de todas aquelas dores. Assim como a prata e o ouro precisavam passar pelo fogo para atingir a pureza, as provações fazem parte do processo de refinação da nossa fé. Não um teste de fé, mas o fortalecimento daquela que já existe nos nossos corações - da mesma forma que não adianta passar uma pedra qualquer pelo fogo, não vai surgir ouro puro se já não existir ouro em estado bruto.

Ele também nos ensina como lidar com a situações de perigo : usando a sabedoria que, como qualquer judeu da época sabia e nós deveríamos saber também, principia no temor de Deus. Ele aprendeu as lições ensinadas por Salomão. Sabedoria é dada se medidas por Deus, basta pedir com humildade e confiar. Mais adiante, Tiago vai explicar porque muitas das nossas orações são desconsideradas por Deus que é um pai sério e não quer que seus filhos mimados e indolentes (engraçado que tem gente que acha que cristianismo é sombra e água fresca, confundem chuva de bençãos com dinheiro caindo do céu).

A provação produz perseverança, uma atitude ativa (muito diferente da paciência que é passiva), o crente quando provado tem uma resposta forte e ativa e, como qualquer exercício, isso gera crescimento espiritual. Nenhum atleta alcança bons resultados sem esforço físico. Nenhum crente recebe a coroa da vida sem esforço espiritual.

Isso não quer dizer que toda provação vem de Deus. Ele testou muitos dos seus servos, para o fortalecimento da fé dos mesmos, mas nunca para induzí-los ao pecado. Dizer que Deus atraiu alguém para o pecado é pecar duplamente e atentar contra a santidade do Criador.

O luterano Bengel já dizia que "as sugestões do diabo não representam perigo, até que elas se tornem as nossas". Se você morder essa isca, não culpe ninguém, a não ser você mesmo. Adão já tentou aplicar esse golpe, culpando Deus (a mulher que o Senhor me deu...) e o resultado nós conhecemos bem.

Você está passando por provações ? Comemore. Você nunca passa por provações ? (humm... algo está errado). Resista ativamente às provocações, se sentir que precisa de ajuda, peça sabedoria a Deus e cresça espiritualmente.

Caso sinta-se tentado a culpar Deus. Tenha um espelho sempre à mão para descobrir o verdadeiro culpado.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Liberais e conservadores

Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 1 Co 10:23

Conversando outro dia com uma amiga de igreja eu comentava que nos meus tempos de mocidade eu era visto como um bicho meio estranho (não que tenha deixado de ser). Eu era considerado um liberal pela turma conservadora e, a turma que se dizia liberal me achava conservador demais.

Como não gosto de rótulos nunca me denominei um liberal-conservador, tão pouco um conservador liberal, até porque, além de não definirem nada são oxímoros.

Alguns líderes religiosos, de tempos em tempos, resolvem se promover com discursos liberais que afrontam suas (assim declaradas) convicções religiosas. Alguns para conquistar adeptos para suas seitas, outros, por pura vaidade de aparecer na mídia.

E quando são entrevistados ainda tem a cara-de-pau de dizer que aquelas são opiniões pessoais e não representam o pensamento da sua organização religiosa. Como é que eles conseguem ter essa vida dupla eu, até hoje, não consegui compreender.

O que é ser liberal ? Ser conservador é exatamente o oposto disso ? Os crentes devem ser liberais ou conservadores ?

A palavra liberal tem origem num termo que significava "um tecido que se separava facilmente", algo que não se fixava de forma sólida. Com o tempo, passou a designar idéias ou opiniões avançadas (em relação a paradigmas estabelecidos), e também idéias e pessoas que se julgavam livres e tolerantes.

Conservador, por outro lado, são as idéias e pessoas hostis a qualquer inovação, adeptos das tradições. Conservar é evitar a deterioração.

Tanto um termo como o outro são usados indistintamente de forma elogiosa (de um liberal/conservador para seus pares) ou pejorativa (em relação aos oponentes). Sem nenhuma ambiguidade, nós devemos ser conservadores em algumas coisas e podemos ser liberais em outras.

Me explico melhor.

Nós devemos ser radicalmente conservadores nas doutrinas que alicerçam a nossa crença (a Salvação pela graça, só através da Fé no sacrifício de Cristo, nosso único e suficiente intermediário com Deus), no nosso monoteísmo, nas escrituras como única regra de fé e de prática.

Podemos ser liberais no comportamento - até o limite do escândalo do próximo - o amor ao próximo é o que limita a nossa liberdade. A recomendação bíblica é a de sempre se pensar primeiro no interesse do outro.

Podemos ser liberais em idéias sociais, econômicas e políticas - até o limite onde isso não se oponha à Palavra de Deus.

Podemos até ser liberais na forma de culto - até o limite da ordem (1 Co 14:23,33)

Em tudo mais até o limite da edificação e do crescimento espiritual. E sabemos muito bem quando algo não é sensato, quando o que fazemos não é para glória de Deus.

Agindo dessa forma, nunca precisaremos nos preocupar em adotar essa ou aquela postura. E nenhum rótulo conseguirá se colar nas nossas testas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Um bando de incompetentes

Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; 1 Co 1:27

O princípio de Peter (no caso, Lawrence Johnston Peter) dizia que todo mundo é incompetente, inclusive você! Ele demonstrava que em qualquer função as pessoas chegam a um ponto onde acaba a sua competência e que elas deveriam administrar esse fato, não se deixando passar para esse ponto.

Nosso Deus sabe exatamente qual é o limite de competência de cada um mas, ao contrário do que se espera dos líderes da administração, Ele resolveu escolher justamente esses para realizar a sua obra. Não os sábios, não os poderosos, não os nobres.

Jacó era um trapaceiro. Raabe uma prostituta. Sansão um destemperado, Rute uma imigrante catadora de sobras. Saul nada mais era que um flanelinha (sua função era tomar conta das bagagens enquanto os líderes discutiam coisas sérias). Davi, um moleque que cuidava de ovelhas. Eliseu um lavrador. Jonas, um medroso. Amós, um boiadeiro. Além de um bando de pescadores toscos e alguns que ressaltaram seus próprios defeitos (Jeremias se achava uma criança e Isaías confessava ser um homem de lábios impuros).

Incompententes na visão quem ? Da nossa, é clara. Nós que nos achamos o máximo. Eles foram vítimas de preconceito no seu tempo, como seriam hoje se estivessem entre nós. O pai de Davi não o deixou ir para a batalha, era apenas uma criança. Amós foi chamado de conspirador barato. Elias de perturbador. Jeremias foi jogado numa fossa. Os apóstolos foram tidos por bêbados, iletrados e inclultos. Paulo teve de exortar a igreja a respeitar Timóteo (era muito jovem aos olhos dos crentes).

Claro, não se pode negar que todos possuíam dois problemas sérios : eram pecadores e totalmente despreparados para o tamanho da missão que receberam. Mas o que é que nos leva a olhar tantos servos de Deus como pessoas de segunda classe ? Por que é que nós somos preconceituosos ?

Primeiro porque nos falta Humildade (relação de cada um consigo mesmo) : nós nos achamos melhores que os que foram escolhidos, mais inteligentes, mais preparados, mais eruditos. Não será por nossa própria vanglória que deixamos de ser escolhidos tantas vezes (Gl 5:26). Será que Deus não escolhe os mais simples justamente para nos envergonhar (e para que nos humilhemos?)

Em segundo lugar, somos preconceituosos por falta de Amor (relação com o próximo). Falta do puro e genuíno amor que não se ensoberbece (1 Co 3:4). Será que Deus não escolhe os incompetentes para nos dar a chance de mostrar o nosso amor ?

Finalmente, somos preconceituosos por falta de Fé (relação com Deus). Se duvidamos da escolha de Deus é porque não acreditamos na capacidade d´Ele de selecionar. Chegamos a pensar que Deus deve ter se enganado e o "raio da eleição" caiu no cara que estava do nosso lado e não em nós (como se Deus pudesse se enganar). Isso só demonstra a nossa falta de crescimento espiritual (Ef 4:11-12) e é Deus mesmo que declara que escolhe uns para aperfeiçoamento de outros.

Qual é o seu problema pessoal ? Falta de humildade, de amor ou de fé ? Bata um papo com Deus a esse respeito, certamente ele pode te transformar.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Quem precisa de igreja?

Saudai também a igreja que está na casa deles. Rm 16:5



Freqüentemente ouvimos pessoas que se autodenominam cristãos tentando justificar sua ausência na igreja (em qualquer igreja). O discurso é sempre o mesmo: não é a igreja que salva, me decepcionei com as pessoas, a igreja é uma estrutura burocrática, o pastor é isso ou aquilo.

A igreja, como a conhecemos hoje, surge na era apostólica, ou melhor, surgem, pois eram várias igrejas, cada uma definida pelas pessoas que se congregavam, Paulo se refere a “todas as igrejas de Cristo” (Rm 16:16) quando quer fazer menção das igrejas locais.

Isso, porque uma coisa é a Igreja Universal (não, não estou me referindo a essas que se dizem “universais”): aquela que congrega todas as pessoas que tem Cristo como seu único e suficiente Salvador. Aquela cuja cabeça é o próprio Cristo e da qual nós todos somos partes do corpo. Aquela das pessoas cujos nomes foram arrolados no céu.

Outra é a igreja local, que reúne pessoas que compartilham a mesma fé e que se congrega regularmente, como preconiza o autor de Hebreus (Hb 10:25). Local onde se ensina a escritura, celebram-se a ceia e o batismo, local de adoração, louvor, oração. Local de correção e disciplina, mas também de conforto e encorajamento. Que tem como missão buscar os que não tem Cristo e ajudar os necessitados.

Sendo essa uma estrutura neotestamentária é justamente nesses livros da Bíblia que encontramos a descrição de que pessoas precisam da igreja:

a) Pessoas humilhadas pelo pecado: que sabem o valor dos bens espirituais. Mesmo porque, quem não tem a coragem ou a humildade de reconhecer os seus pecados não vê nenhum valor em fé, amor e esperança. O mesmo livro de Hebreus (3:7-13) exorta os crentes contra os duros de coração. Esses se bastam, não precisam nem de Deus, nem de igreja.

b) Pessoas dependentes: não existe nenhum ser no mundo que seja totalmente independente (a não ser o próprio Deus). Na igreja somos todos dependentes uns dos outros e, todos juntos, dependente do cabeça da Igreja. Pessoas auto suficientes, pessoas que acreditam que a fé se pratica isoladamente, no mínimo, se acreditam possuidoras de todos os dons. Ou acham que o corpo funciona só com um pedaço – e que eles são esse pedaço mais “nobre”.

c) Pessoas imperfeitas: já ouvi que “o desafio de viver como um perfeccionista é tão agradável quanto abraçar um cacto”. Mas muita gente sai da igreja porque ela está cheia de pessoas imperfeitas. Claro, são elas que precisam de igreja, não os que se enganam a si próprios achando que são os melhores (1 Jo 1:8, 10).

d) Pessoas que precisam de ensino: quanto mais estudamos a palavra de Deus, mais precisamos aprender, sejam aqueles que bebem do leite espiritual, sejam os que já comem alimentos sólidos, todos precisamos continuar crescendo, naquele que é o cabeça, Cristo (Ef 4:16). “Se alguém acha que sabe alguma coisa, ainda não sabe como convém saber”. (1 Co 8:2).

e) Pessoas esquecidas: algumas pessoas gostariam de esquecer fatos das suas vidas, mas é impossível viver num mundo onde esqueçamos sempre de tudo. Muitas vezes esquecemos dos nossos maus comportamentos do passado...e voltamos a eles (Tt 3:3). Josué já recomendava que nunca nos afastássemos da lei, sob o risco de esquecer e pecar.

f) Pessoas com problemas: a igreja não foi feita para pessoas que podem carregar sozinhas os seus fardos, exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, já recomendava Paulo aos Tessalonicenses (1 Ts 5:11-15), ele sabia que cada um dentro da igreja tinha os seus problemas e precisava da ajuda dos demais. Quem prefere a distância da igreja nunca tem a quem recorrer, ou acredita que é um sujeito tão importante que Deus, ao invés de usar a igreja, vai lhe oferecer uma linha particular diretamente com o trono.

g) Pessoas perdidas: você já se perdeu em algum lugar? Enquanto não achava que estava perdido (e muito acham que não estão), a sensação era de liberdade e prazer. Mas quando percebemos que não conhecemos o caminho de volta, o sentimento é aterrador. Os que estão perdidos não tem alívio e nem a chance de se apoiar em outros perdidos.

Quando Cristo ordena a João que escreva às igrejas locais (Ap 2 e 3) Ele se dirige a igrejas cheias de problemas e de defeitos. Ainda assim eram as Suas igrejas, que precisavam de admoestação e de correção. Em nenhum momento somos recomendados a abandonar a igreja.

Éfeso era uma igreja tão ocupada com outras coisas que tinha esquecido de amar a Deus. Esmirna era uma igreja sofredora e pobre. Pérgamo vivia no meio do pecado (mas que honrava a palavra mesmo num lugar ruim), Tiatira tolerava corruptos, Sardes vivia de aparências, Laodicéia se acomodou na sua riqueza material. Filadélfia reconhecia a sua dependência e sabia que não tinha força.

Onde você vai encontrar uma igreja perfeita? (como se você o fosse...): em lugar nenhum enquanto a Igreja Universal não estiver toda reunida no céu.

Enquanto isso, não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns (Hb 10:25) certos de que mesmo em igrejas imperfeitas, as portas do inferno não prevalecerão (Mt 16:18).

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mentira - estudo bíblico

1. Definição : Mentira : faltar com a verdade, iludir a mente ( mens)

Latim : mentire – imaginar , inventar
Grego : pseudos – falso

2. Discussão filosófica e teológica

enunciato falsi – verbal ou não verbal , pode ser uma mentira ou não ( ignorância, equívoco)

Intenção de enganar quando se espera/obriga que falemos a verdade : violação de uma obrigação . Não se espera que , numa guerra, um comandante militar não tente enganar o adversário.

Perigos da relativização : os fins justificam os meios


a) Jesuítas : se a intenção é boa , o ato é bom
b) Uma obrigação “superior” absolve o erro de uma ação “inferior”
c) Gera abusos : idéia de fraude piedosa (a serviço da religião)

Tomás de Aquino : 3 tipos de mentira – Perniciosa – Benevolente – Jocosa

Agostinho : mentira sempre é pecado ( mesmo quando não intencional)

3. A mentira através da Bíblia

Adão e Eva : porque estavam nus ou porque desobedeceram ?

Caim : acaso sou eu guardador...
Abraão : ela é minha irmã (Gn 20)
Rebeca : ajudando Jacó a enganar Isaque
Jacó : o enganador
Raquel : enganando o pai (Gn 31:34-35)
As parteiras do faraó ( Ex 1)
Arão : não fui eu (Ex 32:22-24)
Balaão : impedido de mentir (Nm 23:12,26)
Raabe : enganando os guardas ( Js 2:4-6)[1]
Acã : furtaram e dissimularam (Js 7:11)
Sansão mentindo para Dalila
Samuel : mentindo para Saul (1 Sm 16:1-4)[2]
Um profeta mentiroso (1 Rs 13:19)
Eliseu : um falso guia de cegos (2 Rs 6:14-20) [3]
A mentira de Davi no caso Bate-Seba
Reis de Judá : idólatras e mentirosos
A mentira de Pedro
Ananias e Safira

Devemos concluir então que a Bíblia é formada por uma coleção de mentirosos ??

4. Como Deus vê a mentira

a) Deus é a verdade e não mente : Nm 23:19 ; Rm 3:3-4
b) O pecado separou o homem de Deus e da verdade : Is 59:1-3; Os 10:13 ; 2Ts 2:7-12; Rm 1:24-25
c) O homem natural se tornou prisioneiro da mentira : Is 28:15 ; I Pe 2:22 ; Ap 2:2
d) A vida do homem natural é dirigida pela mentira : Sl 62:4; Am 2: 4 ; Jo 8:44 ; At 5:3
e) A lei é clara sobre a mentira : Ex 20:16 ; Lv 19:11-12
f) O fim dos que mentem : Sl 5:6 ; Ap 21:8
g) ...e dos que não mentem : So 3:13; Ap 14:5
h) O homem espiritual ( novo homem) não mente : Sl 119:163; Pv 14:5; Ef 4:25 ; Cl 3:9

5. Outras situações mentirosas

a) Chamando Deus de mentiroso : 1 Jo 1:10 ; 5:10
b) Os vários pseudos : Mt 7:15, 24:24, 26:60 ; 2 Co 11:13, 26 ; 2 Pe 2:1

Bibliografia :

AGOSTINHO . Confissões – De Magistro. Editora Abril. 1984
Bíblia de Estudo de Genebra –versão revista e atualizada – Cultura Cristã/SBB . 1999
Bíblia Sagrada – versão revista e atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil . 1969
CALVINO, João . As Institutas. Casa Editora Presbiteriana. 1985
DAVIS, John D. Diccionario da Biblia. Centro Brasileiro de Publicidade. 1928
DOUGLAS, J.D & TENNEY, Merrill C. The new international dictionary of the Bible. Zondervan. 1987
FERREIRA, Júlio Andrade. Conheça sua Bíblia. Livraria Cristã Unida.
HODGES, Charles. Teologia Sistemática. Editora Hagnos. 2001
KÜNG, Hans. On being a christian. Wallaby.1976
METZGER, Bruce M. & COOGAN, Michael.D. The Oxford companion to the Bible.Oxford University Press.1993

[1] O que salvou Raabe ? A mentira ou a sua confissão (Js 2:11-13)
[2] Mas ele não deixou de fazer o que disse que faria
[3] Mas ele cumpriu o que falou e guiou os soldados até o homem que buscavam

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Reflexões breves

Por que Jesus? – Atos 4:11-12

Essa semana assistimos em casa a série de filmes de Indiana Jones. O segundo episódio, “O templo da perdição”, certamente o mais sombrio dos quatro, mostra a aventura do herói resgatando crianças de um templo hindu onde as mesmas eram oferecidas em sacrifício (um ritual antigo que até mesmo judeus idólatras praticaram na adoração a Moloch). Um fato em comum a todos os cultos idólatras é o de que os pseudodeuses mais pedem do oferecem. Neles, é o homem, por suas práticas que poderia se salvar. Sabemos que é uma falácia. Nenhum homem tem essa capacidade e, por isso mesmo, só mesmo através da Graça de Deus que podemos ser salvos e os nossos pecados pagos. Só um, único e suficiente, Cordeiro de Deus pôde pagar, com o seu sangue, as nossas culpas. Os que não aceitam esse favor de Deus, vão continuar procurando caminhos próprios para a sua salvação – e nunca vão encontrá-los.

Útil Para o Ensino – 2ªTimóteo 3:15-17

Em pedagogia aprendemos que a palavra currículo, de origem latina, significa o curso, a rota, o caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou grupo de pessoas. Quando somos mais específicos entendemos que significa a organização de atividades que serão realizadas pelo professor e seu grupo de alunos. Paulo, quando escreve a Timóteo, lhe ensina que tudo aquilo que precisamos aprender para o curso das nossas vidas, está nas escrituras. Desde a criação até a consumação Deus nos revela quais são as atividades que devemos praticar para alcançarmos sabedoria, a justiça e, principalmente, materializa em Cristo o único caminho para a vida eterna. Só os que seguem esse currículo é que se habilitam para a perfeição.

Discernimento de Paulo – Atos 16:16-18

Tenho ouvido com bastante freqüência relatos de pessoas que freqüentam igrejas que se autodenominam como evangélicas, falando do “poder espiritual” dos seus líderes em desvendar os mistérios e segredos das vidas das pessoas que adentram seus templos. São relatos assustadores, essas manifestações não diferem muito do poder demonstrado por adivinhos e cartomantes, mas são anunciadas como revelação do Espírito Santo. A Bíblia nos adverte que muitos falsos mestres surgirão falando em nome de Deus e realizando maravilhas para tentar confundir os salvos – até mesmo declarar que somos servos do Deus Altíssimo, como fez essa jovem possessa em relação a Paulo e seus companheiros de viagem. Como ele, quem tem verdadeiramente o Espírito Santo nas suas vidas, não se deixa iludir pelo engano, nem por aquilo que pode parecer sagrado, mas é demoníaco. Peça a Deus discernimento, embriague-se do Espírito. E viva de acordo com a vontade daquEle que é a única verdade.

Disciplinado Pelo Senhor – 2ºCrônicas 33:1-2; 10-13.

O fato de sermos escolhidos, resgatados e chamados para ser povo de Deus não significa que estamos imunes ao pecado. Pior, não estamos livres de, eventualmente nos afastarmos de Deus e praticarmos coisas abomináveis. Todas as vezes que o povo de Deus se afastou dele, Deus o disciplinou com o objetivo de que se humilhassem e reconhecessem que só através do Senhor poderiam alcançar graça, misericórdia e salvação. Ser disciplinado por Deus não é uma desgraça, mas uma benção destinadas àqueles que Ele ama. Só deveríamos nos preocupar quando, apesar de pecadores e infiéis, nada nos acontece, pois isso seria um sinal de que Deus nos teria abandonado aos nossos próprios pecados e, aí sim, estaríamos perdidos. Ninguém deve se afastar de Deus em busca dessa benção. Mas, se isso acontecer, deve reconhecer que só o imenso amor do Pai é que permite que sejamos reconciliados com Ele.

Sabedoria Dada por Deus – Gênesis 41:16, 32, 33, 39,40.

Salomão escreve no livro de Provérbios que o temor do Senhor é o princípio do saber. Paulo escrevendo a Tito recomenda que a sabedoria seja pedida a Deus, que a concederá liberalmente. José, no texto que lemos, reconhece que não tem nenhuma sabedoria que não seja a da revelação de Deus. O homem pode acumular informações, gerar e distribuir conhecimentos (aliás, nunca se gerou tanto conhecimento como nos tempos atuais). Nada disso tem alguma serventia ou utilidade se não for usado de maneira sábia, e esse discernimento do que usar, de como usar e para que usar, só vem de Deus que é o princípio, o meio e o fim de toda sabedoria.

Deus Conhece Seus Servos – Juízes 7:9-15

“Conhece a ti mesmo", dizia Sócrates, o filósofo grego. O autoconhecimento tem sido a busca do sucesso de todos os homens que acreditam que podem realizar algo pelas suas próprias mãos. Livros de auto-ajuda e manuais de desenvolvimento e crescimento pessoal proliferam nas livrarias as nas bancas de jornal (e, infelizmente, nas cabeceiras de muitos crentes). Gideão não acreditava em suas próprias forças, não conhecia a si mesmo e duvidava que seria capaz de combater o imenso exército dos midianitas. Deus lhe mostrou quem é que agiria por ele e ao lado dele. Só quando reconhecemos que não temos a capacidade de conhecer nem a nós mesmos, e que só Deus conhece realmente quem somos e nos habilita para Sua obra, através do Seu poder, é que vamos ser úteis para o trabalho cristão.

Cumprindo Uma Promessa – 1ºSamuel 20:15; 2ºSamuel 9:1, 13.

O verdadeiro cristão é alguém que reconhece Cristo como seu único salvador, que usa a palavra de Deus como seu guia de vida mesmo quando disciplinado, sabe que a sabedoria e o discernimento só vem de Deus, e só Ele conhece a cada um de nós. Quem vive assim, procura agir da mesma forma que seu único modelo que é Deus, e ele nunca deixou de cumprir suas promessas. Se temos de Deus essa garantia, devemos replicá-la na nossa relação com todos os homens. Aquilo que falamos, que seja o que cumprimos – certamente seremos reconhecidos por Deus e pelos homens como servos fiéis.

Publicado originalmente no boletim da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em Julho de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Frutos ou moto serra

se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás. Lc 13:9


A figueira, das árvores que conhecemos até hoje, é a primeira a ser citada na Bíblia (de suas folhas, Adão e Eva coseram suas vestes), era um símbolo de paz e prosperidade (1 Rs 4:25 e Mq 4:4) e também aquela que provia os pobres de alimento, pois qualquer um podia se servir de seus frutos e existia em todos os lugares, inclusive dentro das vinhas, onde era muito comum. A vinha, em muitas passagens bíblicas, é a forma como Deus se refere a Israel - seu povo- que somos nós mesmos, o Israel de Deus.( Is 5:1-7).

Dentro desse contexto é que podemos entender mais claramente a parábola que Jesus nos apresenta.

Deus, o Senhor da vinha, olha para o Seu pomar e identifica uma árvore que não dá frutos. Ele sabe que as árvores não frutificam de uma hora para a outra, esperou um tempo longo, mas não ilimitado, exerceu sua paciência, o que não significa que tolera indefinidamente a inutilidade. Ainda assim, atende aquele que é o cuidador da vinha, e intercede por suas árvores. O viticultor se compromete a uma última tentativa e concorda que, se não mudar a situação, a figueira deve ser cortada.

Deus nos plantou para que déssemos frutos para Ele. Através de Cristo nós, que éramos estéreis, fomos redimidos e transformados em árvores produtoras. Como corpo de Cristo não temos motivos para não dar frutos. A menos que sejamos árvores estranhas no meio da vinha.

Assim como na parábola, nem todos que convivem com o corpo de Cristo fazem parte do mesmo. Muitos só estão ocupando espaço no pomar, usufruindo os benefícios do cuidado, da água e dos nutrientes do solo sem, no entanto, gerarem fruto algum.

Se estamos descansados e acomodados - infrutíferos, podemos ter a certeza que Deus já estabeleceu o Seu limite.

Devemos sempre estar prontos a servir. Ou nos prepararmos para ser cortados.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Nos passos do apóstolo

"Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?" João 14:5

Dos 12 apóstolos de Jesus alguns se destacaram por fatos positivos, negativos, ou ambos.

Pedro é, certamente o mais conhecido. Intempestivo, passional. É também o que reconhece Jesus como o Messias. De André, seu irmão, pouco sabemos. Tiago e João, outra dupla de irmãos. junto com Pedro, são os que estão presentes em momentos fabulosos como a transfiguração. Mateus, o coletor de imposto, é também um dos evangelistas. Felipe, o que pergunta o que fazer para alimentar a multidão, é também aquele que pede para ver o Pai.

Sobre Bartolomeu, só citado na lista dos 12, Tiago de Alfeu, Tadeu (também nomeado de Tiago e Judas - nome que é descartado depois, pois ficou mal visto) e Simão Zelote pouco sabemos. De Judas Iscariotes ninguém esquece.

Já Tomé, Dídimo, normalmente só é lembrado como o homem a quem faltou fé. Tomé e Dídimo (versão grega do nome) quer dizer gêmeo. Ele aparece três vezes no evangelho de João, mas é o suficiente para aprendermos boas lições com ele (mesmo porque, se não fosse, para que estaria na Bíblia?)

Eu sempre acho que somos precipitados ao julgar Tomé quando ele duvida da ressurreição (Jo 20:29). Será que os demais não duvidariam ? Será que nós não duvidaríamos ? A sua incredulidade foi instrumento de Deus para nos ensinar como funciona a fé - crer no que não vemos. Por outro lado, apesar do momento de dúvida, ele não deixa de mostrar que é conhecedor da soberania de Deus, ao declarar que Cristo é Deus e Senhor.

Tomé também é o homem da ignorância sincera (Jo 14:4-5) e perguntar, afinal das contas, para onde é que Jesus iria. Os demais ficaram quietos, como se soubessem. Ele preferia demonstrar a sua ignorância a correr o risco de ficar sem Cristo e essa vontade era maior do que a vergonha de perguntar diante dos seus companheiros. Quantas vezes temos vergonha de perguntar coisas sobre a Bíblia que nós não entendemos (mas achamos que é feio admitir que não sabemos). Nosso orgulho não tem sido maior que a nossa vontade de conhecer a vontade de Deus ?

Tomé também é aquele que se dispõe a ir com Cristo até a morte (Jo 11:16). Diferentemente de Pedro que não tinha idéia do sofrimento pelo qual Jesus iria passar, Tomé sabia exatamente o que o ameaçava (apedrejamento). Talvez a afirmação tenha sido mais um sinal de lealdade do que de fé madura, mas ele preferiria morrer com Cristo do que viver sem Ele. Sua convivção era tão forte que convenceu os demais discípulos a voltar com Jesus para a Judéia.

E nós ? O que temos feito ?

Não corremos o risco de apedrejamento (pelo menos por enquanto). Mas se corressemos o risco de perder Cristo até onde seríamos capaz de ir ?

Não temos protegido o nosso orgulho ? Será que amamos mais a nossa própria cabeça dura ou a Deus ? Nós sempre vamos ter dúvidas que não podem ficar sem resposta.

Temos titubeado em nossa fé ? Com certeza. Sempre temos de pedir mais fé, o que não podemos perder de vista é quem é o nosso Deus e o nosso Senhor.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Cristianismo, aborto e deficiência

Assim como, no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até o ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição
(I Pe 2:1)

Com pai de uma criança com Síndrome de Down e moderador de um grupo de discussão sobre o assunto eu acompanho diariamente as notícias que surgem sobre o assunto. Há alguns dias fui surpreendido por um artigo no site “Mídia sem máscara” , onde uma articulista católica dava um puxão de orelha num ex-pastor presbiteriano por ele ter recomendado no seu Blog a um missionário que descobrira que seu filho que estava por nascer teria Síndrome de Down, que o mesmo deveria abortar a criança.

Estarrecido, fui buscar o texto original, que me chocou ainda mais que o artigo que eu tinha lido, nele surgem algumas afirmações assustadoras. Como não acredito que ele seja realmente um pastor, aquele que protege suas ovelhas, vou me referir ao mesmo apenas como o “pseudo-pastor”.

A citações são as originais do texto deste senhor.

Pseudo pastor : "Creio que há duas situações nas quais levar uma gravidez desse tipo até o fim é objeto de aceitação, e que pode virar até mesmo em alegria e contentamento. A primeira é quando o casal não sabe e tem o filho com tal deficiência."

Ou seja , a ignorância prévia justifica ter o filho deficiente ? As pessoas que não tem condições financeiras ou culturais para realizar os sofisticados exames de detecção pré-natal seriam obrigadas a aceitar a deficiência do filho como a vontade de Deus, enquanto que aqueles que tem podem fazer prevalecer sua vontade sobre a do Criador ?

Pseudo pastor : "Conheço muitos pais com filhos portadores da “Síndrome de Down” e que reportam o fato de que tais crianças são alegres e felizes, embora criá-las mude toda a vida do casal e da família, sem falar que na adolescência, com o aparecimento dos impulsos sexuais, em geral os portadores da síndrome manifestam intensa energia de natureza sexual, nem sempre fácil para os pais quanto a fazer a gestão de tais impulsos e suas práticas."

Antes de falar essas coisas , o pseudo pastor deveria se informar melhor. Esse é um dos mitos e lendas sobre a SD (o impulso sexual incontrolável). Eles não são diferentes de qualquer adolescente em época de furor hormonal....o comportamento que eles vão ter (assim como de qualquer outro adolescente) vai depender muito da educação que receberam.

Mesmo que fosse verdade, quer dizer que as pessoas que manifestam intensa energia de natureza sexual não deveriam viver ? Quantas pessoas sem nenhuma deficiência se comportam sexualmente de maneira que julgamos inadequada ? Se, nesse caso a medicina desenvolvesse testes pré natais que detectassem essa tendência, provavelmente esse sujeito recomendaria o aborto delas também ?

Pseudo pastor : "No entanto, se o casal foi informado durante a gestação, e se angustia com o que será de suas vidas e da vidinha da criança, a menos que surja uma súbita convicção da parte de Deus no coração, o que deve ser feito é o que vocês fizeram." (o grifo é meu)

E se surgir uma súbita convicção que Deus não quer o filho mesmo sendo "normal" ?? Como surge essa súbita convicção ?? Estamos falando de novas revelações de Deus ?

A revelação de Deus nas escrituras é clara sobre a proteção à vida. Mais do que isso, Deus deixa bem claro durante toda a escritura que ele é Senhor soberano sobre todas as coisas e que nada acontece sem que ele permita. Quando pergunta a Moisés que dizia ser um deficiente (tinha problemas de fala), Deus responde: “Quem faz a boca do homem? ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego?. Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.” (Êxodo 4:10-12)

Nesse momento Deus está assumindo a responsabilidade pela deficiência de Moisés. E Ele diz que fez isso intencionalmente ! Logo, meu filho não é vítima de um “acidente genético”. Deus é o que fez dessa forma. Mas , o mais interessante é que Deus não vê atraso mental, nem cegueira, nem surdez como uma deficiência. Ele não vê nenhum movimento pelo qual o problema de fala de Moisés pudesse impedir que ele fizesse a obra para qual estava sendo chamado. Deus promete não só acompanhá-lo, mas a ensinar o que a sua boca deveria dizer. O sucesso de Moisés na vida não dependia de suas próprias habilidades, mas de Deus que estaria com ele.

Pseudo pastor : "Creio também no Deus que vê o coração, e que não julga como julga o homem, e que sabe com que coração vocês tiveram que fazer isto."

Ainda bem que Deus não julga como o homem... Se julgasse estaríamos todos condenados. Isso não significa que tudo que fazemos de coração está de acordo com a vontade de Deus, pelo contrário, a nossa natureza é pecadora e corrupta e o nosso coração não tem capacidade para decidir pelo bem. A frase é verdadeira, Deus sabe com que coração essas pessoas tomaram essa decisão, com o coração do homem natural.

Pseudo pastor : "Pecado, meu irmão, é ter filhos sem amor, é deixá-los crescer sem afeto, é não educá-los na justiça e na misericórdia, e, sobretudo, é chamá-los à existência sem que se tenha a disposição em amor quanto a cuidar deles; e isso todos os dias da vida que sobre a terra nos for dada viver."

Ou seja, o filho de um estupro é pecado da estuprada ? Os filhos das pessoas que não conhecem meios contraceptivos são resultado do pecado ?

Com essa afirmação também concluo que os filhos que não foram amados pelos pais estão automaticamente excluídos da graça de Deus e, portanto, nunca poderão encontrar a verdadeira felicidade.

Pseudo pastor : "Pecado não é abortar a criança que nasceria sem meios de viver a vida com independência, sendo que tal decisão foi objeto de dor e tristeza (Deus vê) por parte dos pais. Não! Pecado é gerar filhos que existem como abortos vivos no chão da Terra."

Absolutamente intolerável...está chamando os deficientes de abortos vivos ???? Essa semana eu distribuí para os grupos que coordeno uma matéria sobre um paralisado cerebral com grave comprometimento físico...que escreve com a boca...e está no 2o ano da faculdade de jornalismo...isso é um aborto vivo ? Eu preciso apresentar ao pseudo pastor dezenas de pessoas deficientes que levam vidas independentes : cegos que são promotores de justiça, surdos que são professores universitários, tetraplégicos que são gestores públicos importantes, autistas que são grandes músicos, jovens que tem deficiência intelectual que são alunos universitários, bibliotecários, professores de jardim de infância.

Pseudo pastor : "Quanto ao mais, meu querido amigo, cuide bem de sua esposinha, encha-a de amor e carinho, e, tão logo quanto seja possível, busquem juntos ter um outro filho."

Esse não vai ser fruto do pecado....eu imagino...

Pseudo pastor : “O que tanto você quanto a sua esposa precisam saber é que nesta vida, no chão dessa Terra caída, onde nascem aberrações — “cardos e abrolhos”—, ninguém tem a chance de poder fazer o tempo todo apenas as coisas boas e ideais.”

O meu cardo/abrolho está na cozinha ouvindo e cantando músicas de um disco de músicas evangélicas da Igreja Batista da Lagoinha, posso ouví-lo em alta voz cantando “Aos olhos de Deus, você é uma obra prima que Ele planejou com suas próprias mãos...”, depois de passar um dia divertindo-se no parque. Eu o prefiro imensamente mais às rosas artificiais do pseudo pastor.

Não há nada aqui que impeça qualquer pessoa, com ou sem deficiência, de ser bem sucedida diante de Deus. A minha função como pai não é a de preparar os meus filhos (com ou sem deficiência) para ser um membro produtivo da sociedade, mas ensiná-los a respeito da justiça, da bondade e de como caminhar humildemente com Deus.

Os profetas do Antigo Testamento já acusavam os falsos profetas de mentir para o povo e para os reis com o objetivos de agradá-los. Cristo já nos alertava sobre o surgimento de falsos mestres que tentariam nos enredar com suas palavras agradáveis. Eles estão aí ao nosso lado, se intitulam pastores, continuam a distorcer a palavra com o objetivo de agradar aos seus seguidores, relativizam as verdades absolutas de Deus de acordo com os seus interesses, inventam novas revelações de Deus para atingir seus ganhos pessoais.

Fiquemos atentos e alertas. Dediquemo-nos ao estudo da Palavra para que não sejamos enganados pelas palavras falaciosas. E que Deus nos proteja e nos ajude.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Salomão e os dias de hoje

E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo, e dai a metade a uma, e metade a outra.I Reis 3:25

Encontrei a parábola abaixo no "Quer ler ? eu deixo..." o excelente blog da Bel. Nesses tempos que vivemos, onde a vida tem cada vez menos valor, me pareceu bastante adequado.

"Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:

- Doutor, o sr. terá de me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...

E então o médico perguntou :

- Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?

A mulher respondeu :

- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher :

- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.

E então ele completou :

- Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...

A mulher apavorou-se e disse : Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime!

- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la."

Os defensores do aborto têm tentado convencer as pessoas que eles tem bons motivos para cometer seus crimes.

Os argumentos são sempre falaciosos e induzem os incautos a achar que a dita "opção" é o melhor caminho.

Alegam incapacidade de mães para cuidar dos seus filhos (ou porque são adolescentes ou porque já tem muitos filhos), que crianças com deficiência vão ser infelizes e trazer infelicidade para as suas famílias ( eu que o diga, quem conhece meu filho e minha família sabe como nós somos "infelizes", assim como dezenas de outras famílias e pessoas com deficiência com quem eu convivo), que filhos indesejados vão sofrer...

O pior de todos, é o que alega que a mãe deve ter direito sobre o seu corpo, como se nós fossemos os legítimos proprietários de nós mesmos. Mesmo que fossemos, a propriedade seria sobre o nosso corpo, não sobre o outro corpo que foi gerado.

Muitos cristãos têm se deixado levar por esses argumentos, talvez, com isso, se achando mais contextualizados no mundo moderno. Esquecem quem é o Senhor da vida e da providência e, no mínimo, tornam-se coniventes com o crime.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A utilidade de um desertor

Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. II Tm 4:11b

Na sua primeira viagem missionária, além de contar com a experiência e apoio de Barnabé, Paulo também teve a companhia do sobrinho deste, João Marcos.

O jovem filho de Maria, dona da casa onde se reuniam os cristãos (At 12:12), não aguentou o tranco e, provavelmente, deu algum trabalho aos dois antes de desertar e voltar para casa. Quando faziam os seus planos para a viagem seguinte Paulo e Barnabé se desentenderam. Barnabé convidara Marcos de novo, e Paulo disse que com esse tipo de gente ele não ia.

Não se sabe o motivo da insistência de Barnabé, se era pelo vínculo familiar ou pelo fato do cipriota ser um mestre em dar segundas chances às pessoas (não tinha sido o próprio Paulo rejeitado pelos discípulos e acolhido por Barnabé? At 9:26-27). Paulo não quis correr riscos com um companheiro duvidoso e arriscado, estava mais preocupado com a missão do que com o jovem fujão. Cada um foi para um lado levando o seu auxiliar preferido.

Mas é o próprio Paulo que vai mostrar, anos depois, que ele mudou e que Marcos mudou.

O mesmo desertor covarde vai ser o companheiro de prisão do apóstolo (Cl 4:10). De companheiro de risco passou a ser uma companhia consoladora e altamente recomendada. Quando escreve a Timóteo, Paulo afirma que Marcos lhe é útil para o ministério (II Tm 4:11). O que aconteceu com Marcos ?

Certamente a combinação da tutela de Barnabé, a influência de Pedro (que o considerava como filho - I Pe 5:13) e a disciplina de Paulo tiveram impacto na sua vida. Instrumentos de Deus para mudá-lo. Marcos esteve em Roma, de onde foi para a Ásia, provavelmente foi missionário na região de Colossos ou Éfeso - certamente estava perto de Timóteo.

Paulo também mudou. Reconheceu em Marcos um homem transformado por Deus. Viu nos seus atos (testemunho) a prova da sua fé. O homem que acabou sendo um dos personagens mais importantes da nossa herança cristã ao escrever um dos evangelhos, mesmo não tendo convivido com Jesus, a partir dos relatos de Pedro e de outros que frequentavam sua casa.

Quando observamos pessoas que se afastam da Igreja temos sido Paulos ou Barnabés ? Será que também não estamos abandonando aqueles que consideramos desertores ? Quando essas mesmas pessoas reaparecem na Igreja, temos as acolhido como Paulo, ou temos guardado ressentimento de suas atitudes do passado.

Seja um pouco Barnabé com aqueles que se afastam. Seja um pouco Paulo com aqueles que retornam. Quem ganha é a obra de Deus, a quem devemos toda glória.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Oficiais na Igreja

I Tm 3:1-13 Tt 1:5-9

1.Introdução

a)Igreja tem de ter estrutura de governo,organização.

Cada Igreja seu governo local ("kata polin")
Pastor não tem lugar fixo, mas missões

b)Presbíteros regentes e docentes(pastores)
Diáconos
"Bispo"= governador , superintendente

c)Hierarquia: subordinação formal não significa que um ofício é mais importante que o outro. Não existe "promoção" de um ofício para o outro.

d)Quem escolhe oficiais são os membros da Igreja. Função do pastor é de organizar e presidir a assembléia, orientar a Igreja sobre a escolha e ordenar os oficiais(At 14:23)

e)Importância do ofício: boa obra (excelente), mas também trabalhosa, dura e difícil. Conduz e vela pelo rebanho.

f)Importância da escolha: auto-análise do candidato(sem pretensão e reconhecedor da vontade de Deus), tão importante quanto a análise da Igreja sobre as qualificações.

2.Qualificações necessárias : não deve ser qualquer um

Oficiais: diferente no ofício - qualificações iguais

a)Irrepreensível: não existe ninguém sem pecado
"anegkleton"(Tt) - não ser marcado por infâmia
"anepilepton"(Tm) - não dá motivos para acusações
Manter a autoridade e o respeito junto ao rebanho.
Diferente do que se arrependeu de uma mancha grave

b)Marido de uma só mulher: em todos os sentidos

c)Não dado ao vinho: "paranoin"( para = excesso)
Não precisa ser abstêmio. Não pode ser dependente
Consequências da bebida:violência, falta de decoro, etc

d)Governe bem sua Casa:
Família: mulher(uma só carne) - vão servir juntos, filhos - crentes e obedientes
Casa: bom administrador dos seus bens(mordomo)
Vai cuidar de muitos "filhos"(rebanho) e administrar os bens de Deus.

e)Não seja neófito : novato na fé
Evitar orgulho que gere arrogância
Falta de firmeza na doutrina pode induzir a erros

f)Fiel à Palavra: firme no conhecimento
Pureza doutrinária - não acrescenta, subtrai ou distorce
Protetor da doutrina, sem escondê-la
Sabe lidar com sutilezas maliciosas e com as curiosidades inúteis que não edificam
Sabe reunir as ovelhas e afugentar os ladrões( que contradizem a doutrina)

g)Hospitaleiro: saber acolher estranhos
Não pode ser arrogante (se afastar das pessoas)

h)Sóbrio e temperante: moderado e moderador

i)Prudente: cuidadoso, vigilante

j)Decoroso: se porta com decência

k)Não tendencioso: caluniador, injuriador (fere com a língua - II Tm 2 : 24)
Não usa de dois pesos ou duas palavras

l)Não cobiçoso/avarento:
Objetivo de vida não é a riqueza material (risco de desonestidade)
Abre mão de lucro pessoal pelo ofício

m)Exemplo fora da Igreja: deve ser considerado pelos não crentes como alguém diferente

3.Qualificações do Ofício:

a)Presbítero/Pastor : apto a ensinar - Rm 12:7
Dom do ensino não significa oratória, mas saber transmitir conhecimentos e não divagações.
Para transmitir precisa conhecer a doutrina
Que seja tão paciente para aprender quanto capaz de ensinar:
- Dedicação ao estudo
- Humilde para aprender com os outros
- Consciente de não ser o dono da verdade

b)Diácono: apto para servir
Todo crente deve ser um servo, mas o ofício de diácono requer pessoas com uma dedicação especial para o serviço cristão

4. Como escolher:

a)Pedindo ajuda a Deus : oração

b)Entender a orientação de Deus na Bíblia : estudar

c)Submetendo os nomes à prova: análise das pessoas conforme a orientação bíblica

d)Evitar proselitismo: não fazer campanha política

e)Se submeter à Soberania de Deus e aceitar a Sua vontade

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Dez mandamentos - ênfase ativa


Os Dez Mandamentos - Ênfase ativa para os dias de hoje
Êxodo 20 : 1-17 Deuteronômio 5 : 1-21



1. As dez palavras : "Constituição" da Aliança - todas outras leis decorrem desta
2. Porquê era um povo, não mais uma família que, obedecendo receberia as bençãos desta Aliança
3. Povo escolhido: a lei foi dada para os salvos . Não é o meio de obter salvação. Indivíduos: a responsabilidade de cada um
4. Para cumprir a lei é preciso conhecê-la, guardá-la no coração e praticá-la
5. A palavra de Deus é eterna : tão válida hoje como nos dias de Moisés. Cristo é o cumprimento da Aliança - não a negação da mesma


Dois Mandamentos : Os dois relacionamentos do decálogo (Não existe independência das relações : uma só vale com a outra) - Relação Vertical : homem/Deus - Mc 12:29-30 x Relação Horizontal : homem/homem - Mc 12:31


6. Ênfase ativa : fugindo da "passividade" dos "não"

1. Não terás outros deuses diante de mim...
Unicidade de Deus que exige exclusividade
Idolatrias cotidianas: o ego, a família, o trabalho, os bens, o time de futebol...
Idolatrias cristãs : a igreja, a Bíblia, o pastor
Politeísmos modernos : Sincretismo(Nova Era), Panteísmo
Ênfase ativa: "O Senhor é Deus, o Senhor é Um" Dt 6:4

2. Não farás para ti imagens de escultura, nem as adorarás...
Deus se revela pela sua palavra (logos).Homem carece de revelação material e que possa controlar. Adoração de imagens = Abominação
Perigo do exagero : não é a escultura em si que é condenada
Perigo dos símbolos (representação material de uma benção espiritual): O exemplo da serpente de Moisés : II Rs 18:4 - Símbolos cristãos : a cruz, os elementos da ceia, o batismo
Ênfase ativa: "Deus é espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e verdade" Jo 4:24

3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão...
Essência da pessoa. Aviltar o nome é aviltar a pessoa. Vão : vácuo, nulidade, uso sem sentido, à toa
Perigos: Uso ingênuo, sem “malícia” ; Uso mágico ; Manipulação para objetivos pessoais ; Blasfêmia; Jurar em nome de Deus. Exagero judaico : proibir o uso do nome
Os nome de Deus :
a)'el (singular) 'elõhïm (plural) : deus de forma genérica .Quando se refere a Deus, usa-se complementos: 'elyon : Deus Altíssimo ;'el shaddai : Deus Todo Poderoso ;beth'el : casa de Deus
b)yahweh ou YHWH : Nome pelo qual DEUS se apresenta a Moisés. Eu sou o que sou - Ser Absoluto
c)'adhõnãy : meu Senhor - forma judaica para não falar YHWH ('sema Israel , 'adhõnãy...)
Usos do nome de Deus : Amar (Sl 5:11) Louvar(Jl 2:26) Seguir(Mq 4:5) Pensar(Ml 3:16) Esperar(Sl 52:9) Dar graças(Sl 54:6) Temer(Ml 4:2) Invocar(Sl 99:6) Proclamar(Is 12:4) Bendizer(Sl 145:1-2)
Ênfase ativa: "Celebrem os povos o Teu nome grande e tremendo : porquê é Santo" Sl 99:3

4. Lembra-te do dia de sábado...
Primícias/Dízimo : a parte representa o todo. Santificar o sábado é reconhecer que todos os dias são de Deus. Criação : dura 6 "dias" (Gn 2:2).Deus cansa? Descanso = interrupção (Deus cessa a criação)
Sábado (shabbãth = dia de descanso) : separar um dia da semana para dedicação a Deus (não exercer esforços naturais)
Sábado : judeus, adventistas, mórmons,etc.Domingo : presbiterianos, metodistas, batistas, católicos Base bíblica : Mt 28:1-6 - Ressureição (I Co 15:16-19)
Dia único : comunhão com o corpo de Cristo (Igreja)
Perigos: O dia mais importante que Deus(Mc 2:27-28, Mt 12: 1-14) ; Trocar o tempo de Deus por outras coisas.
Ênfase ativa: "Lembra-te do dia de descanso para o santificar" Ex 20:8

5.Honra a teu pai e à tua mãe...
Decálogo dirigido, a princípio a adultos (mais do que uma exortação a crianças)
Honrar (kabed) : Honrar aos pais é glorificar a Deus. Rigidez do mandamento : Ex 21:15,17 Lv 20:9 Dt 21:18-21
Sentido do sustento e Obediência (Ef 6:1-3 , Cl 3:20)
Perigos :achar que amaldiçoar não se refere a outras ofensas verbais (ofender, insultar, falar mal,etc) ; -meus pais não são crentes, não preciso obedecer...
Promessa: para que se prolonguem... (Pv 3:1-2)
Ênfase ativa : "Honra a teu pai e à tua mãe" Ex 20:12

6. Não matarás...
Vida : um grande mistério. Dom que só DEUS pode dar e tirar.Respeito à vida : Gn 9:6 .Cristo (muito além dos fariseus) : Mt 5:21-22, Mt 25: 31-46. ratsach : homicídio, assassinato involuntário, execução
Perigos: matando com o ódio (ou com ofensas) : assassinato espiritual (I Co 10:31-32) ; assassinato social (Mt 25:31-46) ; preocupação exagerada com a vida (idolatria) Mt 6:25-34 ; medo da morte (Fp 1:21-23)
Distorções perigosas: pena de morte (Jo 8:1-11) e anti-militarismo (Rm 13: 1-5)
Ênfase ativa: "Segui sempre o bem entre vós e para com todos" I Ts 5:15

7. Não adulterarás...
Velho Testamento : relação sexual extramarital entre homem(solteiro ou casado) e mulher casada. Crime contra o marido.Dicionário : relação entre um homem casado e uma mulher que não seja sua esposa, ou entre mulher casada e homem que não seja seu marido.
Dt 22:22-25 - definição de casos de adultério: mulher casada ; mulher solteira prometida ( mulher solteira não prometida não era adultério)
Novo Testamento : a intenção impura (Mt 5:27-28)
Velho Testamento : Ato - Homem x Mulher Casada
Novo Testamento : Intenção - Homem ou mulher x Casamento
Ênfase ativa: "Goza a vida com a mulher (homem) que amas, todos os dias de tua vida fugaz os quais Deus te deu debaixo do sol" Ec 9:9

8. Não furtarás...
Propriedade: o que de direito ou de fato pertence a alguém. Furtar/Roubar : qualquer atentado ou fraude à propriedade alheia
Propriedades: Bens Materiais: Êx 22:1-15, Pv 30:9 ; A propriedade intelectual : quem eram os "piratas"?
Roubando a coletividade: a questão da sonegação (Rm 13:7) ; Roubando o que trabalha para nós: os "sem registro em carteira"(Tg 5:4) ;Roubando de Deus : Ml 3:10
Ênfase ativa: "Ajuntai para vós outros tesouros no céu... porque aonde está o teu tesouro aí também estará o seu coração" Mt 6:19-20

9. Não dirás falso testemunho...
Dizer = responder, corresponder, reagir.Membros da comunidade do pacto devem dizer só a verdade.
Os falsos testemunhos: Ex 23:1-5 Espalhar boatos / fazer fofoca ; Ir com a maioria (contra a verdade) ; Ficar a favor do mais forte (contra a verdade)
Mt 5:33-37:Além dos fariseus - Não jurar - você não é dono de nada ; Mt 12:33-37 Do que está cheio o seu coração? Tg 3:1-12/ 4:11 A língua que tudo controla
Ênfase ativa: "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um" Cl 4:6

10. Não cobiçarás...
Pecado da mente e não dos atos externos.Cobiçar: chamadh-pensamento impróprio quanto à propriedade, tentativa de obter algo de forma ilícita (Dt 7:25, Js 7:21, Mq 2:2)
beça' - desejo por lucro desonesto (Pv 28:16 , Jr 6:13) / 'ãvâ - desejo egoísta (Pv 21:26) .O exemplo de Acã : Josué 7:16-26
Novo Testamento: epithymia - qualquer desejo intenso que, mal orientado pode se concentrar em dinheiro (At 20:33, I Tm 6:9)
pleonexia - avareza (equiparado aos vícios) (Lc 12:15, Mc 7:22, Ef 5:5, Cl 3:5) ambição egoísta : Tg 4:2
Ênfase ativa: "buscai ,pois , em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas" Mt 6:33

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Coisas de família

Felicidade no Lar – Salmo 128:1-4

A busca da felicidade é uma atividade incessante no ser humano. Todos anos publicam-se milhares de livros que oferecem uma fórmula mágica de satisfação pessoal, são os famosos livros de auto-ajuda. Como se o homem pudesse fazer alguma coisa de boa para a sua própria felicidade. O mais preocupante é ver muitos crentes seguindo as receitas desses livros – existem até alguns que se denominam de auto-ajuda cristãos (uma contradição em termos) – ao invés de procurar a única regra de fé e de prática. Felicidade na vida, incluindo o lar, que é uma parte dela, só com a presença de Deus. O temor ao Senhor é a nossa única certeza de uma família abençoada. A única ajuda que precisamos é a que vem do alto, o único livro necessário é aquele que o Pai nos deu.

Privilégio de Ser Pai – Salmos 127:3-5

Ser pai é algo tão importante que Deus mesmo se apresenta a nós como tal. Seja do seu Filho natural, Jesus Cristo, seja de todos nós, filhos por adoção. Receber a benção dessa analogia com Deus é algo tão maravilhoso que quando temos notícias de pais que abusam de seus filhos, alguns a ponto de matá-los, ficamos profundamente escandalizados. Pior, a cada dia, temos notícias de um número maior dessas situações escabrosas. O que leva o homem a agir como tal é a falta do conhecimento de Deus. Paulo, escrevendo aos Romanos (Rm 1:28-32) mostra os dois lados desse afastamento, o homem perde sua afeição natural pelos que deveria amar e perde o respeito aos próprios pais. Cabe a nós levarmos essa palavra aos que não a conhecem, de forma que possam, transformados, recuperar esse privilégio.

Amor de Pai – Efésios 6:4; I Coríntios 13:4-7

Pai é um bicho esquisito. Os filhos esperneiam, desobedecem, se metem em encrencas. Nós ficamos bravos, castigamos e brigamos. Mas nunca deixamos de amar. Se existe um relacionamento que mais se aproxime do amor perfeito descrito por Paulo aos Coríntios, esse é o dos pais em relação aos filhos. Ao mesmo tempo em que dedicamos esse imenso amor sabemos também que esses mesmos filhos não são nossos e que os recebemos apenas como mordomos de Deus para criá-los de acordo com a vontade d`Ele. Mais do que mimar, agradar e defender os filhos, nosso amor por eles só se concretiza quando os ensinamos a amar a Deus e a se entregar ao poder soberano do Criador. Amar os filhos implica em mostrar a eles a única coisa que realmente é indispensável na vida. O resto é só conseqüência.

Quando Era Menino – I Coríntios 13:11

Não lembro de ter visto meu pai muitas vezes na Igreja. Apesar de ser filho, sobrinho e irmão de pastores, suas raras aparições se limitavam a alguns eventos específicos como a profissão de fé e casamento dos filhos e o batismo dos netos. Quando meu tio ainda era vivo ele ainda ia todo o ano ao culto de Natal da Igreja Presbiteriana do Calvário. Mesmo assim, foi com ele que aprendi a gostar da nossa hinódia protestante, que até hoje ele canta de cor com as letras dos Psalmos e Hymnos e toca na gaita. Apesar de não ficar para os serviços eclesiásticos, nunca deixou de nos levar e buscar na Igreja. Também com ele é que aprendi muito do que sei de ética cristã e de comportamento. Nunca consegui copiar a sua proeza de decorar todas as perguntas e respostas do nosso Catecismo. Bons tempos de menino, mas ainda bons tempos de filho adulto.

Homem Cristão – Colossenses 3:19-21

Pierre Weil, um psicólogo francês, concluiu em seus estudos que há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada, segundo a qual tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz, deve ser considerado como normal e, por conseguinte, servir de guia para o comportamento de todo mundo e mesmo de roteiro para a educação. A essa crença deu o nome de Normose. Uma das normoses cristãs é acreditar que precisamos nos adequar ao mundo para que os nossos filhos não sejam discriminados pela sociedade. Achamos que isso vai poupar nossos filhos de sofrimentos quando, exatamente ao contrário, estamos expondo-os a todas as conseqüências de uma sociedade materialista, hedonista e imediatista. O homem cristão não pode se deixar cair nessa armadilha. Deve ensinar aos filhos que somos diferentes, separados, povo de propriedade exclusiva de Deus. Mesmo que isso signifique algumas dores no presente, de forma alguma se comparam à glória do porvir.

Reconhece as Virtudes – Provérbios 31:10-12; 28-29

Nossa educação, desde casa, passando pelos vários níveis escolares, sempre foi centrada no déficit, ou seja, sempre destacou mais o que não sabemos fazer do que o que sabemos fazer bem. Nunca tive a experiência de ter sido chamado na diretoria porque tinha tirado nota 10 de matemática. Como passamos cerca de duas décadas de nossas vidas dentro de escolas, acabamos por construir esse modelo de avaliar os nossos relacionamentos. Pergunte a um marido quais são os defeitos e qualidades de sua esposa – ele certamente vai lembrar melhor dos defeitos. Se a pergunta for feita para a esposa vai acontecer à mesma coisa. Poucos reconhecem as virtudes e, mesmo quando o fazemos, raramente as valorizamos. Quando foi a última vez que você parou para pensar nas qualidades únicas das pessoas da sua família? Quando foi a última vez que elogiou algo? Quando agradeceu a Deus a benção de ter essa família? Não lembra? Então aproveite para fazê-lo agora.

A Quem Honra, Honra – Efésios 6:1-3

Ser mãe não é padecer no paraíso. O paraíso que cremos e esperamos não tem nenhum tipo de padecimento ou sofrimento. Ser mãe envolve uma série de alegrias, mas também algumas tristezas e contrariedades que fazem parte na nossa vida terrena. Ainda que a obediência e honra aos pais seja um mandamento de Deus, nem sempre é uma constante nas famílias. É um direito das mães esperar essa atitude dos filhos. E também um dever. Esperar que filhos criados longe da Palavra de Deus e da Igreja honrem aos pais é a mesma coisa que esperar que eles aprendam a ler sem ir para a escola. Mães cristãs são aquelas que conquistam esse direito ao conduzir seus filhos pelo caminho da verdade. Filhos cristãos são aqueles que andam nesse caminho.

Publicado originalmente no boletim da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo em Maio de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Chefes e índios

E vós pais não, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor (Ef 6:4)

Conta um pastor americano que, certo dia, uma professora recebeu o seguinte bilhete da mãe de um aluno que chegara atrasado na escola : “por favor desculpe o atraso do Marcos. Essa manhã ele foi deposto do cargo de chefe para índio e a cerimônia demorou um pouco mais do nós imaginávamos.”

Atualmente essa cerimônia tem feito falta em muitos lares, seja de não crentes, seja de crentes. Infelizmente muitos pais tem releutado em exercer a responsabilidade e a mordomia que Deus lhes deu. O resultado é que os “negócios” da família são controlados pelos sócios mais novos da “empresa”. Os pequenos chefes precisam aprender o valor da submissão às autoridades. É a Bíblia que ensina “Filhos , obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”( Ef 6:1).

No entanto, apesar de ser a obrigação dos filhos obedecer, é dever dos pais se certificar que essa obediência está sendo observada adequadamente. No mesmo texto de Efésios onde encontramos a recomendação de que os filhos devem ser criados de forma amorosa mas dentro da disciplina e da admoestação do Senhor. O grande problema de muitos pais é acreditar que amor significa atender todos os desejos dos filhos. A criação dos filhos no Senhor é tão importante que é um dos pré-requisitos exigidos aqueles que aspiram a cargos de oficiais na Igreja ( I Tm 3:4-5).

Como é, então , que nós cristãos podemos evitar que os nossos pequenos índios se tornem os grandes chefes do lar ?

Primeiro : obediência é algo que se ensina o mais cedo possível – não se iluda pensando que um bebê não testa o controle dos pais e que não percebe que está ganhando ou perdendo espaço no controle do comando.

Segundo : a educação deve ser sempre com bom senso, nem tirânica nem relaxada. É importante ser justo no tratamento com as crianças – quando obedecem e quando desobedecem.

Por último : sempre que for necessário exercer a disciplina, a ação deve ser executada com amor – como Deus que só repreende a quem ama – quando uma criança percebe uma preocupação genuína por ela ela se sente muito mais confortável em obedecer uma ordem ou aceitar um bronca.

Será que você também não está precisando depor alguns chefes da sua taba ?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adoradores de Baal

"...mas vos serão por laço e rede, e açoite às vossas ilhargas, e espinhos aos vossos olhos, até que pereçais nesta boa terra que vos deu o Senhor, vosso Deus" Josué 23:13

Abraham Maslow é um nome mais do que conhecido por todas as pessoas que já fizeram alguma matéria ligada ao comportamento humano, sua famosa hierarquia de necessidade humanas talvez seja um dos modelos mais famosos na psicologia. O quarto dos cinco degraus dessa escala é o que trata das necessidades sociais ou de auto-estima e o principal aspecto desse degrau é a necessidade de pertencimento, ou seja, o ser humano precisa se sentir como parte de um grupo social, precisa do aval do seu grupo social para se sentir feliz.

Até aí, nada que possa interferir na vida religiosa das pessoas. Os crentes podem perfeitamente ter seus grupos sociais aos quais pertençam. O problema é que muitos crentes querem se sentir pertencentes de grupos cujas práticas não são compatíveis com a fé que professam e com o que Deus espera deles.

Crentes que acham que não tem nada demais participar ativamente de festas dedicadas a ídolos alegando que são apenas "inofensivas comemorações folclóricas". Crentes que acham bonitinhas fantasias de festas dedicadas a bruxas. Já ouvi até crentes que alegam que o carnaval é apenas um comemoração da alegria e que devem participar dessa felicidade carnal.

Conheço escolas e igrejas protestantes que inventaram simulacros das festas juninas (festa de origem portuguesa dedicada aos "santos populares", especialmente Antônio, João e Pedro) para agradar seus clientes. Acendem a fogueira comemorativa do solstício de verão, erguem os mastros dos santos e, se distrair ainda distribuem simpatias de Santo Antônio.Claro que também conheço escolas que, por saberem que seus alunos são de religiões diferentes, já avisam no começo do ano que a escola não tem esse tipo de comemoração, e por isso são acusadas, inclusive por alguns crentes, como sendo aquela gente "ortodoxa".

Apesar de todos os avisos de Deus, o povo judeu também quis se sentir pertencido na Terra Prometida, afinal, por que não socializar com os povos pagãos que habitavam na região participando de suas festas e comemorações ? Por que não imitar aqueles postes-ídolos tão bonitinhos (mastros) ? Eram festas tão bonitas que eram dedicadas a falsos deuses, apenas uma manifestação regional...

As consequências dessa confusão religiosa vocês todos, como bons leitores de Bíblia, já conhecem, afastamento de Deus, impureza, guerras, perseguições, cativeiro e destruição.

Será que realmente precisamos participar desses eventos que nos afastam de Deus para galgar o degrau da necessidade social ? Ou a graça nos basta ? Será que precisamos mostrar que somos iguais a todo mundo ou vamos ser sal da terra e luz do mundo ?

Se optarmos pelo afastamento de Deus, já sabemos o que nos espera. Se vamos ser insípidos, para nada serviremos além de sermos lançados fora e pisados pelos homens.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Meu tio Boanerges

“Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2:19)

Eu sei que a morte do tio Boanerges, há 5 anos, provocou um grande número de artigos, depoimentos, loas e apologias baseadas na sua vida pastoral, na sua atuação como líder da IPB, como autor de livros. Eu gostaria de falar um pouco a respeito dele como o tio com quem tive contato durante toda a minha vida, em alguns momentos com mais freqüência, nos últimos anos de sua vida de forma muito esparsa.

A recordação mais distante que tenho na memória é que na casa do tio Boanerges tinha um “jack-in-the-box” do marinheiro Popeye . Jack-in-the-box é aquele brinquedo que é uma caixa com uma manivela que você vai girando (e enquanto gira toca uma música) e, quando você menos espera a caixa se abre e um boneco salta à sua frente. Eu sempre vou associar a musiquinha do marinheiro comedor de espinafre aquele briquedo tocando “Popeye is the sailor man...Popeye is the sailor man...”


Daqueles tempos também lembro dos encontros de toda família para o culto de Natal , eram sete irmãos e dezenove primos. Depois do culto a comemoração sempre continuava na de algum dos que moravam em São Paulo. Muitas vezes foi na sua casa.

Lembro também dos cultos na pequena capela do Calvário, no Brooklin e do grupo de escoteiros que se reunia na igreja. Sempre invejei o fato daquela igreja ter escoteiros. Matei minha vontade de usar farda muitos anos depois quando servi o exército. O que ficou guardado na minha memória é que sempre estranhei que aquela igreja não tinha diáconos...Meu tio, com o humor típico dos “Ribeiros”, dizia que diácono servia para tirar coleta e espantar os cachorros. Como na igreja dele não se fazia coleta e, o sistema de portas evitava a entrada de cachorros, a igreja não tinha nenhum diácono.

Anos depois, já no começo da juventude, foi construída a Igreja do Calvário no Campo Belo, eu ativo na igreja da Lapa, presidente de mocidade, ouvi o seguinte convite do meu tio : “Por que você não vem para a nossa Igreja para ser diácono aqui ? “ . O meu humor também é de “Ribeiro” e eu não resisti devolver a pergunta : “Por quê tio ? Agora vocês estão fazendo coleta ou os cachorros acharam o caminho para entrar na igreja ?”. Ele não respondeu, mas riu do fato de eu ter lembrado do seu antigo chiste.

Lembro da solenidade dos cultos. Da seriedade do louvor. Da necessidade das coisas da igreja serem feitas beirando a perfeição. Eu só conheci a Igreja do Calvário, mas sempre ouvi que as igrejas do meu tio cantavam muito bem . Mais de uma vez vi o canto congregacional ser interrompido por ele, chamando a atenção da igreja : "se vamos continuar cantando desse jeito é melhor não cantar do que desagradar a Deus". Inúmeras vezes ouvi comentários de pessoas que diziam que meu tio era muito bravo. Sempre achei muita graça nesse comentário pensando : “eles não conhecem meu tio direito...”

Memórias. Trabalhei durante alguns anos numa agência de turismo para estudantes. De tempos em tempos corria pelas faculdades para afixar cartazes e distribuir folhetos promocionais. Numa dessas vezes estava no Mackenzie, onde o tio Boanerges era presidente. Acabei meu trabalho e pensei em ir cumprimentá-lo. Entrei no prédio onde ficava o seu escritório sem me dar conta de que, na sua função ele deveria ser uma pessoa muito ocupada para receber esse tipo de visita sem aviso prévio. Cheguei até a sua secretária, ela falou com ele ao telefone e pediu que eu esperasse um pouco. Logo em seguida ele me recebeu, conversamos durante uns 15 ou 20 minutos. Com todas as suas atividades ele sempre encontrou tempo para a família.

Depois o contato foi se escasseando. Eu fui ficando mais cheio de atividades profissionais e os compromissos da minha igreja impediam que eu pudesse ir mais vezes à Igreja do Calvário. Volta e meia eu recebia através do meu pai, algum livro ou estudo bíblico que ele havia publicado e me mandava uma cópia.

Quando nasceu Samuel, meu filho mais velho, tive mais contato com ele. Samuel nasceu com uma cardiopatia congênita e foi operado do coração com oito meses de idade. Quase toda semana tia Haydée ligava para mim ou para minha mãe para ter notícias. Também nós tínhamos mais notícias dele que já há algum tempo vinha enfrentando problemas de saúde. Quando o Samuel já estava bom fomos até a casa deles fazer uma visita, para que eles conhecessem a criança por quem vinham orando incessantemente. Ficamos um bom tempo conversando , principalmente sobre o Samuel. Ele e o Samuel tinham passado por cirurgias cardíacas e ele queria saber tudo sobre as perspectivas do meu filho depois da cirurgia.

Ele sempre perguntava como estava a minha igreja e o meu trabalho na igreja. Mas pouco nos dedicávamos a esse assunto. Nos contatos breves e longos, muito mais do que o “Reverendo”, sempre foi o Tio Boanerges.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Anjos : estudo bíblico

1. Definição : angelos (grego) – mal’âk (hebraico) : mensageiro, enviado. Seres celestiais supernaturais (ou seja, além da natureza como a entendemos), um pouco acima dos homens em dignidade.

2. A natureza dos anjos :
Þ Foram criados por Deus (Sl 148:2-5 ; Cl 1:16) antes do homem (Jó 38:7 – estrelas da alva )
Þ São espíritos e não tem natureza corpórea ainda que tenham, no passado, assumido formas antropomorfizadas (Hb 1:14). Não casam, não se reproduzem. (Lc 20:34-36)
Þ São seres individuais e não a personificação de Deus, tendo poderes mas não os atributos de Deus : onisciência (Mt 24:36; 1 Pe 1:12) ou onipotência (Sl 103:20 ; 2Ts 1:7 ; 2 Pe 2:11)
Þ Também não são seres humanos glorificados ( ninguém “vira” anjo) : 1 Co 6:3, Hb 1:14 e podem ser imperfeitos (Jó 4:18)

3. Tipos de anjos

Þ São uma multidão em número não revelado na Bíblia ( Ap 5:11) Estão organizados em hostes (Rm 8:38 ; Ef 1:21; Cl 2:15)
Þ Existem diversos tipos mas a Bíblia não indica se existe hierarquia entre elas (Cl 1:16). Somente um anjo é chamado de anjo superior (arcanjo) : Miguel (Jd 9)
Þ Somente dois anjos são “nomeados” : Gabriel (Dn 8-9 ; Lc 1) e Miguel ( Dn 10,12 ; Jd 9 e Ap 12:7 )
Þ Querubins : guardiões que Deus colocou à porta do Éden após a queda do homem. Adornavam a arca da aliança e as cortinas do tabernáculo simbolizando a presença de Jeová entre eles. Aparecem em Ezequiel sustentando o trono de Deus.
Þ Serafins : estavam em volta do trono de Deus na visão de Isaías (Is 6: 2-3 ) não havendo outras menções a respeito dos mesmos. Os judeus os consideravam uma ordem superior de anjos.
Por sinal, os querubins e serafins são os únicos que são descritos como tendo asas.
Þ Tronos, domínios, principados e potestades : seres angélicos não descritos em detalhes. Podem ser tanto bons como maus (se caídos).

A Igreja católica divide os anjos em 3 tríades, inclusive criando uma 9a. categoria* – não existe base bíblica alguma para isso : Serafins , querubins e tronos / Domínios, potestades e virtudes*/ Principados, arcanjos e anjos

4. O estado dos anjos : Foram criados santos e perfeitos (Gn 1:31-2:1 Jd 6) Alguns caíram ( 2 Pe 2:4 ; Jd 6): não se diz quando/como, mas certamente antes da queda homem, pois Satanás já estava presente na queda do homem.

5. O trabalho dos anjos:
a) Nem todos os anjos são “mensageiros” (querubins e serafins assustariam as pessoas)
b) Adorar a Deus na sua presença ( Mt 18:10; Hb 1:6 ; Ap 5:11)
c) Assistir , proteger e guiar o povo de Deus ( Gn 19:11; Sl 34:7, 91: 11-12; Dn 3:28, 6:22; At 5:19 , 8:26, 27:23-24)
d) Interpretar a mensagem de Deus (Dn 7:16 , 10:10-21; Zc 1:9,19)
e) Executar os juízos de Deus (Gn 19:12-13; 2 Rs 19:35; Ez 9:2-7; At 12:23 )
f) Assistem o ministério de Jesus (Lc 1:26-38,2:13-14 ; Mt 4:11; Lc 22:43;Mt 28:2-7; At 1:10-11)

6. O trabalho dos anjos caídos :
Þ Satanás = adversário – se opõe a todos os desígnios de Deus (1 Pe 5:8 ; Rm 8:38 ; Dn 10:12-13; Jó 1: 12-13 ,19 ; At 10:38 ; Mt 4: 3 ; Jo 13:27)
Þ Também tem o poder de realizar maravilhas ( 2 Co 11:14-15 ) mas esse poder é restrito pelo Espírito Santo ( 2 Ts 2:7). O destino desses anjos já está definido : Mt 25:41

Esse estudo, intencionalmente, não discute a figura do “Anjo do Senhor”, que muitos entendem como sendo manifestações pré-carnais de Jesus Cristo.

Referências bibliográficas :
BALDWIN, Joyce G. Ageu, Zacarias e Malaquias. Mundo Cristão.1972
Bíblia de Estudo de Genebra –versão revista e atualizada – Cultura Cristã/SBB . 1999
Bíblia Sagrada – versão revista e atualizada – Sociedade Bíblica do Brasil . 1969
DAVIS, John D. Diccionario da Bíblia. Centro Brasileiro de Publicidade. 1928
DOUGLAS, J.D & TENNEY, Merrill C. The new international dictionary of the Bible. Zondervan. 1987
DUARTE, Marcelo. O guia dos curiosos. Cia da Letras. 1996
HENDRIKSEN, William . Colossenses e Filemon. Casa Editora Presbiteriana. 1993.
HODGES, Charles. Teologia Sistemática. Editora Hagnos. 2001
KÜNG, Hans. On being a christian. Wallaby.1976
LOPES, Augustus Nicodemus. A “Batalha Espiritual” em perspectiva in Fé Cristã e Misticismo. Cultura Cristã. 2000.
METZGER, Bruce M. & COOGAN, Michael.D. The Oxford companion to the Bible.Oxford University Press.1993
PORTELA NETO, Francisco Solano. Avaliando as manifestações sobrenaturais in Fé Cristã e Misticismo. Cultura Cristã. 2000.